Anexo a- guiões de entrevista Guião de Entrevista para Alunos efta


Educação para o empreendedorismo em jovens e adultos desempregados



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Educação para o empreendedorismo em jovens e adultos desempregados - a sua importância e especificidades

1.Qual a importância que atribui às ações de sensibilização para o empreendedorismo em geral e em contextos socialmente desfavorecidos: razões associadas a essa importância

Para mim as ações de sensibilização para empreendedorismo são de importância extrema. Apesar de quando se fala com o público-alvo, com certas instituições, as pessoas referirem este fartas de ouvir falar de empreendedorismo e que já sabem tudo o que há a fazer, que é sempre a mesma coisa que é sempre o mesmo paleio, que é sempre a mesma informação…que a abordagem dos organismos que falam deste tema é sempre a mesma. No entanto é minha convicção que apesar de haver muito, não se faz nada. Isto porque apesar de haver instituições que batem sempre na mesma tecla e estas pessoas acharem que a tecla está a ser batida demasiadas vezes, continua a haver lacunas. Isto porque continuamos a olhar para o tecido da população em exclusão social, pessoas com dificuldades e a maneira de lhes falar de empreendedorismo no seu dia a dia com formações obrigatórias ou não é sempre a mesma. Isto leva-me a pensar que ou o empreendedorismo está a ser mal abordado junto destas pessoas ou a abordagem ao empreendedorismo não é a mais apropriada. Excetuando uma ou outra situação acho que é um erro. Porque a partir do momento em que um concelho como o de Aveiro em que existem tantos organismos que falam sobre empreendedorismo para este público, no entanto nada daquilo que é feito e dito está a entrar na cabeça destas pessoas, é da minha opinião que devemos continuar a batalhar e explicar a mesma coisa as vezes que forem necessárias. E sobretudo tentar encontrar outras estratégias, outras abordagens para leva o empreendedorismo como saída para a crise, até estas pessoas que muitas vezes são pessoas sem esperança que já se deram por vencidas, que já se encontram em situações desesperantes e que para elas o empreendedorismo social ou empresarial, a atitude empreendedora é tudo paleio. Havendo uma abordagem mais prática mostrar às pessoas como serem empreendedoras na sua realidade. Tentar mostrar o que é o empreendedorismo numa vertente pratica apesar de todas as dificuldade que as pessoas podem sentir, havendo organismos ou pessoas preparadas e disposta a falar sobre empreendedorismo e logo a seguir com as mesmas pessoas, transporta-las para contextos reais do mercado de trabalho e de empreendedorismo ou, leva-las para workshops ou oficinas ou, mostrar-lhes que a pessoa a, b, c conseguiu e mostrar como se põe em pratica a teoria, apontando e dizendo o os passos que pode dar, onde se dirigir para obter apoio. Dar a conhecer os meandros que o empreendedor tem À sua disposição. Chamar as pessoas à atenção para o que as bloqueia, essa seria a parte pratica que faz falta.

Muitas pessoas têm ideias, mas não se mexem por causa do medo. Os medos inerentes À situação social em que eles se encontram. Sejam desempregados, novos, menos novos… tentamos colmatar estes medos através da formação, através da parte prática, através de leva-los a começar o seu caminho e depois deixa-los fazer o seu caminho na área do empreendedorismo. No entanto haverá sempre aqui alguns desafios. O principal é mesmo a vontade por parte destas pessoas de serem empreendedoras, em quererem ter uma atitude empreendedora. O medo de falar, o medo de ficarem numa situação financeira menos favorável à que já tem. O medo de… os medos que adquiriram ao longo de uma vida. Medos que pura e simplesmente estão enraizados e não estão dispostos a ver possibilidades para ultrapassar essas dificuldades. Tenho uma ideia empreendedora mas estou sempre a bater na mesma tecla. Se houver um técnico que ganhe a confiança da pessoa e a incite a fazer assim ou assado, a fazer aquilo ou alquilo outro e aponte o caminho… não fazer o caminho, nem fazer todo o trabalhinho à pessoa mas indique o caminho possivelmente as pessoas sentirão mais confiança para seguir o seu caminho empreendedor. Não é de todo, a solução para todas as pessoas. Isto porque a maioria das pessoas desfavorecidas que tem ideias de negócio e pela minha experiencia cá em Aveiro, existem imensas pessoas com grandes ideias de negócio fantásticas, mas poucas delas estão dispostas a mexer uma palha para a executar mesmo que haja alguém com muita experiencia técnica que lhe dê a papinha toda, há um número muito pequeno de pessoas que estão dispostas a faze-lo.

É a mesma situação em que as pessoas dizem “eu tenho uma ideia de negócio, mas eu tenho filhos, ou tenho marido, tenho muita coisa para fazer, tenho outras dificuldades” as pessoas agarram-se demasiado aos obstáculos e depois por mais que alguém esteja a elencar coisas positivas para ultrapassar estas dificuldades, as pessoas batalham sempre no mesmo. Só aquelas poucas pessoas que têm noção das suas dificuldades mas estão dispostas a lutar um pouco mais, a dormir menos horas por dia para lutar pelo seu sonho, pela sua ideia e estão dispostas a dizer aquelas pessoas que sabem ter mais experiencia do que elas, técnicos, formadores, gabinetes de apoio ao empresário/ empreendedor, associações e estão dispostas a seguir as dicas e orientações que lhe dizem para seguir, essas sim, irão conseguir chegar a bom porto.

Ter uma atitude empreendedora é tão simples como não baixar os braços e não estar o dia todo sentado no sofá ou na cama à espera que sejam os outros a trazer-lhes o trabalho e o ordenado. É levantar-se sair para a rua, ter um plano e ir procurando, pesquisando, lutar, avaliar, ter ideias testa star as ideias. Umas vão correr bem, outras vão correr mal. Obviamente, desde que tudo seja feito com cautela para não se meter em nenhum trinta-e-um financeiro, por exemplo, ou não piorar mais a sua situação, isso é muito importante.

Mas realmente há pessoas que criam mais riscos do que realmente existem. Há que fazer ver a certas pessoas que não tem nada a perder e que só podem ganhar. Apesar de ser uma análise muito dura de s fazer, a verdade é que há pessoas que já bateram tão fundo que ao arriscar não podem perder mais nada, só podem ganhar. Nesse caso a pessoa só perde se não se mexer. É duro a pessoa ouvir isto mas é a realidade pura e dura. Hoje em dia a realidade social e empresarial não é uma realidade igual à de há uns quinze anos atrás.

No entanto não estamos limitados ao empreendedorismo empresarial. Há pessoas que não têm necessariamente que enveredar por esta via.



Existe também o empreendedorismo social que cada vez é um tema mais em moda. Para ser empreendedor social, não tem que necessariamente abrir ou criar uma organização. Uma pessoa que de alguma forma tenha uma vida profissional ou financeira estável, ou já está na idade da reforma, ou por algum motivo não consegue ser inserido no mercado de trabalho, mas também não tem inclinação para a implementação de um projeto empreendedor, mais de âmbito empresarial, ou se for mais vocacionada para a área social, poderão fazer mil e uma coisas. Tudo isto numa vertente de atitude. Se uma pessoa diz que gosta imenso da área da restauração, por exemplo, mas não consegue arranjar trabalho remunerado nessa área, não tem possibilidades para abrir o seu próprio restaurante/próprio negócio, pode muito bem ir fazer voluntariado para uma creche ou um lar de idosos, ou um lar de acolhimento para pessoas desfavorecidas e depois lá conhecer pessoas e fazer as suas artes culinárias e entregar gratuitamente a sua sabedoria. Isso por si só já é ter uma atitude empreendedora na vertente solidaria e quem sabe se a pessoa chega ao ponto de crescer e quem sabe conseguir criar uma cantina solidaria, ou alguém reconhecer o seu mérito e contrata-lo/a. Porque imaginemos um grupo de pessoas desfavorecidas que se juntam para trabalhar pelo bem comum como por exemplo o Grupo de Nossa senhora de Fátima- Artes de coração que desenvolvem atividades de voluntariado com pessoas idosas e ateliers de partilha de saberes. Este foi um grupo que começou a dar os primeiros passos com o apoio do projeto RiAgir. Não esquecendo o facto de que a maioria destas pessoas estarem desempregadas e algumas serem reformadas e como tal querem ocupar o seu tempo. São pessoas com muitos conhecimentos a nível do artesanato, com maturidade, espirito de equipa, que gostariam de por em prática. Estas pessoas tinham vontade de melhorara qualidade de vida da sua comunidade e juntaram-se com o apoio de uma instituição neste caso foi o Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora de Fátima, e querem trabalhar para o bem comum. Isso inclui de alguma forma apoiar as pessoas idosas e também de alguma forma partilhar os seus conhecimentos com algo pratico como fazer atividades a nível artesanal, e por esse trabalho em prol dos idosos e da sustentabilidade do próprio grupo.

Criando atividades, vendendo produtos, realizando pequenas ofertas aos idosos, tudo isto começando da vontade e um grupo, partindo do seio das próprias pessoas o céu é o limite. Claro. Será que faz mais falta este tipo de empreendedorismo (social) ou o empreendedorismo empresarial? Não há forma de saber. Os dois fazem falta. Possivelmente neste caso concreto acaba por dar para as duas vertentes. Tudo depende depois como as ideias são desenvolvidas e de que formas são conduzidas. Neste momento faz mas sentido naquele grupo o trabalho de proximidade. E de cariz social. Mas, quem nos diz se aquele grupo não começa a tomar proporções ao ponto de chegar a ser uma ONG ou associação que produz, faz vendas recebe encomendas, apoios e permanece também com a sus componente social e solidaria… tudo isso é possível. Quem sabe se esta não será uma prática de associativismo a disseminar noutros contextos com realidades semelhantes. Porque há empreendedorismo como estamos a falar, às vezes esta distinção não é muito lógica, porque independentemente das suas formas empreendedorismo é empreendedorismo. O empreendedorismo é muito mais vasto que estas duas vertentes: empresarial e social. Por exemplo se o Papa nos perguntasse em que áreas deveríamos apostar na social ou na empresarial, diríamos que deveríamos apostar em 50% numa e 50% na outra área. Porque uma pessoa numa situação desfavorável se conseguir ter apoios intelectuais, humanos e financeiros, uma bengala extra e criar o seu próprio trabalho terá meios de subsistência. Assim vai poder sair da crise e vai ter uma situação pessoal mais favorável. Uma pessoa que consiga alcançar estabilidade profissional, e estar socialmente bem integrada terá condições de implementar um projeto de cariz social. Ou seja os dois mundos não são separados. São duas áreas indissociáveis de uma mesma realidade. Por vezes em matéria de sensibilização para o empreendedorismo é necessário os técnicos descerem do seu “pedestal” e adaptarem a sua linguagem à do seu público. Se estamos a falar de uma população desempregada, maioritariamente pouco qualificada em contextos desfavorecidos, obviamente que os organismos, quase-todos eles, públicos subordinados a atores locais ou nacionais ou internacionais, em geral, todos com técnicos com uma formação acima da média que por isso muitas vezes não conseguem chegar aqueles que realmente precisam e a quem se destinam. E depois vamos pedir a estas pessoas para baixar o seu nível adaptando-se aos seus públicos e muitas vezes estes não conseguem adapta as suas abordagens ao público com que estão a trabalhar. Muitas vezes cumprem-se os objetivos mas a sua eficácia não se verifica. No nosso caso enquanto técnicos do Projeto RiAgir a filosofia é adaptar as nossas metodologias pela empatia. Pensando e exprimindo as ideias a transmitir em função do público que temos à nossa frente. Uma das ações do projeto RiAgir foi a formação de técnicos superiores na área do empreendedorismo. Foi fito. Era necessário estes técnicos da área social serem capacitados para identificar o empreendedorismo no público a que se destinam, para saberem encaminhar as pessoas que a eles recorrem. Tivemos uma grande aposta nas sessões de empreendedorismo, socioeducativas, emprego, empregabilidade para pessoas socialmente desfavorecidas para pessoas que de alguma forma necessitam destes conhecimentos, temos que no intermeio disto o apoio ao empreendedor, apoio de encaminhamento neste caso, mas não só… porque se de alguma forma conseguirmos ter um elemento que faça a ponte de ligação entre quem é especialista com uma abordagem muito técnica relativamente ao empreendedorismo e aqueles que não tem qualquer tipo de conhecimento nesta área entre instituições, organismos e apoios financeiros na área do empreendedorismo e as pessoas que mais precisam deles temos aqui aquilo que é a função de um gabinete de apoio e atendimento ao empreendedor. No caso do projeto RiAgir fazemos o encaminhamento muito mais orientado para uma lógica de terreno.

Assim se uma pessoa chega aqui e tem esta e aquela ideia mas é demasiado jovem não tem fiadores e está desempregado, não tem pais que apoiem financeiramente e não sabe o que fazer para concretizar a sua ideia. Nós não podemos simplesmente dizer-lhe para se deslocar a instituição de crédito que vai ter o crédito de forma simples. Não é uma ajuda realista. Primeiro devemos orientar a pessoa a escrever a sua ideia no papel de forma que sistematizada a informação a ideia possa tornar-se um negócio real, credível. A partir daí passo a passo começar a dar as noções técnicas de que é que o empreendedor tem que ter noção. A parte da aferição e sustentação logica da ideia da implementação operacional, a parte local a parte financeira, a parte de apoios, a parte de contactos, de redes, a parte de clientes, de mercado, publicidade, e de terreno o trabalho propriamente dito. Ideias não faltam, falta às vezes é a vontade de se levanta e concretizar a ideia. O que falta também às instituições aproximarem a sua linguagem à das pessoas para as ajudar de forma sustentada em que o público entenda o que está a ouvir. Porque nem todas as pessoas com ideias de negócio possuem m curso superior. E em todas as pessoas com formação superior tem conhecimentos na área do empreendedorismo. No entanto as ideias mais exequíveis ou mais facilmente exequíveis não são de quem tem um curso superior. Porque quanto mais avançados são os conhecimentos das pessoas, mais complexos tendem a ser os suas ideias e consequentemente mais complexa é a sua execução. Pode ser que uma pessoa quando nos chega ao RiAgir tenha a ideia de montar uma loja de reparações de materiais eletrónicos. Eu pergunto mas porque quer ter essa loja. A pessoa responde que quer montar este negócio porque hoje em dia existe muito consumismo eletrónico as pessoas em vez de arranjar a custo reduzido prefere comprar o eletrodoméstico novo por 100 euros. Não estão dispostos a perder tempo para concertar e também porque em Aveiro não existe nenhuma loja de reparações que faça esse trabalho. Eu respondo a essa ideia afirmativamente. Porque para já tem pernas para andar. A partir daí o tempo, o esforço e a pesquisa é que vão dizer se uma ideia é ou não viável. Tal como é possível um sapateiro montar uma empresa de sapataria e crescer, crescer, crescer… como é o caso em Aveiro dos sapateiros que ganham imenso dinheiro. Se estamos em crise temos que da asas às nossas ideias empreendedoras. Pensar em apostas onde o mercado ainda não está saturado. Estas ideias por vezes vêm de pessoas que se encontram em situações muito desfavoráveis de exclusão social precariedade. Nesse sentido o empreendedorismo está debaixo de cada pedra. O empreendedorismo acaba por star em cada atitude de uma pessoa. Quem não tem atitude não poderá ser empreendedor. O próprio ato de empreender, de fazer algo envolve a pessoa mexer-se. A pessoa tem que assumir o risco tentar uma e tentar as vezes necessárias e avaliar essas tentativas para daí extrair contributos para melhorar na próxima tentativa. Quem acredita vai atras do sonho. E não se põe com desculpas a dizer “ah mas eu tenho um filho muito novo…tenho que ficar com ele, não posso fazer nada. “ah eu tenho o marido, tenho que ficar em casa para fazer o almoço para ele…não posso fazer nada. “”ah eu tenho u pai ou uma mãe doente tenho que cuidar deles vinte e quatro horas por dia, não posso fazer nada.” São desculpas! Quem quer mesmo arranja alternativas: Grupos de entreajuda, um vizinho para ajudar, um familiar próximo. Criar uma dinâmica de proximidade, um grupo de amigos que se cria. Por exemplo o grupo Artes d coração ou outros grupos que apoiamos para terem uma base para se necessitarem. Eu preciso de alguém para me ajudar nisto, nisto e naquele outro. Preciso de alguém que durante três horas venha cuidar do meu filho para eu poder ir a uma reunião naquele organismo para tentar obter financiamento para a minha ideia de negócio. Agora arranjar desculpas não ajuda. Há que pensar em soluções. As pessoas muitas vezes não estão dispostas a pensar em soluções.




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