Antonio Arantes é doutor em antropologia pela Universidade de Cambridge, Kings College, pós doutor em cultura e política pela University of London e professor titular convidado pelo departamento de antropologia social da Unicamp


BCL/IG: Poderia o reconhecimento do patrimônio cultural gerar resultados inesperados e até negativos para a própria prática, como a folclorização?



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BCL/IG: Poderia o reconhecimento do patrimônio cultural gerar resultados inesperados e até negativos para a própria prática, como a folclorização?

ANTONIO ARANTES: A experiência com a salvaguarda do patrimônio imaterial não tem ainda história suficiente para permitir avaliação profunda. Veja que isso começou no Brasil em 2003; nós estamos em 2008, são apenas cinco anos. Mas acho que sim, que pode gerar folclorização. Por exemplo, se ocorresse a transformação do samba-de-roda em espetáculo exclusivamente para o palco. Quando se decidiu salvaguardar o samba-de-roda, era porque uma comunidade o praticava em seu próprio meio, expressava-se por meio dele, e era reconhecida por aquela música e dança cuja prática realimentava suas relações sociais. No momento em que a dança fosse levada para o palco e só para o palco, fosse executada por dançarinos profissionais e pautada em contratos com empresários do show business, provavelmente o sentido da preservação original estaria perdido, porque os vínculos da prática com a comunidade também se teriam perdido. Quer dizer, não é exatamente a música e a dança, mas um determinado grupo social executando a música e dançando que precisa de proteção.





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