Apresento a vocês uma ideia que foi decorrente das nossas reuniões dentro do consceg, grupo do qual vocês poderão saber mais em seu menu específico neste site



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Encontro06.05.2018
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Guia Legal.

Apresento a vocês uma ideia que foi decorrente das nossas reuniões dentro do CONSCEG, grupo do qual vocês poderão saber mais em seu menu específico neste site.

A ideia foi de catalogar todas aquelas informações riquíssimas que trazíamos para discussão em nossos encontros mensais, nos quais tratávamos dos problemas enfrentados e das soluções propostas durante aquele período dentro da Universidade São Marcos.

Nesses encontros discutíamos os problemas de falta de acessibilidade dos campi, a falta de materiais de apoio dentro das salas de aula, os problemas de relacionamento com o corpo docente, funcionários e assim por diante.

Com as discussões e reflexões a respeito dos percalços que cada um de nós enfrentava dentro de seu curso específico, tentávamos encontrar formas de equacioná-los, procurávamos encontrar e sugerir à Universidade outras maneiras de fazer as mesmas coisas, buscávamos esclarecer os professores sobre como eles poderiam inovar dentro de suas aulas, enfim, sempre tentando ao máximo buscar uma maneira cada vez melhor e mais tranquila de promover a inclusão e a acessibilidade dentro da instituição.

Cada encontro gerava uma ata de reunião, que vocês também poderão acessar dentro do menu do CONSCEG, atas estas que se transformavam em documentos importantíssimos, os quais  distribuíamos para todos os responsáveis pela universidade, no sentido de informá-los a respeito daquilo que estávamos oferecendo como subsídio à promoção do respeito à diversidade dentro daquela instituição.

Com esse manancial valiosíssimo em mãos, percebi que tinha ali todas as informações suficientes para produção de uma espécie de manual sobre como um professor poderia organizar uma aula para seus alunos com deficiência visual. Mais do que isso, um manual também para os alunos que mesmo possuindo alguma deficiência do tipo, não tinham informações mais amplas a respeito de todas as facilidades que poderiam dispor se tivessem um pouco mais de esclarecimentos a respeito.

Como minha crença na inclusão parte do princípio de que ela seja uma via de mão dupla e que ninguém consegue incluir alguém que não queira ser incluído, acredito que os esforços e empenhos devem ser de ambos os lados. Por isso penso que esse manual ajudará tanto os professores que tenham alunos com deficiência visual em suas turmas quanto os alunos com deficiência visual que pretendem descobrir um pouco mais a respeito dos limites e possibilidades dentro dessa deficiência.

Tive então o trabalho de catalogar, sistematizar, organizar as informações em capítulos, grupos e itens que ampliam determinados assuntos, esclarecem dúvidas, evitam os equívocos, desmistificam algumas informações cristalizadas na sociedade, entre outras informações e dicas importantes para mestres e alunos.

Assim, ofereço esse guia, que foi adotado pela Universidade São Marcos, como manual oficial para seus professores, tendo sido impressos mais de 1000 livretos, como mais uma ferramenta para auxiliar na inclusão ampla, geral e irrestrita, além da promoção da acessibilidade e da construção de uma escola para todos.

• Capa

• Apresentação



• Agradecimentos

• Capítulo 1 - História e composição do CONSCEG

• Capitulo 2 - Informações aos coordenadores e professores

• Capitulo 3 - "Dicas e toques legais" - a relação aluno/professor

• Capitulo 4 - Considerações finais

• Capitulo 5 - Universidade São Marcos - Endereços e telefones

Apresentação

Este documento é resultante de sucessivas reuniões, encontros e reflexões realizadas pelo grupo de alunos com deficiência visual da Universidade São Marcos. Trata-se de uma iniciativa espontânea dos alunos, sem nenhuma intervenção da instituição.

No entanto, julgamos que as recomendações práticas nele contidas são de grande valor para os Coordenadores e Professores, assim como para os futuros alunos deficientes visuais (dvs)*. Temos aprendido muito com nossos alunos, e este pequeno grupo nos surpreendeu ainda mais, pela tenacidade de sua luta em favor da inclusão, e pela contribuição efetiva no nascimento de uma metodologia ainda por escrever.

Dicas e Toques Legais é especialmente dirigido aos professores da Universidade São Marcos. Mas, certamente, alcançará um público muito maior, pois a leitura do documento sensibiliza qualquer pessoa.

Beatriz Costa Bernardes

Diretora de Extensão

São Paulo, 2005.

* dv = abreviação utilizada quando se refere à pessoa com deficiência visual.

* dvs = abreviação de pessoas deficientes visuais.

Agradecimentos

Queremos agradecer o grande apoio que temos recebido de boa parte dos professores da Universidade São Marcos, sem os quais nada disso seria possível.

Adiantamos que este modesto guia não tem a finalidade de ensinar aos mestres. Pelo contrário, sabemos que aprendemos muito com todos eles, mas as reflexões do CONSCEG têm proporcionado profundas transformações nas relações entre os alunos e professores.

Acreditamos que estamos diante de um encontro, assim como tantos outros em nosso cotidiano: o encontro de saberes. O saber teórico dos mestres que também anseiam por uma inclusão efetiva, e o saber prático dos alunos dv que anseiam por ser incluídos na comunidade acadêmica. Certamente, esse encontro será cada vez mais amplo e transformador, e muito importante na busca de uma Universidade verdadeiramente inclusiva e capaz de abarcar toda a diversidade humana que venha buscá-la.

Pensamos, cá entre nós, que verdadeiros educadores, como sabemos que são todos os nossos mestres, devem ter um sonho no qual nenhuma pessoa fique marginalizada desse maravilhoso universo do saber e do desenvolvimento. Isso é possível e será cada vez mais, à medida que passos tão importantes como este forem dados.

Atenciosamente,

Membros do CONSCEG.

Capítulo 1 - História e composição do CONSCEG

CONSCEG - Dicas e Toques Legais

1- O que é o CONSCEG?

CONSCEG é uma sigla que significa "Conselho de Alunos Cegos".

Este Conselho foi criado na Universidade São Marcos em fevereiro de 2004, por iniciativa de um grupo de alunos com deficiência visual dos cursos de Psicologia e Direito, com o objetivo de buscar soluções para seus problemas de acessibilidade na Universidade.

Tudo começou com a falta generalizada de material de apoio (livros e textos avulsos, principalmente) em formato adaptado às necessidades desses alunos, assim como as dificuldades encontradas principalmente nos períodos de avaliação, para ambas as partes: aluno e professor. Daí nasceu a idéia de elaborar um livreto com dicas e toques legais, um guia prático, com vistas a um ensino mais eficiente, dirigido aos professores e coordenadores e em busca de uma verdadeira interação com alunos dvs.

Embora formado com o objetivo claro de abrigar alunos com deficiência visual, o CONSCEG conta com a participação de pessoas sem esta deficiência, mas que reconheceram a legitimidade da causa defendida e se sensibilizaram com ela. Desde sua criação, este Conselho vem proporcionando, não só aos seus participantes como a toda a comunidade acadêmica da Universidade São Marcos, um amplo debate e uma reflexão ordenada a respeito dos problemas de acessibilidade e inclusão de pessoas com necessidades específicas no ensino superior. O grupo fundador vem mantendo uma postura ativa, de luta constante por suas reivindicações. Através das práticas e dificuldades cotidianas, vem oferecendo à Instituição, e particularmente aos professores, sugestões, idéias e propostas para minimizar suas dificuldades. Por meio de encontros sistemáticos, troca de experiências e vivências pessoais, temas como estigmas do deficiente, preconceitos e ignorância sobre o assunto têm sido discutidos abertamente, ampliando as formas de interagir entre os grupos.

2- Quem são os fundadores do CONSCEG?

O grupo fundador, liderado pelo aluno Naziberto Lopes, graduando de Psicologia da Universidade São Marcos, foi assim constituído:

- Camila de Lucca - aluna de Direito da PUC, São Paulo

- Carla Cristina Lopes - ex-aluna da Universidade São Marcos

- Deise Fernandes - Socióloga - UNICAMP / SP

- Édi Carlos Vianna - aluno de Sistemas de Informação da USM

- Elisabete Carrão* - Mãe de aluna.

- Elisabete Marinho de Oliveira* - esposa de aluno

- Fernanda Arruda dos Santos* - aluna de pós-graduação da USM

- Jucilene Braga Evangelista - aluna de Psicologia da USM

- Lucas Divino de Sousa - aluno de Direito da USM

- Márcia Regina do Amaral* - aluna de Psicologia da USM

- Maria Cristina de Sousa Marques* - aluna de Psicologia da USM

- Naziberto Lopes - aluno de Psicologia da USM - Universidade São Marcos

- Priscila Branca Neves - aluna de pós-graduação da USM

- Roger dos Santos - Bacharel em Direito pela UNIB - São Paulo / SP

- Jozi Manoela Feliciano Gomes - aluna de Sistema de Informações da FITO, Osasco, SP

(*) não são pessoas dvs, mas voluntários do grupo fundador.

O número de pessoas simpatizantes e voluntárias está sempre numa constante ampliação, à medida que se nota a Importância e a justeza das causas abraçadas pelo grupo.

3- Onde se reúne o CONSCEG?

O CONSCEG se reúne no Campus São Paulo, Unidade João XXIII da Universidade São Marcos, situada na Rua Clóvis Bueno de Azevedo n° 176, no bairro Ipiranga (Tel.: 3491-0500), e seus encontros são mensais, conforme calendário afixado nos murais informativos da USM. As reuniões são abertas ao público, podendo receber a participação de qualquer pessoa como colaborador, como voluntário ou por simples curiosidade.

Capitulo 2 - Informações aos coordenadores e professores

Neste capítulo, procura-se traçar alguns paralelos importantes entre os alunos dvs e seus colegas.

1- Sobre os apontamentos em sala de aula.

Os alunos videntes costumam anotar seus apontamentos e observações de aula em seus cadernos, fichários, blocos de rascunhos, entre outras formas tradicionais de registro manuscrito. Os alunos dvs precisam de equipamentos especiais que os auxiliem nesta tarefa de registrar uma aula.

Alguns recursos são tradicionais e mais conhecidos pelos professores, mas existem alguns mais sofisticados e modernos. A seguir, alguns esclarecimentos a respeito dos equipamentos e recursos pedagógicos utilizados pelo aluno dv:

a) Reglete:

É uma tábua de madeira ou plástico, do tamanho de uma folha de papel sulfite, com uma chapa de alumínio perfurada e um ponteiro chamado punção. Esta é a maneira mais tradicional de registro do braille e a mais utilizada em todas as escolas. Entretanto, tem um grande inconveniente: é um processo lento, que dificulta o registro fiel, embora algumas pessoas sejam muito hábeis na sua utilização.

b) Máquina Braille (mecânica ou elétrica):

Este método é mais rápido, pois a máquina, mesmo sendo mecânica, é mais rápida que a reglete, mas tem um ruído elevado. Esta característica pode incomodar os demais colegas e o professor. Entretanto, salvo outro recurso, deve ser adotada assim mesmo. Outro ponto CONSCEG - Dicas e toques legais a ser considerado é que, devido ao esforço constante de pressão das teclas e o peso elevado do transporte da máquina, isso pode causar sérios prejuízos pelo esforço repetitivo.

c) Gravador de mão tradicional:

O aluno pode gravar em fita magnética toda a aula do professor, ou uma conferência ou um seminário, mas este equipamento é limitado pela sua capacidade: 45 minutos de cada lado, no máximo. Isto obriga o aluno a trocar de fita constantemente, parar e religar o gravador e, consequentemente, perder parte do material. Caso o professor não pare de falar, colaborando conscientemente com o aluno dv, ele pode perder preciosos dados de conteúdo. Além disto, a maioria dos professores se movimenta muito pela sala de aula, o que torna a qualidade da gravação bastante ruim e cheia de ruídos.

d) Mini gravador digital:

É um recurso mais moderno. Colocado no bolso do professor ou pendurado com um cordão em seu pescoço, este equipamento tem a capacidade para gravar até 10 horas de conversação. Pode ser manuseado pelo próprio professor (REC/STOP), é pequeno, leve, não incomoda, sendo quase imperceptível. Tem a vantagem de ficar sempre próximo ao professor, tornando o registro de sua aula muito mais fidedigno e com maior nitidez.

Observação: a aula se constitui em direito autoral, havendo necessidade de autorização do professor para que se efetive a gravação.

e) Notebook ou Laptop:

É um recurso moderno, embora caro e não tão acessível para grande parte dos alunos dvs. Devidamente adaptado com software leitor de tela, tem mínimo ruído causado pela digitação, mas que não incomoda as pessoas mais próximas. Os alunos dvs podem usar fones de ouvido e acompanhar, com a sua digitação, a fala do professor.

2- Sobre a utilização de computadores e recursos da informática.

As pessoas videntes utilizam-se de ferramentas modernas e dinâmicas, como o computador e a internet, para realizarem seus trabalhos, pesquisas e consultas. Sistema operacional como o Windows e seus inúmeros aplicativos e utilitários de sistema são manipulados com frequência por qualquer aluno vidente.

Os alunos dvs também podem fazer uso destes recursos tranquilamente, desde que o computador tenha instalado programas e periféricos específicos, que permitem a ele interagir autonomamente com o equipamento.

Esses programas são os chamados leitores de telas, que serão melhor detalhados no item 3, mas resumidamente, são programas que fazem a leitura em voz alta de tudo o que está na tela do computador, para que o aluno dv perceba e possa controlar e interagir com a máquina.

Todos os aplicativos de maior utilização dentro de um curso acadêmico, como o editor de textos WORD, a planilha de cálculos EXCEL, o INTERNET EXPLORER, o OUTLOOK EXPRESS, para citar alguns, são perfeitamente manipulados e controlados por uma pessoa dv que possua um computador com o programa leitor de telas. Isto permite que ele possa fazer contato via email com quem desejar, que ele navegue pelas páginas da Net, salvo algumas restrições, e crie documentos e trabalhos acadêmicos com desenvoltura. Entretanto, a utilização de computadores pelos alunos dvs ainda não é uma prática generalizada, mas aos poucos vem proporcionando uma melhor inclusão e acessibilidade para este grupo de alunos.

Para alunos universitários, nem é preciso dizer o quanto o acesso ao computador facilita na elaboração de trabalhos e pesquisas, assim como nas leituras, cujo volume é incalculável. Com a ajuda de um aparelho chamado "scanner", o aluno dv pode acessar o conteúdo de qualquer livro que desejar. O aparelho faz a transformação, com qualidade ou não, dependendo da fonte, da página gráfica para um formato digital - um arquivo do tipo Word - e o programa leitor de telas faz instantaneamente a leitura.

Graças a estes avanços da área de informática, os alunos dvs estão podendo, em número cada vez maior, chegar às universidades, mas estas precisam estar suficientemente aparelhadas para receberem este novo contingente de alunos.

3- Tecnologias disponíveis para a acessibilidade da pessoa dv

a) JAWS

É um programa leitor de telas importado que é instalado no microcomputador e faz a leitura dos conteúdos das telas do Windows para a pessoa dv. É muito completo, talvez o melhor que existe atualmente no mercado. Mas tem um custo muito elevado, o que, por si só, limita sua utilização.

b) VIRTUAL VISION (*)

É um programa leitor de telas similar ao JAWS, porém de origem nacional, desenvolvido pela Empresa Micro Power (www.micropower.com.br). Possui uma excelente performance no microcomputador, além de seu sintetizador de voz ser mais amistoso, com um português mais claro.

c) BR-BRAILLE (*)

É um programa desenvolvido na UNICÁMP/SP, distribuído gratuitamente pela mesma, que faz a conversão da escrita Braille para a escrita gráfica normal. Este programa é uma excelente ferramenta para acelerar o processo de transcrição dos textos confeccionados em braile, para o formato Word.

d) IMPRESSORA BRAILLE (*)

Equipamento que pode ser acoplado a um computador, similar a uma impressora comum, porém sua forma de impressão é de pontos em alto relevo combinados que formam o braille.

e) SCANNER e OCR (leitor ótico de caracteres) (*)

Respectivamente, aparelho e programa que, juntos, auxiliam na digitalização de textos gráficos e os transformam em textos digitais. Por exemplo: uma folha qualquer de livro, revista, caderno ou apostila pode ser facilmente transformada em uma página de editor de textos Word. Esta ferramenta é de muita utilidade na adaptação dos diversos materiais utilizados pelos professores, para os alunos dvs, como as bibliografias das diversas disciplinas.

(*) Programas e aparelhos que já existem na Universidade São Marcos, dentro do NAAPNE, e em computadores individuais na Unidade Tatuapé, Sagrada Família, Santa Paulina e no Campus Paulínia.

4- O que é o NAAPNE?

NAAPNE é o Núcleo de Apoio ao Aluno Portador de Necessidades Especiais, localizado dentro do espaço da Biblioteca Central na Unidade João XXIII. Este Núcleo, contando com estagiários com ou sem deficiência, promove a preparação de materiais adaptados para os alunos dvs, além de procurar meios de acessibilidade para outros alunos com deficiência sensorial ou motora, permanente ou temporária.

Capitulo 3 - "Dicas e toques legais" - a relação aluno/professor

Neste capitulo, as experiências vividas pelos alunos dvs são transformadas em dicas, sugestões, pequenos truques, pequenos detalhes que podem ajudar muito a relação aluno/professor, neste esforço conjunto de inclusão.

A forma comparativa adotada (aluno dv/aluno vidente) facilita a percepção das diferenças e demonstra, por si só, a necessidade dos ajustes pessoais que fazem os alunos se sentirem bem ou mal, incluídos ou excluídos da relação de ensino, adaptados ou não às suas respectivas classes e grupos de trabalho.

1- Apresentação inicial do professor: o reconhecimento da voz.

Tradicionalmente, o professor chega à sala de aula, nos primeiros dias, e se apresenta de viva voz ou escrevendo seu nome na lousa, além de outras informações necessárias para o início de sua programação

É conveniente, na sua primeira apresentação à classe, que o professor saiba com antecedência se existem alunos dvs. Havendo, é necessário que ele procure apresentar-se diretamente para ele.

Este não é um procedimento padrão, e nem é habitual na universidade, porém para o aluno dv esta atitude é fundamental. Aliada à sua insegurança por ser calouro, existe a dificuldade especial para saber o que está acontecendo na sala de aula, principalmente nos primeiros dias. Quando o professor se dispõe a apresentar-se diretamente ao aluno dv, já se inicia o processo de reconhecimento de sua voz, O aluno saberá que quem está falando com ele naquele momento, é o professor de tal disciplina e não o confundirá com outras pessoas.

Parece simples, não é verdade? E é realmente simples, mas isto raramente acontece

Dicas para o professor:

- Aproxime-se do aluno, apresentando-se pessoalmente.

- Pergunte como ele costuma fazer suas anotações.

- Caso ele queira gravar, permita.

- Espere que ele inicie a gravação.

- Avise sempre que tiver que escrever algumas coisas no quadro.

- Continue narrando tudo que escrever.

- Pergunte se ele tem um email, através do qual poderão se comunicar com mais rapidez e eficiência.

2- Programas da disciplina: material necessário no tempo certo.

O programa da disciplina é o contrato de trabalho entre o professor e o aluno, para um número determinado de aulas, geralmente um semestre.

É um documento extremamente importante para que o aluno possa ter uma noção de conjunto dos itens que deverão ser tratados pelo professor e seus objetivos, além de toda sua bibliografia básica e complementar a ser utilizada durante o semestre.

Tradicionalmente, o cronograma de aulas impresso em papel, é distribuído pelo professor no primeiro dia de aula. Este procedimento não atinge o aluno dv. Ele precisa destas informações impressas em braille, ou gravadas num CD-ROM, para que possa ler no seu computador em casa ou no NAAPNE, e ter acesso ao programa ao mesmo tempo que os demais colegas.

Dicas para o professor:

- Encaminhe ao NAAPNE o arquivo de seu programa, via email ou pessoalmente, com antecedência mínima de 10 dias para o preparo do material em braille ou em CD-ROM.

- Passe por email o programa e a bibliografia para os alunos dvs.

- Para o aluno dv, é de fundamental importância que ele tenha em mãos, ao mesmo tempo em que todos os demais de sua classe, o programa do professor.

3- Textos para leitura e bibliografia da disciplina: ajuda do NAAPNE.

Tradicionalmente, na Universidade São Marcos, os professores costumam indicar os textos de apoio para suas aulas com certa antecedência.

Dicas para o professor:

- O professor pode encaminhar pessoalmente ou por email ao NAAPNE o texto, o capítulo ou a bibliografia completa que está recomendando para leitura. O ideal é que o professor faça isto com o máximo de antecedência possível, para que o aluno dv possa receber este material junto com os demais colegas.

- O professor deverá lembrar-se de atualizar constantemente, junto ao NAAPNE, o material de apoio para suas aulas.

4- Anotações no quadro: construções mentais.

Tradicionalmente, quando o professor está escrevendo na lousa, ele permanece em silêncio, ou narra apenas algumas partes mais importantes. Com este procedimento, o aluno dv fica excluído, pois não pode anotar e nem gravar.

É complicado para um aluno com este tipo de deficiência compreender um esquema, por exemplo, porque este tipo de demonstração gráfica é subdividido infinitamente em outros subesquemas. A visão do conjunto torna-se impossível. Quando o professor utiliza expressões tais como "à direita", ou "aqui em baixo", ou ainda, "para cá ou para lá", é muito desagradável para o aluno dv não poder acompanhar seu raciocínio. Ele fica completamente "perdido".

Dicas para o professor:

- Para que um professor não deixe excluído o aluno dv a cada vez que escreve na lousa, o jeito mais adequado é narrar a sua escrita no exato momento em que está escrevendo.

- Quando se tratar de um esquema, com subdivisões, chaves, números, letras, o ideal é ir narrando, ir pontuando a cada momento o que vai escrevendo de chave em chave. E deve fazer isto tanto quando está caminhando para fora do esquema (para a direita), assim como quando volta para dentro do mesmo (à esquerda).

- Para não deixar o aluno dv confuso no meio da explicação, o professor precisa dizer literalmente para que local do quadro está apontando. Por exemplo: "Voltando para o tópico em que falamos de... podemos comparar com... que está aqui à direita".

- Desta maneira, o aluno dv vai construindo mentalmente o esquema ou o desenho elaborado no quadro, e poderá, posteriormente, montar aquele esquema ou desenho de sua própria maneira.

5- Apresentação de transparências: a sensação de exclusão total.

Tradicionalmente, os professores têm suas transparências com os tópicos a serem abordados em aula, com pequenos textos resumidos das teorias ou conceitos. Ao serem exibidas, os alunos videntes copiam os tópicos, para posteriormente agregarem novas informações com o decorrer das explanações do mestre. Às vezes, solicitam dos professores estas transparências e fazem cópias xerografadas.

Sem dúvida, este é um dos momentos de maior exclusão de um aluno dv. Seu acesso é totalmente impossível, e à medida que as folhas de transparências vão sendo trocadas, a sensação de "estar perdido" ou de confusão, ficam cada vez mais evidentes. Isto ocorre com muita frequência, tanto nas aulas regulares ao longo do semestre, como nas apresentações de trabalhos dos demais alunos.

Dicas para o professor:

- As transparências devem ser oferecidas ao aluno dv em braille ou em CD-ROM, com o auxílio dos estagiários do NAAPNE. Para isso, precisam ser encaminhadas via email ou em CD-ROM, com a maior antecedência possível, para o Núcleo.

- Na ausência de cópias em braille, cada página da transparência deve ser lida e pontuada na íntegra. Dessa maneira, o aluno dv vai acompanhando tópico por tópico e fica incluído na discussão, e com possibilidades de levantar questões.

- Seria interessante ainda, que o professor recomendasse aos demais alunos da classe, a importância de fornecer, também com antecedência, as transparências das futuras apresentações de seus trabalhos individuais ou em grupo. Dessa forma, estarão praticando também o exercício da inclusão.

6- Apresentação de filmes: um momento difícil.

Tradicionalmente, este é um recurso muito utilizado pelos professores. Para o caso de filmes nacionais ou então filmes dublados para o português, não há nenhum problema, pois o aluno dv tem condições de compreender o contexto através dos diálogos ou de narrações. Mas para filmes estrangeiros legendados, mudos ou ainda que misturem idiomas, o problema existe.

Dicas para o professor:

- Alguns filmes possuem uma versão atualizada em DVD. A substituição do videocassete por cópia DVD é recomendável, pois facilita sua utilização na opção de dublagem em português.

- Pode ser que o aluno dv já esteja bem adaptado aos colegas e estes prontamente se ofereçam para a audiodescrição do filme. Isto já resolve a situação.

- Um procedimento correto por parte do professor é oferecer para o aluno a sua contribuição, fazendo uma narração sucinta do filme, do que está acontecendo, um contexto geral da obra, os pontos de maior interesse, sem a necessidade de traduzir todas as falas. Esta audiodescrição pode ser feita em tom baixo, no fundo da sala de aula, para que não atrapalhe o restante da turma.

7- Avaliações: um duplo problema.

a) Na Aplicação.

Fazer avaliações já é um motivo de preocupação para qualquer aluno, em qualquer tempo. Imagine agora um aluno dv será que o professor terá uma prova adaptada? De que formato?

É muito importante que o professor tenha conhecimento prévio das necessidades do aluno dv em relação às avaliações. Isto pode ser conseguido simplesmente com uma conversa prévia, direta e objetiva, para saber se ele está habituado à avaliação em braille, CD-ROM ou prova oral.

Á maioria dos alunos dvs prefere a prova em braille, com a qual estão mais familiarizados. Mas alguns deles podem requisitá-la em CD-ROM, se possuírem um computador portátil, e/ou se tiverem a permissão de realizar as avaliações no NAAPNE. Isto deve ser combinado com antecedência.

É muito comum entre os professores que têm alunos dvs em suas classes, optarem por provas orais. Mas, segundo muitos destes alunos, esta é a pior opção, a menos recomendada, porque além da dificuldade natural da avaliação, existe o constrangimento diante do avaliador.

Outra forma utilizada é o professor pedir para que o próprio aluno leia a sua prova feita em braille, para que o professor possa corrigi-la no mesmo instante e já conferir-lhe a nota respectiva.

Para essas duas últimas opções, devemos salientar que uma das preocupações de todo professor deve ser o zelo pela linguagem e boa escrita. Pois bem, essas duas formas de avaliação não permitem que ele se aperceba disso, ou seja, se o aluno está ou não escrevendo corretamente, respeitando as normas ortográficas vigentes. Sendo assim, são duas opções que, caso seja uma escolha autônoma do aluno, podem ser utilizadas, mas é preciso que se esteja atento a esses cuidados, visando a uma melhor formação do aluno.

Dicas para o professor:

- Um recurso muito rápido é permitir que o aluno dv realize sua avaliação nos computadores do NAAPNE, caso ele não tenha um computador pessoal, mas tenha habilidade com esse recurso. O resultado é instantâneo e a avaliação será impressa e entregue ao professor, permitindo o processo de correção e devolução em tempo hábil.

- Caso a opção seja para a avaliação em braille, o professor deverá enviar, com a maior antecedência possível, uma cópia para o NAAPNE para sua devida transcrição em tempo útil.

- Caso a opção seja para a avaliação em CD-ROM, basta gravá-lo e entregá-lo ao aluno dv. Depois de respondida, ele lhe entregará para sua correção.

- Caso a opção seja pela prova oral, combine com o aluno dv o melhor local, dia e condições para realizá-la.

b) Na devolução da prova.

Tradicionalmente, os professores devolvem suas provas com as respectivas correções, comentários e notas, ao final de um prazo específico.

É imprescindível que o aluno dv receba suas provas e notas ao mesmo tempo que seus colegas, e que ele possa saber dos comentários, dicas, além dos erros cometidos na avaliação.

Dicas para o professor:

- Se a avaliação foi realizada em braille, tome os devidos cuidados de solicitar ao Núcleo a sua devolução, pois terá que entregá-la corrigida junto com todas as outras.

- Se a avaliação foi feita em CD-ROM, o professor pode transcrever os dados da correção também no mesmo dispositivo. Isso possibilita que o aluno dv tenha contato direto com os comentários da correção, assim como todos os outros.

- Se a avaliação foi feita oralmente, o professor pode optar por fornecer ao aluno dv sua nota imediatamente após seu término.

- Tomando todos esses cuidados, evitar-se-ão, ao máximo, expressões tais como: "Esqueci sua prova!", ou "Sua prova ainda não chegou", ou também, "Eu não sei o que fizeram com a sua prova", pois estas expressões podem destruir todas as expectativas e esperanças de uma inclusão verdadeira.

- O aluno dv tem as mesmas ansiedades, angústias, dificuldades, medos como qualquer outro aluno.

Capitulo 4 - Considerações finais

Caros mestres: esperamos, modestamente, contribuir com a construção de um modelo inclusivo dentro da Universidade São Marcos e que as dificuldades, os preconceitos, as atitudes, os constrangimentos no processo de ensino e aprendizagem, possam ser minimizados com diálogo e parceria.

Agradecemos a leitura e a compreensão para a necessidade deste guia prático para o professor.

CONSCEG.

Conselho de Alunos Cegos - Universidade São Marcos.

Dicas e Toques Legais - Guia Prático para Professores.

São Paulo, 2005.

Capitulo 5 - Universidade São Marcos - Endereços e telefones

Campus São Paulo.

Unidade Central.

Av. Nazaré, 900 - Ipiranga - 04262-100.

Tel.: (11) 3471-5700 / 0800 11 11 70.

Unidade João XXIII.

Rua Clóvis Bueno de Azevedo, 176 - Ipiranga - 04266-040.

Tel.: (11) 3491-0500.

Unidade Sagrada Família.

Av. Nazaré, 470 - Ipiranga - 04262-000.

Tel.: (11) 274-4666.

Unidade Santa Paulina.

R. Padre Marchetti, 235 - Ipiranga - 04266-000.

Tel.: (11) 274-4666.

Unidade Padre Chico.

R. Moreira de Godoy, 572 - Ipiranga - 04266-060.

Tel.: (11) 274-5766.

Unidade Jardins.

R. Pamplona, 1616 - Jardins - 01405-030.

Tel.: (11) 3884-1981.

Unidade Tatuapé.

R. Coelho Lisboa, 334 - Tatuapé - 03323-040.

Tel.: (11) 6197-5655.

Unidade Campus Paulina.

Rod. José Lozano de Araújo, Km 2 s/n.

Parque Brasil 500 - Pautínia - SP - 13140-000.

Tel.: (19) 3844-7722.

Fonte:


Disponível em: ; Acessado em: 08/12/2017.

Disponível para download:



http:www.acessibilidadeemfoco.com/apostilas.html

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