Anexo a- guiões de entrevista Guião de Entrevista para Alunos efta


Frequência da atividade Empreendedora: razões e importância reconhecida



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Frequência da atividade Empreendedora: razões e importância reconhecida

  1. Quais os objetivos/ motivações que estão por de traz da sua participação no grupo Artes de Coração?

Os objetivos são dinamizar a freguesia junto da população, também dando o mais apoio possível aos idosos, juntar as pessoas que estão desempregadas e talvez até conseguir tirar o partido dos nossos saberes. Enquanto umas sabem arraiolos, outras sabem macramé, renda…. e participando entre todas ensinando umas às outras, talvez até conseguirmos começar a vender as nossas coisas. Fazer um pouco de artesanato, as coisas à mão além de doces, tudo um pouco, por um lado para ganhar fundos e por potro lado, trabalhar muito com os idosos também. Para mim essa vertente dos idosos é especial, porque sempre fui criada com pessoas idosas e tenho-lhes um carinho e afeição muito grade e para mim é um bocado complicado processar certas situações que se passam como encontra-los mortos porque não tem ninguém, não tem apoio e assim nós, preocupadas com as pessoas idosas da nossa comunidade queremos começar a bater à porta e ver se está tudo bem e traze-los e fazer iniciativas como a festa de natal, pascoa e não só. Há que tira-los de casa e dar um passeio, fazer uns jogos. É essa a minha opinião.

A nível pessoal o meu impulso foi sair de casa. Eu estava em casa sem fazer nada e vim ter com a Assistente social do Centro Social e Paroquial de Nossa senhora de Fátima, porque para mim estar em casa sem fazer nada é um quebra cabeças. Para mim é muito complicado, não consigo estar só e isso faz com que eu queira estar ocupada. Como queria estar ocupada vim falar com a Dra. Vânia que me falou do Projeto RiAgir e eu aceitei na hora porque é uma mais-valia porque promoveu um encontro entre as pessoas que estão desempregadas como eu. E desta forma começamos a encontrar-nos todas a aprender, conviver. Estes encontros semanais alem se terem a finalidade de ajudarmos os outros, também nos ajuda a nós, que mudamos as nossas vidas, porque há dias que sinceramente me sinto desmotivada, até para vir. Mas depois penso: “vamos embora, vamos à luta, não tens que ficar aqui fechada” Depois de cá estar é tudo ótimo é tudo bom e já nem dá vontade de voltar para casa. Não. É bom. É bom, asserio.



  1. Qual é a importância que atribui á colaboração/ apoio que o projeto RiAgir tem dado a este grupo?

Muita. Acho que se não fosse o projeto RiAgir, além da Dr.ª Vânia, que não vou excluir, mas a Dr.ª Vâ… está muito limitada e se não fosse O Projeto RiAgir, a Dr.ª C…, o Dr. Hél…, o Dr. S…. e os outros Técnicos, sem querer descurar de ninguém, nós não tínhamos conseguido chegar onde chegamos até agora, porque vocês tem sido a peça fundamental do quebra-cabeças. O nosso puzzle está com vocês, portanto além de nós sermos o grupo, a peça fundamental são vocês. O apoio que vocês nos têm dado porque sem ter um alicerce onde nos agarrarmos não podíamos ir a lugar nenhum, não só em termos financeiros mas também em opiniões, em tudo a maneira de encarar que nos não temos essa perspetiva, aquele empurrão que nos faz arrancar. Porque se estamos a medo, embora com vontade vocês encorajam-nos a avançar. A vossa forma de organizar, ensina-nos e tem-nos feito crescer de semana a semana enquanto grupo e enquanto pessoas e isso esta a ver-se no trabalho que se está a desenvolver. Eu, infelizmente, estive as últimas duas semanas sem poder comparecer. Por um lado eu gostava muito de ter conseguido o meu objetivo que era ter ficado contratada, onde fui experimentar, mas a semana passada quando me disseram que não ia ficar a trabalhar, pedi logo para voltar para o grupo, porque não me vejo em casa sem fazer nada. Asserio! Isto está um bocado difícil mas vai passar.

  1. Pode descrever-me em que consiste este grupo? (Vertentes, atividades desenvolvidas, finalidades)

Agora, lá está, estamos a aprender umas com as outras e depois daí para a frente, realmente podermos começar a trabalhar e a ter coias feitas e tentar vender essas coisas, para daí sair um rendimento. Considero que num futuro próximo, pelo menos a medio prazo, o grupo deverá contactar empresas, que estejam interessadas em comercializar os nossos produtos, de forma a termos clientes certos, e podermos produzir os nossos produtos com um número médio. E de tempo a tempo mês-a-mês ou de dois em dois meses, sabíamos que tínhamos empresas para onde escoar as coisas produzidas por nós. E podermos ter um rendimento medio fixo. Até como se fosse-mos um armazém, que tem um ceto stock de produtos e à medida que se vai escoando vamos produzindo mais. Sei lá meia dúzia de tapetes de arraiolos, meia dúzia de Almofadas de arraiolos, meia dúzia de bonecos de trapos, ou meia dúzia de peças decorativas em patchwork embutido, alguns bordados, alguns frascos de doces caseiros, entre outros produtos em stock. À medida que se ia vendendo ia renovando o stock. Além disso, ir introduzindo coisas novas. Porque com o se costuma dizer, “aprender até morrer”. Nós morremos e não se aprendeu tudo e por isso podemos sempre fazer coisas novas uns com os outros, ter sempre outras ideias, para não cansar, e ter diversidade.

4. Considera que as atividades que são desenvolvidas neste grupo estão a promover o desenvolvimento de competências pessoais, interpessoais, sociais e profissionais?

Sim. Porque como estás a ver, está a dar fruto. Como eu disse há pouco, eu estive estas duas semanas sem vir mas eu não estando, as colegas continuam. Comos e costuma dizer, “ não é por morrer uma andorinha, que acaba a primavera”. Normalmente era eu que fazia os doces. Mas as colegas aprenderam e na minha ausência desenrascaram-se e fizeram os doces que era preciso para as atividades exposições em que o grupo participou na minha ausência. No Natal fui eu que fiz o doce, mas agora fizeram as colegas e graças a Deus, saiu muito bem e já venderam bastante. Começa a notar-se alguma autonomia nos elementos do grupo. Começamos a reconhecer mais as nossas capacidades e a avançar sem medo, mesmo quando esta ou aquela que tem mais experiencia, não pode assumir as tarefas. Ou seja, não ficamos à espera umas das outras para fazer as coisas. Se a pessoa não está porque não pode, avançamos nós.

5. Que contributo considera estar a receber neste grupo para uma futura atividade profissional?

É um bocado difícil porque o mercado está a rebentar pelas costuras. Mas com as formações de geriatria, eu estou muito esperançada de no final de tirar o curso, embora este ano seja impossível concluir os vários módulos, que vamos ter só até junho, acho que não vão alargar mais é um bocado difícil mas nada é impossível e eu gostava muito de ir trabalhar para um lar com os conhecimentos que estou agora aqui a adquirir. Mesmo as aprendizagens dos nossos ateliers a experiência desenvolvida no voluntariado e estas formações seriam contributos para o nosso desenvolvimento e para estarmos capazes de ocupar um porto de trabalho. Sem dúvida. Mas vejo a possibilidade de podermos todas juntas formar uma cooperativa como forma de pelo menos realizar mais algum rendimento.

Infelizmente tenho um pouco de receio de me meter num negócio sozinha porque, há uns meses atrás, saí de um negócio que correu mal e eu fiquei numa situação um bocado complicada. Se eu já tinha problemas agora ainda tenho mais. A nível financeiro. Mas independentemente disso se fossemos todas unidas era capaz de ir para a frente. Mas é preciso estudar bem a possibilidade porque podemos chegar a um ponto em que perante os obstáculos comecemos a dispersar e aí é um bocado complicado. Mas acredito que dando pequenos passos isso se possa converter numa fonte de rendimento para a sustentabilidade do grupo e para tirarmos algum dinheiro para nós.

6. No seu entender porque é que é importante que instituições locais como o Centro social e Paroquial de N S Fátima promova iniciativas que ajudem as pessoas desempregadas desenvolver estas competências?

Alem de ocupar as pessoas desempregadas, é uma mais-valia, porque vamos integrando as formações e as atividades em que vamos adquirido saber e probabilidades para integrar o mercado de trabalho. Embora na nossa idade, não é que me considere velha, mas na hora de contratar preferem as mais jovens. É mais difícil contratar alguém depois dos quarenta, muito mais depois dos cinquenta. Alem disso até os mais jovens estão a ter dificuldades e entrar no mercado de trabalho. Mas nada é impossível. E pelo menos sabemos que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, que possuímos todas as competências e se não quiserem o nosso serviço ficam a perder mas em termo da nossa auto estima e do reconhecimento da nossa dignificação é muito importante esta dinâmica que se gerou em torno deste grupo. Depois isto é uma maneira de nos tirar de casa. A gente sabe bem que uma casa já dá muito que fazer, mas não é por isso que eu deixo de vir porque a vida ganhou outra cor. Tanto rio como choro, como contamos anedotas. O convívio é muito bom.






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