Análise – Otelo, o Mouro de Veneza de William Shakespeare



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Análise – Otelo, o Mouro de Veneza de William Shakespeare

Por: ANA CLAUDIA BRIDA

PROFESSORA ESPECIALISTA


  • Introdução

O trabalho a seguir tem como objetivo analisar, sem esgotar todas as possibilidades a tragédia de Otelo (1604) que se tornou uma das obras imortais de Willian Shakespeare, que havia se baseado na Sétima Novela do Hecatommithi, de Giraldi Cinthio. A linguagem de Shakespeare, rica e criadora, contém todos os elementos anglo-saxônicos e latinos da língua inglesa, que o poeta enriqueceu com um maior número de citações, locuções e frases proverbiais do que qualquer outro autor, respeitando a versão original, mas fez algumas modificações: Shakespeare busca a comédia e o romance naturalmente, mas chega à tragédia por meio da violência e da ambivalência; atribuiu ao Mouro um caráter mais nobre e refinado, e também uma função de destaque em Veneza; aumentou a importância de Emília na trama; acentuou a malignidade de Iago; criou novos personagens e eliminou outros.

Obviamente, Shakespeare não é Lord Byron, que exibe por toda a Europa o coração sangrando; contudo, a imensa agonia que sentimos ao ver Otelo matar Desdêmona é informada não apenas por uma intensidade exterior, mas, também, interior e é justamente este fato que faz de Otelo uma tragédia do ciúme, peça de construção perfeita, onde a psicologia do Mouro ciumento e a da maldade diabólica de Iago, bem como a lógica dos acontecimentos - tradução de uma fatalidade inexorável - conduzem o espectador ao clima dos grandes modelos de tragédias gregas citadas por Aristóteles.

Bem encenada, Otelo será um trauma para a platéia, ainda que momentâneo; e desta forma o foi para Harold Bloom que afirma que a obra o apavora ainda mais do que outras peças shakesperianas, pois se trata de uma dor imponderável, desde que se conceda a Otelo a imensa dignidade e o valor que tornam a degradação do personagem algo tão terrível.

Auden, em um de seus ensaios mais enigmáticos, identifica, em Iago, a apoteose da figura do "brincalhão", o que, no entendimento de Harold Bloom, só pode ser explicado desde que o Iago de Auden seja o de Verdi, já um ancião desencantado de setenta e dois anos que aceitara o desafio de realizar algo monumental e o faria ao transformar a peça de Shakespeare numa das mais belas óperas. O roteirista Arrigo Boito decide cortar todo o primeiro ato da obra original de Shakespeare e escrever uma narrativa mais condensada, densa, dramática e repleta de ação: algo que tiraria mesmo o fôlego do público. O resultado é poderoso, tremendo e singular, com os personagens com uma realidade individual extraordinária. As cenas de duelos são totalmente cinematográficas, os duetos sentimentais são belíssimos e o ciúme doentio de Otelo ganha cores intensas na partitura do velho mestre italiano. E talvez aqui caiba uma palavra final no que tange sobre a ópera: Verdi sempre foi meio pessimista - seu Iago termina condenado e triunfante. No original de Shakespeare, o embaixador volta-se para os guardas e diz para Iago:

"Ó cão espartano, mais feroz do que a angústia, a fome ou o mar! Olha o fardo trágico desta cama! É trabalho teu (...)! Quanto a vós, governador incumbe o castigo deste trabalho infernal. Determinai a hora, o lugar, a tortura... É preciso que seja terrível! Quanto a mim, embarco de imediato e vou ao Senado relatar, com o coração acabrunhado esta dolorosa ocorrência!".

Shakespeare neste aspecto é um pouco mais otimista, mas Iago não conseguirá escapar do destino certo e justo.

Quanto às versões para o cinema, uma das melhores adaptações é a do diretor Oliver Parker que foi também roteirista do filme Otelo de 1995. Segue fielmente nos diálogos a poesia dramática shakespereana e coloca pela primeira vez um Otelo negro. Em outras versões, tanto para teatro como para cinema em que Orson Welles interpreta o mouro, tendo escurecido o rosto para tal, nunca se havia utilizado de uma pessoa negra, o que vem a rechaçar uma das causas de confronto da peça, que é o preconceito racial; e com grande mérito o autor Laurence Fishburne encarna perfeitamente a divindade de Otelo. Kenneth Brannagh, grande discípulo de Shakespeare da atualidade, está perfeito na interpretação do vilão Iago piscando maliciosamente para o público e mostrando todo o cinismo do personagem e dizendo:




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