Amor, sublimaçÃo do desejo



Baixar 8.11 Kb.
Encontro01.12.2019
Tamanho8.11 Kb.

PRELÚDIO 5:

 

AMOR, SUBLIMAÇÃO DO DESEJO



Alba Abreu
Não haveria o amor se não houvesse cultura. Lacan afirma que o “amor está feito da idealização do desejo” e “o desejo é coisa mercantil”¹; isso equivale dizer que, inventado pelo mercado, o chamamos amor era até então desconhecido pela Antiguidade pagã, para a Idade Média e o Oriente, embora os cruzados tenham tentado implantar essa necessidade amorosa - dita cristã. Sabemos que o amor como conhecemos e difundimos na literatura foi uma criação dos trovadores provençais como já apreciei anteriormente².
O desejo intervém no amor e é seu pivô essencial: “no caminho de meu desejo, o Outro quer minha angústia” e, portanto, já que o desejo não diz respeito ao objeto amado, Lacan assegura nesse seminário que “o amor é a sublimação do desejo” no sentido em que colocar-se em posição de desejante é também assentar-se na posição de falta e buscar a completude. Consequentemente, afiança que “o amor (sublimação) é o que permite ao gozo condescender ao desejo” certamente porque se trata de um modo de esconder o que causa o desejo, evitando a angústia.
Dois filmes retratam a tese lacaniana sobre o amor, embora de modos distintos:
AMOR: sobre o casal Anne e George, cúmplices, delicados, desfrutando a vida e o amor mútuo, lentamente o espectador é convidado a descortinar o Thanatos de seu complemento Eros. Anne e George que não se enxergam separados, a partir da estranheza da doença, a angústia assola e o casal se isola do mundo num êxtase de dor e sussurros ainda ditos como que para preservar o espaço do psíquico.
O AMOR É UM CRIME PERFEITO: numa atmosfera fria e futurista encontramos o equilíbrio perfeito entre um cenário espetacular e a estranheza perversa do seu protagonista.  Jogos sedução e dominação que angustiam o espectador, que numa trama bem urdida, apesar de causar um sentimento de ambiente acolhedor aproxima-se gradualmente da bestialidade e da loucura. O filme aborda, sem escrúpulos, temas rejeitados e varridos para baixo do tapete da violência intrafamiliar. A história de amor inesperado que se desenvolve gradualmente entre Amalric e Maïwenn é incrivelmente hipnotizante, porque, como quase toda a história de amor está fadada ao fracasso.
O que o Outro quer de mim? O desejo do Outro é esse nome que Lacan usa para o excesso econômico – aonde o Unheimlich vem representar o fenômeno da angústia (estranho familiar, diria Freud). Isso que o analista aprende nos livros, nas leituras e nos filmes denota esse lugar de desassossego da posição analítica e por isso mesmo fazemos encontros para cada vez mais nos aproximarmos da condição humana e perceber o sentido de nossa pratica.

 

1.     LACAN, J. O Seminário livro 10 – A angústia (1962-1963). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005.



2.     ABREU LIMA, A. Psicologia Jurídica: lugar de palavras ausentes. Aracaju: Evocati, 2007

 

Baixar 8.11 Kb.

Compartilhe com seus amigos:




©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino fundamental
Processo seletivo
ensino médio
Conselho nacional
minas gerais
terapia intensiva
oficial prefeitura
Curriculum vitae
Boletim oficial
seletivo simplificado
Concurso público
Universidade estadual
educaçÃo infantil
saúde mental
direitos humanos
Centro universitário
Poder judiciário
educaçÃo física
saúde conselho
santa maria
assistência social
Excelentíssimo senhor
Atividade estruturada
Conselho regional
ensino aprendizagem
ciências humanas
secretaria municipal
outras providências
políticas públicas
catarina prefeitura
recursos humanos
Conselho municipal
Dispõe sobre
ResoluçÃo consepe
Colégio estadual
psicologia programa
consentimento livre
ministério público
público federal
extensão universitária
língua portuguesa