Antonio Arantes é doutor em antropologia pela Universidade de Cambridge, Kings College, pós doutor em cultura e política pela University of London e professor titular convidado pelo departamento de antropologia social da Unicamp


BCL/IG: Houve muitos conflitos até se chegar ao consenso de que o samba-de-roda do Recôncavo seria o escolhido?



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BCL/IG: Houve muitos conflitos até se chegar ao consenso de que o samba-de-roda do Recôncavo seria o escolhido?

ANTONIO ARANTES: Não chegou a haver propriamente conflitos, mas houve muita discussão. Tomou-se a decisão de trabalhar com o samba-de-roda da Bahia como ponto de partida para o estudo de um conjunto de variantes do samba. Seria o mesmo problema para o caso do Bumba-meu-boi. Pelo menos enquanto estive no IPHAN, sempre defendi a idéia de que o Bumba-meu-boi, se protegido, deveria abranger todas as variantes dessa prática. Porque não existe uma variante que seja mais verdadeira e autêntica que as outras. Nada mais é “original”, no sentido de ser idêntico ao que se fazia 70 anos ou 200 anos atrás. Tudo dialoga com tudo, hoje em dia é difícil falar em manifestação “original” ou autêntica. No máximo, podem-se encontrar variantes praticadas por comunidades mais conservadoras.


BCL/IG: Você falou em variantes mais “essencialistas”. Na antropologia, a questão da essencialização da cultura – por parte dos pesquisadores e também dos praticantes –, vem sendo bastante problematizada. É a esse tipo de essencialização que você acaba de se referir?

ANTONIO ARANTES: Em uma perspectiva essencialista, as identidades e as práticas culturais são vistas como objetos num baú. Entende-se que os grupos sociais estejam – ou devessem estar – permanentemente presos ao mesmo estoque de emblemas culturais distintivos. Desta perspectiva, a idade de ouro das culturas e da diversidade cultural encontra-se sempre – e necessariamente – no passado, e as mudanças são interpretadas como perda de autenticidade. Contudo, esta visão segue na contramão da história; ela rejeita o dinamismo da cultura e a natureza mutável das identidades sociais.





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