Antonio Arantes é doutor em antropologia pela Universidade de Cambridge, Kings College, pós doutor em cultura e política pela University of London e professor titular convidado pelo departamento de antropologia social da Unicamp


BCL/IG: Quais foram os outros pedidos reconhecidos pelo IPHAN, após a arte Kusiwa e a confecção de panelas em Goiabeiras?



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BCL/IG: Quais foram os outros pedidos reconhecidos pelo IPHAN, após a arte Kusiwa e a confecção de panelas em Goiabeiras?

ANTONIO ARANTES: Ah, foram inúmeros. Eu não me lembraria de tudo agora. Mas vale a pena citar o samba, prática emblemática da nacionalidade, sobretudo no cenário internacional. Na época, um dos problemas que nós enfrentamos no IPHAN foi: “Que samba?” Porque o samba vai dos desfiles na Avenida Marquês de Sapucaí aos produtos da indústria fonográfica, passando pelo trabalho dos compositores e intérpretes desconhecidos do grande público, pelo samba-de-roda, pela batucada no bar... A mesma prática cultural, a mesma linguagem melhor dizendo, se realiza de várias maneiras no território nacional. O samba é tudo isso. Hoje em dia, dificilmente se pode imaginar que um dos níveis dessa realidade exista sem referência ou feedback do outro. Tudo se inter-relaciona. E aí, quando se colocou a questão de considerar o samba como patrimônio cultural do Brasil e propô-lo à UNESCO, dentro do programa das obras-primas do patrimônio oral e imaterial da humanidade, decidiu-se pelo samba-de-roda do Recôncavo Baiano. Por que? Porque o samba de roda do Recôncavo Baiano diz respeito a uma comunidade específica de praticantes, ou a várias comunidades numa mesma região; ele se refere a um modo particular de execução, com tipos de instrumento, harmonia, repertório, indumentária e coreografia que lhe são próprios. Ele pode ser interpretado como uma expressão contemporânea daquela matriz que, de certa maneira, gerou várias outras expressões do samba. Não se pode esquecer, por exemplo, que nos terreiros das “tias” que foram da Bahia para o Rio de Janeiro o samba-de-roda e o samba de fundo de quintal se transformaram no samba dos morros cariocas, no início do século XX, antes mesmo do carnaval ir para a Marquês de Sapucaí.





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