Aprendizado e memória, como definir cada um desses termos¿ uma pessoa que tem boa memória aprende mais, tem mais facilidade para aprender¿ mas o que significa ter boa memória¿ o que significa aprender¿ aprender o que¿



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Memória e Aprendizado
Prof. Fábio Theoto Rocha

www.enscer.com.br


Aprendizado e memória, como definir cada um desses termos? Como compreender cada um desses fenômenos? Uma pessoa que tem boa memória aprende mais, tem mais facilidade para aprender? Mas o que significa ter boa memória? O que significa aprender? Aprender o quê? Vamos tentar elucidar essas questões sob a ótica das neurociências tentando aplicar o conhecimento sobre o aprendizado cerebral na prática do ensino.
Aprendizado
Uma definição básica para o aprendizado se refere à aquisição de conhecimento que seja retido para possíveis futuras aplicações. Mas como podemos agora definir conhecimento? E de que maneira esse conhecimento pode ser retido, ou memorizado? Uma maneira de resolvermos essa questão pode ser procurarmos o conceito mais básico possível, a partir do qual todas as nossas proposições serão fundamentadas. A unidade mais básica a que podemos no referir e a partir da qual podemos traçar nossas definições é denominada informação. Informação pode ser a menor unidade perceptível passível de interpretação. Tudo o que nossos sentidos são capazes de perceber podemos considerar como uma informação.
Para uma informação ou um conjunto de informações tornarem-se conhecimento, podemos propor que essas informações devam ser postas em prática com algum benefício para o indivíduo. Por exemplo, “Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil” é uma informação ou um conhecimento? Inicialmente podemos considerar apenas como uma informação, pois não possui nenhuma utilidade para o indivíduo. Mas se essa informação se associa com outras informações pode assim constituir-se um conhecimento acerca da realidade vivenciada pelo indivíduo. Por exemplo, “Pedro Álvares Cabral era uma navegador português que, dentro do contexto das grandes navegações, saiu de Portugal com outras embarcações em busca de novas terras, com o intuito de encontrar riquezas para levar ao seu país. Ao chegar ao Brasil iniciou a exploração das riquezas desse solo. Dessa maneira iniciaram-se os primeiros contatos entre os habitantes do Brasil e os habitantes de Portugal. Essa união juntamente com o contato com os negros, vindos posteriormente da África deu origem às pessoas que vivem hoje no Brasil”. Dessa maneira, cada unidade de informação faz parte de um significado maior cujo intuito é esclarecer ao indivíduo a diversidade de etnias observáveis no ambiente em que ele vive. Mas como o nosso cérebro é capaz de reter ou memorizar essas informações a fim de constituírem-se um conhecimento?
Antes de explorarmos a relação da memória no aprendizado, vamos abordar outra definição utilizada correntemente: a premissa de que o conhecimento gerado deva alterar o comportamento do indivíduo com o intuito de adaptá-lo ao ambiente. Assim, o aprendizado implica a criação de um novo comportamento, ou seja, de novos processos mentais internos em função de estímulos externos percebidos pelo próprio indivíduo e que possam ser de alguma forma reutilizáveis sempre que necessário para o bem estar do organismo.
Mais uma questão básica a ser tratada a respeito do aprendizado diz respeito a sua generalização ou especificidade. A aquisição de conhecimento ou criação de novos comportamentos podem ser considerados habilidades globais do indivíduo ou devem ser estudados particularmente de acordo com as diversas atividades que somos capazes de exercer? Pelos conceitos de inteligência global e inteligências múltiplas discutidas no capítulo anterior, podemos propor que o nosso aprendizado esteja condicionado por fatores globais, mas também deve ser considerado a partir de cada uma de nossas habilidades.
Agora, quando o indivíduo se torna apto a repetir o mesmo comportamento que se mostrou eficiente, ou a resgatar um conhecimento adquirido, dizemos que ele aprendeu ou somente memorizou? Geralmente, há um certo desmerecimento quanto dizemos que o indivíduo não aprendeu, somente memorizou tal conhecimento ou comportamento. No entanto, sem a memorização não há aprendizado. Então, como podemos estabelecer a relação entre o aprendizado e a memória?
Podemos considerar o aprendizado como o processo de consolidação de um conhecimento ou comportamento que podem ser resgatados quando necessários e memória por sua vez a própria consolidação e recuperação desse conhecimento ou comportamento. A memória poderia ser considerada como o produto final de um aprendizado.
Como inúmeros outros termos (inteligência, emoção, atenção) memória é uma palavra amplamente utilizada na nossa língua do dia a dia. A partir do uso desse termo em vários contextos distintos da nossa vida, tendemos a imaginar que memória seja uma atividade mental genérica responsável pelo armazenamento das informações em nosso cérebro que podem ser resgatadas quando necessárias. No entanto, apesar de podermos generalizar a idéia de memória dessa maneira, o que se observa é que essa atividade mental é bem mais complexa e diversa. Se a consideramos como um produto do aprendizado e aceitarmos que haja diversos tipos de aprendizado, devemos começar a pensar em diversos tipos de memória. Um exemplo do uso difundido do termo memória é o chamado “jogo de memória”. Para o nosso cérebro, esse jogo trata-se exclusivamente de uma atividade visuo-espacial que requer uma memorização de imagens e das posições dessas imagens no espaço. Ser bom no jogo de memória, não significa que o indivíduo será bom em memorizar fatos históricos ou novos comportamentos.
Um problema levantado por educadores ao se tratar aprendizado e memória como duas faces da mesma moeda é o fato de que alguns alunos memorizam uma informação em um dado momento, mas no dia seguinte, ou instantes depois, se esquecem. Isso levanta uma outra questão bastante estudada em psicologia e neurociência, o conceito de memória de curto e longo prazo. Podemos incluir essa questão em nossa discussão, acrescentando a condição de que para ocorrer um aprendizado, devemos consolidar uma memória de longo prazo. Mas como isso pode ocorrer?
Veremos, ainda de maneira global, como conhecimentos ou comportamentos podem ser memorizados a longo prazo se respeitarem a idéia básica da utilidade da informação. Sendo a memória um processo ativo que depende de uma ação mental voluntária do indivíduo, devemos considerar os mecanismos cerebrais responsáveis pelo processo de tomada de decisão e sua repercussão no aprendizado. Esse processo influenciará na maneira como os neurônios responsáveis pelas nossas diversas memórias estabelecerão suas sinapses. Toda ação, motora ou não, inicia-se com a identificação de uma necessidade, por exemplo, compreender porque as pessoas possuem fisionomias diferentes. Essa necessidade, identificada, por exemplo, por neurônios que reconhecem as faces das pessoas gera uma motivação, ou seja, ativa neurônios do sistema límbico que agirão sobre neurônios de áreas frontais que começarão a planejar ações que possivelmente resolverão a necessidade motivada. Nesse caso, é papel do ensino apresentar os possíveis planos de ação para o aluno. Propõe-se que o aluno seja estimulado a também criar seus próprios planos de ação e decidir sobre aquele que melhor poderá satisfazê-lo (ler um livro, procurar na Internet, ver um filme). Decidido pela ação a ser tomada, o indivíduo deve monitorar sua ação para avaliar a cada momento se essa ação está conseguindo satisfazer sua necessidade. Se as informações que essa ação conseguiu encontrar forem avaliadas como satisfatórias para a solução da sua necessidade inicial, neurônios do sistema límbico influenciarão a atividade dos neurônios do hipocampo responsáveis pela consolidação das memórias episódicas, ou seja, dos fatos históricos. Veremos adiante como ocorrem esses processos a nível molecular, celular e fisiológico.




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