Antonio Arantes é doutor em antropologia pela Universidade de Cambridge, Kings College, pós doutor em cultura e política pela University of London e professor titular convidado pelo departamento de antropologia social da Unicamp


BCL/IG: Qual foi a nova discussão que emergiu na década de 1980?



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BCL/IG: Qual foi a nova discussão que emergiu na década de 1980?

ANTONIO ARANTES: Na verdade, três temas estavam em debate. Em primeiro lugar, o fato de que as manifestações das práticas culturais não se restringem aos artefatos de natureza material. Há atividades importantes e reconhecidas pela população, como festas, práticas religiosas ou fazeres artesanais, que exprimem os valores e as concepções culturais de um grupo social. Portanto, o patrimônio cultural não pode se restringir a objetos e construções. Em segundo lugar, discutia-se a idéia de hegemonia. Em um país democrático não faz sentido restringir a proteção do Estado apenas àqueles bens culturais associados a grupos dominantes; a construção do patrimônio nacional deve contemplar a diversidade étnica e social, traduzir a estratificação e a pluralidade que constituem o país como nação. E, finalmente, o que é uma conseqüência importante das questões anteriores, os valores atribuídos a bens e práticas patrimoniais não deveriam ser restritos ao que era reconhecido pelo conhecimento acadêmico (arquitetura, etnologia, história, arqueologia etc) mas também incluir artefatos e práticas reconhecidos por grupos sociais concretos como referências a suas identidades, memórias e práticas distintivas (i.e., o seu próprio patrimônio)





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