Anais da 48ª reunião anual da sbpc são paulo, sp julho/1996



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ANAIS DA 48ª REUNIÃO ANUAL DA SBPC - SÃO PAULO, SP - JULHO/1996



TRANSFORMAÇÃO PRODUTIVA: QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL E EDUCAÇÃO

Participantes

* Celso João Ferretti (PUC-SP)

* Alceu Gomes Alves Filho (UFSCar)

* Ricardo Luis Coutro Antunes (UNICAMP)

Ruy de Quadros Carvalho (UNICAMP)

Qualificações, Competências, os Interesses dos Trabalhadores e a Educação

Celso João Ferretti - PUC-SP/FCC
Nesta comunicação deixaremos de abordar mais exaustivamente as discussões sobre as transformações que estão se operando na economia e na produção, para nos concentrarmos nos seus impactos sobre a qualificação profissional e sobre a educação.

Na literatura que vem sendo divulgada em diferentes áreas (sociologia, economia, administração, engenharia, psicologia, educação) é freqüente o estabelecimento de uma relação, na maior parte das vezes direta e linear, entre progresso técnico (expresso sob a forma de inovações tecnológicas), mudança nos conteúdos e processos de trabalho e qualificação profissional, dando continuidade, aliás, a uma longa tradição no tratamento dessa temática.

Os resultados mais palpáveis desse tipo de abordagem têm sido:

a) uma forte ênfase no treinamento dirigido a setores operacionais por parte de empresas que estão adotando inovações de base física e organizacional;

b) a produção de extensas e repetitivas listagens de atributos desejáveis dos “novos” trabalhadores, seja no âmbito das cognições, seja no das atitudes e comportamentos;

c) uma forte pressão sobre o sistema educacional para que desenvolva a denominada “educação básica de qualidade” e, mais recentemente, a chamada “educação profissional”.

Em conseqüência, disseminou-se a concepção de que são as “novas tecnologias” (na maior parte das vezes não identificadas, mas usualmente assumidas como sendo as de base física) que determinam as novas demandas por qualificação. Ainda que as novas tecnologias de base física exijam outros requisitos dos trabalhadores, a relação acima estabelecida não dá conta da realidade.

Para compreendê-la melhor é necessário tomar por referência não a tecnologia, mas a relação social que a mobiliza, ou seja, o próprio Capital. Nesse sentido, é importante considerar que o movimento de continuidade/ruptura entre o taylorismo/fordismo e o paradigma toyotista se, de um lado, se apóia no desenvolvimento da ciência e da tecnologia já existentes nos meados do século, de outro lado, é resultante da crise de acumulação capitalista desencadeada pela corrosão do Estado do Bem Estar Social e pela resistência organizada de trabalhadores à organização da produção então vigente, agravadas, ambas, pela crise energética do início dos anos 70.

O toyotismo, ao desenvolver a produção integrada e flexível oferece, no plano da produção e da circulação, respostas à crise de acumulação capitalista, respostas essas que são complementadas com a globalização da economia regulada pelas leis do mercado. A fábrica integrada e flexível e o fabuloso desenvolvimento de tecnologias de base física, bem como as novas formas de organização do trabalho são elementos integrantes desse conjunto de respostas no plano da produção, assim como o são as demandas por recursos humanos mais qualificados.

As profundas transformações que então ocorrem, especialmente no setor produtivo, mas também no setor de serviços, em consonância com aquelas, afetam diretamente o trabalho, interferindo de forma significativa na hierarquia das empresas e nos critérios e procedimentos de seleção, contratação e promoção de trabalhadores. Para o que interessa neste item devem ser destacadas as mudança ocorridas no processo, conteúdo e postos de trabalho. De fato, a mudança dos paradigmas produtivos põe em xeque cada um desses três aspectos e faz novas demandas à mão-de-obra preparada para atuar de acordo com o paradigma taylorista-fordista. Ainda que este não seja substituído totalmente (e vários estudos têm apontado para a funcionalidade de sua manutenção no interior de setores de empresas integradas e flexíveis) sem dúvida a reestruturação produtiva colocou em questão o velho modelo do trabalhador específico, atuando no posto específico de trabalho, para o qual tinha sido preparado através da qualificação formal, ao colocar uma forte ênfase sobre uma forma de organização do trabalho que tende a apoiar-se menos nos “componentes ‘organizados’ e explícitos [da qualificação]: educação escolar, formação técnica, educação profissional” (Hirata, 1994, p. 132) e mais nos seus “componentes, implícitos e não ‘organizados’”.

Segundo Hirata (op. cit., p. 132), “um enfoque por postos de trabalho e por alocação do indivíduo ao posto daria ênfase [ao primeiro tipo de qualificação]; um enfoque por equipes de trabalho e responsabilização coletiva na execução do trabalho tenderia a enfatizar [o segundo tipo]”. Hirata destaca, ainda, dois outros fatores (a sociologia dos modos de vida e a sociologia das relações de gênero) que contribuíram, juntamente com o acima discutido, para produzir a distinção entre qualificações formais e organizadas (supostamente mais adequadas ao paradigma taylorista-fordista) e qualificações tácitas ou sociais, mais próximas ao modelo de competência que passa a ser priorizado pelas empresas reestruturadas (cf. Hirata, 1994, p. 131).

O novo paradigma afirma, assim, a desqualificação do antigo trabalhador para fazer face às novas exigências produtivas. Mas, de outro lado, descortina as possibilidades de requalificação desencadeadas pelas próprias características inovadoras do paradigma que passa a orientar a produção (e também, em boa parte, os serviços).

O chamado “modelo de competência”, surge como alternativa, no plano empresarial, para orientar a formação de recursos humanos compatível com a organização do trabalho que lhe convém. Tal conceito é contraposto ao de qualificação profissional (e, às vezes, usado como seu sinônimo) mas tem conotações diferentes, na medida em que enfatiza menos a posse dos saberes técnicos e mais a sua mobilização para a resolução de problemas e o enfrentamento de imprevistos na situação de trabalho, tendo em vista a maior produtividade, com qualidade. Por outro lado, embora seu desenvolvimento dependa da correlação de forças entre os envolvidos tende, por sua ênfase na individualização e nos resultados, a privilegiar a negociação antes que o embate, o envolvimento antes que a postura de crítica.

A questão crítica que se põe hoje para o mundo empresarial, do ponto de vista dos seus recursos humanos, diz respeito ao desenvolvimento das competências no curto prazo (para os trabalhadores que estão na ativa) e no longo prazo (formação da mão de obra futura). No primeiro caso, a empresa tende a desenvolver uma pedagogia interna, associando o setor de RH ao da produção. No segundo, volta-se para os sistemas educacionais regulares, tentando interferir nos rumos que o ensino em geral, e o público, em especial, possam assumir. Nesse sentido, sob a égide da qualidade total e em nome da competitividade, mas também da equidade, buscam instrumentalizar tais sistemas, articulando-os com seus objetivos.


Produção Flexível e Qualificação do Trabalhador

Alceu Gomes Alves Filho - UFSCar
Procuramos, neste texto, indicar resumidamente algumas das principais características do processo de trabalho no novo modelo de organização da produção - “produção flexível”, suas possibilidades de difusão no Brasil e os requisitos que gera em termos de educação e qualificação dos trabalhadores.

Antes, entretanto, é preciso ressaltar que esta abordagem - em que o estudo das formas de organização da produção e do trabalho precede a discussão das necessidades de instrução e qualificação dos trabalhadores - pode resultar em questões relevantes relacionadas ao binômio Trabalho-Educação, mas é limitada e insuficiente para a proposição de medidas conseqüentes nos campos da educação formal ou da educação profissional. O concurso de profissionais de diferentes áreas do conhecimento e uma análise que contemple tais temas em toda sua complexidade são necessários para a formulação de quaisquer propostas de melhoria do sistema educacional. Afinal a educação constitui uma necessidade e um direito dos cidadãos, quaisquer que sejam suas ocupações, fundamental para uma vida condigna na sociedade contemporânea.

Iniciamos mencionando os diversos movimentos ocorridos na indústria brasileira, em geral reunidos e sintetizados na expressão “reestruturação produtiva” para, em seguida, abordarmos as características principais da produção flexível. Finalmente, identificamos alguns dos requisitos educacionais e de qualificação para o trabalhador participante dessa nova forma de organização da produção.

O processo de reestruturação produtiva

O processo de reestruturação produtiva em curso no Brasil encerra uma série de movimentos empresariais que, por sua vez, vêm produzindo efeitos diferenciados na estrutura industrial, nos processos de trabalho e nos níveis de qualificação dos trabalhadores.

Esse processo tem início em meados da década passada e reúne as estratégias das empresas implementadas em resposta às ameaças e restrições do quase sempre adverso ambiente econômico no Brasil. Na primeira parte desse período, até o início dos anos 90, predominou uma economia em crise, caracterizada por grande instabilidade, altas taxas de inflação e níveis muito baixos de crescimento do PIB. Já na primeira metade desta década, em função de medidas governamentais, somaram-se a esse ambiente os processos de abertura comercial, de privatização de empresas estatais e, mais recentemente, com a implantação do plano real, a estabilização de preços (queda brusca da inflação), a valorização da moeda e a elevação das taxas de juros.

Simplificadamente, pode-se afirmar que, ao longo desse período, e na maior parte dos setores, as estratégias das empresas foram defensivas e de racionalização. Estas empresas procuraram reduzir seus custos por meio de mudanças organizacionais, redução dos níveis hierárquicos, supressão de postos de trabalho, seleção de linhas de produtos e terceirização de atividades produtivas e de serviços (Coutinho e Ferraz, 1994), sem substancial modificação dos modelos de organização da produção.

Nesse processo de ajuste, apenas algumas empresas, em geral pertencentes aos setores mais dinâmicos da indústria, adotaram estratégias de modernização efetiva, introduzindo mudanças técnicas e organizacionais orientadas pelo novo paradigma da produção flexível.

Esse universo de mudanças pouco contribuiu para reduzir a heterogeneidade de desempenho das empresas e dos setores industriais nos mercados interno e externo. Os ajustes em alguns setores tornaram possível a recuperação dos níveis de produção, mas sem o correspondente crescimento do emprego. Note-se que, nesta primeira metade da década de 90, houve substancial incremento da produtividade; cresceram, também, o desemprego e o nível de escolaridade dos trabalhadores empregados.

Em todo o período aqui considerado permaneceram baixos os investimentos em expansão das capacidades produtivas e em capacitação tecnológica, embora mais recentemente tenham aumentado a importação de máquinas e os investimentos diretos de multinacionais para a modernização de processos, aquisição de empresas e instalação de novas fábricas no Brasil. A pesquisa ECIB (Coutinho e Ferraz, 1994), realizada em 93/94, indicava dispêndios médios em P&D e em treinamento de apenas 0,7% e 0,5%, respectivamente, do faturamento das empresas.

Também não puderam ser modernizadas as estruturas institucionais relacionadas às diversas cadeias industriais e, basicamente, os setores competitivos internacionalmente continuaram centrados na produção de commodities, tendo como esteio os custos baixos das matérias-primas e da mão-de-obra.

Este quadro não impediu que algumas empresas, como já afirmamos, implementassem a nova forma de organização da produção, mais eficaz em geral do que o modelo anterior baseado na produção em massa. Mas quais são as características principais da produção flexível e de seu processo de trabalho?

O Novo Modelo de Organização da Produção

O novo modelo de organização da produção é uma abstração elaborada por diversos autores a partir de alguns dos (distintos) sistemas bem sucedidos implementados em diversas empresas no Japão, sendo mais freqüentemente citado o caso da Toyota. Vem sendo difundido (e adaptado) enquanto idéia e enquanto prática pelas empresas de países desenvolvidos e em desenvolvimento, com maior penetração nos setores metal-mecânico e elétrico-eletrônico produtores de bens de capital e de bens de consumo duráveis.

No Brasil, encontram-se aplicações do sistema de produção flexível em empresas de diversos setores, embora como já afirmamos os ajustes efetuados através da década de 80 e início da década de 90 pouco tenham contribuído para acelerar a modernização das estruturas e dos padrões de gestão.

Segundo Womack, Jones e Roos (1992), a produção enxuta (ou produção flexível) combina as vantagens das produções artesanal e em massa, evitando os altos custos da primeira e a rigidez desta última. Constitui uma abordagem holística, norteada por princípios e por uma lógica que afetam todos os aspectos do sistema de produção, com foco na resolução de problemas, na obtenção da qualidade desejada sem retrabalho e no aperfeiçoamento contínuo (MIT, 1996). Trata-se, na opinião desses autores, de um modelo de organização da produção fundamentalmente diferente do modelo de produção em massa.

Esse novo modelo da era da “sistemofatura”, segundo Hoffman e Kaplinsky (1988), apóia-se em três pilares: em um novo processo de trabalho, nas tecnologias de automação de base eletrônica e em um novo padrão de relações inter-firmas. Estes elementos estão bastante inter-relacionados, mas nossa principal preocupação aqui é indicar as características do novo processo de trabalho.

Sobre uma base técnica intensiva em capital, mas flexível, propiciada pela tecnologia microeletrônica, novas formas de gestão da produção e de organização do trabalho são introduzidas, quando as empresas, para atingir um mercado saturado, deslocam-se da competição por menor preço para a competição por inovações nos produtos (Hoffman e Kaplinsky,1988), em um novo ambiente marcado por freqüentes mudanças no mercado e na tecnologia. O processo produtivo é reorganizado com a introdução do JIT, CEP, TQC, sistema de estoque mínimo, CCQ, sistema de detecção de defeitos e identificação de causas. Devido ao estoque reduzido, os problemas na produção são rapidamente identificados e resolvidos (Womack, Jones e Roos, 1992).

A organização toda é estimulada a buscar aperfeiçoamentos contínuos que venham contribuir para a melhoria da qualidade, o aumento da produtividade, o rápido desenvolvimento e introdução de novos produtos e a redução do tempo de produção. A necessidade de maior flexibilidade promove a cooperação entre a administração e os trabalhadores, que passam a realizar atividades (intelectuais) intensivas em informações, em grupos auto-organizados e dirigidos.

Nessa nova organização de trabalho são abandonadas as noções de tarefa e de posto individual de trabalho e os grupos de trabalhadores passam a assumir parte das atividades de planejamento e controle da produção e parte do trabalho indireto como preparação de máquinas, manutenção e controle de qualidade. Isto exige que cada trabalhador seja multi-habilitado e multi-qualificado e implica drástica redução dos trabalhadores indiretos (Womack, Jones e Roos, 1992).

Depreende-se, assim, das características desse novo modelo de organização da produção, que os trabalhores devam possuir níveis elevados de instrução formal e de qualificação profissional.

Os novos requisitos de instrução e qualificação dos trabalhadores

O novo processo de trabalho requer uma formação educacional mais abrangente e um conjunto amplo de habilidades técnicas.

Uma formação geral em matemática, estatística, português e informática, além de elementos de metodologia científica, é necessária para o envolvimento do trabalhador nos processos de identificação e resolução de problemas e para sua participação nos processos decisórios no âmbito de seu grupo de trabalho. Isto exige capacidade de leitura e compreensão de textos, de redigir documentos e relatórios, de comunicação oral e escrita com superiores e colegas, capacidade de negociar, argumentar e contra-argumentar, capacidade para interpretar dados numéricos, de trabalhar com computação, capacidade de formular problemas, propor alternativas, avaliar resultados etc...

Uma ampla competência técnica também é necessária porque no novo processo de trabalho o trabalhador, além de operar e controlar diferentes equipamentos, poderá estar envolvido em atividades de preparação (e programação numérica) das máquinas, manutenção, controle de qualidade, programação e controle da produção e de estoques.

Cabe lembrar que, embora algumas atividades acima possam ser específicas da empresa em que estiver trabalhando (e, portanto, impossíveis de serem tratadas fora da mesma), a formação geral e a formação técnica do trabalhador devem lhe proporcionar os fundamentos para o aprendizado no local de trabalho.

Nesse novo processo de trabalho, portanto, o trabalhador deve possuir conhecimentos que lhe permitam produzir novos conhecimentos, pelo menos no âmbito da empresa, e capacidade de “aprender a aprender” e de “ensinar a aprender”.

As possibilidades e o ritmo de difusão da produção flexível

O novo modelo de organização da produção tem se mostrado superior ao modelo de produção em massa (taylorista-fordista), com chances de se difundir amplamente. Ao ser implementado nas empresas, entretanto, o modelo idealizado assume novos contornos em função das próprias concepções de cada empresa, das características da forma de organização em vigência (que será substituída ou modificada), das características dos produtos e processos e dos sistemas de produção, dos níveis de instrução e qualificação dos trabalhadores, podendo resultar em algo distante da idéia de modelo acima delineada.

É preciso considerar também que a introdução da produção flexível requer esforços e investimentos e que sua implementação pode demandar longo tempo, com possibilidades de queda nos níveis de desempenho durante as fases iniciais de implantação.

Cabe lembrar ainda que as condições de mercado e tecnológicas em diversos setores industriais podem não representar estímulos à adoção da produção flexível. Especialmente naqueles setores mais tradicionais e menos dinâmicos tecnologicamente, orientados para o atendimento de mercados de massa.

Resumidamente, o ritmo de difusão da produção flexível depende do (1) ritmo de difusão da idéia do modelo (ideologia), (2) da intensidade dos estímulos ambientais para sua implementação e (3) do grau em que certa racionalidade econômica seja empregada nas decisões das empresas, já que em alguns setores as condições ambientais podem favorecer a manutenção ou o aprofundamento de métodos tayloristas-fordistas.

Nossa breve análise do processo de reestruturação produtiva no Brasil indica que o ritmo de difusão do modelo vem sendo lento e que, portanto, não há ainda (exceto em alguns poucos setores e regiões) pressão considerável do setor produtivo para a elevação dos níveis de instrução e qualificação dos trabalhadores.

Nossa impressão, entretanto, em função das exigências de qualificação indicadas acima e dos reconhecidos problemas do sistema educacional brasileiro é a de que a melhoria deste também demandará necessariamente longo tempo. Insistimos, finalmente, que não se trata de procurar fazer com que a melhoria do sistema educacional acompanhe o ritmo de difusão da produção flexível. A promoção de uma educação formal e profissional de qualidade é tarefa urgente, é condição para a redução das desigualdades na sociedade brasileira e pode, ao contrário, resultar em pressão efetiva para o desenvolvimento de processos de trabalho mais humanitários.

Bibliografias
COUTINHO, L.; FERRAZ, J. C. Estudo da competitividade da indústria brasileira. Campinas, Papirus, 1994.

DOLL, W. J.; VONDEREMBSE, M. A. The evolution of manufacturing systems: towards the post-industrial enterprise. OMEGA, International Journal of Management Science, v. 19, n. 5, 1991.

HOFFMAN, K.; KAPLINSKY, R. The point of transition - from machinofacture to systemofacture. In: HOFFMAN, K.; KAPLINSKY, R. Driving force: the global restructuring of technology, labour, and investment in the automobile and components industries. London, Westview, 1988.

MIT. The global automobile industry: the MIT International Motor Vehicle Program perspective. Seminário, São Paulo, 12 de junho de 1996.

WOMACK, J. P.; JONES, O. T.; ROOS D. A máquina que mudou o mundo. Rio de Janeiro, Campus, 1992.
Ricardo Antunes - IFCH/UNICAMP
Nossa exposição pretende desenvolver, empírica e analiticamente, algumas das dimensões e significados das mudanças em curso no mundo do trabalho, na sociedade contemporânea e, a partir disso, discutir e problematizar aquilo que se tem denominado de “crise da sociedade do trabalho”.

Foram intensas as modificações, no mundo do trabalho, como conseqüências do advendo das formas de acumulação flexível, da expansão do modelo japônes, do “toyotismo”, etc, de modo que se pode afirmar que o mundo do trabalho vivenciou uma crise sem precedentes em sua história, que afetou sua forma de ser, tanto no plano da materialidade, quanto da sua subjetividade.

O nosso objetivo é, então, discutir o fundamento desta crise no universo do mundo do trabalho. Quais foram as conseqüências mais evidentes no interior do mundo do trabalho, e em particular, no movimento operário? A classe operária estaria desaparecendo, como indicou André Gorz? . A diminuição do operariado industrial estável , especialmente nos países capitalistas avançados, acarreta inevitavelmente a perda de referência e da relevância da classe-que-vive-do-trabalho? A categoria trabalho não é mais dotada do estatuto de centralidade, no universo da sociabilidade contemporânea, como indicam Offe e Habermas? A chamada crise da sociedade do trabalho deve ser entendida como o fim da classe trabalhadora como sujeito, como sugera Kurz? O trabalho perdeu sua dimensào central, enquanto elemento estruturante da atividade humana?

São estas algumas das indagações que o trabalho que vamos apresentar junto à SBPC/96.pretende discutir. Ele é parte de nossa Tese de Livre Docência, defendida junto ao IFCH/UNICAMP e é parte de um projeto de pesquisa junto ao CNPQ, intitulado Para Onde Vai o Mundo do Trabalho?





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