América Latina: desenterrando o espelho



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O espelho de Próspero em 1982, numa clara alusão à obra de Rodó, O mirante de Próspero (1913), faz Próspero representar os Estados Unidos.

iv Holanda (1963: 4-42) sublinha em seu clássico Raízes do Brasil, as nossas raízes ibéricas e lusitanas, matriz que também é mestiça em sua origem, pois foi “um dos territórios-ponte pelos quais a Europa se comunica com outros mundos”. Dela recebemos uma cultura onde os vínculos interpessoais são os mais decisivos, e com uma forte repulsa à “toda moral fundada no culto ao trabalho”, traços acentuados pelo latifúndio escravista. Nesta obra Buarque de Holanda reconhece no “homem cordial” a síntese do “caráter brasileiro”. Porém, entende que transitamos para um sistema urbano e para um estilo de vida americanista que levará ao “aniquilamento das raízes ibéricas de nossa cultura” (ibid.: 164).

v O movimento regionalista do Nordeste em parte insurge-se contra o domínio do Brasil por uma política café-com-leite (ou seja, formulada por São Paulo e Minas Gerais). Além de Gilberto Freire, compunham o regionalismo nordestino José Américo de Almeida, Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Câmara Cascudo, entre os mais expressivos.

vi O Brasil, em particular, está eivado de eventos tipicamente híbridos que configuram o característico processo de “modernização conservadora”, tais como a independência “transada” entre o elemento nacional e a corte portuguesa, a lenta e nunca concluída abolição da escravatura, ou a industrialização a partir do oligárquico capital cafeeiro (ver Lisboa, 1989).

vii Uma visão ibérica de inspiração católica e de perfil conservador está também presente fortemente na obra de Oliveira Viana (1883-1951). Revisões recentes sobre a presença do iberismo em nossas tradições são feitas por W. Vianna (1997), M. Carvalho (1998) e Devés V. (2000). Já o debate sobre a opção ibérica de Morse tem sido realizado por Arocena (1990), W. Vianna (1988), Merquior (1990), Schwartzman (1988; 1989); Oliveira (1991); Velho (1989), Tenorio (1989), M. de Carvalho (1998), Morse (1989; 1982).

viii A obra seminal de Gustavo Gutiérrez que dará gênese à Teologia da Libertação é fortemente influenciada por Arguedas, bem como por Mariátegui.

ix Lezama Lima (1988) e Dussel (1993) perfazem uma dura crítica às grotescas e colonialistas avaliações de Hegel sobre a América Latina.

x Escreve Hegel: “na Espanha se está já na África” (apud. Dussel, 1993: 23). Resgata Freire (1971: 33) um popular dito sarcasticamente usado nos países nórdicos: “a África começa nos Pireneus”.

xi A CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina), organismo das Nações Unidas, teve como principal gestor e ideólogo Raúl Prebisch, além da ativa participação de Celso Furtado, Aníbal Pinto e Osvaldo Sunkel. Já do ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros), criado pela Presidência da República e situado no Rio de Janeiro, participaram Hélio Jaguaribe (secretário geral), Cândido Mendes, Guerreiro Ramos, Roland Corbisier, Alvaro Vieira Pinto, Roberto Campos e Nelson Werneck Sodré, entre outros. De certo modo, o ideário destas instituições se prolonga no CEBRAP (Centro Brasileiro de Análises e Planejamento) que, fundado em 1978 por Fernando Henrique Cardoso (e por ele dirigido por muitos anos) e estando situado em São Paulo, vai acentuar ainda mais uma visão desnacionalizante e industrializante.

xii A análise de Ortiz sobre o fenômeno cultural, entretanto, peca por se limitar a avaliá-lo conforme os aspectos políticos e conjunturais, deixando de apreendê-lo nas suas raízes trans-históricas. A cultura, que sem dúvida está implicada na poeira dos jogos de poder, necessariamente tem uma dinâmica de longa duração, ou seja, elementos mais permanentes que configuram um núcleo ético-mítico, conforme indica Ricoeur (1968: 283).

xiii Conf. consulta na página www.ces.fe.uc.pt/emancipa/ em 12.06.00.

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