Anexo a- guiões de entrevista Guião de Entrevista para Alunos efta


Educação para o empreendedorismo em jovens e adultos desempregados



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Educação para o empreendedorismo em jovens e adultos desempregados - a sua importância e especificidades

1.Qual a importância que atribui às ações de sensibilização para o empreendedorismo em geral e em contextos socialmente desfavorecidos: razões associadas a essa importância

Vou demorar um bocado a responder. Primeiro porque empreendedorismo e empreendedorismo social são duas palavras que estão na moda. E como tudo aquilo que está na moda tem o seu lado bom e tem o seu lado mau. Não é?!

O lado bom de se falar de empreendedorismo e de se trabalhar a questão do empreendedorismo na minha perspetiva o lado bom acaba por ser a questão de mobilizar as pessoas para um bem comum. Mobilizar as pessoas não tanto para criar coisas novas mas para inovar através de práticas que se calhar até já existiam em tempos atrás ou através de estratégias que nunca foram sedimentadas e começam a ser sedimentadas… E este é o lado bom do empreendedorismo… social.

Até porque, conforme tenho vindo a partilhar com os colegas a necessidade assim o obriga. Não é?!

Quando existem muitas necessidades e quando existem muitas pessoas com muitas necessidades, volto a dizer, existe a necessidade de as pessoas se juntarem e de partilharem estratégias e de partilharem recursos e de rentabilizar os seus esforços para fazer alguma coisa. E isto passa pela noção de empreendedorismo social. Inovação social. O lado mau desta história do empreendedorismo social é que nem tudo se resolve desta forma. E… não se pode cair num extremo de se usar palavras bonitas, palavras da moda mas que depois caem num vazio muito grande quando não são devidamente construídas e consolidadas. Portanto, esta é a minha perspetiva.

Respondendo um bocadinho à pergunta acerca da importância do empreendedorismo social e da sensibilização dos jovens e dos menos jovens também, para esse aspeto,… os jovens assim como todos nós menos jovens devemos ser sensibilizados para tudo. E depois dessa sensibilização temos que interiorizar essas várias coisas, assim como tudo na vida. Não é?! Portanto para além de empreendedorismo social é importante sensibilizar os jovens e educar os jovens para tudo. Para o bem comum, para os princípios básicos da solidariedade, para o compromisso, para a responsabilidade e sem compromisso e sem responsabilidade não se chega a ter o que se chama e que é tão bonito que é o empreendedorismo social. Daí ser importante sensibilizar os jovens para isto porque não deixa de ser mais uma resposta e mais um recurso que podem guardar na sua mochila caso venha a ser necessário. Ou então terem isso como um principio de vida que ainda é mais bonito e ainda mais saudável. Não é?! Mas isso tanto para jovens como para os menos jovens, como para os mais velhos. Para qualquer pessoa. É essa a importância da sensibilização para o empreendedorismo social.

De alguma forma o projeto acaba por ter vários públicos desde crianças, jovens pessoas numa situação de desemprego, pessoas mais idosas, cuidadores informais pessoas dependentes e por aí fora… E estas questões básicas acabam por ser importantes para todas estas pessoas, para todos nós. Porque eu acho que o importante quando se trabalha nesta área, do empreendedorismo social, é nos encararmos o outro com o sendo nós também. Porque nós podemos estar do lado de lá ou do lado de cá. E esta empatia, esta capacidade de nos colocarmos no lugar dos outros leva-nos a ver as coisas de uma outra forma. Se nós enquanto equipa de um projeto com esta envergadura tivermos esta postura é meio caminho andado. É essa a postura que se deve tomar.



2.No que concerne este trabalho que está a ser desenvolvido mais concretamente com os alunos da EFTA como com o grupo Artes de Coração…

Estes e outros grupos que tivemos e que entretanto não tiveste a oportunidade de acompanhar. Não é?! Nós tivemos outros grupos de jovens e outros grupos de pessoas que lá foram tomando estas iniciativas que foram desenvolvendo ao longo do projeto. Não é?! E isso é o importante. Criam-se sementes. Não é?! Aquelas frases muito bonitas de que se pões as sementes na terra, planta-las e isso… mas depois é preciso rega-las é preciso tirar as ervas daninhas que há à volta e que às vezes as ervas daninhas também são importantes. Não é?! Os constrangimentos e as dificuldades que se apanham à volta de um projeto são aprendizagens que nós tomamos. Agimos desta maneira e para a próxima devemos fazer de outra maneira. Partilhar o lado mais fraco de um projeto empreendedor é tão importante como partilhar o lado mais forte. As fraquezas, aquilo que não correu bem também é importante partilhar. Para que os grupos ouçam e aprendam com aquilo que não correu bem. Poderão vir a melhorar quando estiverem a implementar a sua ideia. Isso também é importante. Mais importante que projetos com grande impacto, coisas muito bonitas, ou coisas com uma abrangência em termos de comunicação de divulgação. E as pessoas dizem: “é pá que projeto tão maluco, tão giro” mais importante do que isso é dizer assim: está ali um projeto. Houve um grupo de pessoas que se juntou e que fez isto, não correu tão bem, as pessoas foram por aqui depois também foram por ali, voltou a não correr bem, foram por ali mudaram as estratégia fizeram assim fizeram de outra forma. Isso significa persistência, significa investimento, significa planeamento e significa uma contínua avaliação. Que nós no âmbito da sociologia só temos é que dar valor. Eu a coordenar um projeto destes e a assumir estas ações como sendo importantes eu assumo que são importantes porque vêm das próprias pessoas. As ações não são criadas e obrigatoriamente tem que ser cumpridas desta forma e desta forma e daquela… Não. As coisas têm que passar por uma avaliação continua. Obviamente que temos metas para cumprir porque estamos aqui a falar de projetos financiados e coisas do género e não vamos tapar o sol com a peneira. Não é!? Mas também é verdade que as coisas só fazem sentido quando partem dos próprios indivíduos, da comunidade. À partida logo aí se as coisas partem das próprias pessoas já é para lhes dar importância. Num grupo como o grupo de Nossa Senhora de Fátima eu não sei o que é que vai dar. Até pode ficar em águas de bacalhau…mas também pode vir a conseguir a sua continuidade e sustentabilidade. Mas o que é certo é que até agora estão criadas as forças e os recursos para o grupo continuar, dado que isto surgiu do próprio grupo de pessoas. Trata-se de um grupo de pessoas que teve a necessidade de se juntar pelo menos uma vez por semana e de criar alguma coisa, de fomentar alguma coisa para a própria comunidade. Veio delas. Então, se veio delas é importante. E nós como equipa de projeto estamos cá é para isso. Para lhes dar suporte. Em relação ao Clube de Alunos da EFTA este já existia. O que precisas era de suscitar algum projeto de uma envergadura em termos de solidariedade e está ai. Com todos os falhanços com todas as dificuldades e também com todas as potencialidades pelo meio. Faz parte de um projeto. Nós estamos cá é para isso. Não é !? Agora a importância dá-se sempre porque os projetos vem das pessoas. Não são projetos criados porque são bonitos, porque em algum lado já se fez assim ou de outra forma … o que temos que ter em conta é a realidade com que estamos a trabalhar. E a realidade são as dificuldades mas também são as pessoas que sentem essas dificuldades e que tem, propostas e que tem potencialidades para dar a volta a essas dificuldades. Que podem não ser as mesmas que as nossas mas são essas que podem ser válidas. É isto. Fomentar, dar-lhe aqui alguma conceção, algumas luzes de empreendedorismo ou sem ser de empreendedorismo pode ser de outra área qualquer. Isso é o menos importante. O mais importante é que há qualquer coisa que está a ser construída pelas pessoas. Estas pessoas podiam nunca ouvir a palavra empreendedorismo e serem empreendedoras. Porque as coisas já existiam. O a atitude empreendedora já existe há muito tempo o nome é que é novo. Estão-se a dar nomes sonantes, mas o empreendedorismo sempre existiu. Isto não está agora a ser inventado por grandes cabeças e por grandes sociólogos…, ou por grandes gestores. As coisas agora estão é a ganhar outra dimensão. Se calhar está-se a dar agora a devida importância. Porquê? Porque também surgiram as grandes necessidades. E para grandes necessidades, grandes respostas. Ao nível dos grupos com quem trabalhamos, nomeadamente o Clube de Alunos EFTA e o Grupo Artes de Coração, nós enquanto técnicos, prestamos o apoio que temos que dar. Porque as coisas estão lá. Precisam de ser orientadas, precisam de ser planificadas, precisam de ser implementadas, operacionalizadas. Não venhamos com histórias…. Porque as pessoas não têm este ritmo, não tem estas práticas de se juntar, fazer um registo de reunião, fazer um regulamento, pensar nas coisas desta forma para correr bem. Agora quem está do lado de cá, se tem este now haw, só tem que mais é que o partilhar para com aqueles que tem o outro now haw, o now haw das necessidades e das respostas que devem ser implementadas na comunidade, nós temos que dar estas ferramentas e acompanha-los a colocar em prática estas ferramentas. Esse é o nosso trabalho que é muito pequeno em relação ao trabalho que eles terão que fazer. A ideia não é sermos uma moleta. A ideia é dar-lhes as ferramentas e ensina-los a utilizar as ferramentas e depois o projeto acaba e eles são autónomos e até continuam a trabalhar sem a nossa ajuda. Se calhar até utilizam outras ferramentas melhores que aquelas que lhes demos. Mas se tiverem a capacidade de criar ferramentas melhores é porque tiveram estas como ponto de partida. É essa a ideia.




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