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Educação para o empreendedorismo em jovens e adultos desempregados: Avaliação das ações



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Educação para o empreendedorismo em jovens e adultos desempregados: Avaliação das ações

1Identifica alguma lacuna, potencialidades e espetos a melhorar nestas ações de sensibilização para o empreendedorismo em termos de construção de competências junto dos jovens e dos adultos desempregados



Uma lacuna que eu identifico e já referi é que a maioria das instituições que trabalham na área do empreendedorismo estão muito focadas no empreendedorismo empresarial e não estão dispostas a ouvir ideias, sobretudo as que vem de pessoas mais desfavorecidas. O problema é que muitas vezes os técnicos afetos à área empreendedorismo não conseguem sair da sua zona de conforto e arriscar seguir outras ideias. Pelo mesmo fator que um engravatado que gere um gabinete de apoio ao empreendedor sente-se desconfortável ao falar com um pobre “descalço” roto, mas que tem uma ideia excelente, mas este não se sente nada à vontade em apresentar a sua ideia por mais que esta seja boa. A lacuna é não haver meio-termo. Não há meio-termo de imagem por parte dos técnicos que trabalham com estas pessoas e internacional, de confiança, de empatia, de abertura, de linguagem. No entanto ser pobre ou rico, ou, ter ou não ter uma boa vida, não significa que não se possa ter uma boa ideia. Uma pessoa hoje está como técnico e amanhã pode estar do outro lado. Hoje quem está numa situação de carência social pode ultrapassa-la e que está no lado dos serviços pode amanhã cair numa situação desfavorecida. Por mais status que uma pessoa tenha, por mais estudos que se tenha, isso não significa que ao arriscar não corra ma e a pessoa perca o que tem e fique numa situação de carência. Uma pessoa que se calhar não arrisca tanto porque já sabe até onde pode arriscar, está disposta a começar com mais calma e fazer a sua ideia crescer com calma, com fundações solidas e vingar onde o outro que arriscou demasiado falhou. Isso claramente julgo ser uma lacuna.

A outra grande lacuna é a mentalidade das pessoas. As pessoas estão socializadas de uma forma, nas ultimas décadas, que presam demasiado a segurança. E neste momento a segurança de um trabalho para a vida, bem pago e que lhes proporcione estabilidade está longe daquilo que já foi. As pessoas não foram socializadas para uma atitude de arriscar. Então nos últimos quarenta anos a cultura do funcionário público dominou a mentalidade da maioria da população. Na filosofia das pessoas o trabalho por conta de outrem de forma estável era horizonte. No contexto atual as condições são mais flexíveis e é necessário criar mecanismos sociais que façam engrenar no sentido de uma mudança de mentalidades e de capacitação dos indivíduos para assumirem a responsabilidade pela sua situação. O objetivo é provocar uma mudança de mentalidades. Uma pessoa que trabalhou quarenta anos da sua vida e aos cinquenta, sessenta anos fica desempregada é muito nova para a reforma é extremamente difícil “obriga-lo” a ser empreendedor. No entanto se eu disser que para estas pessoas que querem ser empreendedoras é tão simples como por exemplo pegarem em utensílios e irem para a agricultura e comecem a cavar batatas e essa passe a ser a sua forma de subsistência ao menos estão a fazer alguma coisa e até podem não ter dinheiro, podem não te salario, mas também não passam fome. E tem dignidade porque estão a fazer alguma coisa. Isto é empreendedorismo. Ao nível das sessões dinamizadas pelo projeto RiAgir junto de alguns grupos as lacunas identificadas nestes grupos são as bases de suporte. Porque é que o Grupo Artes de Coração está a ser tão bem sucedido?! Porque tem duas boas bases de suporte. Primeiro o Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora de Fátima, apadrinhou este grupo de pessoas O Projeto RiAgir e os seus técnicos envolveram-se neste trabalho. Á posteriori quando tomaram conhecimento do projeto em especial o apoio da Dr.ª Vânia e o Projeto RiAgir como projeto concelhio que é abriu as suas portas. Obviamente os grupos pequenos de bairro não tem esta capacidade. É preciso ter a possibilidade de ter técnicos empenhados no seu sucesso. A sorte é uma conjugação de experiencia com oportunidade. A experiencia ganha-se o que não se sabe aprende-se a oportunidade procura-se. Bate-se às portas, gasta-se sola, vamos por esse caminho fora. Da mesma maneira que a associação CORDA na Rua Direita de Aveiro. A sua primeira reunião foi com o Projeto RiAgir e o seu objetivo foi criar uma dinâmica de Rua na altura do Natal e isso foi o suficiente para por as pessoas a mexer e a perceber que se calhar vale a pena começar. Muitas vezes é só o pontapé de saída que é necessário. Se calhar foi a partir dessa vontade que surgiu tudo o resto. Deixa de ser um grupo de pessoas dispersas que começam a unir-se e a trabalhar em prol de um objetivo. Começam a ter estrutura, credibilidade, dão-se a conhecer. Também tem alguns membros com alguma credibilidade que participam em algumas situações, já começam a ter peso junto da autarquia, e a estabelecer parcerias com outras instituições da comunidade, começam a ter peso junto da parte comercial da Rua Direita está a conseguir atrair pessoas para a Rua Direita, estão a conseguir mudar a fisionomia da rua, algumas mentalidades de alguns comerciantes desta Rua e está a crescer. Se esta instituição, se este grupo de pessoas da Rua Direita, da CORDA, tivesse reuniões mais regularmente e um organismo a orientar, no sentido de dizer faz-se assim e não se faz assado. Aconselho a fazer assim e a fazer assado, se tivesse o apoio com a intensidade do Grupo Artes de Coração possivelmente estaria duas ou três vezes à frente. Este grupo também precisava desse apoio regular. Se considerarmos que são artesãos que a maioria tão tem grandes habilitações literárias, tem uma vida de trabalho, vêm a situação do país tal como está, a ver os clientes a diminuir, se tivessem alguém com conhecimentos que lhes indicasse o caminho a seguir. “Experimente fazer assim, Experimente fazer assado”, “Arrisque assim, Arrisque assado” “vá falar com esta pessoa, vá falar com aquela pessoa, temos este e aquele contacto”, “comunique assim, comunique assado”, “faça este tipo de marketing, faça estas campanhas” ter ideias, “vamos em conjunto ter reuniões” Formas de tornar o espaço mais atrativo, ou seja, levar até às pessoas conhecimentos que elas não têm. Se estas pessoas tivessem uma orientação mais periódica com o Grupo Artes de coração, teria mais sucesso. Se no concelho de Aveiro, em cada freguesia, houvesse um gabinete e apoio ao empreendedorismo na sua vertente mais simplista, eu garanto que haveria muitos mais projetos a sair e a chegar a uma associação de direito ao crédito e haver muitos mais projetos a ser investidos com valores de três, cinco ou dez mil euros. Contrariamente aos poucos projetos que há no concelho que em geral são financiados com orçamentos de trinta, quarenta ou cinquenta mil euros. Podem ser mais bonitos, são mais fáceis de ser implementados, quase sempre são equipas e organismos de cinco ou seis técnicos, que os coordenam, pessoas muito formadas, muito técnicas, cujo trabalho para ser criado possivelmente para pessoas muito formadas e muito técnicas. Quando se calhar um décimo das organizações que temos neste momento, precisam ajudar dez pessoas, uma a abrir a sua sapataria outro a abrir a sua loja de flores, outra a abrir a sua loja de bijuteria, a abrir uma loja de artesanato, ou o que quer que seja, com investimentos pequenos de três mil euros, pagáveis em meia dizia de anos. Com um valor residual muito baixo. No fundo situando na pergunta, situo como lacuna a escassez de gabinetes que prestem um apoio de maior proximidade com os empreendedores como o nosso projeto faz, mas que não conseguimos chegar a todo o público.

Outra lacuna é que o desenvolvimento de competências empreendedoras por parte dos grupos que existem, só não desenvolve mais por falta de orientação. E apesar de haver muitos técnicos com vontade de ajudar, muitas das vezes não tem perfil. Por muita formação que tem esta não é a adequada para este tipo de intervenção. Por vezes não é só a questão da formação. Por vezes não tem a predisposição para mobilizar certas ferramentas necessárias a estes tipos de abordagem na área do empreendedorismo. Alguém que tem uma ideia de negócio mas não sabe por onde seguir, é preciso saber orientar.”Vamos desenvolver a ideia, vamos saber se a saída é grande e permitir amadurecer a ideia.

Estou a tentar lembrar-me…de grupos. Se formos considerar a lacuna dos conhecimentos é sempre uma das maiores lacunas porque a maioria destes grupos são constituídos por pessoas de um patamar social desfavorecido. Estas pessoas carecem destes conhecimentos, que necessitam de formação e que não poderá ser formação paga.

Tem que ser uma formação paga pelo estado e não pode ter um grau de exigência tão elevado a nível de conhecimentos. Tem que ser uma abordagem mais soft para as pessoas poderem ter uns conhecimentos extra para poderem avançar nestas atividades e infelizmente há muitas portas que não estão abertas. Há tanta gente a necessitar deste tipo de respostas que não conseguimos dar vasão a tanta procura. Isso obviamente que é uma lacuna. Esse é que é um “grande gargalo de garrafa” porque há vinte ou trinta formadores para cem mil pessoas. Isto é um exemplo exagerado. Uma segunda é o apoio e acompanhamento social que estas pessoas têm. Têm vontade e ideias, juntam-se em comunidade e implementam um projeto mas se muitas vezes não tiverem lá alguém… uma instituição por exemplo, a dar aquelas palmadinhas nas costas uma vez por semana ou uma vez por mês a ajuda-las a ir para a frente poderá ser difícil para estas pessoas. Visto que elas poderão esmorecer nas suas iniciativas e na sua motivação que é interior. Mas alguma pressão externa muitas vezes ajuda, pois sem isso as pessoas não conseguem avançar sozinhas. Depois de ensinar uma pessoa a andar de bicicleta ela sabe andar sozinha e não precisa de nós. Se “ensinarmos uma pessoa a pescar, desde que tenha a cana, ela sabe pescar e não precisa de nós”. Lá está no fundo é a parte dos conhecimentos no sentido de se qualificar estas pessoas para o contexto de trabalho.

No que diz respeito às potencialidades estas são sempre máximas. Porque a partir do momento em que um grupo se junta para colmatar problemas sociais, seja no apoio social seja no acompanhamento aos idosos seja financeiro na tentativa de realizar dinheiro, obviamente que irá ser bom para estas pessoas. Pois irá criar dinâmicas e irá tornar as pessoas uteis e realizadas, terão um motivo para sair de casa. E quem sabe se conseguirem criar um negócio que dê dinheiro para aquele grupo, pelo menos será um grupo capaz de se sustentar. Isso já é um sucesso. Antes de irmos erradicar a pobreza do mundo, se calhar temos que começar por erradicar a pobreza no nosso bairro. Que foi a opção do grupo Artes de Coração. Depois e este é o grande fator de disseminação da informação é partilhar eta pratica noutros locais. Por exemplo no lado oposto do concelho, existe são Jacinto. Se esta ideia chegar a São Jacinto e for implementada teremos aqui dois polos periféricos a confluir para o centro. Se calhar no espaço de cinco anos teríamos muitas freguesias com práticas semelhantes. Porque não disseminar estas práticas do grupo Artes de coração por todas as freguesias que tem a mesma realidade? Isto ser potenciado futuramente através de alguma instituição a gerir estes grupos. De forma a acolher as pessoas desempregadas de todas as freguesias que estão em situação de isolamento, desta forma fazer com que as pessoas se sintam uteis. Esta seria uma saída. A disseminação das ideias. A disseminação do pensamento, a abertura do pensamento, a criação de valor acrescentado, porque além de as pessoas aprenderem, estão a ensinar e a fazer o bem aos outros. E não precisam de ser técnicos engravatados de topo, sentados em cadeirinhas confortáveis em grandes organismos a ganhar o seu dinheirinho, que são os únicos responsáveis por isto.

Em toda a história, as grandes revoluções e avanços tecnológicos saem das caves das pessoas, saem dos estratos sociais mais baixos porque são os que realmente tem a necessidade de fazer alguma coisa, de se mexer e de criar algo.

Sou um gestor que também atuo na área social.

Julgo que o caminho de melhoria destes grupos é a especialização e os contactos. O valor acrescentado é medido pela soma de todas as partes. Se todos estes grupos mantiverem a sua ideologia e começarem a crescer e arriscar a sair da zona de conforto e pensarem em crescer e pensarem num caminho a seguir isso envolve pesquisas contactos estratégias.

As pessoas devem avançar com calma mas sempre numa lógica de crescimento e não numa lógica de estagnação no sentido de “já estamos bem e vamos ficar por aqui”. Se se quer melhorar há que pensar no caminho melhor para isso.

2. Gostaria de acrescentar mais alguma informação relevante para este estudo?

Empreendam!

Muito obrigado pela sua colaboração!






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