Amor e Comprometimento – Modelos do amor As cores do amor / Teoria triangular do Amor



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Amor e Comprometimento – Modelos do amor - As cores do amor / Teoria triangular do Amor
Estranho sentimento de delícias que

Esconde segredos e malícias além

De indecifráveis sensações.

INTRODUÇÃO


Independentemente das mutações de contexto histórico e social, é no âmbito das relações interpessoais que o homem vive suas maiores emoções dentre elas é essencial o prazer decorrente do amor.Nesta época em que vivemos, de mudanças, transições constantes, surgimento de novos conceitos, influências, diferentes papéis sexuais e novas formas de “arranjos” entre as pessoas, época em que as diretrizes estão vagas e indefinidas, faz-se necessário um esforço ainda maior para obter-se êxito em uma relação não sendo fora de propósito pensar-se em pessoas, indivíduos que desistiram de suas ligações afetivas.

A revisão crítica do progresso tecnológico e das coisas que rapidamente têm ocorrido neste século agitado tem mostrado as graves contradições a que estamos sendo conduzidos. A ciência e a tecnologia aumentam com facilidade o potencial destrutivo, mas não resolvem o problema da escassez de comida. O desenvolvimento e crescimento desordenado dos grandes centros urbanos aumentam a violência interpessoal, mas não ajudam em nada o encontro entre as pessoas, ao contrário, praticamente o impede. Os progressos da pedagogia estão subtraindo de um modo assustador o genuíno interesse dos jovens pelo saber. A medicina moderna, caríssima, em troca de ajuda efetiva para algumas raras enfermidades, desenvolveu o medo das doenças de um modo a neutralizar, como resultado final, todos os seus recursos recentemente adquiridos.

Foi neste século, e, portanto, neste clima geral estranho, que nasceu e deu seus primeiros passos a ciência da psicologia. Nasceu e está se desenvolvendo numa época em que todo progresso e aquisição importante deste animal humano têm se transformado, por mecanismos pouco claros em seus detalhes, mas certamente ligados a interesses de pequenos grupos poderosos, em mais um instrumento de destruição, de poder agressivo, de enganação e desvirtuamento das verdadeiras intenções de seus autores. Seria ingênuo supor que à psicologia estivesse destinado um desenvolvimento diferente, desligado e descomprometido com esta terrível inversão de valores, que estamos presenciando em todos os domínios da atividade humana. As revisões críticas são difíceis de serem feitas, pois vivemos um período de enorme crença popular em todos estes "progressos" e transformações, de tal forma que apontar suas aplicações negativas ou destrutivas significa ser "contra" o progresso; corre-se o risco de cair na ridícula posição dos que continuam tentados pelo "passado". Apesar de as pessoas estarem bastante infelizes, insatisfeitas, exaustas, há um culto e um grande orgulho de termos nós, acidentais, construído esta estupenda civilização, tão complexa e intrincada, tão árida, mas tão majestosa!

As pessoas em geral estão profundamente infelizes. Tem talvez mais consciência e compreensão intelectual do que se passa com elas e com o mundo que as cerca. Mas estão, mais do que nunca, paralisadas, resignadas e assustadas. As interpretações psicológicas acerca dos aspectos básicos da vida humana são do seu conhecimento. Ao serem explicadas as razões dos males, estes se tornam menos intensos. Há um certo alívio. E a este alívio se segue a pacata aceitação da situação tal como ela é, em muitos momentos confundida com o conceito de realidade e associada definitivamente à idéia de que a felicidade humana não é possível.


Achamos oportuno iniciarmos nosso trabalho com a inserção de um poema que ao menos em nossa concepção traduz perfeitamente a verdadeira essência do amor romântico de Hatfield, que em nossa concepção o ideal seria o tipo ‘eros estórgico” mas isto é uma opinião pessoal que não vem ao caso agora prosseguiremos:
O Amor é o fogo que arde sem se ver
Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;


É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;


É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Outro poema de amor de Luís de Camões que transmite perfeitamente a essência da teoria de Hatfield as cores do amor “Eros” e em “Ágape”:

Transforma-se o amador na cousa amada


Transforma-se o amador na cousa amada,

Por virtude do muito imaginar;

Não tenho logo mais que desejar,

Pois em mim tenho a parte desejada.


Se nela está minha alma transformada,

Que mais deseja o corpo de alcançar?

Em si sómente pode descansar,

Pois consigo tal alma está liada.


Mas esta linda e pura semideia,

Que, como o acidente em seu sujeito,

Assim co'a alma minha se conforma,
Está no pensamento como ideia;

[E] o vivo e puro amor de que sou feito,

Como matéria simples busca a forma.

Não iremos mais nos estender em poemas, embora adoremos, vamos agora aos estudos relacionados ao amor dentro do contexto das relações interpessoais em psicologia.Dentre os modelos que se propõem a explicar o amor a psicologia se divide em várias teorias, Dentre elas a de Hatfield, de Lee , Sternberg, Rubin, Bystronski, Hendrick e Hendrick, Maslow,Critelli, Peele, Driscoll, dentre outros mas procuramos nos ater mais nos primeiros pois são mais recomendados embora façamos menções no decorrer do texto a muitos deles, principalmente nas conclusões.

Tipos de amor por Hatfield:
Apaixonado → Descrito como um estado de intenso desejo de união com outra pessoa, cuja reciprocidade confere êxtase e realização, ao passo que uma separação é sentida como vazio, provocando intensa ansiedade e/ou mesmo desespero, trata-se de um despertar fisiológico, relaciona-se a uma variedade de emoções fortes, negativas e positivas; se intercalando na forma como são apresentadas.
Companheiro → caracteriza-se como um processo de aproximação entre indivíduos, sendo exploradas suas semelhanças e diferenças nas maneiras de pensar, sentir e agir, os parceiros apresentam um desejo de se revelarem um ao outro compartilhando seus segredos, angustias e desejos, valores, fraquezas e esperanças.Também são apresentadas preocupações profundas e cuidados com outro bem como o conforto com relação a proximidade física.
Teoria de Lee “ As cores do amor”
Esta teoria tenta explicar o amor através de uma analogia e como preferir uma relação com as cores, partindo de um pressuposto de que no amor também encontramos diversas variações assim como as cores tendo origem em apenas uma fundamental, também conhecido como love-styles deslocando o foco de como o quanto duas pessoas se amam para fundamentar quais cores do amor produzem uma boa combinação.
Estilos primários do amor definidos por Lee (Assim como cores primárias dando origem a outras) :
Eros → baseado no amor erótico, que geralmente se inicia com uma grande atração física, em que os sujeitos se guiam por um tipo de pessoa ideal, abrindo-se mutuamente para o conhecimento.

O amor erótico, segundo Erich Fromm, "é o anseio de fusão completa, de união com outra pessoa". Possui uma natureza exclusiva e não universal, isto é, o amor é dedicado a uma só pessoa.


Mesmo sendo o amor erótico exclusivo, ele não é possessivo no sentido de se ter propriedade da pessoa amada, É sim, no sentido de guardar o amor a uma só pessoa com a qual vai se fundir plena e intensamente, entregando-se a ela em todos os aspectos da vida, amando nela toda a humanidade, tudo quanto vive.

O amor erótico busca estabelecer a intimidade, isto é, um conhecimento mútuo, profundo entre duas pessoas. A pessoa que ama é movida no sentido de superar a barreira que a separa do ser amado e depois que isso acontece não há mais o que buscar, o outro já lhe é intimamente conhecido, não há mais proximidade "súbita" a se realizar. Contudo se a busca da intimidade for baseada no conhecimento profundo da experiência da outra pessoa, da infinidade de sua personalidade, a pessoa amada jamais seria o bastante íntima para esgotar a busca de superar barreiras e a cada dia a relação ficaria mais íntima, mais completa, renovada.Com base no estabelecimento da intimidade, esse objeto do amor pode se manifestar segundo duas concepções: como uma atração completamente individual, única, entre duas pessoas específicas e como um ato de vontade, de decisão de entregar minha vida completamente à de outra pessoa.

Quando a busca da intimidade for mais no sentido de superar uma separação entre duas pessoas, esta pode se manifestar através de uma união física estabelecida pelo contato sexual. Deste modo, a intimidade está sendo reduzida a uma fusão entre dois corpos.Para ocorrer a união física é preciso que haja um desejo sexual mútuo entre as pessoas envolvidas. Esse desejo pode ser meramente um apetite físico de uma pessoa em relação à outra e quando o é, acabando a relação sexual, o desejo acaba, ficando um vazio entre as pessoas que sentem uma ilusão de ter havido algo mais no relacionamento. O desejo também pode ser estimulado pela angústia da solidão, pela vontade de conquistar ou ser conquistado, pela vaidade, pelo gosto de ferir e destruir, assim como pelo amor.

Quando é o amor que incita o desejo de união sexual, a relação é permeada pela ternura que "é o produto direto do amor fraterno e existe tanto nas formas físicas do amor quanto nas não físicas." E é asseguradamente este o tipo de união sexual que proporciona um maior prazer, satisfação e intimidade entre duas pessoas.E nessa direção se encaminha a segunda concepção do amor erótico onde o amor é em essência um ato de vontade, de decisão, de entrega assegurando a continuação do amor entre duas pessoas.A intimidade entre o casal nessa concepção é baseada na seguinte premissa: "que eu ame da essência do meu ser e experimente a outra pessoa na essência do seu ser".

Esse tipo de busca acarreta uma atitude das duas pessoas que amam em serem responsáveis e comprometidas com a relação se quiserem viver juntas permanentemente, pois aí o amor não é apenas um sentimento forte, é uma decisão, uma escolha, um julgamento, uma promessa; o sentimento vem e pode ir-se enquanto a atitude, se sincera e interior da pessoa, permanece.
O amor erótico revela um caráter paradoxal da natureza humana. "Por sermos todos Um, podemos amar a todos do mesmo modo, no sentido do amor fraterno. Mas por sermos todos também diferentes, o amor erótico requer certos elementos específicos, altamente individuais, que existem entre certas pessoas, mas não entre todas".Assim, uma concepção não é mais verdadeira que a outra. Ambas ocorrem nas relações entre pessoas de acordo com o estilo de vida e personalidade dessas pessoas. Pelo fato das pessoas serem diferentes, o amor acontece diferentemente nas mais variadas relações amorosas.

Estorge → ou amor companheiro, em que a afeição e o compromisso se desenvolvem gradativamente, não possuindo o sujeito um tipo ideal, mas sim procurando conhecer outras pessoas que apreciem as mesmas atividades de seu interesse, possuam os gostos parecidos etc com as quais possam se unir, adquirindo gradativamente confiança e possuindo sobretudo tolerância,este tipo de amor é comum em relacionamentos entre adultos maduros, duradouros como o casamento. “Amor sem febre ou tolice”o individuo se acostuma com o parceiro e não se apaixona repentina e arrebatadoramente.


Ludus → quando o sujeito não possui quaisquer tipo ideal, estando voltado para o prazer, o jogo sem compromisso.A perspectiva é que o relacionamento seja prazeroso e não comprometedor, tendo uma duração indeterminada ,podendo acabar no dia seguinte este relacionamento, “o lúdico é um errante,ou um colecionador de experiências de amor que serão relembradas com prazer, são amantes pluralísticos( promíscuos )e ograua de envolvimento é cuidadosamente controlado.
Da combinação dos estilos acima decorrem novos tipos de amor ou assim como as cores tipos secundários:
Mania - Eros + ludus → se caracteriza pela preocupação excessiva com o ser amado de forma ciumenta e possessiva.O indivíduo necessita continuamente de repetidas reafirmações de que é amado, como por exemplo demonstrações públicas de afeto,e ao mesmo tempo recua temeroso de amar demais antes que aja alguma garantia da reciprocidade.

Mais do que uma "prova de amor", o ciúme é um sentimento angustiante para quem sente e para quem recebe. Pode ser compreendido como uma reação de ansiedade relativa a uma ameaça de perda numa relação afetiva. Se esta ameaça é real, o ciúme é considerado "normal", procedente. Se a situação é avaliada erroneamente, se é sentida uma ameaça de perda onde ela não existe, é considerado "anormal".No ciúme normal ou de preservação, a reação é momentânea e proporcional à situação real. Por exemplo, num determinado momento uma namorada desperta a atenção de alguém e mostra certo interesse. Sinto-me ameaçado diante de uma situação de fato. Digo que estou enciumado. É uma reação momentânea e proporcional à situação real.

No ciúme patológico, de desconfiança, a pessoa tem a sensação permanente de ameaça. Está sempre desconfiada diante de qualquer situação. Todo e qualquer indício pode provocar suspeitas. Se alguém olhou (ou eu acho que olhou) para minha namorada É porque querem "paquera-la" e se ela aceitou a corte então passo a desconfiar que tem alguém, então é por isso que se atrasou ontem... então... e por aí vai... Movido pela dúvida, há a busca incessante e obsessiva da evidência. Parece que enquanto não é descoberta a prova da infidelidade o ciumento não tem paz. A avaliação das situações de ameaça é baseada em percepções seletivas, onde pesam muito mais os "indícios" favoráveis à suspeita e são minimizados os que a desmentem. As conclusões são radicais :SE chegou atrasada, então, tem outra pessoa. Outras alternativas são minimizadas.

Finalmente há o ciúme delirante, próprio dos estados psicóticos, onde não há a suspeita mas sim a certeza da traição.Na conclusão há total desprezo por todos os indícios contrários e só são levados em consideração os que, na ótica do ciumento, reiteram a traição.As causas do ciúme exacerbado são complexas. Algumas pessoas desenvolvem uma personalidade insegura e tornam-se ansiosas, medrosas, tensas, com medo da perda e não confiantes em sua capacidade de manter uma relação. A auto estima está sempre diminuída e há o desenvolvimento de uma dependência simbiótica com a outra pessoa , que se torna condição de sobrevivência. A possibilidade de perda, remota que seja, constitui uma ameaça vital. Se uma pessoa vive em função de outra, perde-la, é perder-se a si própria. É uma relação doentia. Numa relação normal a presença do outro incorpora, acrescenta à vida da outra, mas não é esta vida. Outros viveram o processo efetivo de traição e trazem o ciúme como seqüela em seus relacionamentos futuros. Finalmente o ciúme pode ser sintoma de quadros psicopatológicos como Transtorno paranóide de personalidade e na esquizofrenia paranóide.

O ciúme traz uma terrível sensação de sofrimento pode levar ao fim de relacionamentos e é freqüentemente causa de suicídios e homicídios. Muitas vezes a "profecia se auto-realiza": por não agüentar o sofrimento da desconfiança permanente, sai da relação, não "por ter outra pessoa", mas porque a relação torna-se asfixiante. Habitualmente o ciúme vem acompanhado de outros problemas emocionais. Abala a qualidade de vida como um todo e deve ser tratado terapeuticamente.
Pragma – ludus + storge → relação baseada em interesses comuns em que se valoriza a compatibilidade.Esta em busca de um parceiro compatível,de acordo com as suas concepções.
Ágape – Eros + storge → amor altruísta universalista, respeitoso, dedicado e desinteressado,sempre gentil e paciente,nunca ciumento, nunca necessita de reciprocidade,é despojado é uma doação incondicional para o outro.



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