Amar pode dar certo roberto t. Siunyasniki



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SHINYASHIKI, Roberto T.; DUMÊT, Eliana Bittencourt. Amar pode dar certo. 111. ed. São Paulo: Gente, [19--?]. 155 p. ISBN 8585247021.

AMAR PODE DAR CERTO

ROBERTO T. SIUNYASNIKI

ELIANA BITI’ENCOURT DUMËT

Apresentação

Frei Leonardo Boff

Capa

Magy Imoberdorf



Rosana Giannotti

EDITORA GENTE

Para Ana Helena, minha esposa, companheira na aprendizagem dos caminhos do amor.

Roberto


Quem dedicar este mergulho no amor a todos aqueles que amam: meus pais, minhas filhas, meus amigos e a mim. Dedico, empan1cular, a duas pessoas especiais que cultivei, em silêncio, como modelos de vida meu bisavô Luis Tarquínio e minha avó Adelaide Tarquínio Bittencourt.

Eliana


ÍNDICE

Apresentação - 11

Introdução - 13

Declaração dos direitos do amor - 17

Afinal, o que é o amor - 18

A função de viver juntos - 21

Aprender a amar - 23

O medo de amar - 25

Ponto de equilíbrio: Solidão x Amor - 28

Comparação x Aceitação - 33

O limite das resistências - 36

A competição ocupa o espaço do amor - 39

Egoísmo: Ilusão do poder - 42

Diálogo x Monólogo - 44

Impotência - 48

Ciúmes - 50

Solidão - 55

As crendices do amar - 59

Separação – 69

Caminhos para amar - 75

Diferenças não São defeitos - 77

Resolvendo problemas - 81

Como e o que mudar na relação? - 82

Para quem se propõe mudar - 89

Admiração - respeito – confiança - 91

À procura de alguém - 94

Romance: ciência do belo - 97

A criatividade e amor - 100

Somar no amor - 102

Enamorar - se - 105

M fases do amor - 110

Paixão e amor - 112

Somar amor e sexo - 114

Crescer no amor - 119

Entrega - 121

Alguns assuntos a respeito do casamento - 125

Falar de amor - 137

Um brinde ao amor - 153

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A VOCÊ QUE NOS TEM NAS MÃOS AGORA!

Este livro nasceu para ajudar a inverter uma mentalidade, que se sempre doloroso, está estabelecendo no mundo, de que amar é algo sempre doloroso, frustrante e complicado.

Cada dia mais, nós vemos pessoas aceitando passivamente e solidão como sua inevitável companheira, seja vivendo isoladas ou estando casadas sem amor e perdendo a esperança de ser felizes com alguém.

É importante que, ao invés de nos decepcionarmos com o amor, aos questionemos a respeito da nossa forma de amar, sobre as estruturas das relações amorosas e sobre os objetivos que se vive com alguém.

Nosso objetivo é ajuda – ló a voltar a acreditar profundamente em coisas simples, tais como: amar, namorar, casar, conversar, acariciar e, principalmente, acreditar em si mesmo.

Chega de pessimismo.

Amar pode dar certo!

É uma questão de acreditar e ir frente até conseguir.

Se você, hoje, acha que o amor é a fonte de seus problemas saiba que este livro vai procurar convencê-lo que o amor é a fonte de nossas experiências de êxtase.

Desde que nos conhecemos, Eliana e Roberto, nos tornamos nossos melhores amigos. Conversa e ajuda mutua são coisas que fazem parte de nossa amizade; e este livro é uma forma de procurarmos ajudar outras pessoas e conseguirem viver mais plenamente.

Aprendemos sobre o amor nas nossas experiências pessoais, com nossos clientes, em grupos e seminários. Com nossos alunos, aprendemos tanto quanto com nossos mestres e terapeutas. E, como o assunto nos fascina, lemos muito sobre o tema.

Muitas ideias, presentes neste livro, foram nos ensinadas, ou inspiradas, por outros autores e escolas, especialmente Bhagwan S. Rajneesh, Zen Budismo, E. Berne, C.Jung, W, Reich e F.Peris. Não citamos todos para não tornar e leitura cansativa.

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Ficamos felizes por você estar conosco, neste momento, e queremos esclarecer-lhe algumas coisas:

— Dirigimo-nos a você tanto no feminino como no masculino. Não importa o gênero. Qualquer frase é dirigida a você, quer seja homem ou mulher. Buscamos balancear o uso do feminino e do masculino porque acreditamos que, como tudo na vida, no amor também os direitos e responsabilidade são dos dois, igualmente.

— Quando nos referimos a casal, par, companheiro ou companheira, estamos falando de qualquer tipo de relacionamento entre um homem e uma mulher, quer seja casamento, namoro, ou urna simples relação momentânea

Uma forma interessante para tirar melhor proveito de Amar pode dar certo é programar para lê-lo junto com a pessoa que você ama. E fazer um acordo de o utilizarem o que está relatado aqui para trocar acusações do tipo: “Viu como você faz? ou “Você está se vendo aqui”? Se isso acontecer, não prossigam lendo juntos, pelo menos da primeira vez.

Não nos propomos dar a última palavra em nada, não nos sentimos os donos das verdades de ninguém, nem somos mestres em amar. Pelo contrário, colocamo-nos como permanentes aprendizes na evolução do amor.

Estamos abrindo um leque e iniciando um diálogo com você, para que possamos, cada dia mais, ampliar a nossa capacidade de amar.

Pode ser que você tenha alguma contribuição importante no assunto ou queira fazer uma simples observação. Se assim for, Comunique-se conosco. Fale-nos do que quiser. Ajude-nos a ampliar nossos conhecimentos sobre o amor.

Tenha a certeza de que, se você quiser, será gostoso nos conhecermos e conversarmos sobre Amar pode dar certo.

Com carinho, Eliana e Roberto

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APRESENTAÇÃO

Este livro — Amar pode dar certo — é a expressão de uma prática amorosa profunda, que encontra agora seu momento reflexivo. No fundo, trata-se de uma fenomenologia do amor cotidiano, com suas realizações, suas patologias, suas buscas e suas promessas. E há muita confiança no amor, contra toda uma tendência cética dos que confundem o amor com o desfrute desbragado da vida. Mas o amor supõe trabalho e arte. E verdade que nascemos com imensas potencidades de amar, mas também somos herdeiros de distorções culturais poderosas, que dificultam a gratificante experiência do amor. Por isso, o amor exige trabalho sobre nós mesmos e, não raro, contra nós mesmos. Até transformar as pessoas para viverem o amor como a arte de um relacionamento o mais indusivo possível. O amor é a relação básica do ser humano. Somente por ele se expande o sistema da vida e se alarga a percepção do sentido da totalidade. Os maiores inimigos do amor são o medo e a indiferença. O medo estiola a pulsação vital e transforma o amor em angústia. A indiferença supõe a morte do amor. As pessoas antes amadas, na indiferença, perdem significação; o fascínio por elas empalidece, o imaginário se esvazia e o desejo se apaga. A aite do cultivo amoroso supõe ternura, percepção do detalhe e valorização do universo simbólico. Sem símbolos de afeição não há encontro de amor; há a reunião em nome de interesses e, no máximo, a amizade que nos garante o sentimento de pertença e nos ajuda a enfrentar a solidão. Mas o amor é outra coisa: é a transfiguração do pequeno, é a inauguração da eternidade (“se eu te amo, eu sei que tu não morrerás jamais») já dentro do tempo, é a preservação da inocência que não se perdeu totalmente no fracasso histórico e originário da existência humana. Mas o amor não possui somente estas significações mais transcendentes. Ele se dá nas dobras da vida, na sexualidade, na paixão, no cuidado, no trabalho, nas crises de encontro, no aprendizado mútuo, na acolhida das diferenças, amiúde, tão desafiante, nos fracassos de uma das partes. A autenticidade do amor se mede na capacidade de sofrer por causa do amor, de sustentar a relação para além da satisfação imediata, no

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entendimento de que todo amor humano se realiza dentro de um encontro, de uma história de encontro, até fundir as vidas numa única direção, numa interpenetração de desejos, de sentimentos e de destino. Eliana e Roberto entram, com fina percepção, neste campo da construção cotidiana do amor, onde a sabedoria universal e dados da observação científica ajudam a estabecer o quadro do aprofundamento

O amor é criativo; é a maior afirmação da vida; por isso, o amor irradia alegria fontal. O amor está próximo da poesia, criação mais excelente da escritura. Não é sem razão que um livro que sustenta vigorosamente a certeza de que “amar pode dar certo” venha perpassado de poesia, dos próprios autores.

Por fim, o amor constitui a realidade axial da vida, a ponto de ser a própria definição da divindade. Não podemos pensar nem desejar Deus, senão no prolongamento da experiência do amor. “Deus é amor e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (1 Jo 4,16). A medida da fidelidade a Deus se encontram na fidelidade ao amor. Quem tem o amor tem tudo: a terra, a paz, o coração e o próprio Deus. O livro de Eliana e Roberto reforça essa utopia. Por isso é verdadeiro.

Frei Leonardo Boff

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INTRODUÇÃO

Afirma uma antiga tradição popular que Deus dá às pessoas as coisas em que elas acreditam. Então, se alguém crê no amor, conseguirá o amor e, se acreditar na solidão, acabará só.

Sempre houve a crença de que peus nos daria tudo o que a Ele pedíssemos. Mas isso não é verdade. Ele nos dá apenas aquilo em que acreditamos. Senão, como explicar que uma pessoa desconfiada, que não acredita em ninguém, seja sempre enganada?

Existia um mosteiro Zen, conduzido por dois irmãos. O mais velho era muito sábio, e o mais novo, ao contrário, era tolo e tinha apenas um olho. Para um forasteiro conseguir hospedagem por uma noite nesse convento, tinha de vencer um dos monges, num debate sobre o Zen Budismo.

Uma noite, um forasteiro foi pedir asilo no convento e, como o velho monge estava cansado, mandou o mais novo confrontá-lo, com a recomendação de que o debate fosse em silêncio. Dessa forma, o monge tolo não cometeria enganos.

Algum tempo depois o viajante entrou na sala do sábio monge e falou: “Que homem sábio é o seu irmão! Conseguiu vencer-me no debate e, por isso, devo ir-me”.

O velho monge, intrigado, perguntou: “O que aconteceu?”

E escutou a resposta: “Primeiramente, ergui um dedo simbolizando Buda e seu irmão levantou dois, simbolizando Buda e seus ensinamentos. Então, ergui três dedos para representar Buda, seus ensinamentos e seus discípulos, e meu inteligente interlocutor sacudiu o punho cerrado, na minha frente, para indicar que todos os três vêm de uma única realização”.

Pouco depois, entra o monge tolo, muito aborrecido, e é saudado pelo irmão, que lhe perguntou por que estava chateado. E o caolho respondeu: “Esse viajante é muito rude”! No momento em que me viu, levantou um dedo, insultando-me, indicando que tenho apenas um olho. Mas, como ele era visitante, não quis responder à ofensa e ergui dois dedos, parabenizando-o por ele ter dois olhos. E o miserável levantou três

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dedos, para mostrar que nós dois juntos tínhamos três olhos. Então fiquei furioso e ameacei dar-lhe um soco, com o punho cerrado. E, assim, ele foi embora;

As pessoas sempre procuram nos outros e na vida a confirmação do que elas acreditam e, infelizmente, têm andado bem desesperançadas no amor, como se a insatisfação fosse inevitável.

O amor é inevitável na vida dos seres humanos, assim como é inevitável que a rosa exale o seu perfume. Como poderemos viver sem amar? Impossível, porque, se assim for, o vazio sempre nos acompanhará. Por outro lado, é muito importante que cada um de nós reconheça a sua inabilidade no assunto. Nada há o que o ser humano adulto tenha desaprendido tanto, quanto a se entregar ao amor. E, por isso, vive na eterna busca de algo que não encontra nunca.

Mas o amor é vingativo. Ele não perdoa quando não encontramos um jeito de realizá-lo. Fica como uma criança birrenta, acompanhando seus pais e pedindo atenção, através de dores psicossomáticas, de insônia, de irritação, de ansiedade e de uma infinidade de outras manifestações. Sua ausência atrapalha nossa vida até que paremos e comecemos a refletir num jeito de realizá-lo.

O que mais assusta as pessoas é que, para viver o amor, é preciso mudar muito o estilo de vida, abandonar ambições impossíveis e aprender a ser simples. As dificuldades surgem porque o ser humano é mestre na arte de complicar e completamente inábil na arte de simplificar.

Os problemas com o amor não aparecem de repente nem nascem grandes, como os vemos quando tomamos consciência de que há algo errado com a nossa relação amorosa.

Na verdade, cada problema é a soma de muitas pequenas dificuldades que vamos acumulando no dia-a-dia. Passamos por cima delas sem lhes dar a devida atenção, sem procurar resolvê-las, porque, por serem pequenas, pensamos que vamos superá-las muito bem.

Terrível engano As pequenas desavenças vão ficando como pequenos nós, ou minúsculos obstáculos, no entendimento do casal e, um belo dia, uma dessas pequenas dificuldades funciona como a gota que faz a água entornar do copo. A água não transbordou por causa dessa gota, mas pela soma dela com todas as outras que já estavam no copo. Uma relação se desestrutura como a pedra que se parte depois da vigésima martelada. Também aí, como a gota d’água, a última martelada só partiu a pedra porque ela já estava abalada, rachada com as dezenove pancadas anteriores.

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Assim são os problemas de um casal. A cada dia uma pequena martelada, até que a relação se rompe.

Entre as Declarações dos direitos do amor, seu conceito e função, e um Brinde ao amor, vamos fazer uma viagem, partindo do Medo de amar, que é o monstro, a bruxa malvada e o pesadelo de nossas vidas. A parada seguinte são as Crendlces do amar, as quais existem somente porque nós obedecemos às ordens do Medo de amar. E são estes dois transportes que nos levam ao capítulo seguinte, que é a Separação. Apenas depois de dominarmos esses áridos terrenos é que poderemos trilhar os Caminhos para amar, onde será possível descobrir toda a riqueza que há em cada um de nós. E, ao final desta escalada, antes de levantarmos um brinde, é importante Falar de amor, com toda a beleza que possuímos.

Este livro é um recado simples de qu Amar pode dar certo. Se cada um de nós se propuser esse objetivo, ele poderá ser realizado. Estas páginas representam um canto em louvor ao que existe de mais importante na vida do ser humano: a capacidade de deixar-se levar para viver o amor com o outro.

Talvez neste momento de sua vida exista, lá bem nas profundezas do seu ser, um sentimento de desesperança a possibilidade de viver plenamente com alguém. Isso irá levá-lo a procurar um meio de provar, a si próprio, que seu modo de pensar é que é o correto. Ao invés de negar essa parte dentro de você, faça algo diferente: observe-a ; perceba como ela vai lendo o livro com ceticismo, crítica e indiferença.., não lute contra ela; não a mande embora. Procure conhecê-la profundamente. Pode ser que, ao sentir-se compreendida, essa sua parte reconheça sua inutilidade e saia de sua vida.

Acredite!

Amar é a sua verdadeira vocação!

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Fim da imagem

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DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO AMOR

— Um homem e uma mulher podem viver juntos numa relação construtiva e amorosa, apesar de serem diferentes.

— Duas pessoas parecidas podem amar-se e viver juntas.

— A família pode ser um espaço aconchegante e cheio de estímulos para o crescimento.

— Uma mulher e um homem podem ter sucesso profissional, festejar juntos e continuar românticos.

— Um homem e uma mulher podem somar amor e sexo.

— A mulher, antes de tudo, é uma mulher.

— O homem, antes de tudo, é um homem.

— A individualidade pode ser preservada, ao mesmo tempo que a relação é construída.

— Um homem e uma mulher podem confiar um no outro.

— Entregar-se não é submeter-se ao outro, mas se inder ao amor que o outro sente por nós.

— Uma relação pode acabar e, ainda assim, continuar havendo compreensão, proteção e respeito mútuo.

— Um ser humano só é livre quando ama.

— Amar alguém é chamá-lo para a vida e exercer o próprio ato de estar vivo.

— O ser humano não pode ser uma fome sem alimento, uma sede sem água, uma pergunta sem resposta, uma vi(ia sem amor.

— Um homem e uma mulher podem encontrar, juntos, suas próprias soluções.

— O medo de amar é fruto da imaginação.

— Todos os seres humanos têm direito a cometer enganos.

- Amar pode dar certo.

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AFINAL, OQUE É o AMOR?

Certamente cada um de nós, pelo menos uma vez na vida, refletiu sobre o amor. Essa energia que movimenta toda a humanidade, muito mais preciosa que o ouro, e de cuja existência às vezes se duvida. É procurada nos outros, em nós mesmos, nos livros e, quando não é encontrada, leva à dolorosa sensação de solidão.

Comecemos nossa reflexão vendo o que “não é amor”. Há uma confusão múito grande entre o amor verdadeiro e um produto similar, chamado amor de troca — uma conduta usada como moeda, para dar direito a cobrar determinados comportamentos dos companheiros. Exemplo típico disso é a eterna cobrança: “Eu sempre cuidei de você, agora que preciso não o tenho comigo”.

O amor é uma energia que cresce dentro de nós e nos convida a estar com o outro. Quando estamos em estado de amor, torna-se inevitável agirmos de forma amorosa. Portanto, o outro, no fundo, faz-nos um faibr ao se deixar amar por nós.

O amor não é um convite à infelicidade. Quando, numa relação, as pessoas se sentem amarguradas, convém refletir cuidadosamente, pois o amor é uma energia que impulsiona para a vida. Quando estamos amando alguém, sentimo-nos vivos e em sintonia com o Universo.

Amar não é viver assustado, procurando adivinhar o que o parceiro quer, para obter sua aprovação, ou temendo o seu mau humor. O sentimento do amor nos dignifica e nos dá a verdadeira dimensão do nosso valor; faz-nos sentir que pertencemos à raça humana e que não somos simplesmente meros complementos um do outro.

Amar não é ficar parado, como um rei, esperando que o outro, pelo fato de estar sendo amado, sinta-se devedor de nosso sentimento. O amor nos proporciona uma sensação de gratidão para com a existência; um sentimento de ser abençoado pela dádiva divina. E, em retribuição, somos levados a cuidar desse amor.

Amar não é simplesmente ter desejo sexual que, apesar de ser algo incrível, não é o único elemento do amor. As pessoas que vêem o amor

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como algo puramente genital geralmente acabam por empobrecê-lo.

Amar é uma viagem a ser feita com alguém, na qual, ao mesmo tempo em que desfrutamos dessa entrega, desvendamos os mistérios que ela nos apresenta a cada momento.

O amor é uma força que nos leva a enfrentar todos os nossos medo, criados desde as primeiras experiências dolorosas de aproximação. Toma-nos corajosos e ousados, prontos a desafiar o tédio e o comodismo, a enfrentar o desafio do cotidiano, sem deixá-lo transformar- se em rotina. Proporciona-nos uma postura de aprendiz, concedendo-nos a suprema compreensão de que, quando somos levados pelo impulso do amor, realizamos algo. No amor, não estamos nos submetendo ao outro, mas sim obedecendo às ordens do sábio que existe dentro de nossos corações.

O amor nos dá coragem para enfrentarmos todas as mensagens negativas ouvidas na infância, do tipo “homem não presta”, “mulher é complicada”, “casamento só traz sofrimento”, que poluem nossos pensamentos.

Não podemos exigir a perfeição do ser amado, pois, como diz Aristóteles: “O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, posto que a função do amor é levar o ser humano à perfeição”.

O amor é um convite a estar com o outro, porque, como diz Francesco Alberoni: “É um estado nascente de um movimento a dois; é um querer estar compartilhando alegrias e dores, problemas e soluções com o ser amado”.

O amor leva-nos a respeitar a nossa própria individualidade e a do outro, pois, como diz Rajneesh: “Viver é como o cicio respiratório. Na inspiração entra-se em contato consigo próprio, é o estar só, é o momento em que se carrega o coração de energia, a maturação do feto, a preparação do botão de rosa. E na expiração dá-se o encontro, o desabrochar do amor, o renascimento com o outro, o ‘ser’ com o outro. A respiração não é possível sem os dois movimentos. Precisamos da inspiração tanto quanto da expiração”.

O amor é a força que nos toma guerreiros, sem revolta, pois, como dizia Eric Fromm: “Amar é comprometer-se sem garantias; entregar-se completamente, com a esperança de que o nosso amor produza amor na pessoa amada”.

O amor é uma viagem para dentro de nós, na busca de respostas que nos revelem o que não está certo conosco, mesmo que o outro esteja

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sendo desleixado com nosso amor. Porque, como dizia Amorne Saint Exupéry, “o amor é o processo em que você me mostra o caminho de retorno a mim mesmo”.

A palavra amor é muito limitada para expressar a totalidade do seu significado e, por isso, ao procurarmos conceituar O sentimento, é mevitável que o limitemos.

O amor é muito mais que o encontro de dois corpos, muito mais que a união entre duas pessoas. É a própria consciência da Existência: a crença nas forças divinas, que cuidam de todo o universo e que nos levam um ao outro, com a mesma fluidez com que aproximam uma nuvem de uma montanha, que nos proporcionam uma força sobre-humana que dão energia ao vento, ao mar e à chuva e que nos tornam grandes como pinheiros gigantescos.

No amorseguimos um caminho, realizando uma história, cujo final, apesar de todo nosso conhecimento, só vamos saber quando a completarmos.

A única certeza que temos é a de que o amor é uma condição Inerente ao ser humano. Assim como a flor emana o seu perfume, o homem naturalmente exala o amor. Isso é tão inevitável quanto é impossível proibir a terra molhada de desprender o seu cheiro.

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A FUNÇÃO DE ViVER JUNTOS

Muitas pessoas constituem casal pensando que irão iniciar uma grande brincadeira, cujo objetivo maior é o prazer. A experiência mostra que aqueles que pensam apenas no gozo são os que mais sofrem em urna relação. Depois de algum tempo, iniciam-se as insatisfações, as frustações, as cobranças, a rotina e o tédio. A pessoa se sente como um peixe apanhado no anzol, enganado, que ao tentar comer a minhoca acabou virando comida do pescador.

O grande objetivo do homem e da mulher, ao desejarem ficar juntos, deve ser criar oportunidades para o casal ter um espaço, onde possam desenvolver a capacidade de viver a dois, buscar soluções criativas, à medida que os obstáculos apareçam, e aprender a desfrutar de todas as formas de viver com amor.

Após a grande liberação sexual dos anos sessenta e setenta, ficou fácil as pessoas se encontrarem para relacionamentos ocasionais, em que aliviam as tensões, conhecem gente diferente e gozam de momentos agradáveis. Mas, ao mesmo tempo, cada vez mais, elas sofrem com a “ressaca sexual” — aquela sensação de vazio, culpa e insatisfação que acompanha tais relacionamentos.

Uma ressaca sexual aparece quando se comete uma agressão contra si mesmo e, sem dúvida, é um aviso de que é preciso ser mais cuidadoso. Ms essa ressaca pode ser também fruto de um condicionamento estabelecido durante a infância, no sentido de se ter um único casamento, ou de se praticar sexo apenas depois do casamento. O que nos chama mais a atenção, no entanto, é que esse sintoma tem aparecido, cada vez mais, em mulheres e homens que tiveram um grande número de relações passageiras.

As pessoas estão sentindo falta de relações profundas e sólidas!

Estar com alguém plenamente é um caminho de crescimento, um aprendizado de viver a dois; é a possibilidade de se vencer o medo da entrega e de se conhecer intimamente.

Conviver com alguém que amamos é o mesmo que comprar um

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imenso espelho da alma, no qual cada um dos nossos movimentos é mostrado, sem a mínima piedade. E é aí que começa o inferno... Ao invés de encarar-se a verdade e de se ver a imagem temida do verdadeiro “eu”, tenta-se quebrar o “espelho”.

Como é possível quebrar esse “espelho”? Existem muitas formas, mas as cotidianas são: fugir da intimidade, culpar o outro, não assumir as próprias responsabilidades na relação e desacreditar o amor.

- .Viver com alguém que se ama não é apenas uma oportunidade de conhecer o outro, mas é a maior chance de entrar em contato consigo mesmo. Apenas quando nos vemos é que perdemos o medo de nós mesmos e nos aceitamos como realmente somos. Começamos, então, a nos capacitar para o amor.

Um dia, perguntaram a um grande mestre quem o havia ajudado a atingir a iluminação; e ele respondeu: “Um cachorro”. Os discípulos, surpresos, quiseram saber o que havia acontecido, e o mestre contou: “Certa vez eu estava olhando um cachorro, que parecia sedento e se dirigia a uma poça d’água. Quando ele foi beber, viu sua imagem refletida. O cachorro, então, fez uma cara de assustado, e a imagem o imitou. Ele fez cara de bravo, e a imagem o repetiu. Então, ele fugiu de medo e ficou observando, durante longo tempo,a água. Quando a sede aumentou, ele voltou, repetiu todo o ritual e fugiu novamente. Em um dado momento, a sede era tanta que o cachorro não resistiu e correu em direção à água, atirou-se nela e saciou sua sede. Desde então, percebi que, sempre que eu me aproximava de alguém, via minJ-ia imagem refletida, fazia cara de bravo e fugia assustado. E ficava, de longe, sonhando com esse relacionamento que eu queria para mim. Esse cachorro me ensinou que eu precisava entrar em contato com a minha sede e mergulhar no amor, sem me assustar com as imagens que eu ficava projetando flOS Outros”.

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APRENDER A AMAR

“No amor, nem sempre são as faltas o que mais nos prejudicam, mas sim a maneira de proceder, depois de as termos praticado.”

Amar uma mulher...

não como um filho ama sua mãe

nem como o pai ama sua filha...

mas, sim, como um homem ama uma múlher.

Amar um homem...

não como a filha ama seu pai

nem como a mãe ama seu filho...

mas, sim, como uma mulher ama um homem.

Ovídio

´

Amar e ser amado é, sem dúvida, o maior desejo do ser humano e, por isso mesmo, a maior fonte de suas frustrações.



Muitas pessoas reclamam de seu destino, pelo fato de não ter sido contempladas com um grande e definitivo amor. Mas a realidade é que um grande amor é fruto de sua maneira de existir.

Amar, jogar xadrez, cozinhar.., qualquer atividade tem três fases, em seu processo de aprendizagem: a primeira é a da alienação, da falta de consciência. Começamos pensando que já sabemos muito. No caso do amor, acreditamos que amamos bastante, corretamente, que nos entregamos. Nem bem começamos, já nos consideramos mestres.

A segunda é a fase da aprendizagem, quando descobrimos que não sabemos nada ou quase nada. Então, traçamos um objetivo e queremos aprender o máximo possível. É a etapa da técnica, do treinamento metódico para atingir um determinado fim. No amor é necessário desenvolver um treinamento para viver junto a alguém (treinar diálogos sem

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manipulação, treinar sair para dançar, divertir-se, treinar relações sexuais satisfatórias, treinar estar com os filhos sem ficar pensando em sair ou dar telefonemas etc...).

A terceira fase é a da sabedoria, quando não existe o “eu” nem O “tu”, mas a comunhão do momento; quando não há homem nem mulher isoladamente, mas o “nós”. É a etapa que transcende s individualidades.

O ato de amar só pode ser desenvolvido com disciplina, humildade e coragem. Nós já nascemos sabendo amar. É como respirar — ninguém precisa aprender a respirar. Mas, depois de tantas repressões, o amor fica contido. Então nós precisamos voltar a aprender a amar. E, para aprender a amar bem, precisamos de um trabalho cuidadoso e da consciência do quanto amamos mal.

Muitas pessoas agem como se soubessem, perfeitamente, como se ama. O que não deixa de ser verdade! Esse tesouro está guardado dentro de cada um de nós; mas para alcançá-lo é preciso, com muita humildade, manter disciplina e carinho para com nossos atos de amor, como se conhecêssemos muito pouco deles. Ao ter que desativar uma bomba, mesmo um grande perito em explosivos age com muito cuidado e precaução, como se nada conhecesse dela, porque uma pequena modificação no artefato pode acabar com tudo.

Uma postura interessante, para ler este livro, é pensar que existe algo que já se sabe, mas que o melhor será começar a aprender de novo.

Nós aprendemos a demonstrar nossos sentimentos afetivos, originariamente, expressando as nossas sensações em relação aos nossos pais. Tivemos, como modelo, a maneira com que eles expressavam o seu carinho e o seu amor por nós. E crescemos, muitas vezes, sem dar-nos conta de que crescemos e de que a pessoa amada não é mais mamãe nem papai, que foram nossos mestres nas primeiras lições afetivas.

Saber amar é estar atualizado com os próprios desejos, com os desejos do parceiro e com a maneira mais adequada e especial de concretizá-los.

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O MEDO DE AMAR

“O que pensamos é menos do que sabemos;

o que sabemos é menos do que amamos;

o que amamos é muito menos do que existe;

e nesta concreta extensão, somos muito

menos do que somos.

R.D. Laing

olhe-me e veja-Se

escute-me e ouça-se

toque-me e sinta-Se

Quanto do seu eu perdido você está procurando em mim? Serei eu o melhor lugar para você se procurar?

Todos os seres humanos têm um grande objetivo ria vida: viver em estado de pleno amor. Talvez poucos o coloquem desta forma, mas o importante é a percepção da possibilidade de viver sem ter de se preocupar com o amor, pelo simples fato de tê-lo em abundância. Infelizmente, a realidade da maioria é o permanente estado de carência, de miséria afetiva, conjugado com a solidão, com um casamento sem amor e com relações superficiais, sem um envolvimento profundo.

O grande medo do homem moderno éo de amar, que é tão grande quanto o medo de ser amado.

Cada um de nós sabe que amar alguém pode causar a sensação de

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fragilidade e dependência; a presença do outro torna-se vital, e a possibilidade de ser abandonado, a qualquer momento, fka tão ameaçadora que, geralmente, as pessoas optam pela saída mais fácil, que é a de sabotar a possibilidade de viver um grande amor.

Isso cria um enorme dilema para o ser humano: querer viver um grande amor e procurar, o tempo todo, destruí-lo. Certamente, as tentativas de destruição não são feitas deliberadamente, mas realmente o que conta é o resultado final.

O medo de amar é uma praga, uma erva daninha, que corrompe o coração da maioria das pessoas que vive se queixando de solidão.

Imagine o caso de uma amiga. É uma segunda-feira e você vê, ao longe, no corredor da faculdade, fábrica, escritório ou consultório a sua amiga Sueli. Ela está esplendorosa, radiante. Sua aura brilhante está à mostra, pulsando com todo seu vigor. Ao aproximar-se, você a cumprimenta com entusiasmo e pergunta o que está acontecendo.

Ela responde que encontrou o homem de sua vida, alguém inteligente, culto, sensível, bonito, que tem uma conversa com muita participação e respeito, um jeito másculo e sensual; fala do olhar meigo e penetrante do parceiro, do seu toque suave, dos seus abraços (mais gostosos do que mergulho no mar em dia de sol) e, para completar, diz:

“Não entendo como um homem tão legal ainda não se tenha casado! Agora que o encontrei, tenho a certeza de que vou fazer tudo para dar certo.”

Ela se despede e você sai todo feliz, por ver que sua amiga, finalmente, encontrou alguém que a motivasse a amar e a viver um grande amor.

Uma ou duas semanas depois, você a encontra outra vez e percebe que ela já não está tão brilhante. Seus passos não são tão firmes e, quando você lhe pergunta «como está indo o namoro do ano”, ela, friamente, responde: “Está legal”

Você pensa: “Como um namoro com um homem tão sensacional, em menos de duas semanas, pode ficar simplesmente legal?”.

Ela continua sua narração, dizendo: “Estamos nos dando conta de um monte de desacertos. Eu acho que ele me L2! muito; estou me sentindo sufocada, mas vamos levando”

Vocês se despedem e uma série de imagens, de relações com pessoas especiais que você amou e das quais, por sensação de sufocamento, separou-se, começa a aparecer em sua cabeça.

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Quando você a encontra, algum tempo mais tarde, ela está visivelmente de baixo astral, com a aparência de que algo ruim aconteceu. Antes de você dizer qualquer coisa, ela fala: “Não deu certo, nós nos separamos. Foi melhor assim, pelo menos nós nos respeitamos e não nos machucamos”

Sem mais comentários ela se despede de você; cada um vai para seu lado e você continua pensando como pôde acabar, tão rapidamente, algo que tinha tudo para dar certo.

Será que foi exatamente porque ia dar certo? Será medo de que desse certo?

Será que esse medo de amar existe mesmo?

Esse medo faz com que as pessoas arrumem desculpas e justificativas para explicar as suas inseguranças. Ele é parte da nossa vida. Negálo ou sair para as respostas fáceis é o que menos resolve. O melhor, sem dúvida, é estar atento para esse medo, dar um mergulho ria própria vida e perceber que, no fundo, não importa quem seja o parceiro quando se está decidido a ficar sozinho, por medo de ser abandonado outra vez.

Me perdoe,

Se descubro em você

Minhas fraquezas.

Me perdoe,

Se vejo em você

Minha feiura,

Minhas asperezas.

Me perdoe,

Se jogo demais em você

Os meus sonhos,

Meus ideais,

Meu irreal.

Me procuro na direção oposta,

Até entender que não estou em você

E descobrir-me,

Para sentir, de fato, o amor

E encontrá-lo sem buscas

Nem direção,

Simplesmente sendo.

Jetusa Borge.S

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PONTO DE EQUILÍBRIO: SOLIDÃO X AMOR

É muito comum ouvir as pessoas dizerem que sentem muito medo de ficar sozinhas no futuro. Observamos que quem tem esse receio Já está só e enche tanto a vida de compromissos, trabalhos e relações superficiais que não tem consciência da própria solidão. Quem a teme, para a meia-idade ou para a velhice, é porque está fazendo uma série de coisas para que ela aconteça. Está programando o seu futuro solitário, passo a passo, com a vida que estruturou.

Se colocarmos um ratinho numa gaiola, no início ele ficará passeando de um lado para o outro, movido pela curiosidade Quando sentir fome, irá em direção ao alimento. Ao tocar no prato, no qual o pesquisador instalou um circuito elétrico, o ratinho levará um choque muito forte (se a experiência se repetir, ele poderá até morrer). Correrá, então, em direção oposta ao prato. Se nessa hora pudéssemos perguntar-lhe se tem fome, certamente ele responderia que não, porque ainda está experimentando a dor do choque. Depois de algum tempo, o ratinho entrará em contato com a sensação de morte vinda de duas Possibilidades: a morte pelo choque ou pela fome.



Inicio da imagem

Fim da imagem

Quando a fome se tornar insuportável, o ratinho, vagarosamente irá em direção ao prato, que não estará mais eletrificado. Ao chegar quase a tocá-lo ele apresentará reações, tais como se houvesse levado um

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segundo choque. Haverá taquicardia, seus pelos se eriçarão e ele correrá em direção oposta ao prato. Se lhe perguntássemos o que havia acontecido, a resposta seria: “Levei outro choque”. Se fosse possível continuar o diálogo e quiséssemos saber quantos choques ele levou, ouviríamos que havia levado dois choques. Mas esqueceram de avisá-lo que a energia elétrica estava desligada! A partir desse momento, o ratinho vai entrando numa tensão muito grande e busca uma posição intermediária, entre o ponto “da fome” e o do alimento, e, aparentemente, fica tranquilo. Chama- se a isso de ponto de equilíbrio, porque representa o equilíbrio entre fazer alguma coisa para se alimentar e se proteger de levar um novo choque.

Inicio da imagem



Fim da imagem

Qualquer estímulo que ocorrer por perto, como barulho, luminosidade ou algo que mude o ambiente, levará o ratinho a uma reação de fuga em direção ao lado oposto do prato. É importante observar que ele nunca corre em direção à comida, que é do que ele realmente precisa para sobreviver.

Se o pesquisador empurrar o rato em direção ao prato, ele poderá morrer em consequência deparada cardíaca, motivada pelo excesso de adrenalina, provocada pelo medo de que o choque primitivo se repita.

Provavelmente você estará perguntando: “O que isso tem a ver com o medo de amar?”.

Muitas vezes, vemos pessoas tomando choques, sem tocar no prato.

Quantas vezes, nesta semana, você teve vontade de convidar

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alguém para sair, conversar, ir à praia, e não o fez, temendo que a pessoa convidada não iria ter tempo, não gostaria de sua companhia, e acabou sentindo. rejeitado, sem ao menos ter tentado?

Quantas vezes você se apaixonou, sem que o outro soubesse do seu amor?

Quantas vezes você abandonou alguém, com medo de ser abandonado?

Quantas vezes você sofreu Sozinho, com medo de pedir ajuda?

Quantas vezes você se afastou de um grande amor, com medo de comprometer..se?

Quantas vezes você não se entregou ao amor, com medo de perder o controle?

Quantas vezes você tomou choque, sem tocar ao prato?

Experiências dolorosas do passado provocam um medo absurdo de sofrimento. As pessoas esquecem que o prato não está mais eletrificado e continuam com medo de sofrer, por causa da rejeição. Um amigo pode não ter tido tempo para você, alguma vez, o que não significa que ele não o ama, ou que outra pessoa não queira estar com você.

Devido a experiências de rejeição e de desqualificação na infância, reagimos perante homens e mulheres como se eles fossemos senhores do bem e do mal, com poderes de fazer-nos sofrer ou de fazer-nos felizes.

Porta falta de amor, compreensão e segurança, a criança pode desenvolver-se com um caráter inquieto, incapaz de dar felicidade a si mesma ou a quem quer que seja, envergonhando do amor que sente por alguém, da mesma maneira que se sentia inadequada em pedir, mais uma vez, ao pai que brincasse com ela, quando sabia que a resposta seria não.

O medo de amar é uma realidade no nosso dia-a-dia. Pode manjfes.. tar-se cada vez que nos aproximamos do ser amado. Muitas vezes as pessoas terminam um grande amor pelo medo que é desencadeado ao chegarem perto da pessoa amada; porque ela representa, ao mesmo tempo, as possibilidades da realização e da separação ou rejeição.

Um grande amor traz sempre consigo a possibilidade uma dolorosa perda, porque uma das poucas certezas que se tem numa relação é a de que ela pode terminar Essa dúvida vai acompanhar o coração do amante a cada encontro e a cada despedida. Quem não aprender a conviver com ela tenderá a estruturar relações de pouca profundidade

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Na vivência no ponto de equilíbrio, o medo não se faz consciente. E o equilíbrio varia, de pessoa para pessoa, dependendo de como, quanto e quando se foi rejeitado, abandonado ou inseguro no passado.

Na infância, a maioria de nós tomou choques fortes de rejeição. Se não a rejeição real, ao menos a percepção de que estava sendo rejeitado, o que para efeitos psicológicos é a mesma coisa.

O degrau mais próximo do sentimento de rejeição é a solidão. Poucas pessoas suportam a experiência máxima de solidão ou o medo da rejeição. Então a saída é ficar no ponto de equilíbrio, entre a solidão e um grande amor, onde há a sensação de que tudo está muito bem.

Quando aparece a necessidade, ou quando existe a ameaça de se avançar um pouco mais na relação, a pessoa se sente sufocada (se assusta), volta correndo e fica sozinha. Na maioria dos casamentos, as pessoas mantêm o equilíbrio numa solidão a dois. E a consequência é o sentir-se incômodo, prisioneiro, sem liberdade, sem espaço. Geralmente, as brigas, ou o esvaziamento da relação, iniciam-se com um movimento de afastar-se mais um pouco e, como o rato, corre-se para trás. Poucas pessoas, realmente, chegam a provar o alimento. A maior parte se acomoda no ponto de equilíbrio.

É comum coexistirem, numa relação de par, uma certa harmonia do casal e uma vida sexual não-satisfatória. Nesse caso, o ponto de equilíbrio é a acomodação sem sexo. Pode também acontecer o contrário: um bom relacionamento sexual e desajustes em outros aspectos.

Há casais que só têm relações sexuais uma vez por semana ou a cada quinze dias. É o ponto de equilíbrio sexual. Há medo de ir à frente, de chegar mais próximo do prato; existe receio, temor de que algo dê errado.

Duas pessoas podem ter uma vida em comum bem ajeitada, mas não ter amigos e não se divertir juntas. Se uma delas começa a cultivar amizades, a outra passa a ter medo de perdê-la e se irrita tanto, que o parceiro se priva dessa alegria e volta para o ponto de equilíbrio. Fazem as pazes e se mantêm aí. Na maior parte das relações amorosas nas quais se estabelece esse ponto de equilíbrio, um parceiro pode estar alegre, mas não tem força si.ificiente para trazer o outro para a alegria. Geralmente, aquele que não está bem passa a incomodar tanto o outro, que ambos acabam ficando mal.

Esses casais que têm sexo e alegria, mas não têm amigos, quando decidem fazer novas amizades podem sentir-se ameaçados com a fantasia

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de perder o par. Surgem as queixas - “você não me ama mais; trata melhor aos amigos que a mim” —e volta-se, então, para o ponto de equilíbrio. Isso ocorre com pessoas que, na infância, não tinham permissão para brincar com outras crianças, trazê-las para suas casas ou frequentar lugares que não fossem o ambiente familiar, O ponto de equilíbrio, nessa situação, é desfrutar apenas do convívio com pessoas do círculo familiar.

É comum uma relação se desestabilizar quando a mulher começa a crescer profissionalmente Sua independência econômica ameaça o homem, que tudo fará para mantê-la no ponto de equilíbrio que ele pode suportar. Um se sente ameaçado pelo crescimento do outro.

Há pessoas que se encontram e mantêm um relacionamento apenas em finais de semana, É seu ponto de equilíbrio. Se um dos dois propõe um simples telefonema no meio da semana, o outro pode assustar- se com a Possibilidade de mudar esse ponto.

Se o ponto de equilíbrio do homem (ou da mulher) for apenas a conquista, ele perde o encanto e o interesse quando consegue a aproximação. A permissão que ele tinha era apenas a da conquista, e a proibição é a de continuar junto a alguém.

Existem muitos casos em que se perde o interesse e se afirma que “o amor acabou”, quando um relacionamento está ficando profundo, comprometedor. A possibilidade de amar mais profundamente e de entregar-se um ao outro ameaça o ponto de equilíbrio, que é o de estarem próximos, mas não se envolverem afetivamente.

É bastante comum pessoas desfrutarem muito de uma relação sexual quando não há amor, ou amarem alguém sem conseguir uma resposta sexual satisfatória. É a divisão sexo-afetividade. A crença “ou sexo, ou amor” estabiliza o ponto de equilíbrio e não permite que se chegue a um estado de encontro e plenitude.

Quando, de alguma forma, existe um estímulo muito forte para abandonar-se o velho modelo e se aproximar do prato — para comprovar que ele não vai mais dar choque, mas matar a fome — poucos conseguem saborear a refeição. A maioria vai resistir muito à ideia de que agora será diferente. Pode acontecer que um parceiro convide o outro a chegar mais perto do prato, a fim de desacreditar a estória do choque. E o outro poderá ter a sensação de estar sendo empurrado para um abismo... É que o amor lhe é tão proibido, que chega a parecer uma queda no precipício.

Vencendo o medo do choque gradativamente e permitindo, cada vez mais, uma aproximação maior, descobre-se que nem todos os

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pratos estão eletrificados. E, só assim, acredita-se que a delícia do amor possa vencer os monstros da rejeição e da solidão.

Ao longo destas páginas, nosso diálogo está voltado para a busca da melhor forma de conseguir saborear as deliciosas refeições que a vida oferece e de afastar do caminho os pratos eletrificados que possam existir.

Conseguiremos ultrapassar o ponto de equilíbrio, se houver disci-( puna e coragem para enfrentar os fantasmas criados em nossa in1ncia. Só então poderemos perceber que o outro, assim como nós, tem como desejo básico amar e ser amado.

Toma-se importante entendere respeitar determinadas dificuldades do ser amado, que significam seu ponto de equilíbrio. A compreensão pode ser o melhor estímulo de que ele precisa para avançar em direção ao alimento que você lhe proporciona.

Minha cabeça arde... é um vulcão pronto a estourar.

Será que aguenta tanta coisa junta?

Tantas coisas acumuladas,

importantes, sem importância, lixos inúteis.

Amores mofados, envelhecidos,

e meu coração mudo, apreensivo, aguardando a sua vez.

Minha cabeça lotada,

amassada, carrega o peso

de tudo o que eu não fui.

E, certo ou errado, não desisti de ser.

Minha cabeça estourada

vive querendo morrer,

desistir de viver

debaixo do peso de verdades

inúteis,

que não deram a felicidade

nem para quem as criou.

COMPARAÇÃO X ACEITAÇÃO

As pessoas vivem fazendo comparações entre elas mesmas e os outros. Comparam também as pessoas entre si. O tempo todo ficam

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imaginando que, se algo fosse diferente em determinadas pessoas, elas seriam melhores.

Quando você entra no esquema de comparações, sempre há alguém que sai perdendo. E, geralmente, quem perde é você mesmo. Imagine quando você fala ou pensa:

— “O Marcos era mais carinhoso que você...” (perceba o quanto isso mostra a sua decadência.);

— “A Sônia era mais batalhadora que você” (cela não está mais com você);

— “Seu eu fosse tão refinado quanto o Mário” (você está se colocando como um ser inferior).

Ao se comparar, você fica impedido de ver o quanto você é único e especial. O Silvio não será exatamente o Sfivio, mas a continuação do Manuel, que por sua vez é a continuação do Sérgio. Isso quer dizer que você bebe, sempre, com o gosto da bebida anterior, deixada no copo.

Basicamente, cada pessoa é ela mesma e querer muda-la é uma forma de não aceitá-la. As mudanças precisam ser operadas em função do crescimento individual e, consequentemente, da relação.

Você tem a sua altura e não poderá diminui-la nem aumentá-la; a aceitação deste fato é fundamental para você viver bem. Certamente, objetos materiais poderão ser conquistados. Mas aspectos da personalidade são estruturas que estão aí, há muito tempo, e são vagarosamente ‘modificados, mesmo quando a pessoa decide mudar.

Muitas vezes, as pessoas se sentem agredidas pelos atos negativos do seu companheiro. Esquecem-se de que as neuroses dele tiveram origem em sua infância. Certamente, em muitas situações de sua vida, elas se manifestam e o fazem sofrer.

Alguém está neurótico porque assim se desenvolveu e não por ter conhecido você.

Um depoimento muito interessante reflete o que pode acontecer entre duas pessoas. “Estávamos os dois a sós, mas eu percebia nele outras personalidades, O homem com quem eu estava se desdobrava em três; um, o homem que eu acreditava que ele fosse; outro o que ele acreditava ser; e o terceiro, o que ele era realmente”. Apesar de eu o ter como companheiro, de meu amor por ele vir do fundo do meu ser, de eu lhe revelar meus segredos mais íntimos, deixando-o entrarem mim buscando uma sintonia maior do que a vivida até então, esta escolha revelava muito de mim. Muito do que nós vivíamos somente acontecia na minha imaginação.

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Com alguma atenção eu podia perceber que, no fundo, eu vivia projetando imagens e que, a partir delas, eu o havia escolhido.

Eu podia, também, ver refletida nos olhos dele a minha própria imagem se desdobrando em três.

As características básicas das pessoas que procuramos coincidem, ouse opõem, na maioria das vezes, às de alguma pessoa especial e importante da nossa infância.

Quando as pessoas iniciam uma nova relação, geralmente vêem o outro como uma pessoa diferente dos parceiros anteriores e muito especial. Porém, à medida que os problemas vão surgindo, começam as comparações com o último relacionamento e, depois de algum tempo, reafirma-se a crença negativa de que amar não dá certo.

Freqüentemente ouvimos a afirmação: “Eu não dou sorte; as situações se repetem. Sempre me apaixono pela pessoa errada”.

Alguma vez você já teve essa sensação? Já parou para pensar quais são os pontos em comum, nas pessoas com as quais você se envolve?

Quando, num relacionamento, não estamos amando o outro, mas a imagem que construímos e buscamos encontrar, e essa imagem cai, permitindo-nos vê-lo exatamente como é, há um desinteresse, um desencanto. Partimos, então, para outra busca que, por algum tempo, personifique tal imagem.

Embora não se leve em consideração, é muito útil a análise do “curriculum amoroso” de uma pessoa. Se ela é alguém que começa uma relação nova a cada curto espaço de tempo, então o prognóstico não é bom. Mas isso não quer dizer que ela não possa mudar esse comportamento, se decidir investir no amor.

Para amar alguém, da forma como se apresenta, e não viver procurando um ser ilusório, o único caminho é nos centrarmos em nós mesmos, naquilo que realmente somos. E procurar averiguar se a pessoa que estamos buscando pode existir, de fato, ou se faz parte das nossas fantasias, como um príncipe (ou princesa) encantado que, além dos contos de fadas, só existe em nossas cabeças.

Enquanto vivermos sob o domínio da nossa neurose, com sistemas de comparações, jamais amaremos alguém com a intensidade que idealizamos. Amamos nos sonhos e ficamos sozinhos quando estamos acordados.

O texto que segue caracteriza bem a pessoa que procura sempre alguém ideal.

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“Enquanto meu parceiro ideal não chega, eu vou bebendo muito, fumando e deixando a vida correr. Mas, quando ele aparecer, vou ter uma vida calma no campo. Bem...afinal, só tenho 20 anos...

Enquanto ele não chega, resolvo trabalhar muito, ler tudo o que puder, aproveitar as gulodices da vida, pois, quando ele chegar, eu quero estar em boa situação financeira, para curtir a vida com ele.Afinal, só tenho mesmo 30 anos...

É verdade que agora já não tenho mais um corpinho jovem, nem aquela disposição toda, e faço exercícios mais lentos. Já não tenho pressa em encontrar meu par ideal, mas sei que ele virá. Afinal, só tenho 40 anos

Quanta cultura e sabedoria acumulei todos esses anos...Agora, já não me serve qualquer um. Não gosto de qualquer conversa e já não tolero determinadas atitudes. Tenho 50 anos e muita esperança de encontrá-lo, agora que estou madura e sei exatamente o que quero...

A realidade me acordou hoje, somente aos 60 anos... Meu coração bate com uma certa tristeza! Neste momento, penso em quantos milhares de amores interessantes cruzaram o meu caminho... Por onde seguiram? Sós, como eu? Por que tanta chance perdida? Tanta intolerância?

Quando José me pediu para vestir azul, percebi que era o branco que me atraía. Quando Antônio pediu-me para usar o branco, encontrei a beleza no verde.

Hoje a maturidade me revela: não era nem o azul, nem o branco...

A cor realmente não importava. Eu era apenas um botão, pronto para desabrochar, e ninguém percebeu isso. Nem mesmo eu, que estava preocupada em esconder-me com o azul ou com o branco.

O LIMITE DAS RESISTÊNCIAS

As pessoas, frequentemente, têm a ideia de que o amor vai resistir a tudo. Acreditam que o parceiro sempre vai entender aceitar e perdoar as atitudes de desrespeito, ou outra qualquer.

Será que o amor resiste a tudo?

O que um amor a dois pode aguentar?

-. Muitas vezes o amor é lindo e grande, mas é submetido a uma carga extra maior do que as gratificações da relação. O amor pode suportar conflitos familiares, pessoais, ciúmes, falta de dinheiro, crises de

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ansiedade...rnas não pode suportar a indiferença, a desonestidade afetiva, a mentira sentimental e o desprezo.

Não adianta nada você dizer a alguém «eu te amo”, sem estar amando de fato. É desgastante para o amor quando você entra em uma relação sexual sem vontade, apenas para agradar o parceiro ou para cumprir uma obrigação. Essa desonestidade, em relação a si próprio, vai gerar confusão. A pessoa fica sem entender o que se passa, porque o que é dito não corresponde à verdade interna. De alguma forma, através de algum comportamento, você será denunciado.

Se você tem por hábito pensar que, se o par o ama, vai entendê-lo mesmo que você não expresse o que está sentindo, está engando. Ele poderá concluir, a partir de seu silêncio, que você não confia mais nele ou que não o ama mais. Como todas essas manobras ocorrem apenas em nível de pensamento, sem comunicação direta, a consequência poderá ser o afastamento um do outro, sem que nenhum dos dois saiba exatamente o que está acontecendo.

Pode ocorrer que, em seus momentos maus, você descarregue toda a sua ansiedade ou raiva no seu par, na ilusão de que quem ama tem de agüentar tudo. Você pode fazer essa descarga, desde que deixe claro que ela nada tem a ver com a pessoa que está junto de vocjPeça apenas os ouvidos emprestados e diga que é a confiança que o leva a esse desabafo.

Se você chega em casa,— depois de um dia exaustivo e tenso de irabalho, quando as coisas não correram bem— e você está a ponto de explodir, dedare isso o mais rápido que possa, dizendo algo do tipo: “Não estou nada bem. Meu dia foi horrível. Se eu começar a ser agressivo, não pense que tem algo a ver com você”; ou “Preciso que você me escute; sinto necessidade de desabafar com alguém em quem confio. Estou com muita raiva pelas coisas que aconteceram hoje...». Se você se trancar no seu mutismo e na sua irritação, o mais provável é que qualquer fato que aconteça, por mais irrelevante que seja, irá levá-lo a despejar seu mau humor na sua companheira e a canalizar toda essa energia contra ela, que, sem saber o motivo de tanta agressividade, poderá pensar que há algo de errado com os dois. Cabe a quem está tranqüilo, sentindo-se bem, perceber que seu amado está atravessando maus momentos e ajuda-lo a ficar bem, talvez com uma pergunta do tipo: «Vejo que algo errado aconteceu. Posso ajudar? Quer Contar O que se passou?

É importante entender que no amor, como em tudo, há um limite. O avião tem um limite de peso. Aterra tem seu limite para suportar a seca,

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a chuva ou o desmatamento. Para tudo existe um limite de resistência e, quando se exige mais, o risco de rompimento é grande.

Casais que vivem permanentemente em crise geralmente estruturam suas relações de tal forma que o peso das desqualificações é maior do que a capacidade das pessoas de se sentirem amadas. Na verdade, não é o amor que é limitado, o limite é das pessoas.

Quando éramos crianças, nossos pais significavam o mundo, a proteção, o alimento, as brincadeiras. Com eles dividíamos os problemas, as novas experiências. Eles eram heróis, mitos e fantasias.

A partir de então, passamos a buscar o amor em figuras que os lembrem. A resistência do amor dos pais é quase sempre muito maior do que a de qualquer outra relação, assim como também o é a resistência do amor dos filhos para com os pais. Mas, como não aprendemos esta verdade, passamos a querer que o amor de outra pessoa resista tanto quanto o deles.

Quando os filhos chegam em casa extremamente irritados, agressivos, sem querer conversar, é comum que os pais tenham uma preocupação pelo que eles estejam passando. É constante sua boa vontade de vê- los bem e felizes. Os pais dificilmente pensam que o mau humor dos filhos é dirigido a eles, e mesmo quando pensam assim, têm uma capacidade de perdoar muito grande e esperam o tempo que for necessário, por um momento oportuno para dialogar. Não é comum os pais sentirem medo de ser abandonados pelos filhos e é muito difícil encontrar alguns que tenham dúvidas quanto à duração dessa relação. Os pais têm a convicção, na maioria das vezes, de que, aconteça o que acontecer nada os separará dos seus filhos, e que a relação nunca acabará, mesmo que passem muito tempo sem se ver.

Somado a esse modelo, cria-se o preconceito de que “roupa suja se lava em casa” e a crença de que “só a família merece toda a confiança”. E a maioria de nós busca, na relação a dois, encontrar alguém que seja, o suporte ideal; alguém que esteja sempre apto a nos proporcionar momentos de alegria e divertimento, a resolver nossos problemas, como falta de dinheiro, dificuldades no emprego, conflitos pessoais e familiares, ciúmes, e a nos oferecer compreensão em tudo o que nos acontecer.

É muito importante desmistificar a fantasia de que a relação a dois é a única alternativa para a solução de todas as dificuldades que nos rodeiam. Existem amigos, irmãos, pais, colegas de trabalho, pessoas que podem funcionar como válvulas de escape, sem sobrecarregar demais o

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relacionamento do casal. Cada qual necessita assumir a responsabilidade pelo tipo de pensamento e pelo estilo de vida que estruturou.

Não estamos querendo dizer com isso que não é o casal que vai resolver os seus conflitos, nem que um não possa ajudar o outro sempre que se fizer necessário. Um par integrado e que se ama se protege e coopera mutuamente. Mas existem períodos que são, realmente, muito desgastantes para ambos e nesse momento, uma das saídas é buscar alguém confiável para desabafar, ou ir a um cinema para esfriar a cabeça, ou caminhar sozinho para pensar no problema — o que fará com que grande parte da energia seja descarregada. E isso evitará sobrecarregar a relação e permitirá obter tempo para elaborar algumas ideias a respeito cio assunto preocupante. O ideal é que os dois parceiros façam a mesma coisa com as suas dificuldades, caso ambos se encontrem, simultaneamente, em um momento difícil.

De nada adianta usar o seu par como depósito dos seus lixos, acumulados durante a vicia. Ninguém é responsável pelas insatisfações que cada um acumulou nas relações afetivas do passado, e nenhum de nós é culpado pelas frustrações do outro. Cada pessoa pode, e deve, limpar o seu próprio lixo e assumir suas próprias responsabilidades para poder viver uma relação construtiva.

Por medo de te perder,

acabei te perdendo...

Não quis te dar tudo, acabei sem nada...

Achei que te dava o meu amor

e reconheço que te dei minhas carências.

A COMPETIÇAO OCUPA O ESPAÇO DO AMOR

Durante a infância, a maior parte das crianças se habituam a viver ouvindo dos pais mensagens como: “Você não é importante”, “lugar de mulher é na cozinha” etc. As situações de desvalorização, gravadas há muito tempo, geram nas pessoas o sentimento de que os parceiros as ameaçam, quando elas mostram o seu valor.

Existem dois tipos de competição: um, que a maioria das pessoas conhece, caracteriza-se pela luta por ser o melhor. O outro é o esforço para ser o pior— quando duas ou mais pessoas competem, procurando provar

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quem têm maiores problemas ou quem sofre mais. Isso acontece, por exemplo, quando algt1ém telefona para uma pessoa amiga a fim de expor seus problemas, mas ela os desqualifica, mostrando que suas dificuldades são bem maiores.

Em qualquer tipo de competição, o que existe é a desvalorização da capacidade do outro.

Quando alguém compete, perde de vista seus objetivos, como no caso do homem que fica desqualificando a mulher, esquecendo-se de que ele a escolheu para viverem juntos, em harmonia.

E comum observar que há mais interesse em se saber o que a outra pessoa está fazendo, para superá-la, do que nas próprias capacidades e possibilidades de ação. A vontade de sobrepujar o outro é impulsionada por um desejo de vingança, que pode ter se estabelecido há muito tempo ernuma relação dolorosa. Eo mais grave é que esse sentimento acaba se generalizando. De uma forma não consciente, o homem e a mulher procuram vingar-se, em nome do passado, em todas as mulheres e homens que porventura venham a encontrar.

É óbvio que, em tal relacionamento o amor não pode fluir. A palavra amor — o sentimento nesse caso não existe — é usada como arma para neutralizar, irritar e manipular o outro. E esse falso amor acaba por obstruir a vida do parceiro, criando-lhe problemas, desistimulando..o e o impedindo de crescer ou até mesmo de se divertir.

A inveja nasce da incapacidade de admirar, nos outros, o que eles têm ou conseguem. A partir dessa incapacidade, começa-se a negar as virtudes dos outros ou a desvalorizá-las. E sempre que alguém cria uma situação de desvalorização do outro, está preparando uma oportunidade para ele se vingar. Porque ninguém aceita passivamente uma humilhaçãoi A pessoa até pode se comportar passivamente, mas, quando surgir uma oportunidade, irá manifestar seus ressentimentos.

Imagine uma situação, não rara, deste tipo:

O marido marca um jantar com pessoas de sua firma, sem consultar a esposa. Ela fica muito irritada por não ter sido consultada, mas não diz nada e, no dia do jantar, como revide, atrasa muito. Ele se sente profundamente aborrecido com o fato e decide: “Já que ela está me provocando com esse atraso, eu vou ignorá-la no jantar”. A mulher, sentindo-se desprezada pelo marido durante a noite, decide se embriagar Ele fica com raiva por sua mulher estar dando tal vexame e se retira com ela, esbravejando o tempo todo até chegar em casa.

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Tais grosserias aumentam o sentimento de insatisfação da mulher, que continua a beber. Ao mesmo tempo, ele se desespera ainda mais, passa a gritar e vai ficando mais tenso. Decide fazer sexo para relaxar, e praticamente a obriga a manter relações sexuais com ele.

Ao se sentir ainda mais desrespeitada, e como forma de vingança, ela insinua que ele é incompetente sexualmente e que, com ele, não sente o menor prazer. A situação se vai agravando e cada um vai acumulando razões para a vingança. E acabam esquecendo que o motivo básico pelo qual estão vivendo juntos é criar uma situação de harmonia e crescimento.

Infelizmente muitos casais, logo após um período de cooperação, assumem uma postura destrutiva, um em relação ao outro, onde desvalorizam seu par quase diariamente. Esquecendo que cada vez que alguém despreza o outro, no fundo está desprezando a si mesmo.

A melhor maneira de acabar com o sentimento de inveja e vingança é reconher, corajosamente, o que o outro tem de bom e anunciar isso tanto quanto puder. O elogio verdadeiro e a capacidade de admirar o parceiro tendem a apagar os resíduos do passado e ajudam a tomar consciência de que a realidade de hoje é completamente diferente da situação vivida no passado.

Isso depende apenas de treinamento! Treinar encontrar qualidades no companheiro, e elogiá-lo, nos leva ao aprendizado de que todo ser humano tem virtudes e valores dignos de ser notados.

Essa vingança de que falamos pode manifestar-se das mais diversas formas possíveis. Pode acontecer uma relação onde um ama e o outro não, ou na qual a intensidade e a extensão do amor são muito diferentes em cada um. Caso não exista o sentimento de vingança em um dos parceiros, essa relação poderá compensar-se e se equilibrar. Mas também é possível que seja rompida por parte daquele que não se envolveu afetivamente. E é honesto e louvável, quando se rompe uma relação desse tipo.

Quando existe uma determinação de vingança escondida, lá no fundo, mesmo que um dos parceiros se entregue verdadeiramente ao amor, o outro, o “vingativo”, estará visando à aventura, ao oportunismo, ao prestígio, mesmo que inconscientemente, talvez buscando a confirmação de uma afirmação que lhe foi colocada na infância, como verdade absoluta, do tipo: “Todo homem é um aproveitador”. Neste caso, a dinâmica e o movimento dos dois são completamente diferentes: a pessoa que ama dirige todo o seu amor para o outro, que apenas finge amar. Essa

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situação não se sustenta por muito tempo. Quando a pessoa que ama percebe que estava sendo enganada, sofre muito. Esse sofrimento é fruto do desejo de vingança que o outro havia guardado no passado.

A vingança, em muitos casos, provém da inveja. A maioria das vezes, inveja-se aquilo que não se tem: coisas, sentimentos, posturas ou pessoas junto das quais se desejaria estar. E, geralmente, não se toma consciêfl disso. Não se faz a ligação de cada manifestação de inveja com o desejo mais profundo de se ter algo ou de se tornar igual a alguém.

Quando eu olho para você,

não consigo deixar de sentir

um gosto mofado de passado...

Momentos já vividos, que eu procuro esquecer.

Sensações antigas, que contaminam o sabor do novo, de você e do nosso amor.

EGOÍSMO: ILUSÃO DO PODER

Na aprendizagem do amor, um ponto importante é dar-se conta de quão egoísta se é. Todos os seres humanos, em graus distintos, vivem pensando em si mesmos. É um comportamento natural. Nascemos e aprendemos a dizer «meu pai”, «minha mãe”, «meu brinquedo”. Quando chegamos, pela primeira vez, aos braços do nosso pai ou da nossa mãe escutamos: “minha filha”, «meu filho”, O sentimento de posse e apego é vital para a sobrevivência Mas, ao longo da vida, reforçamos tanto esse apego que nos esquecemos de aprender a compartilhar, a dividir afetos, coisas e espaços.

É verdade que cada um de nós é um ser único, especial, sem outra réplica no mundo, com a capacidade de amar e ser amado da forma mais intensa possível, com potencial para todo sucesso desejado. Um ser digno de toda riqueza que conseguir acumular, Mas também é verdade que todos os seres humanos têm esses direitos.

Uma regra básica de convivência é reconhecer que, se nos sentimos como as pessoas mais importantes do mundo, os outros seres humanos têm a mesma sensação em relação a eles próprios. E, portanto, para que

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possa haver harmonia em um relacionamento, é necessário que se saiba compartilhar.

O ser humano, no seu processo de crescimento no amor, transforma-se em um ser grupal, relacional. Se assim não fosse, o amor ocuparia um espaço muito limitado. A pessoa egoísta, que apenas recebe afeto e não ô devolve, ou raramente o faz, acaba ficando sem amor. Porque a dinâmica do crescimento do amor é, exatamente, a troca constante.

O egoísmo não se define apenas por aquilo que uma pessoa quer para -si, mas principalmente por ela não dar o mesmo direito ao outro. O fato de alguém não querer emprestar um livro, para não o estragar, não significa que seja egoísta. Mas se exigir que lhe emprestem, isto é um forte sinal de egoísmo.

O egoísmo, geralmente, nasce quando transformamos o outro em propriedade nossa. Quando você tem a sensação de que o outro lhe está sendo tirado, é porque, na verdade, você apenas se relacionava com ele temporariamente. O parceiro não estava realmente integrado ao seu ser. A única coisa realmente sua, inteiramente sua é você e todo o seu potencial, a sua capacidade de amar, de pensar e de crescer.

As pessoas egoístas necessitam que seu par sempre se dedique inteiramente a elas. Exigem permanentes provas de amor e têm atitudes ameaçadoras de abandonar- o parceiro se não forem atendidas. Elas exigem do outro um amor estável, mas, ao mesmo tempo, passam-lhe a impressão de não estarem amando totalmente, para provocar insegurança e estimular o companheiro a sentir-se inferior em seu amor, com medo de ser abandonado. Pretendem conseguir, com essa manipulação, que o outro lhes dê mais. São pessoas que reclamam mais presença, mais atenção, mais cuidados, não por sentimento de amor, mas com o intuito de não perder o controle e não dividir nada com ninguém. E a resposta do outro também não é, na maioria das vezes, de amor. É uma resposta carregada de medo pela possibilidade de sêr abandonado, castigado, ridicularizado etc. O que se observa é que, a partir de uma sensação de inferioridade, ofertam-se ao par apenas medo e raiva. E esses sentimentos são muito diferentes do amor.

É difícil dar-se conta de que se está sendo egoísta. Não é comum admiti-lo, porque nem sempre se tem consciência de estar em estado de egoísmo. Mas há indicações desse sentimento, as mais variadas e sutis possíveis:

- Fazer um programa a dois e não consultar o parceiro, informando

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-o apenas. E ficar irritado se não contar com a sua companhia.

— Chegar ao restaurante e ordenar o pedido ao garção, sem perguntar a quem o acompanha o que quer comer.

— Falar o tempo todo e não parar para escutar quem o está acompanhando.

—Dizer “Eu sei o que é melhor para você”, em vez de perguntar “Do que é que você necessita?”.

— Não se sentir feliz com o sucesso do par.

— Não incentivar o crescimento do companheiro

— No se preocupar em atender alguma necessidade do outro,por achar que é bobagem.

— Não se lembrar do parceiro em momentos de alegria.

— Não dividir uma dor, num momento difícil.

— Chegar em casa e, sistematicamente isolar-se no trabalho, na leitura ou com a televisão.

— Não respeitar o limite da outra pessoa.

— De0 sentimento romântico do ser amado.

— Não dividir tarefas domésticas.

— Gastar mais dinheiro consigo próprio do que as possibilidades financeiras do casal permitem.

— Não cuidar do outro, quando ele precisa.

— Pensar que todos os problemas da relação são apenas responsabilidade do companheiro

— Exigir ser amado, mas não amar.

DIÁLOGO X MONÓLOGO

É fundamental, para o casal, cultivar diálogos francos e abertos sobre suas concordâncias e divergências, sobre suas alegrias e dores, sobre os problemas e suas soluções e sobre o amor que os une.

E, no entanto, dialogar talvez seja o que menos façamos. A maioria dos casais, ao invés de um diálogo, fazem dois monólogos simuhâneos.

Na figura da Esfinge, há um símbolo que se refere a quatro palavras muito importantes: saber, querer, ousar e calar. E todas elas se ligam entre si: saber querer, saber Ousar, saber calar; querer saber, querer ousar, querer calar; ousar querer, ousar saber, ousar calar; calar saber, calar querer, calar ousar.

Calar é das atitudes mais difíceis. E apenas quando conseguimos

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calar verdadeiramente é que conseguimos escutar o outro. O jejum de palavras é o jejum mais ameaçador para o ser humano. Porque vamos, não apenas ouvir ao Outro, mas também ouvir a nós próprios.

O jejum verbal não é parar de emitir sons sob forma de palavras, mas estar atento ao que o Outro quer dizer. É estar ligado, não apenas no entendimento do que o outro está dizendo, mas no que significa, o que representa para ele tudo aquilo que está falando. Da mesma forma, é entender a si mesmo.

Se o seu companheiro olha para você e diz que está triste, qualquer que seja o motivo, e, por suas próprias dificuldades, não tem coragem de lhe pedir um abraço, um aconchego, você poderá notar essa necessidade, através de seus olhos, se estiver sintonizado com ele. Poderá se aproximar suavemente, oferecendo-lhe o ombro para que ele possa chorar. Do mesmo modo, se ele estiver muito irritado e você perceber que há algo errado, que você não sabe o que é, ao invés de tomar para si as agressões, poderá dizer: “Sinto que você tem algum problema. Se eu puder, quero ajudar”.

Nesse momento, você estará calando para entender o outro.

Calar para escutar é a busca da sintonia com o outro. O jejum de palavras é também a eliminação das palavras dispensáveis e a expressão apenas das que são necessárias a cada momento. Saber calar é não se esconder atrás de palavras vazias; é estar com a atenção voltada para ouvir os próprios pensamentos e distinguir o que é real do que é fantasia, fruto da imaginação.

Imagine que amanhã você estará envolvido em uma confrontação com a pessoa que você ama. Isso poderá ser constrangedor, senão doloroso. Você sente um profundo afeto por ela, mas começou a ter a percepção de que está prestes a perdê-la. Hoje, você lhe falou sobre seus temores, e a resposta seca que você ouviu foi: “Amanhã nós conversaremos”.

Sua expectativa é muito grande...

O que você faria ou pensaria hoje, sobre o que vai acontecer amanhã?

Nós pensamos que a melhor solução é a que está na página seguinte...

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Isso mesmo...O que a página em branco sugere? Nada... Não faça coisa alguma. Não pense nem pressuponha nada, para não se contaminar com fantasias e tomar uma atitude defensiva que poderá distorcer tudo o que foi dito. Apenas escute a si próprio.. .Sinta suas emoções e perceba o que a outra pessoa representa para você. Só depois que souber o que realmente está acontecendo com você é que poderá dizer ou fazer alguma coisa, baseado nos seus sentimentos. Poderá lutar pelo seu amor e, se perdê-lo, vai precisar calar uma vez mais para dar espaço à sua dor e para senti-la. E, depois que ela se esgotar, você precisará calar novamente e se preparar para encontrar um outro amor.

Um homem queria esculpir uma figura de madeira, mas não tinha um martelo. Ficou sabendo que seu vizinho possuía um e decidiu pedir- lhe emprestado. Mas assaltou-lhe uma dúvida: “E se ele não quiser emprestá-lo?”. Lembrou que, na véspera, o havia encontrado e que foi saudado por ele muito distraidamente. Talvez estivesse com pressa. Mas talvez fosse um pretexto, e o vizinho poderia estar desconfiado dele! E continuou pensando... “Que poderia ser? Não há nada contra meu vizinho. Se alguém me pedisse um martelo, eu o emprestaria logo. Por que ele não haveria de fazer o mesmo? Como pode alguém se negar a fazer um favor tão simples? Será que ele pensa que dependo dele, só porque preciso do seu martelo? Tipos como esse nunca são solidários! Isto é o cúmulo!” E, assim, o homem sai de sua casa, bate à porta do vizinho e, quando a porta se abre, antes que o vizinho possa dizer qualquer coisa, ouve o outro, furioso, à sua frente berrar: “Fique com seu martelo, pois não preciso mais dele. Algum dia, alguém vai fazer-lhe o mesmo que você está fazendo comigo, e aí você vai ver”...

Esse homem se deixou enredar por seus diálogos internos negativos, que o atormentaram a ponto de ele admitir como verdade o que era apenas distorção da realidade.

Os diálogos internos funcionam a partir de um pensamento, que gera um sentimento e uma consequente conduta. Se alguém pensa que o outro não gosta dele, sem nenhum dado real, apenas por percepção, poderá ficar muito triste ou deprimido. Tal sentimento vai levar a pessoa a afastar-se mais e mais de quem ama, conduta esta que vai reforçar o pensamento de que o outro não gosta dela. E o processo é uma retroalimentação permanente do pensamento, que potencializará mais a emoção e firmará mais a conduta.

Da mesma forma funcionam os diálogos internos positivos. Quando

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Conta-se que u’ma mulher, em seu leito de morte, fez seu marido jurar que não se comprometeria com nenhuma outra pessoa. E o ameaçou de voltar, como espírito, e de não o deixar viver tranqüilo, se ele não cumprisse a promessa. O marido a princípio cumpriu a palavra, mas, depois de alguns meses, conheceu outra mulher e se apaixonou por ela.

Quase imediatamente, começou a aparecer-lhe, todas as noites, um espírito que o acusava de haver quebrado o juramento. O fantasma noturno não só estava informado de tudo o que se passava com a relação amorosa que ele mantinha como também conhecia todos os seus pensamentos, esperanças e sentimentos. Como a situação se fazia insuportável, o homem decidiu pedir conselho a um mestre Zen.

“Sua esposa se converteu em espírito e sabe tudo o que você faz, diz e pensa. É um espírito muito sábio e merece ser admirado por você”

— falou-lhe o mestre. E continuou dizendo: “Quando ele lhe aparecer de novo, faça um trato. Diga-lhe que já que ele sabe tanto de você, não é possível esconder-lhe nada. E, por isso, você vai romper seu compromisso amoroso, se ele puder responder a uma simples pergunta”.

“Que pergunta tenho de fazer-lhe?”, perguntou o homem.

“Encha a mão de feijão e lhe pergunte quantos grãos há nela. Se o espírito não responder, você ficará sabendo que ele não é nada mais que o produto de sua imaginação, e ele não o molestará mais.”

A noite chegou e o espírito apareceu. O homem agiu exatamente como o mestre mandara. Estendeu a mãõ e perguntou: “Quantos grãos há aqui?” E não havia mais espfrito algum para responder-lhe. A imaginação do homem não poderia responder a uma pergunta para a qual nem o próprio homem conhecia a resposta...

Da mesma forma que podemos usar os diálogos internos para amargurar a nossa vida, temos a possibilidade de usá-los para elevar a nossa auto-estima, quando buscamos, dentro de nós, a nossa verdade e as metas que nos propomos atingir, dentro de nossas limitações e de nossa realidade.

Agir com base em pressupostos é nos atirarmos a alguma empreitada arriscada. É importante checar o que é real e o que é apenas fruto de nossa imaginação. E apenas o diálogo claro, direto e objetivo nos leva a esclarecer os pontos obscuros. Quando duas pessoas estão dialogando, a pensamos em alegria, amor, sucesso e saúde, o sentimento será de satisfação e felicidade, e a conduta passará a ser coerente com essas sensações.

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predisposição de ambas é encontrar soluções, trocar informações, estar interessadas, uma no assunto da outra, mesmo que o tema seja doloroso. Em geral, dialogar dói menos do que se imagina.

Quando há um problema relacionado com a vida do casal, é importante que sejam apresentadas, além da dificuldade, uma ou duas alterna- uvas de soluções possíveis, com o cuidado de não se entrar em um “bateboca» em torno de “culpados x responsabilidades”.

IMPOTÊNCIA

Se, em algum momento de sua vWia, você se sentiu incapaz de realizar um trabalho para o qual estava qualificado, ficou mudo diante de uma platéia, mesmo sendo conhecedor do assunto, acordou pela manhã e, sem sintoma algum de doença, sentiu-se apático e sem motivação para levantar-se, se não foi capaz de declarar-se à pessoa que você está amando, se tem desejo de constituir família, mas continua solteiro, provavelmente você já experimentou uma sensação de impotência. Ou seja, você não colocou energia suficiente em sua potência (que existe), a fim de atingir as metas a que se propôs.

Podemos observar duas formas de impotência. Ela é real quando existe um impedimento verdadeiro. Por exemplo, quando uma pessoa ama outra, que não corresponde ao seu sentimento por não estar disponível, por não querer, pois já ama alguém. Existe aí uma impotência real. Continuar insistindo nesse amor é sabotar a possibilidade de encontrar um outro amor; é manter-se no ponto de equilíbrio, próximo da solidão.

E a impotência é imaginária quando a pessoa se julga incapaz para algo que na verdade lhe é possível. Por exemplo, quando alguém está apaixonado e não consegue declarar o seu amor. A fantasia é levada em conta, como uma realidade criada pela mente configurando-se como uma impotência ilusória. E impossibilitando que algo possível seja realizado.

É importante saber diferenciar a impotência real da imaginária, pois ambas podem existir numa mesma situação. Como no caso do homem, cuja mulher estava triste porque o pai adoecera. Ele nada podia fazer para curar o enfermo e, conseqüentemente, para devolver a alegria à mulher. Trata-se de uma impotência real. Mas ele tinha as alternativas de ouvi-Ia e de lhe oferecer o ombro para chorar de maneira que ela pudesse sentir-

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se protegida, apesar de o momento ser difícil. Se o marido não agiu assim e continuou dizendo que nada podia fazer por sua esposa, colocou-se em impotência imaginária.

A impotência imaginária pode manifestar-se de duas formas: aumentando a capacidade do outro, de tal maneria que ele é considerado como algo inatingível, ou diminuindo o nosso potencial e nos fazendo sentir incapazes de receber amor e atenção. Nestes casos, o sentimento de rejeição é tão grande que impede a aproximação de outra pessoa.

Se há amor no casal e isso ocorre, é porque ambos estão fugindo de algo que os está ameaçando, pensando tornarem-se seguros, através dessas condutas, podem arruinar esse amor.

Por que não deixar o parceiro perceber as inseguranças? Ninguém é um gigante nem é super-herói. Todo ser humano temo direito de sentir- se inseguro, em alguns momentos.

Faz parte da arte de amar saber usar bem as opções em favor da sobrevivência do amor. Uma das formas mais poderosas de proteer o amor, numa relação saudável, é permitir que os limites, as inseguranças, os pontos fracos sejam conhecidos pelo parceiro, de modo que ambos possam cuidar para não os ameaçar. Ameaças e inseguranças ocorrerão sempre, pois ninguém dá 100% de garantia a ninguém. Mas, se cada um se conscientizar da forma como pode contribuir para a relação crescer, as ameaças e inseguranças serão muito menores.

A melhor forma de se eliminar qualquer dúvida, em relação à pessoa amada, é o diálogo. Ê a única maneira de se esclarecer se o que nos aflige real ou imaginário.

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CIÚMES


Quando uma relação se inicia, toda a energia despertada por ela, inevitavelmente, leva os parceiros às alturas. Por si só, é um grandeelogio às duas pessoas envolvidas, que se tomam mais belas e atraentes quando estão amando.

O ciúme é um sentimento natural dos animais superiores e vem acompanhado de atitudes que visam preservar o objeto de amor. Quando ele existe desta maneira, é um elogio ao outro. Mas muitas pessoas se aprovei desse comportamento natural para colocar uma série de elementos mesquinhos, de manipulação do outro, de possessividade e de alienação.

Mas, depois de um tempo, delineiam-se os contornos dos vazios despontam as dificuldades. É nesse momento que começa a gangorra das relações: um fica por cima e o outro por baixo e, para subir, geralmente o que está por baixo acaba convidando o outro, através de variados estímulos, a descer. Nessa gangorra, o ciúme se instala.

O ciúme pode ser projetado em uma pessoa quando a admiramos, ou quando nos criticamos, baixando nossa auto-estima. E, dessa forma, montamos um relacionamento “inferior-superior” com o parceiro. Mas importante salientar que, na maioria das vezes, as características que admiramos no outro são potenciais que temos e que podemos desenvolver.

Pode também acontecer que o ciúme esteja mascarando um vazio que o parceiro não está preenchendo no momento, como por exemplo:

um alto executivo, que ocupa 90% do seu tempo com o trabalho, pode levar a mulher a sentir ciúmes de sua secretária, das companheiras de trabalho e até do próprio trabalho. Nesse momento, o ciúmes está impossibilitando que ela lhe diga: “Tenho sentido muito a sua falta! Quero estar mais tempo junto a você! Você tm trabalhado demais, e eu estou me sentindo muito só e menos importante que o seu trabalho! Vamos encontrar uma forma de resolver isso juntos?”. Pode ser que o marido lhe responda: “Eu também não me sinto importante para você, quando estou em casa. Você está sempre ocupada, preocupada com as crianças ou com a comida e, por isso, eu procuro ocupar-me com o meu trabalho”.

Partindo desse entendimento, os dois poderão, com muita facilidade, fazer reformulações no plano de vida do casal e passar a desfrutar juntos as belezas da vida.

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O importante é a observação de que, na maioria das vezes, por trás de uma manifestação de ciúmes há um apelo para o amor. E, dependendo da compreensão de cada um, poderá haver um resultado de crescimento ou de fracionamento da relação.

O ciúme, geralmente, nasce da conscientização de que não se é tudo para o outro. Existe o lado real, a ser aceito, de que ninguém pode preencher completamente as necessidades do outro. Mas, por Outro lado, devemos ter o cuidado de não tratar a relação com menosprezo, pelo fato de ela não ser algo que vai preencher-nos totalmente.

Uma medida importante para evitar o ciúme desnecessário é o casal fazer um «contrato» sobre as coisas que vão ser exclusivas entre eles, e que as partes cumpram os compromissos assumidos.

Algumas pessoas se sentem desprotegidas, se o outro não expressar medo de perdê-la. E, muitas vezes, -o parceiro começa a manifestar ciúmes somente para deixá-las satisfeitas. Mas o fato de fingir algo que não se sente cria uma dose de insegurança em relação à veracidade do seu sentimento.

Muitas vezes, dá-se o nome de ciúmes a uma sensação que é apenas tristeza por sentir-se preterido, por perderem-se as esperanças de se continuar com o ser amado.

Na verdade, o ciúme negativo nasce do apego aos objetos. Geralmente as pessoas ciumentas se sentem mal se alguém usa algum objeto

seu, ou se um amigo escolhe viajar com outra pessoa. O ciumento trata o ser amado como se fosse um objeto de sua propriedade. Ninguém pode compartilhá-lo.

Se você me possuir

e for dona da minha vida,

eu serei seu escravo.

O escravo não pensa,

não tem vontade própria,

muito menos brilho no olhar.]

Ele, simplesmente, obedece

e segue a seu dono.

Se eu for um ser sem vida,

será que você continuará a me amar?

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É inegável que todos nós, em algum momento de nossa vida, e graus diferentes, experimentar a sensação de Ciúmes. O que mais não é tanto se esse sentimento tem a ver com a realidade ou não, mas o que se faz com ele. Ficar consumindose com o ciúme provoca corrosão no relacionamento, o mais indicado e eficaz é declará-lo à pessoa amada.

Dizer-lhe que está com ciúmes e pedir-lhe que não repita determinadas condutas que o machucam tanto, Na maioria das vezes, quando a relação é vivida com amor e os dois querem mantê-la, atitudes provocadoras ciúmes poderão ser eliminadas.

Há mulheres que ficam possuídas de ciúmes, pelo simples fato o homem que elas amam olhar para outra mulher bonita ou elogiar alguém, O mesmo acontece com o homem em relação à mulher, isso típico da falta de segurança. Admirar as qualidades de outra pessoa pode não significar nada além de admirar as qualidades. Mas o outro, provavelmente, começa a fantasiar: «Se está tão interessado nele é porque não gosta de mim”! Na verdade, poderia não haver esse alguém — apenas uma admiração.

Os ciúmes podem estar muito próximo da falta de confiança em si no outro e, conseqüentemente denota precariedade de amor na relação. Porque, quanto menos se confia, menos se deixa conhecer e menos se ama, Nesses casos, a pessoa enciumada vive em eterno sobressalto e, para diminuir sua insegurança passa a exercer uma vigilância total sobre o outro ou a dar-se cada vez menos para o Outro.

Vamos fazer uma reflexão, partindo do princípio de que, para que sintam ciúmes, é necessário que exista algum comprometimento afetivo, por menor que seja. Que situações podem levar alguém a sentir ciúmes?

—Ver o amado conversando animadamente e feliz com uma pessoa desconhecida

— Quando a pessoa amada demora para chegar em casa, ou ao encontro marcado, e não se sabe onde ela está.

—Em momentos em que o companheiro é muito elogiado por outra pessoa.

— Em ocasiões em que a companheira prefere a companhia de um amigo em vez da sua.

— No dia em que se descobre que o homem amado deu um presente

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bonito a outra mulher.

— Quando alguém tem, para com outros, atitudes que o parceiro gostafla que tivesse com ele.

— Na hora em que surge um novo amigo, sem ser do casal.

— Se o parceiro está demonstrando algum tipo de conflito e fica em silêncio sem dizer o que tem.

Poderíamos enumerar muitas outras situações, que normalmente fomentam o ciúmes, mas essas são suficientes para fazermos uma análise e concluirmos que, em todas elas, existe um ponto em comum: o fato de não se ter o controle das ações e dos pensamentos do outro; de não admitir que o outro é um ser individual, autônomo e que sua Individualidade precisa ser respeitada. Estar com amigos, conhecer gente nova, presentear, receber elogios, ficar em silêncio e muitas outras situações não sigaificam, necessariamente, que o amor ou a relação esteja em perigo.

Nada impede que façamos perguntas à pessoa que amamos, não com o intuito de controlá-la, mas para participar mais de sua vida, ou até evitar que os monstros da imaginação criem estórias fantásticas. Em alguns casos, as atitudes do outro que nos incomodam são as mesmas que desejamos ter, mas que, por nossos bloqueios internos, não atuam.

E então passamos a querer proibir o ser amado de fazê-las, porque, de alguma forma, isso nos é um convite a avançar no ponto de equilíbrio. E a mudança sempre significa uma ameaça, de um para o outro. Por isso a importância de dialogar e entender ambos os lados, considerá-los e mudar de forma a renovar e não a revolucionar o amor.

Mas, lamentavelmente, há pessoas que gostam, de forma sádica, de provocar ciúmes no parceiro para se autovalorizarem e até, como dizem alguns, «para por à prova a relação”. É importante que elas descubram, através de um olhar de carinho ou de um gesto de ternura, o quanto são especiais para a outra pessoa. Mas, sem dúvida, a principal maneira de alguém conhecer sua grandeza é pela intensidade de amor que seu coração abriga.

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“Aparências, nada mais,

Sustentaram nossas vidas

Que, apesar de malvividas,

Têm ainda uma esperança de

Poder viver.

Quem sabe, rebuscando estas mentiras

E vendo onde a verdade se escondeu,

Se encontre chance de juntar

Você, o amor e eu.”

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SOLIDÃO

Alguma vez você já pensou o que é a solidão?



O que você faz para ficar só?

Adaptamos um poema, sobre a solidão, cuja autora quer manter-se

anônima.

Solidão é...

Olhar o telefone, ansioso por um chamado, e ele permanecer mudo.

Ouvir uma música e não ter ninguém com quem associá-la.

Querer dormir muito, para não ter a consciência de que está só. Não ter ninguém com quem brindar um acontecimento.

Sentir frio e não ter um abraço para aquecê-lo.

Falar alto em casa, para ter a sensação de estar ouvindo algum ser humano.

Ter apenas um prato na mesa, às refeições.

Não ter alguém para lhe abotoar o vestido ou lhe ajeitar a gravata. Sair de madnigada, tentando encontrar algum conhecido para poder desabafar.

Perceber que não tem um ombro para chorar.

Ler o jornal, durante as refeições, por não ter com quem conversar. Verificar que a correspondência se resume a contas e extratos bancários.

Nunca ter a quem dizer bom dia, ao acordar.

Não ter quem lhe faça um chá, quando está indisposto.

Não ter a possibilidade de dividir o mesmo desodorante ou a mesma pasta de dentes.

Não ter alguém que lhe impeça o suicídio.

E você? Quando se sente realmente só?

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O isolamento é diferente da solidão. É um momento em que se escolhe para estar consigo mesmo, em paz e harmonia. É uma busca interior, um movimento voluntário, uma virtude desenvolvida.

A solidão é uma incapacidade de se comunicar, de estar com alguém. E muitas pessoas, num ato de vaidade, podem até demonstrar orgulho por não depender de ninguém. Mas, depois de algum tempo, vão se tornando solitárias, amarguradas e desesperadas.

Às vezes, as pessoas só se dão conta da solidão quando é tarde demais, quando não há mais tempo e já perderam o ser amado, porque ficaram sempre correndo de parte alguma para lugar nenhum.

4’ O ser humano, no seu íntimo, mesmo sabotando todas as formas de amor, quer muito amar. Não se sabe de onde, mas, de repente, aparece uma ânsia louca por alguém, por um amor duradouro, por uma intimidade diária, feita de pequenos hábitos, por convivência, por ligações profundas. Quer-se uma vida em comum, crescendo devagar, porém firmemente.

A solidão ocorre quando contrariamos a essência mais profunda do ser humano, que é amar e ser amado; quando não entregamos nosso coração e, conseqüentemente, não recebemos o coração de alguém, no nosso relacionamento. A solidão começa quando nos trancamos para o amor. Se estivermos disponíveis para amar, haverá sempre alguém — um amigo, o porteiro do prédio, um colega de trabalho — que aceitará e devolverá esse sentimento, seja em que nível for. Se voltarmos os olhos para o amor, nunca haverá solidão.

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Eu preciso de

uma suave mão para minha mão,

um braço abraço para meu corpo.

um rosto para meu sonho,

uma tema alma para meu coração tristonho,

um homem para meu desejo,

mas, dentro de mim, há não.

Meu coração pulsa, treme.

No meu peito, treme meu coração tristonho

ou o triste fim do sonho,

de saudades

da criatura que se foi,

fechando a porta sem dizer

“até já amor, um beijo,

eu volto logo”.

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AS CRENDICES DO AMAR

‘Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de fazer.

Albert Camus

Existem muitas interpretações sobre o amor, que passam de pessoa a pessoa, como se fossem a verdade definitiva sobre as relações amorosas. E vão criando frustrações e conflitos desnecessários, porque, apesar de às vezes corresponderem ao ideal, nem sempre estão conforme a realidade. Quem quer viver um grande amor necessita aprender a ver o que existe de concreto, de fato. Se o marido chegou atrasado, esse é um dado real: ele chegou atrasado. Mas, se a partir daí, por ele não ter chegado na hora esperada, a esposa começa a ficar pensando que ele não a ama mais e que o casamento vai acabar, isso é imaginário. Essa situação até poderá vir a acontecer, mas não é a realidade daquele momento.

O que existe é o fato e, sem dúvida, pode-se criar muito sofrimento desnecessário a partir de pensamentos irracionais. Se o marido não está chegando no horário combinado e a esposa percebe que ele não quer chegar cedo em casa, ela tem duas opções: falar do seu desejo de tê-lo perto dela mais tempo, ou estruturar seu próprio tempo para desfrutar a vida, apesar de não estarem juntos. Pode ser que, após a manifestação do desejo, ele a atenda e ambos consigam compartilhar melhores momentos. Mas pode ser, também, que ele não dê ouvidos a seu pedido, e passem a brigar mais até chegar ao ponto de uma separação.

Acontece então uma situação ambivalente: apesar do desejo de ficarem mais juntos, os dois acabam separados. Pode até ser que a separação seja o melhor para ambos! Para que as dúvidas sejam desfeitas e a realidade apareça, o mais indicado é conversarem diretamente sobre

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essas dúvidas. Procurar vivê-las no amor, em si mesmas, em suas relações, atrapalha a própria felicidade.

As pessoas imaginam um ideal de amor e passam a lutar para consegui-lo, sem pensar se esse é um objetivo tangível e se o parceiro também deseja o mesmo. Criam, então, uma série de ilusões, acreditam que são a realidade e procuram vivê-las no amor, condenando toda uma relação

.

Pare agora, por um momento, e se pergunte seriamente se essa é uma verdade para você e se seus sonhos no amor são realizáveis. Se eles forem apenas instrumentos de tortura, em relação a seu par, você certamente estará vivendo um relacionamento hipócrita. E, nesse tipo de relacionamento, são cobrados comportamentos que não se conseguem realizar, com o objetivo de que a relação não dê certo, ou de gerar motivos para “queixas da vida”, numa eterna posição de vítima.



Quando acreditamos em algo, com certeza vamos fazer qualquer coisa para provar sua veracidade, mesmo que ela só exista dentro da nossa cabeça.

Vamos refletir juntos sobre algumas crendices a respeito do amor, para que possamos identificar quais delas mantêm o nosso ponto de equilíbrio:

1. O AMOR É LINEAR

Geralmente as pessoas vivem o amor de forma cíclica, alternando períodos de paixão e profundo interesse com fases de apatia e, ás vezes, até de desinteresse. Exigir do outro (e de si próprio) que esteja apaixonado todos os dias pode criar um clima de tensão e hipocrísia. Acabam sendo ditas coisas que não se estão sentindo, apenas para agradar o outro. E se exige do outo algo que não se consegue viver. Exigir um amor linear, constante, do parceiro é empurrá-lo para longe de si. E se obrigar a isso é se desajustar consigo mesmo.

2. VOU ENCONTRAR MEU PAR IDEAL

Todos nós somos seres limitados, procurando a evolução. E atos ambivalentes fazem parte da nossa imperfeição. Exigir do parceiro a perfeição, como se todas as nossas ações fossem coerentes, é uma atitude que desgasta a relação. A pessoa Ideal só existe no pensamento de quem a criou e jamais será encontrada. É comum alguém construir um príncipe

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encantado, com pedaços de muitas pessoas. Imagina-se encontrar alguém com a inteligência de um, a cultura do outro, o carinho daquele, a integridade deste e a sexualidade de outro... E como tal pessoa não existe, a solidão faz ronda.

3. EU TENHO DE SER INESQUECÍVEL

A neurose exige sempre a realização de façanhas imponentes. E as pessoas acabam pensando em planos gigantescos, esquecendo-se deque uma relação consistente é formada de coisas simples e de atos delicados. Ser simples e comum é uma arte que pouco aprendemos e que, quando desenvolvida, cria um clima de paz e despreocupação, necessário para se viver uma relação saudável. Ser inesquecível para alguém, no amor, é algo que se consegue sendo verdadeiro e não com realizações faraônicas.

4. PARA EU ESTAR FELIZ, O OUTRO TAMBÉM TEM DE ESTAR

Muitas vezes existem períodos de reflexão que podem levar-nos à angiisüa como, por exemplo, aqueles três ou quatro dias mensais de fechamento de balanço, que a maioria dos homens têm, e que podemos chamar de “menstruação sem fluxo sanguíneo».

Exigir do outro que seja o complemento de sua felicidade quase sempre torna-se um mecanismo de tortura do par. E usar o fato de o companheiro não estar bem para não fazer as coisas já conhecidas como meios importantes de melhorar o relacionamento é, geralmente, uma desculpa para esconder a incapacidade de amar e de desfrutar a vida.

Uma estratégia interessante pode ser permitir-se estar feliz, fazendo suas próprias coisas, mesmo que o parceiro não o esteja. Isso irá funcionar como um estímulo para que a pessoa amada também sinta vontade de curtir os prazeres da relação, apesar dos problemas que está enfrentando.

5. PARA EU FAZER OQUE QUERO, TENHO DE ME SEPARAR

É muito comum as pessoas que constroem uma nova relação continuar redamando dos novos parceiros, sobre as mesmas coisas de que se queixavam nos outros relacionamentos. Essa conduta reflete, certamente, a incapacidade dessas pessoas de realizar aquilo que se

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propõem. E, para não admitirem essa deficiência, passam a vida inteira culpando o outro por suas fraquezas, ao invés de aceitar suas dificuldade e procurar resolvê-las, e não ter de se separar quando se sentem insatisfeitas.

Todos podemos fazer as coisas que queremos, estando casados não, desde que não estejamos agredindo ou desrespeitando as pessoas que nos cercam. O respeito e a no-vIo1êncja são regras básicas para C crescimento do casal.

6. RELAÇÕES E ACONJUGAS NÃO ATRAPA111AM O CASAMENTO

Geralmente manter duas relações estáveis, ao mesmo tc., durante longo período, leva à limitação de ambas, sem contar com a tensão que se cria.

Chega um momento em que é necessário decidir qual delas é r importante manter.

É possível que se ame duas pessoas, ou mais, ao mesmo tempo, mas os níveis de amor de cada relacionamento são completamente diferentes. Querer manter um compromisso igual com duas pessoas é fugir do envolvimento profundo com ambas.

7. POR QUE COMIGO NÃO DÁ CERTO?

Pode ser que, ao ler este livro, você pense: “Bem, as idéias estão aí e eu procuro fazer tudo certinho. Mas sempre dá errado comigo”.

Certamente não existe uma resposta única que seja adequada a todos; mas existem algumas referências, para que você possa refletir a respeito:

— Muitas pessoas passam a vida em estado de carência, acumulada ao longo do tempo. Quando encontram a oportunidade de um novo amor, colocam nele a responsabilidade por tudo o que faltou no passado. Esta atitude, certamente, implica exigências maiores do que a nova relação tem condições de suprir.

— Outras pessoas, embora tenham a vontade racional de viver um amor, carregam dentro de sio medo de ser rejeitadas. E isso acabará sendo refletido em uma expressão corporal equivalente a desistir antes de ter começado.

— Há também as que acham que o parceiro tem a obrigação de

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cumprir o papel de terapeuta caseiro e, no início da relação, despejam uma tonelada de problemas em cima dele: Sentindo-se assustado com a tarefa hercúlea de cuidar totalmente da outra pessoa, o parceiro a abandona.

— Outras, ainda, ficam esperando que apareça o parceiro ideal para toda a vida. Um ser perfeito, que irá saciar-lhe todas as necessidades de viver uma paixão, de curtir a vida a dois, de compreender tudo. Tais pessoas desconhecem que os amores não aparecem prontos, mas são construídos a dois.

É muito proveitoso que você descubra os pontos comuns, ou as características similares, que estiveram presentes em todos os seus relacionamentos fracassados. Talvez você sempre tenha procurado alguém com quem poderia repetir as cenas do passado. E, não estando consciente desse processo, passou a acreditar que “com você nunca dá certo”, concluindo: “Sou azarado”, “não sou atraente”; “há algo errado comigo”. Na verdade, inconscientemente, você não queria que desse certo.

Certamente, se você não estiver vivendo uma relação amorosa, gratificante, é porque algo está impedindo. Ao invés de procurar culpados, o que realmente resolve é olhar para dentro de si e fazer uma reflexão profunda. Observar atentamente seus comportamentos e ver se eles são compatíveis com alguém que, realmente, deseja ser feliz numa relação de amor.

8. O AMOR É COMPLICADO

O amor não é complicado, as pessoas é que são complicadas.Ao invés de assumir sua deficiência, para modificá-la, as pessoas lançam a culpa nas “dificuldades do amor”.

Se você acha que o amor é complicado, pergunte-se e identifique objetivamente: “O que você pensa que está complicado?” Com certeza, você vai ficar surpreso ao descobrir as suas complicações. O amor é natural. Portanto, se as pessoas não o atrapalharem, ele irá seguir o seu curso naturalmente.

9. NÃO FAÇO FALTA

A crença “não faço falta” leva determinadas pessoas a fazerem tudo pelo outro, na intenção pseudo-onipotente dese tomarem imprescindíveis. Possivelmente não se sentiram importantes para sua família, na infância, e decidiram fazer coisas, ao longo da vida, para ser importantes e aceitas.

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Sob essa fantasia — “não faço falta” —está a crença “não sou amada pelo que sou”, ou “preciso fazer tudo pelos outros, para que eles gostem de mim’.

Esse é um mecanismo que complica uma relação. A pessoa estí sempre dando coisas. Ocupa-se tanto nessa doação, que não tem tempo de receber e, conseqüentemente, poderá levar o outro a um sentimento de impotência, de não ser necessário ou útil. Como resultado final, temos:

quem está sempre recebendo assimila o mesmo sentimento de “não faço falta” “ele não precisa de mim”. Ou poderá adotar uma atitude de explorar e se aproveitar da situação, sugando tudo o que a outra pessoa tem para dar. Quando a pessoa não tiver mais o que dar, o explorador a abandona.

Quem está sempre doando acaba assumindo uma postura fictícia de onipotência, para esconder sua sensação de impotência.

Quando alguém se julga não—importante e malquerido, seu sentimento de frustração e sua expectativa de perda vão montar estratégias para confirmar suas crenças. E poderão provocar diálogos como estes:

— Estou achando você tão estranho! Você está zangado comigo?

— Não! Que é isso? Eu te amo!

— Está dizendo isso só para me agradar!

— Não é nada disso. Eu gosto mesmo de você.

— Seu jeito de falar comigo é de quem quer brigar!

— Não, amor! Eu não vou brigar com você.

— Você não percebe? Já está sem paciência comigo!

— Eu tenho paciência com você, mas não gosto quando você não acredita no que digo.

— É, mas você não conversa majs comigo como antes. Não gosta mais de mim como antigamente!

Olhe aqui! Você, realmente, conseguiu irritar-me. Pare de me encher com essas besteiras!..

— Va? Você não gosta mais de mim mesmo!

10. TENRO DE FAZER TUDO PARA NÃO BRIGAR. SE EU FIZER TUDO OQUE ELE QUISER, ELE VAI FICAR COMIGO!

Quem acredita nisso acabará ficando saturado de sempre fazer coisas para agradar o outro. Essa crença deriva do conceito do “amor—troca’, isto é, do pensamento que, para ser antado, é necessário fazer tudo para queo outro seja feliz”. É a relação que tem conta corrente e livro caixa

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Não estamos querendo dizer que os casais não devem procurar atender às necessidades um do outro; muito pelo contrário. O que propOmos é analisar a compulsão de sempre atender ao par, mesmo que esse atendimento vá contra seus próprios desejos, seus valores e contra as conveniências saudáveis.

11. ALGUM DIA ELE VAI ABANDONAR-ME

A existência desse medo, projetado para o futuro, é sinal de que se está fazendo muita coisa para que o abandono se concretize. Quem fica na expectativa de ser abandonado está, permanentemente, em guarda. Fica atento a qualquer sinal que possa ser sintoma desse processo. Passa a ter atitudes agressivas, mesquinhas e provocantes. Transforma a vida em tal inferno, que o par acaba rompendo a relação, como que, aparentemente, cumprindo uma profecia.

Na verdade, muitas vezes a pessoa amada decide separar-se por sentir-se empurrada para fora da relação, devido às condutas do parceiro.

12. EU NÃO SOU DIGNO DE SER AMADO

A impressão de não ser “amorável”, de não merecer afeto, está associada à sensação de existência de desinteresse por parte do companheiro.

Caso você tenha esse tipo de pensamento, construído por sua fantasia, o sentimento de não ser digno de ser amado fica evidente, assim como a sensação de que seu par não se interessa por você.

Se esta é a sua crença, é provável que na sua infância você tenha tido pouco afeto. Como esta, todas as crenças são instaladas na nossa memória desde muito cedo, ainda quando crianças.

E, para cumprir essa ilusão, possivelmente você está adotando condutas de não-aproximação das pessoas, como autoritarismo, não-partilha de emoções, provocação de mágoa em quem está perto e sente afeto por você — tudo o que possa afastar aqueles que desejam sua proximidade.

Muitas vezes, como esta sensação é muito dolorosa, e, ainda, querendo esconder de si a responsabilidade por estar sozinho, você passa a adotar outra crença como paliativo: “Eu não preciso de ninguém”. Essa crença e outras similares aparentemente acalmam a angústia e não permitem que se entre em contato com a solidão.

A única forma de sair da solidão é, em primeiro lugar, aprofundar-

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se nela, sofrê-la em toda a sua extensão, para poder saber, pelo menos1 que ela torna a vida muito sofrida. Só então é que se pode ter consciência do quanto é maravilhoso estar com alguém querido.

13. NÃO POSSO PERDER O CONTROLE

Você tem medo de perder o controle?

Controle de quê?

O que você quer controlar?

É comum as pessoas que sempre querem manter o controle tudo, ou de parte das coisas e das pessoas, pensarem que, se perderem esse controle, ficarão fracas, enlouquecerão ou se tornarão prisioneiras. Para não perderem o domínio, investem uma enorme energia esconder suas emoções e não delegam coisa alguma ao parceiro. O de perder o controle leva-as a não se entregarem ao amor, a nãc comprometerem profundamente com quem está perto e a viverem n permanente estado de vigilância, querendo saber tudo o que se passa desconfiando de qualquer coisa que aconteça.

Quem vive assim transforma sua vida num eterno pesadelo, em que amor, carinho ternura e confiança não possuem espaço.

Quem sofre do medo de perder o controle associa, conseqüentemente, a esta fúnebre crença, a errônea idéia de que “se demonstrar a”- estará perdido”, ou “o casamento é uma prisão”, ou ainda “o homem ( - mulher) não é confiável”.

Essas pessoas, que ainda estão incapacitadas para amar, definem seu ponto de equilíbrio muito perto da solidão e, para não ser ameaçadas de ter de dar um passo à frente, decidem manter o controle sobre tudo e sobre todos. Tal conduta as impede de tomar conhecimento de sua r terrível realidade, isto é, de constatar a sua própria insegurança e desconfiança em si mesmas. E, de forma paradoxal, escondem de si mesmas a total falta de controle interno sobre sua própria pessoa.

Assim é o sistema de crenças negativas —a sabotagem da relação. Quando a pessoa está envolvida em suas crendices e percebe que r.. sendo amada por alguém, o seu pensamento mágico encontra mais uma saída para não aceitar esse amor: convence-a de que o outro, que a está amando, tem provavelmente algum problema. Pois, se assim não fosse, “ele não a teria escolhido”.

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SEPARAÇÃO

“Pronto desliguei!

Mas por que terá me telefonado?

Ah sim! Já me lembro.

É que falei demais e bem pouco escutei.

Perdão, recitei um monólogo e não dialoguei.

Impus minha opinião e não troquei idéias.

Por não ter escutado, não aprendi,

Por não ter escutado, nada levei comigo,

Por não ter escutado, não comunguei.

Perdão, eu estava ocupado.

E agora estamos cortados.

Michael Quoíst

Separar é quase sempre um ato de coragem, pois, quando duas pessoas viveram juntas e se amaram, uma passa a existir dentro do coração da outra.

A maioria das relações termina com as pessoas envolvidas ainda sentindo amor uma pela outra, o que toma as separações especialmente dolorosas. E o ideal seria que a separação fosse decidida a partir do desejo de se percorrer caminhos diferentes, apesar do amor que se sente.

Separar, quando se tem a convicção de que chegou o momento para isso, pode não ser fácil. Pior é quando ainda existe admiração e amor pela outra pessoa e não se tem claro se separar é a melhor solução.

Se a aproximação de duas pessoas necessita estabelecer-se com base na verdade, simplicidade e autenticidade, a separação precisa, mais do que tudo, de respeito, principalmente por parte de quem está querendo sair da relação.

Há pessoas que estão juntas há anos, compartilhando dia a dia uma

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relação neurótica. Quando apenas um dos dois cresce como ser humano e o outro quer manter-se dentro de sua neurose, a separação é inevitável. Mas, mesmo assim, a pessoa que se desenvolveu e cresceu, para encontrar um grande amor, precisa respeitar o antigo par na hora da separação.

Um dos maiores erros que alguém pode cometer é romper uma relação por causa de outra pessoa, pois o mais provável é que muitos dos antigos erros sejam repetidos na nova união. Uma separação saudável é aquela em que alguém se separa porque dá-se conta de que a relação não lhe agrada mais. E sente a necessidade de buscar outras alternativas e estilos de vida.

É importante rever a parcela que coube a cada um para que o relacionamento não desse certo, e verificar quais os planos que se tinha em relação à vida afetiva.

Outro aspecto a ser considerado é o fato de que uma relação pode terminar porque expirou o tempo que ela deveria durar. E que não há culpados, mas chegou ao fim o trecho da vida que o casal tinha para compartilhar.

Geralmente as pessoas desejam separar-se porque sentem que, com o outro, não lhes é possível realizar seus desejos.

É bom não ter pressa em concretizara decisão de separação, e sim propor-se outro objetivo: o de organizar a vida para ser feliz. “Se alguém está pensando em separar-se para estudar, convém começar a estudar e ver o que acontece!” “Se quer separar-se para poder sair com amigos, é bom assumir esse desejo e verificar as conseqüências!” “Se a separação tem por causa o impedimento de trabalhar, é oportuno trabalhar e perceber o resultado!” Enfim, começar a fazer as coisas que, aparentemente, estão sendo impedidas pela relação.

Pode ser que o casal pense da mesma forma, e ambos precisem viver de modo independente. Então, depois de dialogarem, concluirão que os dois já cresceram e merecem “ter a chave da casa”.

Quando falamos em não ter pressa em tomar a decisão da separação, queremos dizer que decisões importantes necessitam de um tempo para inaturaço e que não é preciso separar-se a fim de se dar permissão para fazer alguma coisa a que se tem direito. É importante analisar, juntos, quando um dos parceiros tem o desejo de separar-se. Você pode querer sair da relação, mas precisa, pelo menos, comunicar ao outro o seu desejo e dizer o porquê de você estar indo embora. E, no mínimo, dar a ele a chance de fazer algo para que uma solução a dois seja encontrada.

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É importante, porém, não passar vários anos da vida na indecisão. Porque essa pode ser uma péssima forma de ficar sozinho.

Uma pessoa saudável, honesta, íntegra, não gera motivos para que a outra a deixe, não procura articular situações para ser abandonada, mas assume a decisão de separar-se quando percebe que a relação não serve mais. Enfrenta o momento incômodo, desconfortável, com a sua vontade, sem esconder-se debaixo de máscaras e atrás de mentiras.

Quem está buscando crescer no amor, ao romper uma relação em que ainda é amado pela outra pessoa, não a joga fora como um invólucro descartável. Mantendo-se em sua decisão, usa ao mesmo tempo de compreensão e responsabilidade, e procura, inclusive, ajudar quem está sendo abandonado. Afinal, a maior dor nesse momento está diretamente ligada à intensidade do amor que se dedica ao outro. E esse sentimento merece respeito e não deve ser tratado inescrupulosamente.

Quando começa a aparecer a vontade de separar-se, é necessário perguntar-se: “Será que eu quero mesmo separar-me? Por que eu quero isso?”

Se a resposta, depois de uma consulta séria ao coração, for sim, siga em frente com toda a honestidade. Mas se a resposta for negativa ou duvidosa, pense nos motivos que o detêm. Se for medo, é importante trabalhar no sentido de criar condições para poder acreditar mais em você. Se for por dificuldade de retribuir o amor de alguém, pare de usar a desculpa da separação como um escudo para não se entregar e não perceber seus bloqueios em relação ao amor. Uma das mais potentes formas de desbloquear-se e começar a amar é exatamente manter-se próximo da pessoa (ou pessoas) que o ama verdadeiramente.

Se a separação tiver de acontecer, é interessante que aconteça enquanto existir respeito mútuo. Muitas pessoas, inseguras sobre a conveniência ou não da separação, acabam fazendo uma série de bobagens e tolices para aumentar a tensão e o ódio e, assim, justificar a decisão de separar-se. Com isso, buscam alívio na certeza daquilo que estão precisando.

Duas pessoas podem chegar à conclusão de que, apesar de se amarem, escolheram caminhos diferentes, não por maldade, mas para

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atender a seus desejos individuais e diferentes entre si.

De qualquer maneira, sempre poderão existir dúvidas quanto, essa ter sido a melhor decisão. Quando uma separação ocorre sem que os. problemas tenham sido resolvidos, ou para fugir da ameaça de desestabilização do ponto de equilíbrio, é comum que, nos momentos de vazio, e dos ex-parceiros, ou ambos, passem a escutar o som das palavras ( do outro, releiam cartas antigas, se recordem de algum momento especial. E, então, tais cenas passam a será sua única companhia na solidão. É muito comum alguém se separar apenas externamente—evitar o contato pessoal

—, mas não romper a relação dentro da própria cabeça. Nesses casos, a relação não resolvida pode levar a pessoa a não arriscar mais outro amor, porque já não confia em si, não tem mais prazer em amar e porque perdeu as esperanças.

Existem duas virtudes que sempre poderão ser utilizadas quando se compreende que a separação foi uma decisão errada: a humildade para procurar a pessoa que foi deixada, e a coragem para procurar reconquistá-la, sabendo que ela não estará disponível para si o tempo todo.

Uma verdade irrefutável é que apenas um amor sincero, profundo e amigo será capaz de promover a nossa reconciliação com a vida.

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“Lembrasse do dia que tomei seu carro emprestado e o amassei”?

Pensei que você me mataria, mas não me matou.

Lembra-se da vez que o arrastei para a praia e você disse que ia chover e choveu? Pensei que você ia dizer: ‘Eu não disse?’, mas você não falou.

Lembra-se da vez que namorei todos os caras da festa para lhe fazer ciúmes e consegui? Pensei que fosse me largar, mas você não me largou.

Lembra-se da vez que derramei torta de morango em cima do seu tapete novo? Pensei que você ia me bater, mas você não me bateu.

Lembra-se da vez que me esqueci de avisar-lhe que a festa era a rigor, e você apareceu de jeans? Pensei que fosse me abandonar, mas você não me abandonou...

É, houve uma porção de coisas que você não fez. Mas você me amou, aguentou-me e me protegeu. Houve muitas coisas que eu queria retribuir-lhe quando você voltasse da guerra, mas você não voltou.”

A separação é uma alternativa sadia para uma relação que se esvazia, mas não deve ser uma postura de vida, que leva a pensar em ir embora a todo momento em que surge uma nova dificuldade.

Foi publicado, em um jornal de circulação interna de uma empresa, semi do autor do artigo, um belo exemplo do que acabamos de dizer. A coluna se intitulava “Coisas que você não fez” e dizia:

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CAMINHOS PARA AMAR

“Por ser exato, o amor não cabe em si.

Por ser encantado, revela-se.

Por ser amor, invade e fica.”

Djavan

Não podemos abrir uma porta trancada sem possuir a chave, a não ser que a arrombemos, o que provocará sérios danos em sua estrutura. Para recompô-la teríamos de fazer remendos, ou construir uma porta totalmente nova. Para abrirmos uma porta é necessário ter a chave correta e saber usá-la adequadamente.



Com o amor acontece exatamente o mesmo. Precisamos descobrir a chave que abre a porta do nosso ser mais profundo, onde está escondido todo o potencial de amor que nós temos. E, suavemente, deixá-lo fluir. De nada adianta adotarmos atitudes drásticas, com o objetivo de romper nossas resistências negativas, pois isso poderia danificar nossa estrutura ou reforçá-las ainda mais.

Quando algo muito importante não estiver sendo alcançado, reflita sobre se você está usando a maneira correta de consegui-lo. Afinal, não adianta ficar tentando abrir a fechadura com a chave errada. Certamente haverá uma forma menos sofrida de realizar o objetivo.

Nós, seres humanos, estamos cheios de contradições. E uma delas diz respeito ao livre arbítrio: sentimo-nos donos de nossa vontade em algumas situações, e em outras, não.

Por que será?

Todos escolhemos, deliberadamente, a roupa que vamos vestir, o que queremos comer, a que filme vamos assistir, que carro queremos comprar, aonde queremos ir, com quem decidimos sair, optamos por ser honestos ou desonestos, amáveis ou agressivos, egoístas ou generosos e tomamos outras decisões baseadas apenas em nossa vontade.

Certamente nossa vida é resultado de nossa postura, de nossos pensamentos, sentimentos e condutas. Se alguém quer mudar algo em si,

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apenas ele próprio é quem poderá fazê-lo; ninguém mais. E só vai mudar quando se decidir por si, por sentir que seu estilo de vida não o satisfaz mais.

Com o mesmo cimento e tijolo, podemos construir uma casa para morar e viver um grande amor, ou uma prisão onde nos sintamos solitários e miseráveis. E simplesmente uma questão de escolha do objetivo; o trabalho é o mesmo.

No que diz respeito ás relações amorosas, em muitas ocasiões posicionamo-nos de forma ambivalente: queremos encontrar o amor, mas não o buscamos e, algumas vezes, quando ele chega, o expulsamos para longe de nós. E ficamos confusos, sem saber por que isso aconteceu.

Colocamos a culpa no destino, no azar ou em qualquer motivo que esteja fora de nós, que seja independente de nossa vontade. Chegamos à conclusão de que não existe uma forma de o amor dar certo.

Começar a trilhar os caminhos para amar vai requerer uma reformulação muito grande em nossa vida. E é justamente o medo dessa reformulação que nos levará a uma ambivalência: em alguns momentos estará claro o que se quer e como atuar; em outros, tal certeza irá desaparecer.

Nos caminhos para o amor, uma virtude muito importante é a humildade para reconhecer o que não se sabe fazer; para dar-se conta e admitir que errou; para pedir desculpas e ajuda, quando for necessário; para buscar proteção em momentos de insegurança e para perceber que alguém, que talvez não se valorize tanto, pode ter algo importante para nos ensinar.

Nos caminhos para viver o amor é importante observar e perceber de que forma reagimos diante da pessoa amada. Descobrir o que provoca essa reação e quais as opções que temos para mudar o que for necessário.

De nada adianta alguém ver o outro como se fosse ele mesmo, nem se ver como se fosse o outro e, muito menos, ver o outro corno reflexo de outras pessoas que pertenceram ao passado. Só importa ver o outro como ele é, realmente, e simplesmente amá-lo.

“Preciso de serenidade,

para aceitar as coisas

que não posso mudar.

Coragem, para mudar o que posso.

E sabedoria, para conhecer a diferença.

R. Niebuhr

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DIFERENÇAS NÃO SÃO DEFEITOS

Costuma-se afirmar que é dada a mesma formação para todos os filhos e que, no entanto, cada um deles tem uma personalidade bem diferente.

Por quê? É uma pergunta bastante comum.

De forma alguma os filhos são criados da mesma maneira. Cada um vem em períodos diferentes da vida, quando já ocorreram mudanças dentro de nós, mesmo que não as tenhamos percebido. E mesmo que não houvesse esta variante, teríamos outra, talvez a mais potente: cada bebê já nasce com parte de sua personalidade individual estabelecida.

Se formos a um berçário, poderemos observar bebês que se movimentam muito e outros que são mais passivos. Alguns têm horário certo para mamar, outros não. Se a mesma regra for aplicada a diversos bebês, é evidente que cada um reagirá de forma diferente a um estímulo. Assim, cada um vai desenvolvendo o seu próprio jeito de amar e de ser amado. Pode-se dizer que uma atitude que significa “eu te amo” para uns não representa coisa alguma para outros. Às vezes, pode parecer banal para muita gente um telefonema dizendo “oi, meu bem, tudo bom por aí?”, enquanto para Outros pode significar “ele me ama mesmo!”

Se somarmos à nossa parte infantil a influência cultural e familiar que sofremos dos nossos ascendentes, constataremos que não existem duas pessoas iguais. Conseqüentemente, o modo de sentir e expressar sentimentos também é diferente em cada um de nós. Há quem se pergunte: “Se o amor é tão bom, por que tanta gente foge dele?”, e questionam: “Se é tão ruim, por que tanta gente o procura?”.São pessoas diferentes entre si, analisando um mesmo tema.

Sendo cada ser humano único e diferenciado, só existe um modo de possibilitar a vivência a dois: o conhecimento e o respeito das diferenças de cada um, que precisam ser aceitas e ajeitadas pelo casal. Só assim a riqueza das diferenças do casal pode criar algo novo e especial na relação. Se duas pessoas são distintas, pensam de modos diferentes e atuam em estilos diversos, sua união pode oferecer mais alternativas e maiores possibilidades, já que a soma das experiências e características do casal é bem maior do que seria, caso eles fossem muito parecidos.

É comum os dois desejarem coisas diferentes, simultaneamente. Pode ser que um queira comprar novos móveis e o outro fazer uma viagem. Em vez de ficar dizendo um ao outro que o desejo dele é

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bobagem, é muito mais eficaz organizar o orçamento familiar, de forma a conseguir atender aos dois.

Não adianta querer convencer o outro de que a vontade dele desnecessária e sem razão, porque isso vai acabar gerando insatisfação produzirá focos de conflitos em outras áreas.

É fundamental termos claro, em nossas mentes, as coisas em somos diferentes um do outro e o que é de real importância modificarmos, para que o relacionamento não apenas sobreviva, mas seja um crescer contínuo. É importante considerarmos o fato de que existem, em todos nós, limites para mudanças a cada momento. Esses limites necessitam estar delineados, para nós mesmos e, evidentemente, também para os outros. Quando essa consciência acontece, toma-se muito mais fácil ampliar os nossos limites. É importante saber que o limite que cada um de nós tem hoje, tanto poderá ser mantido, como poderá evoluir e aumentar as possibilidades. de aceitação e mudança. Isto será um passo à frente do ponto de equilíbrio, em busca do encontro com o amor.

Imagine um casal: um gosta muito de receber amigos em casa e o outro não suporta isso. Se cada um ficar preso ao seu ponto de vista, cada diferença de gostos poderá causar sérios conflitos. E será que tem jeito de resolver isso? É claro que tem. Poderá acontecer algo como:

— Querido, eu estava pensando em oferecer um jantar a uns amigos no sábado à noite. Que tal lhe parece?

— Você sabe que eu não gosto de invasão na minha casa.

— É, eu sei. Acontece que tenho sentido falta deles. Por outro lado, não me agrada sair com eles e perder a sua companhia no sábado à noite.

— Eu também não quero ficar sem você nesse dia. Mas essas reuniões são muito incômodas para mim.

— Eu tenho uma proposta a fazer! Convido o pessoal para vir na quinta, quando você tem ginástica e chega mais tarde. E, ao você chegar, se quiser estar conosco, vou adorar.

— Acho perfeito! Combinado.

A sabedoria, para não jogar tudo abaixo, está no fato de a pessoa que convidou os amigos levar a conversa para um tema que interesse ao marido. E, durante o tempo em que ele permanecer no grupo, o ideal é ela se colocar o máximo que puder próxima a ele. Não esquecer da sua presença, mas qualificá-la tanto quanto possa, sem ser exagerada.

Podem acontecer surpresas fantásticas em situações como estas! Se o companheiro não se sente ameaçado por muito tempo na sua inca-

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pacidade de conviver com amigos, e se o processo de adaptação for lento e gradual, o mais provável é que vai chegar o dia em que ele entrará em casa dizendo: “Ei, beml Convidei uns amigos para jantar hoje, o que temos para comer?”. Ou então, “Que tal convidar aqueles simpáticos amigos seus para assistirmos àquele VT juntos?”.

Mas se você usa a fórmula de encontrar defeitos nas outras pessoas para livrar-se de situações embaraçosas, que você não quer enfrentar, pergunte-se como estará daqui há dez anos, se continuar com essa conduta. Por acaso, para dissolver qualquer tipo de vínculo amoroso, você começa a colocar defeitos no parceiro ou então procura outra pessoa, fora da relação, para servir de «carona”? Caso você queira evitar intimidades e se esquivar de uma entrega a alguém, a solução mais fácil é encontrar defeitos. Isso porque, se o outro tem muitos defeitos, você se sente especial, com mais qualidades e, assim, está se valorizando à custa dos defeitos dele.

Não necessitamos destruir ninguém para ser livres, valorizar-nos ou para decidir se é bom ou ruim que nos entreguemos inteiramente a alguém.

Geralmente a pessoa que põe defeito no outro tem guardada uma tristeza, lá do passado. Possivelmente alguém a criticava muito quando criança. A maior parte dos nossos comportamentos são aprendidos, e muito do que se considera defeito, na verdade, é apenas diferença.

Quando duas pessoas estão empenhadas em manter uma relação saudável e gratificante, ambas fazem mudanças e concessões. Uma das coisas mais importantes, e lamentavelmente raras, na relação é perceber que o outro mudou. Ou os dois mudam e crescem juntos, ou a mudança e o crescimento apenas de um vai ameaçar muito o ponto de equilíbrio do outro. Portanto, é básico, na caminhada para o amor, que o casal programe seus passos o mais próximo possível um do outro, em direção ao prato.

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Fazia tempo que te procurava...

Por isso


Tanto andei,

Tanto vaguei,

Tanto fiz para encaixar o grande no pequeno,

E o quadrado no redondo.

Esculpi artes bonitas,

Cópias de um sonho

Que não chegaram jamais à autenticidade...

Já me contentava com o parecido,

Quando finalmente nos encontramos.

Meu olhar brilhou e passou

A iluminar nosso caminho.

Meu coração bateu forte,

Seguiu, ritmado, nossos passos.

Nenhuma ameaça existia,

Mas nós nos incumbimos de produzi-la.

As conquistas passaram a ter

Conotação rotineira.

O belo tornou-se vulgar,

As diferenças, tão interessantes,

Foram crescendo e incomodando.

Não te quero mais...

Vou buscar outra pessoa

Diferente,

Que eu possa amar,

E que este amor

Produza ameaças

Para que eu busque

Outra pessoa diferente.

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RESOLVENDO PROBLEMAS

Num mosteiro havia o Grande Mestre e o Guardião. O Guardião morreu e foi preciso substituí-lo. O Grande Mestre reuniu todos os irmãos para fazerem a nova indicação.

Assumiria o posto o monge que conseguisse resolver, primeiro, o problema a ser apresentado naquele momento.

Então o Grande Mestre colocou um banquinho no centro da sala e, em cima, um vaso de porcelana raríssimo, com uma belíssima rosa amarela a enfeitá-lo. Disse apenas: “Aqui está o problema”!

Todos ficaram olhando a cena. O vaso lindíssimo, de valor extraordinário, a flor maravilhosa no centro! O que representam? O que fazer? Qual será o enigma?

Nesse momento, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e “zapt”. Destruiu tudo com um só golpe.

Tão logo o discípulo retornou ao seu lugar, o Grande Mestre falou:

“Você é o novo Guardião... Não importa que o problema seja algo lindíssimo. Se for um problema, precisa ser eliminado”.

Um problema é um problema, mesmo que seja uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou um grande amor que acabou. Se o amor acabou por mais lindo que tenha sido, se não tem mais espaço, precisa ser eliminado.

A indecisão.é a própria sustentação do problema. Quando decidimos o que está pendente, acabou-se o problema.

É preciso pouco para que isto aconteça. Basta que se recorde do passado com um filtro mental, onde apenas são eliminadas as imagens boas.É como se a luz da memória escondesse, tão-somente, o belo que existiu na relação e deixasse evidente que esse aspecto não existe mais. A verdade do passado, com suas angústias pelo futuro, a insegurança que foi vivida, a amargura, a mentira, a indiferença e a exploração devem ser motivos suficientes para que a separação não doa tanto. Mas normalmente apaga-se o mal, como se nada disso houvesse existido. E se fica numa reserva inesgotável de aflição por ter perdido o ser amado.

Para se viver um grande amor, é importante perceber que os problemas surgirão e que ficar dando desculpas não irá ajudar. Sim, porque uma das piores maneiras de se tratar um problema é ficar arrumando justificativas da sua existência ao invés de enfrentá-lo e resolvê-lo.

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Uma alternativa é resolver uma dificuldade por vez. Não adianta entrarem um esquema de acusações infinitas, sem procurar soluções. Tal como no diálogo:

— Eu não gostei de você ter chegado tão atrasado.

— Mas eu me atrasei porque fui cuidar das coisas que você me pediu.

— Ah! Você está sempre jogando a culpa em mim.

Nesta forma de comunicação, são abertas várias questões e nenhuma se fecha. O mais produtivo seria o casal aprender a resolver e a concluir um tema antes de iniciar Outro. No diálogo citado, a pessoa confrontada poderia responder sobre seu atraso, propor-se uma mudança — marcar um horário mais tarde, cumprir o prometido ou até mesmo não marcar horário para chegar

— e só então começar a falar sobre as coisas em excesso que o outro lhe solicitou.

É importante também criar uma postura de fascinação, para manter uma relação clara e limpa, de naturalidade e consciência de que as dificuldades existem em um casal e que, na medida em que vão surgindo, é possível resolvê-las com soluções convenientes para os dois e não com uma postura negativista do estilo “ai meu Deus! Mais um problema para eu resolver”

Quando algo não está indo bem, precisamos parar e refletir:

Qual é o problema que temos na cabeça, ou no coração, e ainda nã resolvemos?

Quero mesmo resolvê-lo?

O que já fiz para isso?

Já me dei o tempo necessário para resolvê-lo ou estou enchendo o tempo de coisas, a fim de evitar pensar e sentir o que me aflige?

Para que está me servindo a manutenção desse problema?

A vida é muito breve para que a desperdicemos com dias de sofrimento inútil.

COMO E O QUE MUDAR NA RELAÇÃO?

Quando nos relacionamos com uma pessoa, é importante lembrar que cada um de nós tem características próprias, com as quais teremos de lidar na relação. Isso porque cada uma delas, por seu significado, tem importância para a pessoa..

Primeiro, as características congênitas, que fazem parte da personalidade e não se podem mudar. Quem se propuser modificá-las vai

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sentir-se muito limitado. Se alguém é intuitivo, é importante respeitar essa intuição, para viver em paz.

Segundo, há as condutas aprendidas e treinadas, sob fortes doses de emoção na primeira infância, e que irão influenciar fortemente o nosso comportamento por toda a vida. Uma pessoa que teve um pai muito ameaçador tenderá a ser assustada, a menos que invista muita energia para alcançar uma mudança.

Terceiro, as condutas desenvolvidas em função da falta de opção e que são mais superficiais, e conseqüentemente mais fáceis de ser modificadas. O simples fato de alguém decidir mudá-las e aprender urna outra maneira de reagirtorna esse comportamento desnecessário. É o caso de uma pessoa que se sente inútil, por não trabalhar, e decide arranjar um emprego.

Então, quando se está com alguém que tem algo que desagrada, é importante perceber se é uma característica de sua essência. Nesse caso, mesmo que ele queira, não vai conseguir sucesso no intento de fazê-la desaparecer. Se é algo aprendido com forte dose de emoção, só poderá ser mudado com bastante envolvimento afetivo que dará energia para essa transformação. E se é algo que se repete por falta de opções, poderá ser mudado com mais facilidade.

Da mesma forma, quando alguém nos pede que mudemos algo, toma-se necessário uma reflexão na mesma linha.

Muitas vezes vemos pessoas exigindo de si e do outro mudanças irrealizáveis. Mas pode ser também que o outro não queira mudar uma conduta que, com um pouco de boa vontade, conseguiria. Quando essa falta de desejo de mudança é demonstrada e mesmo assim é importante seguir com a relação, o melhor caminho é respeitar essa decisão do outro, corno algo que vai permanecer, e não procurar forçar a mudança, porque isso só aumentará o mal-estar. Mas toma-se importante, por outro lado, que a pessoa que se sente atingida pela não-mudança troque de postura, e que sua aceitação do fato seja real e não apenas algo do tipo “vou me acomodar”. A acomodação não vai resolver nada, apenas vai passar o mal- estar de um para o outro. Aceitar o fato de a pessoa amada não querer mudar significa aprender a conviver com isso, sem queixas nem sofrimento.

Se você gosta muito de ir à praia e seu companheiro não a acompanha, em vez de ficar reclamando e exigindo que ele vá, procure encontrar uma alternativa de ir à praia sem ele e desfrutar desse prazer.

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Sempre há três possibilidades de mudanças na relação: o eu, outro e a relação. A única que depende exclusivamente da pessoa é o eu. O outro depende dele. E a relação, dos dois. Portanto, se você quiser a certeza de que algo diferente vai acontecer, mude a si mesmo primeiro. Quando alguém diz: Eu amo esta pessoa do jeito que ela realmente está amando. Se quiser transformá-la, como condição ç. amar, estará buscando apenas uma imagem construída em sua cabeça.

As mudanças são essenciais para o crescimento de uma r:’desde que sejam bilaterais e que cada qual procure as resposta precisa. Se alguém pensa que pode arrumar as malas e fugir de si terá uma surpresa. A cada nova relação, a insatisfação será a mesma. E sempre na esperança de que será diferente, de que o outro, finalmente,, corresponderá às suas expectativas. Mas acabará, novamente, encontrando razões para mudar o outro e não a si próprio.

O ser humano necessita de referências em sua vida, para continuar vivendo. Geralmente nosso estilo de vida é resultante de referências do nosso passado e da maneira como a programamos. Quando buscamos1 estar com alguém, geralmente elegemos a pessoa que corresponde ao nosso referencial de valores, sentimentos e comportamentos. Quando queremos que alguém se comunique conosco, precisamos dar-lhe referências tais como número de telefone, endereço, horário em que podemos ser encontrados. Se precisamos comprar a credito, há uma parte do formulário que requer “referências de compras a crédito anteriores”.

E, no caso do amor, as pessoas se sentem “amoráveis” quando alguém lhes sorri, rejeitadas quando alguém as critica, interessantes quando são paqueradas. Ou seja, colocam seus pontos de referencia fora de si, a partir das reações dos outros.

O ideal, com relação ao amor, é que procuremos nossas referências dentro de nós mesmos. Senão, cada vez que a pessoa que amamos atrasar, vamos nos sentir abandonados.

Para nos sentirmos confiantes, seguros, tranqüilos, com vontade de nos divertir e amar, é fundamental que estes sentimentos existam dentro de nós; que sejam nossos, independentemente de qualquer outra pessoa. Estes e muitos Outros sentimentos são os nossos pontos de referência internos, que nos possibilitam ficar satisfeitos e sentir paz e felicidade em algum momento em que estejamos sós. Assim, tornamo-nos responsáveis por nós mesmos e por nossos atos. E, desta forma, estamos prontos para encontrar um par, estruturar uma relação saudável, efetuando, as mu-

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danças que forem necessárias para o crescimento do amor e do casal. E levamos estes pontos conosco, para onde quer que nos desloquemos.

Mas, normalmente, colocamos os pontos de referência fora de nós mesmos. Quando apenas sentimos confiança se há alguém perto, se é a presença do outro que produz tranqüilidade, quando a percepção de que a nossa paz e a nossa felicidade emanam da outra pessoa, se o nosso divertimento está na dependência do humor da outra pessoa, enfim, quando dependemos do comportamento, das respostas, da aceitação, do humor, da companhia do Outro para estar bem, é sinal de que os nossos mais fortes pontos de referência estão localizados fora de nós, estão em outra pessoa. Então, essas pessoas, em quem depositamos o referencial passam a ter muito poder sobre nós.

É importante a consciência de que, quando colocamos nossos pontos de referência dentro de nós mesmos, nós os levamos para onde vamos, estamos sempre em contato com eles e sempre podemos utiliza-los, a qualquer hora que necessitarmos. Mas quando os pontos de referência estão colocados em outras pessoas, quando elas mudam de espaço, posição ou lugar, isso é suficiente para nos provocar insegurança, desordem e até desespero. Fica o sentimento de que não se pode viver sem a outra pessoa. E pensar que a nossa vida depende de uma outra pessoa é uma grande mentira.

Quando uma relação é rompida, quem ama vai sofrer muito e é saudável que sofra. Vai chorar enquanto durar a tristeza e a saudade, passará por muitos momentos maus, porque está perdendo a pessoa amada, o que é muito duro. Mas, passado algum tempo, retornará aos pontos referenciais e recomeçará tudo outra vez. O mesmo não acontece com quem coloca os pontos de referência fora de si. A maioria das vezes, quando rompe uma relação de amor, ele não sofre apenas a dor da perda do amado, mas se desespera pela perda das próprias referências, O que poderá ter, em alguns casos, conseqüências graves.

Fica-se com a sensação de quem, ao voltar para casa, dá-se conta de que esqueceu o endereço e não há ninguém por perto para informar.

Por mais confiança que alguém tenha em si, haverá momentos em que precisará de um confidente, para compartilhar determinada situação. Ao confiar numa pessoa, estamos colocando nela um referencial externo de confiança.

Se nos amamos, o nosso ponto de referência interno de amor vai ajudar-nos a amar alguém, e assim estabelecem-se dois pontos de referência

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para o amor. Um dentro de nós e outro na pessoa que amamos. E se por algum motivo perdemos essa referência externa, se esta relação se rompe, sabemos que vamos sofrer, mas o nosso referencial de amor interno vai levar-nos a encontrar um outro amor.

Se você tem apenas um amigo e coloca todo o seu referencial de amizade nele, vai acabar sufocando-o e você se sentirá muito ameaçado todas as vezes que ele se movimentar fora de seu controle, ou de seu posto de observação.

Se alguém sabe amar a si próprio saberá como amar bem ao outro.

Se não sabe, amará ao outro como a Si: mal.

Muitas vezes, um dos dois tem necessidade de ser tocado, abraçado, acariciado, e o outro, dentro de suas limitações, não atende a essa necessidade. Com certeza, se não for feita uma reformulação, a relação poderá interromper-se ou transformar-se em uma acomodação insuportável. Então aquele que quer ser tocado e acariciado precisa não só pedir ao outro o que necessita, mas ensiná-lo a gostar disso, porque o mais provável é que o outro não tenha aprendido essa forma de comunicar-se. Casos como esse não são o eu querendo mudar o outro, mas o eu pedindo ao outro que atenda à sua necessidade, para que se sinta mais confortável na relação.

Foi desenvolvido um determinado método de gerenciar que dá resultados fantásticos. Uma das etapas de aprendizagem do empregado era a vigilância, de perto, pelo gerente. No momento em que este estivesse aprendendo uma nova função e fizesse uma coisa certa, era surpreendido pelo gerente que lhe reforçava a atitude dizendo: «Muito bem, você acertou”, ou “muito bem, você está perto de acertar”. O empregado, assim, grava o caminho que está sendo seguido e forma uma estrutura de pensamento de como acertar.

A partir dos elogios e do respeito pelo esforço do outro em melhorar a si próprio e em aprimorar a relação, cria-se um clima de evolução e os diálogos se tornam cada vez mais abertos. Os parceiros então se arriscam a demonstrar suas necessidades e estimulam um ao outro a se expor e a mudar.

Temos o direito de pedir tudo o que quisermos, e o outro tem o direito de dizer sim ou não. Se não pedimos ou perguntamos, não vamos ouvir sim, nunca. Se o fazemos, podemos ouvir sim ou não. É um aprendizado dar ao outro o mesmo direito que se atribui a si próprio. Se

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respondemos sim ou não, também devemos estar preparados para receber um sim ou um não.

Com medo de ouvir não, a pessoa passa a vida sem pedir o que precisa.

O que você tem vontade de mudar na sua relação? Você já conversou com seu par sobre o assunto?O que você precisa mudar para dar certo?

Não existe nada, nem situação alguma, tão ruim que você não possa piorá-la sempre um pouco mais; assim como não existe nada tão bom que não se possa melhorar.

É verdade que o amor aumenta os espaços, cobre os ambientes e nos dá forças para crescermos juntos. Mas essa fase pode passar, e então o que restará?

Para que o amor aconteça e floresça, é necessário que se tenha coragem, ousadia, vontade, entrega e disponibilidade. E isso implica mudança mútua e relação aberta, para encontrar sintonia, um com o outro.

A mudança de comportamentos em uma relação é o resultado final de todo novo aprendizado. É um descondicionamento dos velhos modelos, que só terá seu resultado quando a pessoa estiver suficientemente insatisfeita consigo própria. Isso necessita de uma dedicação consciente nesse processo de reformulação e crescimento.Se não acontece assim, o mais provável é que a tentativa de resolução de qualquer problema tenha por objetivo a manutenção do próprio problema, como no caso do homem que, a cada minuto dava palmadas na mesa e, ao lhe ser perguntado o porquê de ele fazer isso, respondeu que era para espantar o elefante. O seu interlocutor observou que não havia elefante algum, ao que ele respondeu: “Viu como funciona?” Da mesma forma, um casal que decide conversar, sem predisposição a mudar, aumentará o problema com cada conversa.

Quer seja no amor entre um homem e uma mulher, quer seja entre amigos, ou na relação de companheiros de trabalho, no convívio familiar, enfim, em qualquer encontro bonito, em que duas pessoas ou mais se aproximam, se não houver um descondicionamento do “choque do prato” e a organização, ou a programação, dos passos a avançar a partir do ponto de equilíbrio, o mais provável é que os choques voltem a ser sentidos, mesmo sem se tocar no prato.

O processo de descondicionar é como o de qualquer outro aprendizado. Há pessoas que não convidam alguém para sair, com medo de ouvir um não (prato eletrificado) e levar outro choque. Se continuar nessa

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conduta passiva de não convidar, vai, cada vez mais, estar muito só, e o sentimento de rejeição tenderá a crescer, o que dificultará a possibilidade de mudar o comportamento.

A estratégia é simplesmente você telefonar para a pessoa e convida-la, da forma mais protegida possível, para estarem juntos em algum lugar. Pode ser que, para confirmar a crença de que vai ser rejeitado, você faça o convite justamente no momento inadequado, na hora inoportuna e de forma confusa. Se assim for, com certeza você vai «tomar o choque”.

Quando não se tem esse medo de ouvir uma recusa a um convite, pode-se arriscar a qualquer hora. Mas quem o tem, precisa proteger-se, procurar saber se a pessoa está disponível e fazer uma aproximação lenta, mas confiante.

Em vez de: “Vamos sair hoje?, poderá ser: “Estou querendo me encontrar com você. Que hora você tem disponível?”, ou então ir ao lugar que a pessoa freqüenta e buscar uma aproximação, depois de checar as suas possibilidades. Se é um homem que quer abordar uma mulher e, ao chegar ao local onde ela está, percebe-a acompanhada de outro homem, é querer tomar choque tentar alguma coisa nessa ocasião, porque pode funcionar ou não.E se não funcionar, vai reforçar as suas crenças.

O descondicionamento precisa ser lento e gradual para que possamos nos aproximar, cada vez mais, do objetivo desejado.

Nosso cérebro funciona como um computador. Grava tudo o que nos acontece e organiza uma programação para reagirmos de determinada forma, mediante um estimulo.

Há pessoas que, quando ouvem falar em casamento, chegam a sentir arrepios de medo. Possivelmente viveram, quando crianças, cenas dolorosas em virtude dos desentendimentos dos pais. É provável que tenham escutado frases como estas: “Não foi para isso que me casei”, ou:

“Estou cheio deste casamento” etc. Então a palavra casamento está associada, no seu computador cerebral, com algo que traz sofrimento, e a sua reação a esse estímulo será negativa. ..enquanto acreditar nisso.

Por Outro lado, há quem sorria, aconselhe e considere o casamento como algo maravilhoso. Com estas pessoas acontece o oposto. Foram testemunhas do bom relacionamento dos pais na infância e têm lindos quadros desse casamento na memória. Então, o estimulo vai produzir bem-estar, porque é isso que está gravado no seu computador.

E é assim que nós funcionamos! Reagimos automaticamente a algum estímulo, dando respostas que nos foram gravadas na infância,

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mesmo que esse estímulo hoje se refira a uma situação totalmente diferente daquela da infância.

PARA QUEM SE PROPÕE MUDAR

As mudanças não acontecem de repente. Elas pressupõem todo um processo de maturação, com etapas distintas. Primeiramente temos a percepção: sensação de que algo pode estar acontecendo, sem conseguir identificar se tal sensação é real ou não; ou ainda a impressão de que algo não está bem, mas sem saber o que é. A maioria das pessoas desqualifica sua percepção quando, na realidade, ela precisa sempre ser levada em conta a fim de prevenir muitas dificuldades. Todas as vezes que temos uma percepção, é importante checar’se ela tem relação com a realidade ou não.

O segundo passo é a Intuição: capacidade de saber o que está acontecendo, ainda que não tenha uma consistência lógica. Fazem-se especulações, ativam-se idéias (errôneas ou não), desenterram-se preconceitos, revivem-se sensações básicas, positivas ou negativas, usa-se a fantasia. É como se fôssemos uma criancinha pensando. Esta fase, apesar de estar lbnge da realidade do momento, também é importante porque vai dar referências internas e vai aguçar a criatividade.

Em seguida, surge a emoção. Baseado na percepção e na intuição, brota o momento emocional. E a vivência pode ser tanto de emoções prazerosas, como desagradáveis, dependendo das crenças que apareceram no momento da intuição. A expressão da emoção poderá ser positiva ou negativa. A emoção sentida e expressa necessita ser equivalente ao tamanho do estímulo que a provocou. Se alguém nos agride com palavras, não é justo responder com tiros. Se somos agredidos com indiferença, não podemos reagir com vingança.

Para um caminhar em busca do crescimento no amor também se faz necessário pensar. Constatamos a realidade, checamos as crenças e fazemos uma análise do que está acontecendo, no âmbito dos fatos, mas sem desconsiderar as fases anteriores.

Após o pensar surge o momento da decisão. Decide-se o que fazer, diante do que está acontecendo, baseando-se no que é real e traçando-se um plano de ação, para seguir de acordo com o que se decidiu, da forma mais adequada e proveitosa para o crescimento do casal. E é bom lembrarmos que todas as atitudes adotadas numa relação terão conseqüências, positivas ou negativas.

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conduta passiva de não convidar, vai, cada vez mais, estar muito só, e o sentimento de rejeição tenderá a crescer, o que dificultará a possibilidade de mudar o comportamento

A estratégia é simplesmente você telefonar para a pessoa e convidá-Ia, da forma mais protegida possível, para estarem juntos em algum lugar. Pode ser que, para confirmar a crença de que vai ser rejeitado, você faça o convite justamente no momento inadequado, na hora inoportuna e de forma confusa. Se assim for, com certeza você vai “tomar o choque”.

Quando não se tem esse medo de ouvir uma recusa a um convite, pode-se arriscar a qualquer hora. Mas quem o tem, precisa proteger-se, procurar saber se a pessoa está disponível e fazer uma aproximação lenta, mas confiante.

Em vez de: “Vamos sair hoje?, poderá ser: “Estou querendo me encontrar com você. Que hora você tem disponível?”, ou então ir ao lugar que a pessoa freqüenta e buscar uma aproximação, depois de checar as suas possibilidades. Se é um homem que quer abordar uma mulher e, ao chegar ao local onde ela está, percebe-a acompanhada de outro homem, é querer tomar choque tentar alguma coisa nessa ocasião, porque pode funcionar ou não.E se não funcionar, vai reforçar as suas crenças.

O descondicionamento precisa ser lento e gradual para que possamos nos aproximar, cada vez mais, do objetivo desejado.

Nosso cérebro funciona como um computador. Grava tudo o que nos acontece e organiza uma programação para reagirmos de determinada forma, mediante um estímulo.

Há pessoas que, quando ouvem falar em casamento, chegam a sentir arrepios de medo. Possivelmente viveram, quando crianças, cenas dolorosas em virtude dos desentendimentos dos pais. É provável que tenham escutado frases como estas: “Não foi para isso que me casei”, ou:

“Estou cheio deste casamento” etc. Então a palavra casamento está associada, no seu computador cerebral, com algo que traz sofrimento, e a sua reação a esse estímulo será negativa. ..enquanto acreditar nisso.

Por outro lado, há quem sorria, aconselhe e considere o casamento como algo maravilhoso. Com estas pessoas acontece o oposto. Foram testemunhas do bom relacionamento dos pais na infância e têm lindos quadros desse casamento na memória. Então, o estimulo vai produzir bem-estar, porque é isso que está gravado no seu computador.

E é assim que nós funcionamos! Reagimos automaticamente a algum estímulo, dando respostas que nos foram gravadas na infância,

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mesmo que esse estímulo hoje se refira a uma situação totalmente diferente daquela da infância.

PARA QUEM SE PROPÕE MUDAR

As mudanças não acontecem de repente. Elas pressupõem todo um processo de maturação, com etapas distintas. Primeiramente temos a percepçAo: sensação de que algo pode estar acontecendo, sem conseguir identificar se tal sensação é real ou não; ou ainda a impressão de que algo não está bem, mas sem saber o que é. A maioria das pessoas desqualifica sua percepção quando, na realidade, ela precisa sempre ser levada em conta a fim de prevenir muitas dificuldades. Todas as vezes que temos uma percepção, é importante checar’se ela tem relação com a realidade ou não.

O segundo passo é a intuição: capacidade de saber o que está acontecendo, ainda que não tenha uma consistência lógica. Fazem-se especulações, ativam-se idéias (errôneas ou não), desenterram-se preconceitos, revivem-se sensações básicas, positivas ou negativas, usa-se a fantasia. É como se fôssemos uma criancinha pensando. Esta fase, apesar de estar longe da realidade do momento, também é importante porque vai dar referências internas e vai aguçar a criatividade.

Em seguida, surge a emoção. Baseado na percepção e na intuição, brota o momento emocional. E a vivência pode ser tanto de emoções prazerosas, como desagradáveis, dependendo das crenças que apareceram no momento da intuição. A expressão da emoção poderá ser positiva ou negativa. A emoção sentida e expressa necessita ser equivalente ao tamanho do estimulo que a provocou. Se alguém nos agride com palavras, não é justo responder com tiros. Se somos agredidos com indiferença, não podemos reagir com vingança.

Para um caminhar em busca do crescimento no amor também se faz necessário pensar. Constatamos a realidade, checamos as crenças e fazemos uma análise do que está acontecendo, no âmbito dos fatos, mas sem desconsiderar as fases anteriores.

Após o pensar surge o momento da decisão. Decide-se o que fazer, diante do que está acontecendo, baseando-se no que é real e traçando-se um plano de ação, para seguir de acordo com o que se decidiu, da forma mais adequada e proveitosa para o crescimento do casal. E é bom lembrarmos que todas as atitudes adotadas numa relação terão conseqüências, positivas ou negativas.

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Às vezes, todo esse processo não leva mais que alguns segundos ou minutos, e nem sempre há consciência do que está acontecendo. E comum passar-se por cima de determinados passos e, então, provavelmente, as conseqüências serão desastrosas. Se, diante de uma situação de abandono, a pessoa entra em emoção e, sentindo-se rejeitada, angustiada, ao invés de parar para pensar começa a agir desordenadamente, as coisas que serão ditas ou feitas tenderão a agravar a situação. Se, baseando-se apenas na percepção, passa a fazer qualquer coisa, as conseqüências, certamente, não serão um contínuo crescimento no amor.

O depoimento de um amigo vem mostrar, claramente, a importância do que foi afirmado. Ele nos disse: “Eu e a minha mulher tínhamos uma vida bastante equilibrada. A única coisa que me aborrecia era que ela não ligava nada para a sua aparência pessoal. A vaidade feminina passava longe dela, e eu acabei aprendendo a conviver com isso. Um dia comecei a ter a sensação de que algo estava acontecendo (percepção) e notei que minha mulher estava arrumando-se mais, maquiando—se, vestindo-se na moda. Ia trabalhar elegantemente e ficava bastante tempo diante do espelho.

Comecei a achar que aquele comportamento poderia significar que ela havia se apaixonado por alguém, que tinha encontrado Outro homem que despertou nela o desejo de ficar bonita (intuição). Passei uns dias angustiadíssimo (emoção). Relembrava o período da separação dos meus pais e ficava desesperado. Mas também observava que ela continuava muito carinhosa comigo e que nada havia mudado em relação a mim. Eu é que estava afastando-me dela. E então comecei a refletir (pensar) como sair daquela angústia. Resolvi (decisão) conversar com ela e contar-lhe tudo o que estava acontecendo comigo. Nessa noite, ao nos deitarmos, comecei a abrir meu coração e disse-lhe tudo o que estava pensando (ação). Para meu espanto, ela se atirou nos meus braços e me disse: “Até que enfim você notou que eu mudei. Todo mundo já me elogiou, disseram-me que estou mais bonita, e só você não me havia dito nada. Eu percebi que precisava cuidar mais de mim e ficar mais bonita, porque assim também você ia ficar mais feliz. Já estava perdendo as esperanças de que você notasse minha mudança”.

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ADMIRAÇÃO — RESPEITO – CONFIANÇA

Existe um tripé de sustentação para que um homem e uma mulher vivam plenamente uma relação de amor. Não podemos afirmar se tais características são causa ou efeito do amor, mas sabemos que, se faltar uma das três na relação, a convivência ficará comprometida.

Estamos falando acerca da Admiração, do Respeito e da Confiança.

A admiração soa como um sentimento de saudação. É a nossa capacidade de sintonizar com o belo, é a saída da beleza de cada um de nós para encontrar com o belo que existe no outro.

Imagine como seria insuportável viver com alguém e nunca sentir estímulo para dizer: “Como você está bonita”; “Que inteligente você é”; “Sinto-me orgulhosa de seu trabalho”; “Que comida gostosa você preparou”; “Como você está cheiroso”; “Adoro ter relações sexuais com você porque você é ótima” etc...

É preciso reconhecer algo na pessoa amada que seja digno de admiração. É necessário admitir, acreditar e sentir que a outra pessoa é inteligente, bonita, culta, potente, líder, solidária, sem que o reconhecimento dessas qualidades faça-nos sentir inferiores à outra pessoa.

A admiração funciona como o sal na relação. Se você não admira nada na pessoa que está ao seu lado, qual é o juízo que tem de si? Como pode alguém passar sua vida junto a outra pessoa e ser feliz, se o parceiro não possui nada digno de ser admirado?

Muitas vezes ocorre que, simplesmente, nega-se na outra pessoa as características dignas de ser admiradas. Não é que ela não as tenha. Apenas não são reconhecidas ou identificadas pelo parceiro.

A incapacidade de admirar a pessoa amada está diretamente ligada ao bloqueio de encontrarmos, em nós próprios, algo admirável, digno de ser enaltecido.

É uma bela lição aquela estória dos três homens que estavam na porta de uma catedral em construção, fazendo as suas tarefas, quando alguém se aproximou e perguntou: “O que estão fazendo aí?” O primeiro respondeu: “Faço massa de cimento”; o segundo disse: “Seleciono pedras para a escada”; e o terceiro falou com muita altivez: “Ajudo a construir uma catedral”.

Comece a descobrir todas as coisas que seu par tem de admirável, mesmo que você não tenha percebido nada até agora. Com certeza ele possui muitas coisas interessantes. Depois de encontrá-las, passe a falar

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sobre elas com a pessoa que você ama.

Pode ser que, quando uma pessoa começa a admirar alguém, por qualquer motivo que seja, aconteça que ela passe anão se sentir merecedora de ser aceita e amacia por essa pessoa admirável que ela está vendo. E, então, afasta-se dela, com medo de ser rejeitada.

Muitas pessoas vivem criticando seu parceiro, por achar que ele é uma pessoa de mau gosto, pelo escolha conjugal que fez. Isso é muito triste. É fundamental para uma relação que a pessoa ache que quem a escolheu tem bom gosto. Assim como precisamos estar certos de que a pessoa que escolhemos é especial. E que, talvez, a rotina e o fato de vivermos com ela todos os dias é que nos tenham tirado o seu encanto.

o respeito produz em nós a consciência de que não faremos, ou diremos, coisa alguma que possa desvalorizar a pessoa amada.

Quando alguém ama e protege esse amor, há o respeito. E nada será feito que ameace, não apenas o amor, mas a pessoa amada.

Para respeitar alguém é necessário conhecer os seus limites, para não invadi-los, O respeito vem a ser a proteção, para que o amor floresça e as pessoas se sintam valorizadas.

Podemos respeitar alguém que não amamos. Muitos respeitam mestres, artistas, personagens históricos ou da vida pública, pelo que eles representam ou representaram dentro de nossa escala de valores, conceitos e verdades. Por outro lado, não se pode amar alguém sem respeita-lo, porque o respeito é o efeito de se acreditar no outro, como expressão da verdade.

É mais fácil respeitar alguém distante de nós do que a pessoa que está mais próxima. Porque para crer e, conseqüentemente, respeitar no amor, é necessário conhecer o outro. E apenas podemos conhecer, profundamente, o ser amado, se nos deixamos conhecer também, o que é muito assustador para quem não quer avançar no ponto de equilíbrio.

É muito comum as pessoas confundirem respeito com medo. Ouvimos constantemente a expressão “me respeite”, em todos os lugares por onde andamos. Na verdade, esta frase significa:”Tenha medo de mim, eu posso fazer-lhe mal”.

Desde cedo, damos ao medo o nome de respeito. E o que realmente o respeito significa não é expresso nem usado pelo ser humano, como seria necessário. Quando um pai ou uma mãe diz: “Basta olhar para meus filhos, para que eles me respeitem”, o que na verdade estão dizendo é: “Só com o meu olhar, consigo meter medo em meus filhos; meu olhar é o

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controle remoto, com o qual eu os ameaço”.

Algumas pessoas, quando pensam ou dizem “eu respeito...”, sentem ou se colocam em posição de inferioridade, como se respeitar fosse o mesmo que estar por baixo. Poucas pessoas admitem, para si e para os outros, respeitar seu par, no sentido real e pleno do seu significado.

Quando há respeito entre duas pessoas que se amam, elas não querem que nada de mal aconteça a nenhuma delas. E quando é rompida uma relação de amor em que havia respeito mútuo, as pessoas se protegem para que o sofrimento seja o menor possível. Quando é rompida uma relação em que não havia respeito mútuo ou, pelo menos, de uma das partes, a separação é feita de maneira traumática e dolorosa.

Quando alguém respeita o parceiro, numa relação de amor, mas passa a não ser respeitado por ele, sendo alvo de condutas agressivas, desqualificativas ou de indiferença, a pessoa que ama pode até continuar emocionalmente ligada a outra, mas o respeito que sentia antes desaparece, porque tudo aquilo que acreditava na pessoa amada caiu por terra. Em muitos casos, no espaço vazio do respeito surge o sentimento de raiva e o desejo de vingança.

Cada um de nós é responsável por se fazer respeitar. Apenas quando nos respeitamos a nós próprios é que temos a capacidade de respeitar o outro.

Quanto você se respeita e quanto respeita a pessoa que você ama?

A confiança é aquela sensação que temos de que, aconteça o que acontecer, podemos contar com alguém. É a certeza de que alguém nos quer, mesmo que estejamos em algum momento ruim. É a tranqüilidade de podermos contar tudo o que quisermos, sabendo que, se for pedido, o sigilo será mantido. É a segurança de podermos confiar em alguém. É sabermos que, mesmo que a pessoa nos diga algo que nos incomode, fica- nos a certeza de que ela não deixou de amar-nos nem quer nos destruir. Ao contrário, temos a certeza de que lhe somos tão queridos que ela nos quer ver crescer e, por isso, aponta algo inadequado que tenhamos feito.

Quando você confia em alguém, pode acordá-lo pessoalmente, ou por telefone, altas horas da madrugada, para dividir uma dor, com a certeza de que será ouvido com carinho, ternura e compreensão.

Quando você confia no outro, pode até mostrar suas inseguranças, seu lado frágil e pedir ajuda.

Quando você confia em alguém, checa e confronta qualquer informação que possa pôr em jogo a relação. E não se deixa ficar na

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dúvida, baseado em pressupostos.

A pessoa em quem confiamos é aquela que sabemos que nunca rirá dos nossos sentimentos; não ridicularizará nossa dor; não fará comentários maldosos acerca de nós e nunca será desonesta conosco.

Mas sempre terá um ouvido atento para nos escutar, um ombro onde possamos chorar ou descansar, mãos que nos estarão sempre estendidas e cabeça para nos ajudar a pensar.

Quando confiamos assim, a recíproca precisa ser verdadeira, porque só confiamos se somos confiáveis. Se alguém não confia em si, como poderá confiar no outro e querer ser confiável?

À PROCURA DE ALGUÉM

Se, ao ler este livro, você estiver se sentindo solitário e triste, é chegada a hora de ir à luta; parar de ficar em casa sozinho à espera que alguém maravilhoso o encontre. É o momento de enfrentar o comodismo, para atingir o objetivo desejado: encontrar alguém para amar, realizando assim todo o amor que tem dentro do coração.

Ter a simplicidade de sair, não para conseguir alguém para você, mas para encontrar alguém que queira viver em amor com você, mesmo não sabendo o que irá acontecer. Como aquele mestre que se dizia muito grato a um ladrão, que o havia ajudado muito no caminho da espiritualização. Ele contava que, um dia, havia chegado muito tarde a uma cidade. Tudo estava fechado e ninguém nas ruas. A única pessoa que ele encontrou foi um ladrão, a quem perguntou onde poderia dormir, O ladrão respondeu-lhe que àquela hora da noite estava tudo fechado, mas que se ele quisesse poderia ir para sua casa. O místico teve vontade de recusar o convite, mas pensou: “Se um ladrão pode aceitar um místico, então um místico também pode aceitar um ladrão”. No caminho para casa, o mestre lhe perguntou se ele havia roubado alguma coisa e ouviu a seguinte resposta: “Hoje não consegui roubar nada, mas amanhã, se Deus quiser, vou conseguir alguma coisa”. O ladrão e o místico ficaram amigos e, na noite seguinte, quando o ladrão saiu, o mestre perguntou se ele precisava de alguma coisa, ao que o ladrão respondeu: “Reze para que Deus me ajude”. Tarde da noite, quando o ladrão voltou com as mãos vazias, o mestre lhe perguntou se tinha conseguido algo, e a resposta foi:

“Infelizmente não consegui nada, mas amanhã Deus vai me ajudar”.

E a fé do ladrão comoveu muito o mestre, que refletiu sobre o fato

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de que, se alguém que está fazendo algo infame consegue ter tanta fé em Deus, ele, que estava trabalhando em algo puro, não poderia desanimar quando suas meditações não funcionassem.

Procurar alguém, com a perícia desse ladrão, é não se desesperar por não ter conseguido; é manter a fé e conservar a certeza de que, para alguém tão especial como você, será inevitável encontrar uma pessoa querendo muito amor.

Não resolva procurar alguém para supriras suas carências, mas sim para compartilhar a vida.

Há pessoas que, sendo vítimas de abandono e rejeição, lutam desesperadamente por qualquer espécie de afeto que possa preencher o vazio. Pensam estar enamoradas por qualquer pessoa que encontram e que lhes dá um pouco de atenção. Para sobreviver, aceitam um amor qualquer, mesmo que lhe ofereçam migalhas de afeto. Muitas vezes o que chama de amor autêntico é apenas gratidão.

Em dado momento, alguém pode pensar que encontrou a resposta para sua sede de afeto. E a pessoa que despertou suas esperanças terá de carregar todas os seus sonhos de felicidade. Tais esperanças podem resultar do fato de o neurótico ter sido tratado com amor e respeito por alguém respeitado, admirado ou que pode dar a impressão de ser mais seguro de si. Nesses casos, todo o processo pode transformar-se em amor bilateral, se o carente de afeto decide transformar-se. Senão, jogará fora a possibilidade de capacitar-se para o amor.

Uma pessoa que está se afogando e se agarra a um nadador nunca leva em conta a vontade ou a capacidade do outro para salvá-la. Depois de salva, algumas vezes surge o menosprezo, que é a expressão básica da vontade de livrar-se de quem a salvou. Pode-se até fingir uma certa atenção pela outra pessoa, mas nenhum esforço conseguirá impedir que apareçam reações agressivas, porque essas pessoas se sentem como se fossem devedoras da outra.

Para que possamos crescer no amor, precisamos começar a inverter os nossos investimentos emocionais. Freqüentemente vê-se uma concentração de afeto sobre automóveis, jóias, roupas, imóveis, livros e muitos outros objetos inanimados. Eles passam a ser elogiados e amados. Entre o amor aos objetos inanimados e o amor aos seres humanos, há um outro passo: a atração por flores, árvores, pássaros, animais de estimação. Cultivar carinho e ternura por esses elementos poderá ser um passo para dirigir o afeto ao ser humano. As pessoas que não têm capacidade para

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amar usam essa forma para suprira sua não-satisfação com o ser humano. Outra forma saudável de começar a apreciar o homem é associar-se a clubes, associações, sociedades, sindicatos ou até mesmo organizações políticas. Essa forma terá, como função principal,.a de inserir a pessoa num grupo, onde surgem reais oportunidades de encontrar companhia.

O cultivo de amigos e de amizades tem maior importância do que geralmente se admite, para desenvolver a capacidade de amar, O amor é prejudicado menos pela sensação de não ser apreciado do que pelo temor de que os outros nos vejam sem as máscaras que usamos de acordo com as convenções e cultura em que se vive e com as crenças que se têm.

Os despreparados para o amor podem ter algum sucesso, temporariamente, em conseguir o afeto que tanto desejam. Mas o afeto não perdura, porque eles não são, realmente, capazes de aceitá-lo. O raciocínio lógico é que a pessoa carente de amor deveria abrir os braços para uma afeição que lhe fosse oferecida, tal como uma pessoa sedenta bebe água. Mas isso dura pouco tempo, porque o afeto aceito serve apenas para aliviar a ansiedade e, assim, melhorar a condição da pessoa que, ao sentir-se melhor, pensa que está curada. Qualquer espécie de afeto pode representar uma reafirmação superficial, ou mesmo uma sensação de felicidade. Mas, no íntimo, há o confronto com a descrença, ou surge o medo, a desconfiança e não se acredita no amor, porque existe a convicção de que ninguém pode amá-la.

O amor oferecido a uma pessoa incapacitada para amar tropeça com a desconfiança e com a marcante ansiedade. Aceitar o amor nesse caso é o mesmo que se ver presa numa teia de aranha. Ao perceber que lhe está sendo oferecida uma estima sincera, ela fica muito assustada. Geralmente as provas de afeição podem despertar o medo da dependência, o que a leva a evitar, a todo custo, qualquer espécie de resposta emocional positiva.

A fim de evitar que isso aconteça, ela precisa vendar os olhos, para não perceber o amor, manobrando para descartar-se de qualquer espécie de afeto e, algumas vezes, buscando relações promíscuas, que não desestabilizarão o ponto de equilíbrio, nem ameaçarão acariciar o núcleo afetivo, mantendo-se as crenças neuróticas. É uma situação igual à da pessoa que está morrendo de fome, mas não come nenhum alimento com medo de que esteja envenenado!

Você procura um par apenas porque está só, ou porque tem amor

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para ofertar a alguém?

Procura uma companhia apenas para cuidar de você, ou para compartilhar sua vida com ela?

Você procura alguém com a intenção de atender às suas necessidades internas reais, ou para dar satisfação a um contexto social, que espera que as pessoas formem pares?

Necessitamos procurar um par porque não queremos mais viver em solidão e para alcançar o máximo de plenitude no amor. Temos, então, à nossa disposição a opção de encontrarmos alguém para desenvolvermos e ajustarmos essa relação, de uma forma única, de acordo com nossos desejos individuais, e para continuarmos, livres e desenhando nossas vidas, conforme mudamos ou amadurecemos.

Não existe dependência nem independência, mas uma interdependência, em que o par mantém sua identidade individual, criando ao mesmo tempo uma relação profunda, comprometida, cooperativa e muito afetuosa. Nesse tipo de relação existe um egoísmo saudável:

— Só estamos juntos porque é isso que queremos, sem que ninguém nos obrigue a tal.

— Cuidamos um do outro porque isso nos dá prazer.

— Concedemos nossos espaços porque queremos o outro dentro dele, preservando cada um o seu centro.

— Queremos que ambos cresçam porque ficamos felizes com o sucesso um do outro.

—Queremos ter uma relação sexual porque, nesse momento, entramos em estado de graça.

— Queremos nos comprometer um com o outro porque somos livres e não nos sentimos ameaçados.

ROMANCE: CIÊNCIA DO. BELO

Há quem diga que o romance é fantasia, não é real, é coisa de adolescente, que é bobagem preocupar-se com ele, que é supérfluo. Lamentável engano para quem pensa assim.

Por que será que você precisa embelezar-se mais para uma festa, preparar um prato diferente para um jantar especial, embrulhar com papel bonito um presente, colocar flores na mesa, pendurar um quadro na parede e tantas outras providências, que podem parecer supérfluas e que, no entanto, tornam mais belo o espaço e as relações?

Romancear um amor é tão importante como tê-lo, e muito da

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riqueza de estar com alguém é a possibilidade de sonhar justos. Quando as pessoas começam a ler um romance de amor estão, na verdade, adquirindo uma passagem para uma viagem através de seus sonhos amorosos. E não há quem não se identifique, de alguma forma, com um personagem do romance e não tenha, lá no seu íntimo, vontade de viver uma experiência igual.

E possível transformar em realidade o que se sonha nas leituras.

A beleza faz parte da vida, e qualquer um pode aprender a ser romântico.

O amor vai ficar, com certeza, mais colorido!

Quando se vive romanticamente uma relação, o corpo fica mais iluminado com as cores do amor, a poesia vem ao encontro do peito, o coração explode em flores pelo ser amado. Não há despedida: guarda-se o outro no coração.

O romance convida a falar manso, olhar profundamente nos olhos, acariciar a pele com suavidade, abraçar carinhosamente, diminuir o ritmo, pensar no amor, ficar mais gentil e terno e apenas falar e escutar palavras bonitas.

O romance é isso e muito mais. Então, por que é tão pouco usado? Por que os amantes não fazem mais poesias? Por que não falam com mais freqüência “eu te amo”? Por que não são, por alguns momentos, menestréis?

O respeito pelo nosso lado romântico leva-nos a cantar versos tais como: “Gosto de você, continuo a gostar”, “Senti saudades”.

O hábito de presentear, o que não implica coisas materiais de alto valor, é um testemunho do romance. Mas não podemos fazer uma oferta qualquer! Precisamos ofertar algo que dê prazer a quem recebe. Quer seja uma simples palavra, quer uma flor, ou um elogio que gratifique os ouvidos de quem escuta.

Precisa ser algo que fale da individualidade, do núcleo essencial da pessoa, que enriqueça a substância do seu ser. O presente romântico é um elo que une os corações dos amantes.

Um presente muito especial é a lembrança, pois os esquecimentos são fatores destrutivos numa relação de amor, mesmo os mais sutis, como uma data significativa, um “até logo” ao sair de casa e um beijo ao chegar.

O romance impede o esquecimento, mantém vivo o desejo de sonhar com o ser amado.

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a pureza e a ingenuidade de alguém que, como nós, quer viver em amor.

O romance ajuda a ver, em cada encontro, esse ser radiante florindo um

novo momento.

Ser romântico é conseguir ver, na pessoa que se ama, o encanto que reside em si.

Ser romântico é ter a coragem de cantar o amor, é ter a coragem elevar o outro á condição de rei ou de rainha, sem ser súdito; é ver, beleza do brilho dos olhos do ser amado, mais intensidade que os raios sol, embora para outra pessoa qualquer isso passe despercebido.

Quem não gostaria de, embaixo de uma xícara do café da manhã, ou sobre a mesa de seu gabinete de trabalho, encontrar um envelope poder ler algo assim:

Neste momento, penso em você e então quisera me transformar em vento.

E se assim fosse, chegaria agora como brisa fresca e tocaria leve sua janela.

E se você me escuta e me permite entrar, em você vou me enroscar

quase sem o tocar.

Vou roçar nos seus cabelos, soprar mansinho no ouvido, beijar sua boca macia, o embalar no meu carinho.

Mas eu não sou vento... Agora sou só pensamento e estou pensando em você.

E se abrir sua janela, eu estou chegando aí, agora... neste momento, em pensamento... no vento.

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A CRIATIVIDADE E O AMOR

O ser neurótico é aquele que vive repetindo os mesmos erros, criando os mesmos tipos de situações e insistindo em relações frustrantes. Ser saudável é ter opções, é poder escolher, e, principalmente, saber criar novas opções.

Criativamente, pode-se encontrar soluções para os problemas do amor. Usar a criatividade no amor é transformar em mais bela uma festa já muito linda; é transformar em fogueira cinzas quase apagadas.

São conhecidos casos muito interessantes de soluções criativas para resolver problemas afetivos, momentâneos, que poderiam ser transformados em crônicos. Foi feita uma pesquisa com casais que estavam juntos há mais de trinta anos, para saber qual o segredo da durabilidade de sua união. Foram pesquisados apenas casais que se consideravam autenticamente muito felizes.

As respostas foram uma lição de amor e criatividade:

“Quando nos irritamos muito um com o outro, só tratamos do assunto da briga por carta. É engraçadíssimo os dois ficarem à espera do carteiro para receber as respostas. Sempre conseguimos transformar o arrufo em brincadeira”.

“Quando, por algum motivo nos desentendemos, marcamos um encontro num restaurante muito aconchegante da cidade, vestimos as nossas melhores roupas e marcamos hora para nos encontrar, como se fôssemos ainda namorados. A predisposição sempre é a de acabar com a briga. Quando nos encontramos, metade do ressentimento já não existe mais”.

Se por acaso a queixa é de que o nosso amado não tem tempo para nós, porque está muito ocupado no escritório, é simples marcar com a secretária uma hora, com nome fictício. Estando lá, pedir para não ser interrompidos. Primeiro, a surpresa do outro será grande e, com certeza, prazerosa. E, depois, poderão até amar-se à vontade, lá mesmo!

Se há algum problema interferindo em nossa vida afetiva, poderá ser mais facilmente resolvido se, na hora do jantar, arrumarmos a mesa como se fosse um banquete. A melhor toalha, os cristais mais finos, o menu caprichado, ao gosto dos dois, e pedir aos filhos para passearem na casa dos primos. É importante a seleção de músicas para o momento, e o perfume a ser usado é aquele preferido pelo outro. E quando os dois se sentarem à mesa e um perguntar ao outro: “Que é mesmo que você quer

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dizer-me?”, a resposta mais provável será: “Amo você”.

As pessoas carregam muita tensão durante o dia em seu trabalho e, muitas vezes, levam-na para casa e a somam com os problemas domésticos. Podemos descarregar essa tensão de várias formas. Escutamos, certa vez, uma muito criativa: “Quando estou mal com meu marido e o dia de trabalho foi muito sobrecarregado, na hora de voltar para casa posto-me numa esquina bem movimentada, onde é impossível encontrar táxi, e fico ali gritando, gesticulando e chamando ‘táxi!’ até sentir-me relaxada e descarregada do excesso do dia. Então vou até o estacionamento, pego meu carro e me dirijo para casa”.

Ser criativo é reunir condições para não sofrer inutilmente e para resolver melhor situações conflitantes. Existem muitas formas de interromper um atrito, buscar a sua causa real e encontrar uma maneira satisfatória de resolvê-lo.

É muito enriquecedor, para a vida, usar as duas funções básicas da imaginação criadora: a busca e o aprimoramento do que foi encontrado. A busca é como um farol, com o qual podemos encontrar o novo em nós e no outro, algo que pode ainda não estar claro. Ela nos permite perceber o que está nascendo em nós e no par, que ainda não foi devidamente observado. O aprimoramento é justamente fazer crescer o amor na relação, depois das descobertas feitas pelo casal.

Por não usarmos nosso potencial criativo, caímos na armadilha da rotina, que tanto destrói um relacionamento.

As queixas em relação á rotina da vida do casal são as mais comuns, e o interessante é que as pessoas não se dão conta de que cada uma, individualmente, é responsável pela rotina em que vive.

Todos anseiam por abandonar a rotina, mas nada fazem para transformá-la.

O que é a rotina? Será meramente á banalidade cio cotidiano? Não, é mais do que isso. Rotina, na descrição de Francisco Alberoni, “é a falência dos processos de transformação e de revolucionamento; do estado nascente da descoberta; das modalidades que podem modificar radicalmente a experiência do cotidiano. É o abandono dos projetos mais vivos, mas fantasiosos, mais capazes, mais ricos, mais alegres, mais fascinantes, feitos de emoções intensas, de coisas maravilhosas, de descobertas constantes e até mesmo de riscos”.

E não a rotina obedece a caminhos pre-estabeleddos por preguiça, comodidade ou medo de arriscar avanços no ponto de

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equilíbrio. Tenta-se remediar a ditadura com férias, viagens, terapias, experiências extraconjugais, que, por não serem vividas com amor e entusiasmo, acabam também tornando-se rotina.

Tudo o que se constrói com amor constitui uma nova ordem, e a tarefa maior é a transformação. A pessoa que se casa duas, três, quatro vezes, troca de amigos e de trabalho com frequência, está sempre levando consigo a sua rotina. E a insatisfação vem exatamente por não se dar conta de que apenas aparentemente alterou-se o cotidiano, mas está-se repetindo com novas pessoas o que era rotina com as anteriores.

A rotina é, enfim, a repetição das mesmas respostas, dos mesmos comportamentos. Um mínimo de rotina, no entanto , é necessário para que possamos manter a organização do dia-a-dia.

Você poderá estar pensando: “Eu não sou criativo”. Engano seu. É um potencial que todos têm, apenas uns desenvolvem mais do que outros.

Criar é uma virtude que existe em cada ser humano e o diferencia dos animais. A melhor teia que uma aranha é capaz de fazer é igual a tantas outras que ela sempre fez. Se ela tentar mudar, a teia ficará pior. O homem, pelo contrário, tem a capacidade de criar e de transformar.

Quando o ser humano atua patologicamente, geralmente vive repetindo os mesmos erros, adiando ou postergando mudanças importantes. Quando repete, iguala-se aos animais irracionais, como se não tivesse a visão do global, e quando adia, assemelha-se aos seres inanimados, como se não tivesse sequer a força para agir.

Quando cria, assemelha-se a Deus. Realiza o ato transformador e atua sua capacidade de realização e transformação.

OUSAR NO AMOR

Uma das características essenciais para que alguém tenha uma relação gratificante é a ousadia — aquela capacidade de arriscar um salto qualitativo, mesmo quando as situações parecerem adversas, ou em períodos de calmaria, em que o tédio está pronto a fazer morada.

Uma das ousadias mais verdadeiras que existe no amor é estar com alguém e ter a coragem de anunciar que o está amando, deixar o mundo e a pessoa amada saberem o que lhe vai dentro do coração.

Ousar viver um amor é aprender a dizer para a pessoa amada ‘eu amo você”, de uma forma especial e frequente, porque assim ela nem terá tempo de duvidar do amor. Dizer que se está amando é assumir um com-

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promisso, é afirmar que algo profundo está acontecendo.

Permita-se assumir o risco de demonstrar seu amor, mesmo que a outra pessoa não vá aceitá-lo, porque amar alguém não é um problema, mas uma virtude. Se ela não o aceitar, o problema não é seu, pois uma vez que você descobriu o jeito de amar, fica faltando apenas encontrar um companheiro para a viagem a dois.

O outro risco que você poderá correr, ao dizer que ama alguém, é o de ser aceito. Aparecerão, então, os medos e os sentimentos de inadequação, que terão de ser enfrentados.

Ousar viver em amor é saber responder aos convites que o ser amado faz; é ir o mais longe possível na entrega, sem ficar economizando afeto. E deixar as mesquinharias de lado e mostrar ao outro que o ama incondicionalmente. É dispensar o ‘livro de conta corrente” na relação, porque quando começamos a usar créditos e débitos estamos reforçando o ponto de equilíbrio.

O “livro caixa” de uma relação neurótica registra: “Você foi hoje ao cinema, amanhã eu vou à praia; você chegou tarde hoje, então não vou fazer sexo com você; você não me procura, e por isso não vou procurar você”. Essas são algumas formas de não ousar, o que não permite que a relação cresça.

Ousar no amor é ter a coragem de encontrar o sentido de viver com o outro e integrar-se a ele. É deixar o amor transbordar. Talvez, ao longo da sua vida, você tenha sido mesquinho, pobre, avarento, no seu jeito de amar, mas isso não constitui a sua essência. Você é um ser de amor e transbordar de carinhos é o seu modo de viver.

A coragem pode ter aspectos limitados apenas nos desafios, no risco da conquista. Quando se consegue o objetivo da luta, a necessidade fica satisfeita e o interesse desaparece. Há pessoas para as quais o grande estimulo é apenas a sedução e, quando conseguem conquistar alguém, o abandonam.

Outras sempre buscam relações complicadas, porque é um desafio tentar modificá-las. E quando as complicações começam a ser resolvidas, o encantamento termina.

Muita gente tem atração especial por pessoas difíceis, que tenham de trabalhar muito para resolver seus problemas.

É comum as pessoas se sentirem atraídas por relações extraconjugais ou secretas. Quando podem ser públicas e claras, a motivação esmorece.

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Nestes desafios, investe-se uma energia que está armazenada em algum ponto interno e que não está sendo inteligentemente utilizada.

Ousar no amor é ter a coragem necessária para enfrentar obstáculos que naturalmente aparecem na vida. Deve ser diferenciado de criar problemas desnecessários, só para ter o que fazer. Ou seja, ousar no amor é também permitir que uma relação d certo, sem complicá-la.

Ousar no amor é entrar em contato com a coragem de avançar no ponto de equilíbrio. Quando somos ousados no amor, vamos descobrir o que realmente queremos para nós, e o que podemos fazer para ajudar o nosso par a ser mais feliz.

Quando vivemos com alguém, por menos tempo que seja, sempre sabemos algo sobre a pessoa, inclusive o que a deixa feliz ou infeliz. Muitas vezes, somos até capazes de atender às suas necessidades, mas não o fazemos. No entanto, comportamo-nos com outras pessoas exatamente como o par gostaria que nos comportássemos com ele; tratamos outras pessoas como o nosso companheiro, ou companheira, gostaria de ser tratado; dedicamos aos outros a atenção que a pessoa que vive conosco deseja.

Então, não é que não saibamos o que ou como fazer para melhorar a nossa relação. Mas simplesmente preferimos ser uma companhia muito mais atraente para outras pessoas do que para nosso par, porque o fato de termos a segurança dos sentimentos do parceiro nos deixa acomodados e, muitas vezes, preguiçosos.

Envolver-se com a pessoa que se ama, com a casa, a família, soa como perda da liberdade, e muitos desconhecem a coragem que precisam ter para enfrentar os obstáculos, quando já têm a garantia de não mais. perder o ser amado.

Ousar no amor é ter a coragem de dizer à pessoa amada aquilo que não nos permitimos dizer.

Ousar no amor é ser verdadeiro, mesmo que para isso não sejamos tão atraentes como desejamos ser.

Ousar no amor, dentro de uma relação, é torná-la cada dia mais renovada, mais bonita. É inspirar-se na sabedoria da natureza, que faz uma árvore, com dezenas ou centenas de anos, permanecer sempre a mesma, mas renovar-se periodicamente, substituindo as folhas secas e velhas por outras novas e verdes.

Ousar é saber largar os comportamentos patológicos do passado e ir ao encontro do amor, porque, infelizmente, muitas pessoas se agarram

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ao passado e se recusam a arriscar até mesmo diante de um convite divino. Conta-se que um homem estava caindo em um abismo, quando conseguiu agarrar umas raízes. E, ao perceber que sua posição era muito frágil, começou a orar e pedir o auxílio de Deus. Ao ver o homem em apuro, Ele veio, estendeu-lhe as mãos e disse: “Largue essas raízes e me abrace”. Isso soou muito ameaçador e o homem lhe respondeu: “Deus, por favor, abaixe o plano da terra, que eu tenho medo de largá-las”. E Deus lhe repetiu: “Confie em mim, que eu cuidarei de você. Eu escutei o seu chamado e vim para ajudá-lo”. Depois de muito tempo, o homem acabou dispensando Deus por não confiar em largar sua base e ficar com as mãos soltas.

Para viver um grande amor é preciso ter a coragem de ficar de mãos vazias e ir ao encontro do desconhecido.

Assim também podemos fazer com a nossa relação de amor. Enriquecê-la, a cada dia, com novas descobertas recíprocas.

Ousar no amor é abandonar os desafios passageiros e limitados e entrar em comunhão com a pessoa amada, ou com alguém que se possa vir a amar.

amar?

É ter coragem de ser um trovador.



ENAMORAR-SE

Será que é só querer para conseguir enamorar-se?

Será que apenas a vontade consciente é capaz de fazer alguém

Acreditamos que não. Apenas a decisão racional de querer encontrar alguém não é suficiente para possibilitar o encontro. Há pessoas que têm esse desejo, passam anos e anos à procura de alguém, mas não se enamoram e culpam os outros, o ambiente e a falta de sorte por sua solidão.

Às vezes, chegam a sentir alguma emoção por alguém, começam a envolver-se, mas, como um relâmpago, o estímulo desaparece. Ou então, encantam-se por alguém e começam a ter a sensação de não ser queridas pelo outro, permanecendo na solidão.

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Na realidade, quem não encontra alguém é porque, internamente, no está predisposto a amar, não está disponível para envolver-se e, erroneamente, pensa que está querendo compartilhar o amor.

Quem se acomoda com a solidão dificilmente vai se enamorar porque, para isso, é necessário estar sentindo o incômodo da solidão e ter a percepção realista de que estar só o faz infeliz.

É uma visão dialética. Se por um lado é necessária a sensação de incômodo, de falta de algo na vida, para o movimento em direção ao amor, por outro lado é fundamental que se queira crescer no amor e que se confie em si mesmo e na própria capacidade de viver em amor, Só assim, num caminho crescente, depara-se ao mesmo tempo com o desconforto provocado pela consciência da lealdade à solidão e com o impulso de ir ao encontro da felicidade, despertado pela beleza do amor.

O impulso de enamorar-se vem da perspectiva de ter o nada pela frente, ou então de uma profunda e radical desilusão de si próprio ou daquele que se ama. Nesse caso, as pessoas recolhem-se em si mesmas, elaboram as suas perdas e sentem desejo de mudar, O desejo de procurar alguém, muitas vezes, aparece quando, ao olhar em redor, dão-se conta de que há pessoas felizes. Nesse momento, têm a sensação de ausência, de não-presença, da falta que faz ter, e surge, visceralmente, o impulso de amar que estava sufocado, mas vivo dentro de si.

Esse impulso toma formas diferentes, dependendo da estrutura da pessoa. Umas se sentem como se estivessem explodindo e experimentam uma força empurrando-as em direção a outra pessoa. Outras vivenciam uma sensação de calma, como se a vida fosse um lago tranquilo, onde tudo terá seu tempo e sua vez. Outras, ainda, querem dividir as coisas da vida sem muita emoção, mas sempre com um sentimento básico de harmonia. Enfim, há uma infinidade de formas e jeitos de ser, quando se deseja encontrar o amor.

Mas há um ponto básico, comum a todos; é a vontade de compartilhar dores e alegrias, descanso e trabalho, vitórias e fracassos.

O amor é algo a ser vivido a dois. E é importante que ao enamoramento se alie a capacidade de ajudar o outro a se envolver com você, porque sempre existe, em algum lugar, alguém preparado para o amor, disposto a envolver-se e a comprometer-se. Cuidar de sua aparência, falar de uma maneira agradável, olhos nos olhos, e outros detalhes importantes vão facilitar, ao outro, enamorar-se de você.

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Se as pessoas não estão se apaixonando por você, algo tem de ser mudado. Não vai funcionar ficar redamando dos outros ou do mundo.

Buda dizia que um discípulo só poderá procurar o mestre quando estiver decepcionado consigo mesmo. Senão ele iria querer mudar o mestre ao invés de deixar-se ajudar.

Para enamorar-se é preciso um movimento semelhante. Somente após a pessoa decepcionar-se com seus comportamentos repetitivos, suas pequenas irritações banais e tantas outras coisas, que ela aprendeu a fazer para manter-se solitária, é que vai permitir que o amor a ajude, para que ela se entregue cada vez mais.

Muitas pessoas ficam sozinhas porque querem enamorar-se da pessoa perfeita, verdadeira, autêntica para poderem compartilhar o amor total com seriedade e alegria, com comprometimento e liberdade, comentendimento e honestidade. E esse caminho geralmente leva à frustração e à solidão.

Um homem passou a vida inteira procurando a mulher perfeita. Depois de muitos anos, encontrava-se ainda sozinho e alguém lhe falou:

— Que pena que você não encontrou a mulher perfeita!

— Isso não é verdade! Eu a encontrei.

— E por que você não ficou com ela?

— Porque ela estava procurando o homem perfeito.

O amor é para ser vivido a dois e à medida que alguém o permite, com simplicidade, sem exigir perfeição, ele vai sendo aprimorado. Não espere que o outro dê tudo o que você necessita, mas, sim, crie o amor, e o crescimento então virá. Estar disponível para enamorar-se e viver um grande amor significa, também, proteger-se para não se envolver com a pessoa errada.

Conta-se a estória de um homem que saiu para ir a um bar muito famoso. Chegando lá, só havia urna cadeira vazia. Dirigiu-se para ela e se sentou. Acontece que a cadeira estava molhada, porque um aparelho de ar condicionado ficava pingando em cima dela. O homem já havia se molhado e decidiu continuar lá mesmo. Dias depois voltou ao mesmo bar e encontrou a mesma cadeira desocupada. Lembrou-se do fato, pensou

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que não repetiria o que fizera, mas se distraiu e tomou a sentar na cadeira molhada. Sentiu-se mal por ter repetido o erro anterior. Passado algum tempo, entrou no mesmo bar e, ao avistar a cadeira, recordou-se de que ela sempre estava molhada. Começou a procurar outra, mas não encontrou. Ficou algum tempo de pé, esperou vagar uma cadeira seca e então a ocupou.

Há pessoas que passam a vida num estado que grande alienação, 1 não se cansando de sentar na mesma cadeira molhada, repetindo os mesmos erros. Outros, apesar de terem consciência, de saberem da inadequação, vivem caindo nas mesmas situações de sofrimento inútil. Há que se estar atento para proteger a si e a pessoa amada das situações cujo final será amargo e não acrescentará coisa alguma às suas vidas.

Muitas vezes, pessoas pensam em separar-se de seus parceiros, porque não se sentem apaixonados, e então, subitamente, o outro lhe diz que quer ir embora. E, então, essas pessoas se descobrem amando inteiramente o outro e sofrem desesperadamente com a separação. Isto significa que já estavam apaixonadas, porém não tinham consciência disso.

Algo deve ser feito para se viver essa paixão antes de a relação ficar ameaçada. E uma sugestão para isto é viver como se estivesse apaixonado. Escute músicas românticas, pensando no seu parceiro, veja filmes românticos e pense em vocês dois, escreva bilhetes carinhosos e, se existir o enamoramento dentro de você, ele aparecerá. Será como um pedaço de madeira que já parecia apagado, mas volta a arder ao toque do vento.

Para as pessoas que estão vivendo em amor, tudo é válido para embelezá-lo ainda mais: os lugares românticos, a música preferida pelos dois, os fins de semana cuidadosamente programados, os bilhetes inesperados, os telefonemas fora de hora só para dizer “estou pensando em você”, a comemoração de datas especiais e muitas outras cumplicidades que os dois necessitam ter. A cumplicidade é um dado que estimula muito o enamoramento. É aquele determinado momento em que, em qualquer lugar, junto a outras pessoas, acontece algo que motiva os dois a trocarem um olhar e um sorriso imperceptíveis aos outros, menos a eles que estão como que dizendo: “Só nós sabemos o que isto significa”.

O Outro.


É a sinceridade que toma os pares cúmplices e indulgentes um com

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Você não sabe,

Mas está comigo,

Neste canto.

Eu quero lhe dizer

Dos encontros que tivemos

Sem que fosse preciso estarmos juntos.

E agora, é um desses instantes

Que a mim

Chega com som de sacramento,

E que não importa onde você esteja,

Porque eu o alcanço em pensamento

Com toda a maciez deste momento.

E então, lindo menino, Quero lhe dar o que

Me vai na alma...

Leve consigo este suspiro rosa,

Leve consigo o meu pensar azul,

O meu sorriso verde,

Este carinho branco,

O meu olhar brilhante,

Esta paixão dourada.

Leve consigo, nesta hora,

Com muita força e calor,

Aquilo em que me transformo

Para você...

Um arco-íris do amor.

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AS FASES DO AMOR

O amor é um sentimento tão potente que, se não tivermos cuidado, poderemos pensar que ele nos transforma em super-homens, em seres imbatíveis, imunes a todos os perigos da vida. Quase todos pensam que, pelo fato de o casal estar apaixonado, tudo evolui como um mar de rosas. E, quando isso não acontece, vem a decepção e a solidão.

Existe uma seqüência de etapas no caminho do casal que necessita ser observada. Para que cada um de nós possa realmente conhecer o amor, é preciso a coragem de ser e de deixar o outro ser. É importante conhecer e estar atento para as várias fases de um relacionamento.

A primeira delas é a atração. Mesmo levando-se em conta todas as nossas tendências para buscar determinado companheiro ou companheira, ninguém até hoje conseguiu saber como se processa uma atração. É uma somatária de elementos. A biologia, a química, a psicologia, a filosofia, a sociologia, e outras tantas abordagens, poderiam ter muito a dizer sobre o tema. Mas existe uma coisa que ninguém explica.., o jeito de ser que fascina e que difere de pessoa para pessoa. Cada um de nós é atraído por alguém, que nos dá a impressão de ser a resposta que procuramos. Quando nos sentimos atraídos, muitas vezes nem conhecemos a pessoa, para saber se é a resposta que buscamos. As pessoas se atraem mutuamente, independente de idade ou sexo. Pode-se achar alguém inteligente, bonito, simpático, divertido, sensual, alegre, ambicioso etc... e há, em algumas pessoas, uma mistura de atributos que as tomam irresistíveis a nós.

Logo depois da atração surge a fase romântica do casal. É o momento de sonhos, de fantasias, de idealizações, de imagens de príncipes e princesas encantados; é um compartir de ilusões. Parece que tudo vai ser lindo e durar para sempre. É uma fase lindíssima e muito importante numa relação, pois a embeleza e envolve o seu lastro com memórias bonitas.

Mas necessariamente essa fase não garante que vai haver uma relação saudavelmente estruturada. Pode ser que exista amor, ou não. Só o conhecimento mais profundo, um do outro, é que vai mostrar o quanto um deseja que o outro cresça, o quanto um permite que o outro se liberte, continuando, ao mesmo tempo, juntos, lado a lado, ajudando-se e se questionando mutuamente, nos momentos que for necessário.

Após a fase de romance, as pessoas se depararão com as limitações do jeito de amar do outro, quando as dificuldades aparecerem. Haverá

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constatação de hábitos diferentes. Geralmente acontecem as decepções e existem duas maneiras negativas de procurar evitá-las: a separação, para procurar alguém melhor, ou a acomodação para não enfrentar os confrontos.

Nesta etapa geralmente começa a fase de ambivalência que acompanha a maioria das pessoas que não sabem se entregar inteiramente à relação. Surge um desejo de ficar e melhorar a relação, junto Com a vontade de ir embora.

Mais uma vez, o resultado é proveniente da capacidade de amar inerente a cada um. Aprender a dizer duas palavras, no momento certo: sim e não. Saber que, às vezes, com um pouco de boa vontade, ode-5e facilitaras coisas para se chegar a um final previsto; outras vezes

colocar um limite, impedindo um desfecho não desejado. Saber dizer sim, como um rio que sempre quer ir adiante, e saber dizer não, como um pai cuidadoso, quando vê que avançar é inadequado.

Se o casal não se acomoda e atravessa a fase de rotina, cae na fase da luta de poder, quando um tem a necessidade de controlar o outro, na tentativa de manter os sonhos. É comum, nesta fase, que cada um pretenda que o outro pense como ele.

Na luta de poder há sempre a disputa para ver quem tem a palavra final. Não há concessões nem acordos, e a cada dia a comunicação fica mais difícil entre os dois.

A fase seguinte é a da desilusão e do afastamento. Não estamos querendo fazer uma afirmativa matemática de que, tendo chegado neste ponto, as pessoas necessariamente se separam. Estamos apenas seguindo os passos da maioria dos casais que apresentam problemas de relacionamento. No entanto, a desilusão é comum a todas as pessoas e, consequentemente, a todos os casais, em níveis diferentes. A desilusão é quase sempre uma consequência de uma expectativa ia, deum desejo não-atendido. É nessa fase que surgem as dúvidas: “Será que vai dar certo?”. Sucedem-se as alternativas de ser fiel ou manter relações extraconjugais, de crescer com o par ou buscar alguém que corresponda aos seus sonhos e começar tudo outra vez. É nessa fase que muitas pessoas desistem do amor, porém mantêm a relação.

Muitos casais ficam alternando sua relação entre as fases de arnbivalência, lutas de poder, desilusão e afastamento. Às vezes, tem-se a ilusão de que se evoluiu, mas o resultado final mostra que somente se trocou de fase de sofrimento.

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É importante estar atento para não correr o risco do engano pensar que há estabilidade na relação, quando, no entanto, uma das partes já se afastou. Para evitar isso, faz-se necessário um contato mais aberto, profundo, freqüente, confiante e sincero.

Se o casal resolver avançar na sua relação, vem a fase da transformação, que ocorre quando se aceita a responsabilidade e se tem consciência de ser responsável pela própria satisfação. O casal se dá conta do que existe de bom entre eles, aprecia a sinergia que pass. a uni-los, faz mais coisas juntos que separados, aceita diferenças e inconstâncias, desenvolve o sistema de resolução cooperativa de problemas. É um estilo “posso acariciar sua cabeça, enquanto você toca meus pés”. De fato, cada um evolui muito, cresce, toma novas dimensões. Nesta fase, o casal se constrói a cada dia, e este fazer-se de cada dia é que transforma.

Neste ponto surgem sonhos novos, mais amplos e mais reais.

Após a transformação, o próximo passo é o da estabilidade e do compromisso, quando a relação se torna madura e os parceiros ganham a certeza de querer estar um com o outro, sem medo das palavras “eterna” e “para sempre”. Nesta fase, a experiência do amor significa liberdade no mais elevado sentido. Amar passa a ser agir livremente, sem compulsão nem coerção. Ser livre significa fazer o que agrada. Então, nesse período, o amor e a liberdade verdadeira passam a ser sinônimos, sendo o amor a mais elevada forma de liberdade. Compulsão e coerção são a própria negação do amor. Quanto maior o amor, maior a liberdade. Quem ama é livre, quem odeia é escravo do ódio.

O casal que soube amar e se comprometer profundamente entrará então na fase da expansão, quando faz novos amigos, cultiva hobbes, coloca metas a níveis sociais e desenvolve valores espirituais conjuntos.

PAIXÃO E AMOR

É comum confundir-se paixão com amor. Mas são dois sentimentos diferentes. Um é tempestade, o outro é brisa; cada um tem sua beleza, sua força e sua intensidade.

Já houve quem dissesse que a paixão é um estado saudável de imbecilidade; um estado maravilhoso de estupidez e loucura transitória, Faz- nos desfrutar intensamente a relação, quando as máscaras e controles são abandonados, e se estabelece a entrega máxima, ainda que por poucos momentos.

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É especialmente lindo quando à paixão segue-se um estado de paixão pela vida. Estar apaixonado pelos amigos, pelos pássaros, pelas flores, pelas nuvens, pela família, pelo trabalho, pelo sol, por tudo o que existe.

Geralmente quando a uma paixão amorosa se segue um período depressivo é prenúncio de encrencas — desencadeiam-se desilusões, o que aumenta o estado depressivo anterior. Ver alguém como porta de saída para um estado de infelicidade é apenas aumentar a possibilidade de sofrimentos, porque ninguém salva ninguém.

É muito importante ter uma atitude de gratidão perante a vida. Agradecer às pessoas que nos cuidam, ao porteiro do prédio, ao garçom, pois somente quando se aprende a viver em estado de gratidão é possível apaixonar-se pela vida.

Uma das diferenças entre paixão e amor é o fator tempo. O tempo na paixão é limitado e no amor é infinito. Por alguns instantes, o simples contato da mão da pessoa apaixonada faz com que as cores fiquem mais vivas, os sons mais sonoros, a pele trema, apareça a sensação de um buraco no estômago, a respiração suba e desça, as batidas cardíacas se apressem e o mundo pareça totalmente colorido e diferente. Quando as pessoas se afastam desse momento, é como se a luz fosse desligada, como se faltasse a energia.

Quando as pessoas se unem somente pela paixão, é pouco comum dar certo, porque elas não se conhecem verdadeira e integralmente. É preciso ter também os pés no chão, porque elas vivem num mundo real, onde os assuntos como dinheiro, casa, carro, comida etc. devem ser tratados em estado de amor.

A existência atinge o climax da beleza quando se consegue estar apaixonado por quem se ama. A paixão é cíclica. Há dias em que se está mais apaixonado, dias em que se está menos apaixonado e dias em que a paixão se ausenta. Porém, continua-se amando sempre.

A paixão cria o eterno. Músicas que se tornam imortais pelo significado que retêm, lugares que se tornam inesquecíveis, perfumes que nos fazem lembrar de determinada pessoa. Tudo isso porque se esteve apaixonado por alguém.

Só se pode falar em amor verdadeiro quando, ao invés de eu e você, fala-se nós. E só se pode falar de amor permanente ao se descobrir que amor duradouro é aquele que se renova sempre.

Muitas pessoas estão sempre perguntando como é possível evoluir

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da paixão para o amor. Simplesmente não é possível. São dois sentimentos diferentes e paralelos, que seguem vetores de energia diferentes. Por isso é que se pode amar uma pessoa estando-se apaixonado por outra. Quando um casal se entrega profundamente um ao outro, com admiração, respeito e confiança, ousando amar com romance e criatividade, eles não apenas se enamoram, mas também se apaixonam. Não se pode transformar paixão em amor, mas, sim, estar amando e estar apaixonado pela mesma pessoa. E quando isso acontece simultaneamente. É maravilhoso.

SOMAR AMOR E SEXO

A maioria das pessoas ama ou... Poucas pessoas amam e...

Amar ou... significa ou amar, ou ter uma boa relação sexual. Amar e.. .é quando se consegue, com a mesma pessoa, amar e desfrutar de um bonito relacionamento sexual.

Um rei quis presentear um sábio, como gratidão por tudo o que ele havia feito pela família real. Deu-lhe, então, uma tesoura de ouro. Quando o sábio recebeu o presente, confessou:

— Fico muito grato com seu presente, mas preferiria uma agulha que costurasse e mantivesse juntos os tecidos. Toda a minha vida eu fiz como a tesoura, dividindo e separando. Agora eu quero viver para unir as partes.

Quando alguém vive pensando em “ou isso, ou aquilo” — como algumas mulheres que temem perder o homem amado, se tiverem sucesso profissional — está com uma imensa tesoura na mão, cortando e separando. É muito melhor ter a postura da linha e da agulha, unindo, acrescentando, somando pontos. E criar a união, saber ampliar os horizontes e as possibilidades, viver com abundância é ter uma postura de pessoas que sabem ser ricas. Porém aprender a deixar de ser miserável e se tornar rico não significa apenas ter muitas coisas, mas viver feliz tendo muito. E isso é possível. Ter muito amor, muito sucesso, muito dinheiro e muita alegria de viver.

O ser humano tem longos períodos de sexualidade comum, tanto quantitativa quanto qualitativamente, e breves momentos de sexualidade extraordinária. A sexualidade não é um ato contínuo, como comer e beber. Ela sempre existe como as outras necessidades, mas assume uma forma totalmente diferente e excepcional em certos períodos do amor.

Nesses momentos, toda a vida física, emocional e sensorial se

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expande e se intensifica. Sentem-se cheiros que não se sentiam antes, percebem-se as cores e as luzes pela primeira vez. A vida intelectual se amplia. Um gesto, um olhar, um movimento qualquer da pessoa amada toca profundamente a outra. O desejo de dar e ter prazer atinge tudo. A relação sexual se converte, então, num desejo de estar no corpo do outro, num viver e ser vivido pelo outro, numa fusão de corpos que se prolonga com ternura, ingenuidade e criação. Esse é o momento da etemização do presente.

Geralmente as pessoas vivem a sua sexualidade às escondidas. Ainda hoje, na maioria dos lugares, sente-se um grande constrangimento quando um casal troca um abraço sensual. Isso ocorre porque nos condicionamos a pensar que o sexo é suio, é pecado e pode levar o ser humano â desgraça. Então, desde cedo, ensina-se a criança a controlar seus impulsos sexuais, alegando que isso pode ser fatal para a sua felicidade.

As mensagens de repressão que ouvimos na vida freqüentemente vêm à tona. Talvez não tenhamos consciência direta delas, mas os sintomas indiretos, como medo, vazios no estômago e disfunções sexuais, nos dizem que imagens castradoras estão se repetindo em nossa mente.

Quando um homem, ou uma mulher, tem gravada essa proibição, toda vez que acontece um estimulo sexual desencadeiam-se, em vez de respostas sexuais, estímulos de angústia que provocam respostas de ansiedade.

Às vezes, a resposta de ansiedade impede, no homem, a ereção, ou provoca a ejaculação precoce ou a ereção sem orgasmo. Quando isso acontece, o homem vai buscar uma forma de evitar essa situação de angústia, a qualquer custo. Começa, então, a chegar tarde em casa, brigar com a mulher, ler jornal ou ver televisão, a fim de deitar-se depois que ela dorme. Em nível menor, a mulher também adota essas posturas. Só que, para ela, o fato é menos ameaçador, porque ela pode fingir que estão tendo um orgasmo, enquanto o homem não. Mas, para ambos, o sexo passa a significar angústia e ansiedade, ao invés de dar prazer.

O casal decide, assim, seu ponto de equilíbrio na vida sexual, que foi determinado por ordens gravadas desde a infância, do tipo não se aproxime, não se deixe tocar, o sexo é sujo, os homens (mulheres) não valem a pena etc...

Quando alguém decide mudar seu ponto de equilíbrio e se aproximar mais do prato, o processo é sempre gradual. Muda-se o ponto

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de não-satisfação sexual pela permissão de tocar a pele, acariciar, beijar e abraçar. Então o medo não é mais das carícias, mas do coito. O ponto de equilíbrio é a não-penetração. O tempo que era investido para reprimir o impulso sexual, nesse momento, pode ser utilizado positivamente em alguma coisa criativa até se conseguir o orgasmo. Pode-se usar todos os cinco sentidos para se conhecer e desfrutar do corpo do outro, sem a preocupação de atingir o orgasmo.

Há quem coloque, no seu ponto de equilíbrio sexual, a condição de não se entregar na relação, de não se comprometer. E a forma de manter-se nele éter relações sexuais com pessoas a quem não amam. Isso porque, segundo sua fantasia, amar e entregar-se sexualmente é ficar prisioneiro, tolhido em sua liberdade e com seu espaço comprometido.

A não—entrega, numa relação sexual, tem a ver com o medo da intimidade, Há pessoas que, quando terminam uma relação sexual, não suportam continuar pele apele, em contato com o outro. Não conseguem dormir nem acordar juntos. Isso acontece quando se relaciona sexo com sujeira. Para essas pessoas, atividades como caminhar descalço no barro, andar debaixo de chuva e lambuzar o corpo com clara de ovo— atividades de exploração do próprio corpo — ajudam a resolver essa dificuldade.

Por tudo isso, dificilmente alguém consegue atingir uma sensação plena e cósmica de possuir e ser possuído ao mesmo tempo, no ato de amor. Quando o clímax é atingido numa relação de amor, a pessoa se sente transformada inteiramente. Para tanto, é fundamental que se tenha consciência da própria sexualidade, ou seja, que clã seja percebida com todos os sentidos.

É importante tocar para ter prazer. Usufruir não apenas a área genital, mas todas as partes. Ouvir os sons do outro, o vento lá fora, as ondas, focalizar a atenção no som da respiração, na conversa de travesseiro que pode estar acontecendo. Ficar atento para todos os barulhos da sexualidade, de seu ritmo. Cheirar, massagear, perfumar-se, sentir os vários cheiros do perfume, dos cremes, da pasta de dentes e de todas as coisas que o outro usa.

Sentir o cheiro do corpo e do suor. Descobrir com o par quais os odores que mais agradam os dois e os que mais desagradam.

Provar o gosto da boca, do ombro, do corpo, pois o gosto aumenta o desfrute sexual. Usar os olhos, procurando enxergar tudo o que há em quem está perto.

Quando os sentidos estão aguçados, o amor flui, a satisfação sexual

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é grande e fica fácil lutar para manter o relacionamento.

Só com os sentidos em ação é que se percebe estar integrado. E quando uma pessoa está inteira na relação, pode encontrar a forma mais fácil de ensinar a outra a amar, a desenvolver o seu potencial de sexualidade, a desabrochar seus valores e não apenas ser sexual nos órgãos genitais.

O orgasmo foi descrito como uma convulsão total do corpo, que é sentido como prazer e satisfação extrema e cuja função é descarregar toda a energia ou a excitação excessiva. Tal descarga deixa o ser humano em estado de completo relaxamento e paz. E a capacidade para tal relaxamento foi chamada de potência orgástica, com a conotação equivalente a saúde emocional.

Quando todo o corpo está envolvido completamente no abandono orgasmico, tem-se a impressão de se fazer parte de um processo cósmico. O orgasmo tende a ser mais grandioso quando os amantes se conhecem mais profundamente.

A plenitude da resposta sexual é escassa entre nós porque a sexualidade está, geralmente, limitada aos órgãos genitais. As pessoas não se deixam conhecer profundamente e, o desconhecimento, não se entregam. No momento da entrega, os dois amantes são um só, desaparecendo os limites entre eles. Quando isso não ocorre, é porque a energia que poderia ser orgástica está voltada para a não-perda do controle.

No orgasmo pleno, sente-se que há uma fusão do ser com o cosmos e que formamos parte da pulsação do universo.

Nós nascemos com milhões de terminais nervosos na pele, que nos possibilitam assimilar todas as carícias positivas, como vias de prazer, ou as agressões, como vias de sensibilidade de dor. Essas vias nervosas deveriam estar sempre livres, permeáveis do mesmo jeito que as vias respiratórias que, se forem obstruídas, levarão o ser humano à morte, por falta de oxigênio. Da mesma forma, o aparecimento da incapacidade de sentir prazer, através dos terminais, impede que se desfrute a sensualidade e a sexualidade.

Há uma íntima relação entre insatisfação sexual e criatividade. As pessoas que nada criam vivem com bloqueio da curiosidade, recebem pouca informação e sua capacidade de desfrutar está inativa. Conseqüentemente, podem apresentar disfunções sexuais. As pessoas que criam e não compartilham a sua criatividade implodem em sensações, mas não compartilham sentimentos. Na área da sexualidade, são pessoas que

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obtêm mais prazer em masturbação do que numa relação a dois. Há os que criam desordenadamente, sem nenhum tipo de limite ou proteção, e têm poucas possibilidades de realização do que criaram. Tais pessoas, sexual- mente, tendem à promiscuidade. Finalmente, há os que criam e compartilham criativamente, dentro de padrões éticos e com seu sistema integrado de pensamentos, condutas e emoções. São os que mais conseguem prazer sexual

Se a criatividade é uma busca e está baseada na curiosidade, uma grande ajuda para o descobrimento recíproco do casal é os dois se transformarem em pesquisadores, buscando descobrir juntos o que mais os excita, o que faz com que cada um perca a excitação, o que cada um quer da relação, como cada qual gosta da relação, se existe algum problema físico, o que magoa, machuca ou desqualifica cada um; descobrir se estão ouvindo antigas gravações mentais e quais palavras, gestos ou atos podem ser usados para agradar o outro.

As pessoas que crescem afetivamente são as que procuram as circunstâncias que precisam e, se não as encontram, criam-nas. Mas as criam dentro de possíveis realizações e não de modo fantasioso, como aquela mulher que entrou numa loja e pediu: “Quero comprar uma camisola preta, bem sensual e provocante»; ao que o vendedor respondeu: “Podemos apenas vender a camisola, o resto é com você”.

A sexualidade é algo a ser aprendido. Conversar sobre ela com o parceiro é algo importante e básico para a vida sexual saudável e gratificante, pois diminui a pressão e as fantasias que assustam. Pode-se e se deve propor um programa a dois para o desenvolvimento da sexualidade do casal.

O sexo é um instinto que pode ser vivido somente pelo prazer, embora muitos o usem como forma de conhecer o outro. Sem dúvida, o sexo se toma muito especial quando vivido com romance. Quando duas pessoas que se amam não têm uma vida sexual satisfatória, é muito importante que não se acomodem com essa insatisfação, mas que comecem a criar, a se explorar mutuamente e a ousar suas fantasias sexuais.

Assim como transformou-se a necessidade do alimento no prazer da mesa, a satisfação da sede em festa, o vestuário em ornamento, a casa em lar, o rugido das feras em música, o cálculo dos negociantes em matemática, a satisfação afetiva e sexual também precisa ser transformada, deixando de consistir na posse da fêmea pelo macho, para ser o prazer do amor e do sexo.

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O animal devora, o bárbaro come e o homem saboreia. Do mesmo modo o animal cobre a fêmea, o bárbaro pratica o coito e o ser humano ama.

CRESCER NO AMOR

Muitas pessoas optam na vida por ficar sozinhas até que lhes apareça o “amor cinco estrelas» — seres especiais, capazes de lhes proporcionar todas as experiências sonhadas e as não-sonhadas. Ainda que isto possa acontecer, o que se observa é que quem vive o amor cinco estrelas são pessoas que souberam crescer no amor a dois, a partir do “amor uma estrela”, e, aos poucos, reformularam-se, criando e aprimorando a relação.

Para viver um grande amor, como tudo na vida, faz-se necessário programar como atingir os objetivos propostos. Pode-se nortear a sintonia com o amor através de um caminho, cujos passos levarão à intimidade e à entrega. Como conseqüência da intimidade e da entrega, brota a sensualidade — que consiste na consciência dos sentidos, com a exploração do corpo e o prazer do contato físico — que irá transformar-se em rio caudaloso, desembocando na sexualidade, geradora das ondas orgásticas, que formam o mar do prazer.

Na vivência de um grande amor muitas coisas serão alteradas, reorganizadas, refeitas. O amor mais intenso implica mais existência, mais beleza, mais responsabilidade, mais vida, O amor é uma revolução, e para alcançá-lo não podemos pretender nos esconder de nós mesmos. Necessitamos descobrir-nos e, na verdade, muitas vezes o outro pode ajudar- nos nesse intento, pois nos conhece melhor que nós próprios.

É muito importante termos consciência de que somos transparentes para o parceiro. Mesmo que digamos uma coisa, se nosso corpo ou nosso rosto demonstrar o oposto, o parceiro saberá ler nossa verdade. Cada um de nós se olha no espelho no máximo dez a vinte minutos por dia. Mas quem está perto de nós nos vê muito mais do que isso. É muito importante valorizar o que a pessoa amada fala, ainda que ela o faça de maneira incômoda ou inoportuna. E preciso verificar qual a verdade que existe em suas palavras, que às vezes são muito críticas.

Crescer no amor é saber revitalizar uma relação que, apesar de ter sido maravilhosa em determinado momento, pode chegar quase a cinzas quando as pessoas já não sabem mais se ainda se amam. E, a partir

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de uma atitude de respeito e admiração, decidir investir para criar uma nova relação, saber começar de novo, mesmo que já estejam casados há mais de cinquenta anos. Começar do flerte, dos olhares rápidos, marcando encontros em lugares românticos e deixando para trás o que já passou.

Crescer no amor é saber voltar atrás em uma decisão de separação, ao perceber que se está abandonando o grande amor de sua vida. Há momentos em que a sensação é a de que “acabou”, “não dá mais”, “quero ficar livre”, e um dos parceiros se decide pela separação. Tempos depois, o casal pode se reencontrar, e esse parceiro, ao sentir que a pessoa mudou e que ele a perdeu por tê-la abandonado num momento de confusão ou de aventura mais excitante, volta a sentir aquela sensação, outrora vivida, de querer estar perto dela. O rosto que lhe fora indiferente por tanto tempo torna-se especial outra vez, a voz, única, a ausência é sentida e a presença traz nova alegria. Tudo passa a comover outra vez, e quem abandonou se permite o humilde ato de pedir perdão; o abandonado, se ainda estiver amando, deixa o ressentimento de lado, e juntos reconstroem um caminho interrompido.

Crescer no amor também significa abandonar alguém quando definitivamente não existe possibilidade de se estar com essa pessoa numa relação saudável. Às vezes processam-se mudanças que tornam uma relação insustentável. Procurar reformar uma relação morta é o mesmo que tentar reviver ou ressuscitar um cadáver.

Conta uma lenda que havia, no fundo de um lamaçal, uma comunidade de larvas. Periodicamente uma delas era tomada pelo impulso de subir à tona e desaparecia. Todas ficavam muito intrigadas com o fato. Um dia, algumas larvas que eram muito amigas fizeram o pacto de que a primeira que subisse voltaria para contar o que havia lá em cima. Teria de retornar até onde estavam as outras para contar o que se passou fora do lamaçal. Chegou, então, a hora em que uma delas foi possuída pelo desejo de ir à tona e assim o fez. Enquanto ia se distanciando, ouvia as amigas gritarem: “Você tem de voltar, não se esqueça”. Mas ao chegar à superfície, a larva se transformou em crisálida e não pôde voltar, porque não poderia retornar ao estado de larva. A transformação da larva em crisálida tornou insustentável a promessa de retorno que ela fizera às amigas.

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ENTREGA

Entregar-se significa deixar de viver analisando, apegando-se a velhos preconceitos. E dar um salto no abismo; é acolher o novo com a mente aberta.



Muitas pessoas não ousam sequer deixar o lar de seus pais para estudar fora, com medo do novo, do imprevisível. Quando vão a uma festa, querem saber tudo o que vai acontecer. Quando estão com alguém, querem que as coisas aconteçam à sua maneira. Com isso restringem-se a uma vida muito repetitiva.

Um homem andava, numa noite escura, no meio de uma floresta e, de repente, caiu. A única coisa que conseguiu fazer foi segurar em um galho. Quando olhou para baixo, só viu escuridão. Começaram, então, seus pensamentos catastróficos: “Eu vou cair neste abismo e vou morrer. ..este galho não vai agüentar e vou machucar-me todo”. À medida que o tempo passava, o galho ia desprendendo-se, e cada vez mais ele se desesperava, com medo de cair e morrer. A claridade foi chegando com a manhã, e ele percebeu então que estava com os pés a quarenta centímetros do chão e que todo o seu medo e sofrimento foram infundados.

Assim fazem as pessoas que, por não conseguirem ver longe, ficam com medo de se arrebentar. E, na verdade, o salto a ser dado tem pouco mais de quarenta centímetros: a distância que separa o cérebro do coração.

Este é o grande salto a ser dado: parar de viver analisando-se e deixar de ouvir o “juiz” que existe na cabeça da maioria das pessoas. E passar a viver os acontecimentos, ao invés de ficar julgando a si mesmo, ao outro e a tudo o que está ocorrendo.

Muitas pessoas confundem entrega com submissão, o que é um erro, pois cada uma delas se origina em um ponto distinto da personalidade. Enquanto a entrega tem origem na autovalorização e é movida pelo amor, a submissão decorre de um sentimento de inferioridade e é mobilizada pelo medo.

Ser amado e amar significam “entrega em intimidade”, isto é, sintonia das emoções. Quando entregamos uma parte do nosso espaço e tempo à pessoa amada, não significa que perdemos a nossa individualidade.

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Na entrega, tornamo-nos transparentes para o outro, despidos de qualquer máscara, o que possibilita ao ser amado nos ver e sentir-nos exatamente como somos.

Na entrega, é como se um pudesse ver o que o Outro está pensando, porque estão sintonizados na mesma frequência de sentimentos.

A confiança é o suporte básico para a entrega e necessita ser mútua, isto é, não pode ser unilateral num grande amor. Todos temos guardados, dentro de nós, nossos segredos, nossos sentimentos, nossas dúvidas, inquietações e medos; a nossa genialidade, a nossa criatividade, a nossa beleza, a sensualidade e a sexualidade; todas as nossas verdades, vivências e experiências boas e ruins, que representam o nosso tesouro íntimo e que só nós conhecemos e fazemos questão de guardá-los no fundo do nosso ser.

Entregar-se ao outro é presenteá-lo com a chave desse cofre; é transformá-lo num explorador e co-guardião dessas riquezas. E, na entrega mútua, os tesouros se fundem e se transformam num grande amor — cada um é depositário e depositante da riqueza dos dois. Nessa fusão, o par de amantes transcende e se integra no universo.

Para muitos, isso pode parecer uma grande ameaça, porque a entrega implica pertença, comprometimento com o amor. Não se entregando profundamente a uma pessoa, fica entregando-se aos pedacinhos a várias, o que representa desgaste, tensão e uma dicotomia muito grande. É feita uma oferta de chaves falsas, que jamais abrirão cofre algum. Consequentemente, também são recebidas chaves falsas.

Muitas vezes nem nós mesmos conhecemos o nosso tesouro; esquecemos o seu segredo. Pode ser que só possamos ter acesso a ele através do amor e da entrega, porque a pessoa amada vai ajudar-nos a ter coragem de mergulhar nas profundezas, sem medo do que possamos encontrar, e até mesmo tornar-nos curiosos por descobrirmos mais.

Analisando o que temos feito na vida, vemos que, muitas vezes, preparamo-nos para o banho, chegamos perto do mar, pensamos que a água está fria e desistimos de nadar, voltando para casa frustrados. A partir dessa consciência, podemos aprender a mergulhar nas águas do amor, ainda que signifique um banho frio. O importante é a percepção de que as frustrações desnecessárias nos levam ao sentimento de incapacidade.

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A suprema liberdade

é poder deixar-se ser

possuído pelo

sentimento de amor.

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ALGUNS ASSUNTOS A RESPEITO DO CASAMENTO

O viver a dois tem de ser cuidado de forma sutil, pois guarda surpresas que, se não permanecermos atentos, poderá nos levar a uma situação de confusão, como se estivéssemos fazendo uma viagem de descobertas e fôssemos apanhados numa armadilha.

Exemplo disso é o fato de a maioria das pessoas acharem que o casamento sufoca, o que as leva a pensar desnecessariamente em separação. O que existe é a necessidade de organizar uma forma de se respeitarem dois impulsos naturais nos seres humanos: a vontade de estar com outra pessoa e a vontade de estar só, de não precisar pedir a opinião de ninguém nem ter de pensar no que o outro quer. É importante saber que dentro de cada um de nós existe um membro de uma colmeia e um lobo de estepe. Isso é natural; não há razão para você se culpar por sentir-se assim. Devemos, sim, procurar um meio de respeitar-nos assim como somos. Diz o ditado a respeito do casamento: “Quem está fora quer entrar e quem está dentro quer sair”. Para que o casamento não sufoque, é importante encontrar alternativas que saciem os dois desejos, para haver o respeito pelas três individualidades da relação:.o eu, o tu e o nós.

A seguir, vamos elaborar alguns pontos mais conflitantes do casamento.

CRISES CONJUGAIS

Uma crise conjugal não é obrigatoriamente a existência de um problema por resolver, O que caracteriza a existência de uma crise conjugal é o afastamento entre os parceiros, quando os problemas surgem, sejam quais forem eles.

Identificar a causa que provoca o afastamento é o ponto de partida para a solução da crise, assim como é a consciência de que a crise é de responsabilidade dos dois.

É conhecida a afirmação de que toda crise, ao mesmo tempo que

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apresenta o problema, cria a oportunidade de crescimento. Todos podemos sair de uma crise machucados ou mais amadurecidos; depende da nossa vontade de ir fundo no problema a resolver.

As crises podem ser geradas pelos mais diversos motivos, reais ou aparentes. Por exemplo, se um casal entra em crise financeira e só um dos dois é gerador de dinheiro para a manutenção da casa, a crise pode ter como causa a incapacidade do outro de ganhar dinheiro, ou o consumismo supérfluo. A crise, então, não é financeira, mas de má captação e má administração dos recursos do casal. Se um casal entra em crise porque um dos dois trabalha demasiado e o outro se sente só e abandonado, a responsabilidade dessa crise, como de todas as outras, é dos dois. Pode acontecer que o que fica trabalhando muito não tenha motivação para voltar para casa. O que se faz necessário é criar o ambiente e a atração para o casal sentir-se bem dentro de casa.

Se a crise é decorrente de insatisfação sexual, é importante que o casal mantenha diálogos francos sobre o assunto e busque soluções para resolver o problema.

Se a queixa da crise está relacionada com a interferência, de alguma forma, das famílias do casal, na verdade no são as famílias que estão provocando a crise, e sim a falta de autonomia individual de cada componente do casal.

A maioria das vezes, o casal se deixa entrar em crise para justificar uma separação; o que significa que não existe honestidade suficiente, por parte de cada um, para assumir as consequências de suas decisões.

Quando um casal que se ama entra em crise, o mais provável é que saiam dela crescidos. O importante é que, toda vez que forem percebidos sinais de crise, cada um se pergunte: “Eu amo esta mulher (eu amo este homem)?”, “Eu quero continuar vivendo com este homem (com esta mulher)?”. Se a resposta for sim, então as causas serão detectadas mais facilmente e tudo poderá ser resolvido. Se a resposta for não, a crise é o passaporte para a separação.

DIVERTIMENTO E BRINCADEIRAS

Você brinca e se diverte com seu parceiro?

É muito importante que o casal descubra as vantagens de desfrutar a vida a dois. Há duas formas de isso acontecer: o casal sozinho e o casal com amigos. As duas alternativas são importantes e precisam ser desenvolvidas.

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Há aqueles casais que têm tanto medo de perder o ser amado que preferem fazer programas a dois. É maravilhosa a diversão a dois, mas também é bom e ajuda a crescer abrir um espaço para que amigos comuns e novos possam trazer mais alegria e idéias para a relação. Outros casais funcionam de forma oposta: nunca se dão um tempo só para os dois, para estar juntos e criar um espaço para aprofundar seus planos e sentimentos.

Para viver um grande amor, é de fundamental importância que a alegria possa, em alguns momentos, ser resultado de algo realizado pelos dois. E preciso, então, que o homem e a mulher que estão juntos resgatem a sua capacidade de brincar e brinquem um com o outro, tal como duas crianças, O brincar juntos leva ao encontro da alegria e fortalece a relação do casal, tornando-a divertida, alegre e prazerosa.

ESPECIAUDADES DO CASAL

Você já percebeu que a maioria dos casais segue o modelo tradicional, em que a mulher é responsável pelos afazeres domésticos, pelos filhos e pela administração do lar, enquanto o homem tem sob sua responsabilidade a manutenção financeira da família?

Esse é um comportamento cultural e arcaico que vem desde os primórdios: enquanto os homens caçavam, as mulheres ficavam na tribo, cuidando dos afazeres domésticos.

Quando um homem e uma mulher definem limites muito rígidos nas atividades pertinentes à vida cotidiana do casal, estão construindo, na relação, dois mundos diferentes, sem participação recíproca. Queremos deixar claro que não criticamos o fato de haver divisões de tarefas e que um assuma mais responsabilidades que o outro em determinadas situações, pois isso tem a ver com a especialidade do casal.

A sociedade ainda não se permitiu entender que cuidar dos afazeres domésticos não é função estritamente da mulher, assim como ganhar dinheiro não é unicamente responsabilidade do homem. Para viver um grande amor, é muito importante a participação dos dois e alguns cuidados especiais na vida íntima doméstica. Assim como os pássaros constroem juntos o espaço para seus filhos nascerem, homem e mulher necessitam cuidar juntos do seu ninho de amor.

Todo homem tem uma especialidade doméstica, mesmo que não reconheça. E todos podem fazer alguma coisa com prazer, dentro de sua casa, ainda que para isso tenham de aprender.

A última vez que recebeu amigos em sua casa, você ajudou a servi-

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los? Quantas vezes você foi à cozinha ajudar a sua mulher a preparar um prato, a lavar louça, ou até sugerir um menu especial?

Defendemos a co-participação, mas lembramos que ela só ajuda a viver um grande amor se o trabalho a dois for feito com alegria, com amor e sem disputa nem competição. São os dois juntos preparando a festa de cada dia.

É injusto quando o marido não valoriza o trabalho da mulher dentro de casa. Para se ter uma idéia de sua importância, basta que você cuide durante uma semana da casa e dos filhos. Você verá quão importante são as tarefas domésticas.

MANEJO DO DINHEIRO

Como é manejado o dinheiro na sua relação de casal?

Uma das causas de conflitos dos casais gira em torno de dinheiro. Muitos homens se queixam de que as mulheres gastam muito, e algumas mulheres reclamam que os homens dão pouco dinheiro para a manutenção da família. Há, em certos momentos, o desejo unilateral, ou de ambos, de adquirir algo que está acima das possibilidades do casal. Há divergências em relação ao investimento do dinheiro: um quer aplicá-lo para gerar mais recursos e o outro quer usá-lo em algo que dê prazer. O casal briga, também, quando um dos dois quer ajudar financeiramente algum familiar. Surgem divergências quando um quer apenas capitalizar de forma avarenta, comprometendo o conforto e a comodidade do casal, e o outro quer ter condições de melhorar a qualidade de vida.

É óbvio que sem dinheiro a sobrevivência é impossível. Todo casal que pretende viver um grande amor precisa ter um conhecimento real de sua disponibilidade financeira e traçar, juntos, seu plano de vida, de acordo com suas possibilidades. Se os dois percebem que com o que ganham não podem viver como desejam, torna-se necessário que ambos encontrem uma alternativa de gerar mais recursos, que venham a atender às suas necessidades.

Um conflito comum, em relação ao manejo do dinheiro, acontece quando a mulher está com raiva do marido e se vinga gastando muito em coisas supérfluas.

Dinheiro é um instrumento de melhoria da qualidade de vida e conseqüentemente das condições de viver um grande amor. Precisa, portanto, ser levado em consideração.

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O AMBIENTE

Como é o seu ambiente?

Você já pensou, alguma vez, qual seria o ambiente ideal para viver com a pessoa amada?

Uma vez ouvimos alguém dizer que uma casa ideal deveria ter a simplicidade de um casebre, a nobreza de uma catedral, a funcionalidade de um motel e o aconchego de um colo querido.

Essa descrição transmite quão importante é estruturar, não apenas o espaço físico onde se vive, mas também o clima necessário para que se queira voltar para casa, pelo simples prazer de estar junto à pessoa amada, no ambiente que os dois construíram.

Não importa o valor material dos objetos que compõem° ambiente. Há lugares luxuosíssimos, mas frios, e espaços modestos onde o calor humano e a forma como estão distribuídas as coisas nos convidam a permanecer ali por mais tempo.

“Quem casa quer casa.” É muito importante para o casal ter o próprio espaço. Um lugar que dê a impressão de que sua relação é definitiva. Muita gente vive permanentemente em lugares provisórios, de maneira provisória. E esse contexto situacional influencia o espírito do casal, podendo levá-lo a pensar em separação diante de qualquer crise.

A arrumação do espaço de um casal precisa ser conduzida pelos dois. Cada objeto necessita estar impregnado do desejo de fazer este canto o mais bonito possível. O ideal é que ambos usufruam e se sintam bem em toda a casa, mesmo que cada qual tenha seu espaço individual, sua escrivaninha ou uma cadeira, onde possa recolher-se em sua intimidade, quando assim o necessita.

O ambiente reflete o que se passa entre o par. Um casal que vive um grande amor, a maioria das vezes, cuida de embelezar seu espaço com flores, plantas, fotos dos dois, dos filhos e dos amigos. Há sempre um fundo musical quando os dois estão juntos. Dificilmente acontecerá aquele caso tão tradicional em que um lê um livro e o outro assiste à TV.

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OS FILHOS E A RELAÇÃO DE CASAL

Como é a sua relação com seus filhos?

Quando se vive um grande amor, há a necessidade de se explorar esse amor e de os amantes se reproduzirem em um novo ser.

Os filhos são uma fonte de aprendizagem permanente para os pais.

O comportamento, a reação, os sentimentos e as respostas dos filhos são reflexos da ação dos pais. Os filhos são um convite a que os pais revivam a criança que existe dentro deles e, ao mesmo tempo, desenvolvam a capacidade de proteção e permissão, voltadas para uma vida saudável e feliz.

Nossos filhos fazem parte do nosso tesouro, representando as pedras mais preciosas. Ajudá-los a se transformarem em jóias raras significa ensinar-lhes a melhor escala de valores, o respeito ao próximo e a consciência ética.

A maior herança que os pais podem dar a seus filhos é o modelo de seres humanos felizes e de um lar de amor, onde eles possam aprender a desvendar os mistérios da vida.

Para que nossos filhos aprendam a viver um grande amor, precisamos brincar com eles, dizer não, quando necessário, colocá-los no colo, falar-lhes muitas vezes, verbal e corporalmente, que os amamos e o quanto eles são especiais para nós. É básico dialogar, perguntar-lhes o que necessitam, entender as suas dores e ser solidário, permitindo que chorem em nosso ombro. É preciso saber aplaudir o seu sucesso, ensinar-lhes a respeitar o limite dos outros e colocar-lhes limites, quando se fizerem necessários.

Quando os filhos são bem cuidados, com amor, por pais que vivem um grande amor, inevitavelmente eles, um dia, também o viverão.

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MOMENTOS DE INDIVIDUALIDADE

Todos os seres humanos necessitam de momentos somente para si: precisam ter seus passatempos, seus amigos.

Infelizmente a maioria dos casais não aprendeu a fazer isso de uma maneira construtiva. Então provocam brigas para conseguir algumas horas ou dias para si, sem terem uma programação a dois.

O respeito à individualidade é uma virtude que os casais podem desenvolver. Basta fazer-se consciente de que o fato de estar com alguém e de amá-lo não significa que os desejos pessoais foram eliminados.

Não estamos fazendo nenhuma apologia daquelas pessoas que querem tudo para si e fazem tudo sozinhas, porque elas vivem dizendo, inclusive, que o casamento é coisa secundária. Todos necessitamos de momentos só para nós, contanto que não constituam a maior parte de nosso tempo.

O PASSADO NO PRESENTE

Você costuma trazer o passado para o presente?

O passado é passado. Aconteceram fatos em nossa vida que foram prazerosos ou desprazíveis, mas que já passaram. Acabou. O passado não existe mais, assim como o futuro ainda não chegou. O futuro será uma conseqüência de como você vive hoje.

Se você está remoendo, permanentemente, problemas do passado no momento atual, está deixando de viver o único tempo real, que é o presente. E, ao mesmo tempo, está programando seu futuro, para que ele aconteça como repetição do passado de que você se queixa tanto.

O passado nos é útil pelas experiências vividas, para que não repitamos hoje os mesmos erros de ontem.

Desenvolver a capacidade de perdoar é muito importante para pessoas que vivem se remoendo com situações em que foram magoadas e feridas, achando ser impossível perdoar o outro. Não adianta ficar massacrando-o, porque o que foi feito já está feito. Talvez uma decisão importante seja a de separar-se, para não se deixar intoxicar pelo veneno do ressentimento.

O importante é usar o passado como fonte de experiências, programar o futuro e viver o presente consciente de que o momento de ser feliz é agora.

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OS AMIGOS DO CASAL

Com quantos amigos você conta?

Você pensa que um homem completa uma mulher e vice-versa? Você acha que todas as coisas de que necessita, em termos de companhia, seu par lhe proporciona?

Nenhum ser humano satisfaz às necessidades do outro totalmente. Por mais que um casal se ame e confie um no outro, sempre vai haver aquele momento em que há o desejo de estar com outra pessoa amiga, para compartilhar algum divertimento que o par não queira ou não goste, para discutir algum problema que a pessoa amada não entenda ou, muitas vezes, para buscar a ajuda acerca de algum problema do próprio casal. Enfim, para atender à própria necessidade grupal do ser humano.

Quando um casal vive em harmonia, um parceiro considera o outro a pessoa mais especial e importante de sua vida. Mas sem que ele seja, necessariamente, a única pessoa da sua vida, porque também outras pessoas são importantes e especiais, em níveis diferentes.

Para o enriquecimento de quem pretende viver um grande amor, é indispensável que existam os amigos do casal e os amigos individuais de cada um, sem que estes últimos sejam encarados como uma ameaça à estabilidade da relação.

Às VEZES, DIÁLOGOS NÃO RESOLVEM

Existe um grande número de pessoas que estão sempre querendo falar, de forma compulsiva, sobre tudo o que acontece. Querem parar para conversar a cada passo, com a intenção de descobrir o que está indo mal e até de desvendar “motivos ocultos”. E óbvio, como já falamos antes, que o diálogo é a grande chave do entendimento. Mas existem momentos em que é ineficaz.

O diálogo é ineficaz quando é feito sob pressão, para conversar sobre qualquer coisinha. Leva a uma espécie de ditadura.

Se um dos dois necessita estar em silêncio, precisa ser respeitado. Às vezes, esse silêncio leva a uma reflexão para um entendimento maior do casal.

É importante deixar a existência fluir, senão cada pequeno desajuste pode terminar em refrões do tipo “. . . isto acontece porque seu pai era muito distante de você”, “...sua mãe sempre o trata assim”, “parece-me um complexo de Édipo não-resolvido”, “você queimou a comida para se aborrecer” etc...

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Diálogos resultantes de agressividade embutida nada resolvem, ao contrário, criam uma situação em que a tensão é ainda maior.

Quando os casais querem transformar cada diálogo em terapia caseira, lutas de titãs se travam, trabalhando para aumentar os ressentimentos.

Uma saída eficiente é trocar este tipo de diálogo por diversões a dois, como ir a um cinema ou brincar com as crianças. Às vezes, convém não se ter a pretensão de resolver tudo de uma vez. E melhor desfrutar o que há de bom na relação, curtir o outro naquilo em que estiver disponível e estar consciente de que nunca haverá total ajuste entre o casal. O que permite uma superação contínua e um crescimento constante!

TERAPIA DE CASAL

Quando não conseguimos, por nós próprios, encontrar o ponto onde estamos bloqueados para amar, então é bom fazer terapia.

A indicação básica para a terapia de casal é melhorar a comunicação entre os dois.

Muitas relações chegam a tal ponto de deterioração que, ao se colocar um ponto de vista, este será inevitavelmente tido como crítica distorcida, fazendo-se generalizações, ampliando-se os problemas. Forma-se um verdadeiro campo de batalha.

É básico então ter a humildade de convidar uma pessoa neutra, com treinamento adequado, para ajudar a restaurar a comunicação, seja para reorganizar a relação ou até para encaminhar uma separação. É muito sadio que duas pessoas, importantes uma para a outra, consigam trocar bem suas idéias e sentimentos, principalmente quando existem filhos. É importante usar a terapia como um meio de o casal enfrentar seus problemas e decidir suas vidas, sem pretender, contudo, uma solução mágica vinda do analista. Psicoterapia pode ser um ótimo recurso, desde que se admita que a responsabilidade pelas decisões e condutas pertence a cada um, e que o terapeuta é alguém que tem como papel ajudar nas reflexões.

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FAZER ALGO DIFERENTE

Muitas pessoas pensam que algo pode mudar sem que nada de diferente seja feito, o que acaba levando-as a ficar ‘malhando em ferro frio”. As possibilidades de mudanças são infinitas, mas desde que seja feito algo para que isso ocorra.

Geralmente os pontos de bloqueio estão relacionados com pensamentos, sentimentos e condutas. Diante de uma atitude reprovável do companheiro, o outro pode pensar: ‘Ele está fazendo isso só para me irritar”. Provavelmente sente-se rejeitado cada vez que o outro fica emburrado. Reage, então, criticando-o.

Uma boa conversa pode ajudar a esclarecer que ele está com um problema e não o expõe para não aumentar as preocupações do outro, e ficará constatado que ele está querendo preservar a relação.

Para que haja mudança, supõe-se que cada um altere algum comportamento. Esperar mudança sem fazer nada é a pior maneira de sofrer inutilmente.

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Algumas sugestões para você deixar a pessoa que você ama feliz:

Ficar bem juntinho dela.

Fazer-lhe carinho.

Passar a mão nos ombros e na cabeça dela.

Segurar sua mão.

Tocar suavemente seu corpo todo.

Olhar em seus olhos.

Sorrir-lhe.

Falar-lhe o quanto você a ama.

Falar-lhe das coisas que acha bonitas.

Elogiá-la.

Beijá-la.

Abraçá-la.

Dançar com ela.

Ficar bonito para ela.

Presenteá-la com flores.

Escrever-lhe bilhetes, em horas inesperadas.

Dormir enroscado nela.

Fazer-lhe comidas gostosas.

Escutá-la.

Ter relações sexuais com muita ternura e carinho.

Falar-lhe de você.

Telefonar-lhe, a qualquer hora, para uma mensagem carinhosa.

Escrever-lhe cartas de amor.

Fazer-lhe surpresas.

Divertirem-se juntos e com amigos.

Fazer programas diferentes.

Falar-lhe da saudade que bate, quando estão longe um do outro.

Compartilhar os problemas.

Ajudar-se mutuamente.

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Respeitar os limites um do outro.

Mostrar os pontos inseguros e frágeis.

Conversar com ela.

Ouvir música juntos.

Pegá-la no colo.

Estimular o crescimento profissional.

Rir juntos.

Brincar juntos.

Ser cúmplice e amigo.

Entregar-se mutuamente.

Ser confidente.

Viajar juntos.

Valoriza-se mutuamente.

Planejar o futuro juntos.

Respeitar a individualidade dela.

Confiar mutuamente.

Discutir as novas descobertas.

Ser romântico.

Respeitar o silêncio dela.

Massagear o corpo dela.

Ter paciência com ela.

Pedir desculpas, quando algum engano é cometido.

Pedir o que quer, diretamente.

Demonstrar ternura.

Ficar conversando na cama, quando acordam.

Assistir, com ela, ao pôr-do-sol e olhar a lua cheia.

Falar baixo e manso.

Cuidar, junto com ela, da sua casa e dos seus filhos.

Realizar, com ela, um objetivo.

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FALAR DE AMOR

“O coração é bastante grande para conter muito amor. Quanto mais você o dá, mais você o tem.”

Victor Hugo

Talvez um dos treinamentos mais importantes para que as pessoas se capacitem para amar seja, exatamente, falar de amor.

Não é comum as pessoas falarem de amor.

Estamos nos referindo a falar de amor e não falar sobre o amor.

Sobre o amor, ultimamente tem-se escrito muito. Há belíssimas obras literárias sobre o tema, que enriquecem e ajudam a colocar-nos em sintoma com o amor.

Mas falar de amor é outra coisa. É transmitir, em palavras ou gestos, o sentimento que está dentro de cada um de nós; é expressar, sem restrição ou vergonha, o que de mais belo vai na alma, no coração. E, o mais importante, é deixar que a pessoa a quem esse sentimento é dirigido fique sabendo que ela o despertou.

Falar de amor é deixar aparecer o poeta que existe dentro de cada um de nós e cantar a alegria da presença, a saudade da ausência, a vontade de estar perto, de abraçar, o desejo de adormecer juntos. Falar de amor é expressar todos esses impulsos que reprimimos a vida inteira, porque saíram de moda e são antiquados. Não estamos propondo obras literárias, nem sugerindo que a forma de expressão seja prosa, poesia ou música. O que estamos dizendo é que cada um deve expressar da sua forma, com suas palavras, do seu jeito, seja ele qual for, o sentimento de amor que está trancado dentro do seu ser e permitir que algumas pessoas passem a conhecer essa beleza.

Queremos motivá-lo a retomar o seu discurso amoroso, dirigindo-

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se à pessoa amada, e incentivá-lo a dizer a ela o que há muito você quer dizer e não diz.

Recolhemos algumas cartas e cartões de amor, que falam de belos momentos ou de tristezas por perdas de pessoas amadas. Essas cartas são reais. Foram escritas, endereçadas e recebidas por pessoas que amaram e foram amadas.

Queremos dizer-lhe que, após a transcrição da última carta, haverá um espaço, para que você escreva a sua carta de amor. Remeta-a a alguém muito especial...

Meu querido e doce...

Esta é uma hora de saudade imensa. As luzes, cores, pacotes de presentes, a alegria reinante e tudo tão lindo que envolve este estado de natal, de festas, não encontra eco em um pedacinho meu que chora de saudades de você...

.uma vez que você não veio, encontramo-nos em uma estrela muito brilhante, lembra-se? Eu vou estar lá novamente, no mesmo dia, por volta da meia-noite. Sei que você não vai aparecer, mas eu vou. Quero senti-lo presente mesmo na ausência, quero ouvir você mesmo no silêncio, quero por alguns minutos sonhar que o estou beijando e que lhe estou dizendo: “Feliz Ano-novo”...

vou vestida de branco, nos braços da esperança de um dia poder chegar perto de você outra vez. Vai ser um encontro sem posse, sem promessa, sem cobrança ou proposta de amanhã...

pensei em despedir-me de você, mas decidi que não, prefiro guardá-lo no meu coração...

não quero falar-lhe na sua cabeça, mas sim no seu coração bonito...

Eu o amo muito e sinto saudades. Sua trovadora,

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Querido Amor,

Dizem que o verde é a cor da esperança, e eu acredito. Por isso escrevo-lhe em verde e branco. Também acredito em muitas coisas que me dão forças para ir em frente. Acredito que, se cremos na esperança, ela acontece. E sabe qual é a minha esperança? É que o sol e a lua nos vejam passar sempre juntos; que em seu contínuo caminhar por nossas cabeças olhem para cá e comtemplem a nossa união.

Eu sei que o futuro nos encontrará de mãos dadas, olhando juntos para o sol no horizonte e em comunhão de espíritos. Talvez seja este o ponto que mais me acaricia o coração, quando medito sobre nós dois e vejo como nossos espíritos estão juntos, unidos, comungados, a despeito de tanto que eu complico o que não é complicado e nem precisa ser.

Até breve, querida. Do eternamente seu,

Minha querida

.Desejo falar com você, compartilhar minhas descobertas, lembranças e saudades. O telefone não é suficiente, preciso de um contato maior e então descubro que escrever é muito válido. Apenas não me saem as palavras do jeito que sinto, porque o que sinto é muito intenso para ser dito em prosa. Preciso da arte da poesia ou talvez do canto, já que cantar é falar duas vezes. Mas as artes são alheias a minha vida; nunca fomos boas companheiras e sinto falta dessas ferramentas para fazer chegar até onde você está as mensagens da minha alma...

...não seja tão humilde e deixe-me dizer-lhe o que sinto. Não a quero bajular por interesse, porque já é tarde demais. Nada mais posso pedir-lhe, porque você já me deu tudo. Esta é a sua segurança, deu-me antes de eu pedir...

...você me deu o que ninguém havia me dado até então, a vontade de viver. Sinto hoje uma vida interior que aquece meu coração. Você ajudou-me a descobrir que debaixo de uma camada fria de cimento batia um coração quente e suave de homem. É uma descoberta que me dá muita força, muito calor interno e que ensinou-me a me conhecer, me valorizar

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e amar-me melhor. Eu me amo depois que conheci você...

...sessenta dias com você valeram muito, mas muito mais que os vinte anos que dediquei aos estudos e mais do que tudo o que já aprendi na vida. Surpreende-me a minha ingenuidade e ignorância de achar que eu sabia muitas coisas e qual não foi minha surpresa ao descobrir que não me conhecia. Você foi a chave extraviada, perdida, de uma porta que esteve fechada anos a fio...

....depois de conhecer você conheci a paz, pois hoje vejo o mundo com outros olhos. As coisas ao meu redor são as mesmas, mas meus olhos transmitem sensações diferentes ao meu pensamento. A dose foi tão forte e grande que precisei passar todos estes dias para começar a sentir os efeitos e a mudança que se operou em mim...

Esta não é apenas uma declaração de amor, mas sim de vida.

Eu te amo!

Querida, muito querida,

.sempre orgulhei-me de poder controlar toda minha vida racional e, logicamente, de saber com antecedência cada passo que daria depois. Mas você tirou-me do sério. Seu jeito de ser atraiu-me, e você escondeu sua forma de mulher embaixo de posturas inteligentes, profissionais e competentes: Fiquei envolvido com suas características e de repente esbarrei na mulher que estava escondida.

Meu coração bateu forte, minha pele esquentou, meus lábios tremeram, e eu explodi por dentro querendo você. Quero dizer-lhe que, mesmo que tenha sido por algum tempo, você conseguiu tocar no meu mais sensível ponto — o eu humano—, e senti-me, pela primeira vez, um cidadão do mundo.

Beijo você da forma que nunca beijei ninguém.

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Minha adorável bruxinha,

Qual é a sua bruxaria que fez com que o feitiço se virasse contra o feiticeiro?

Por que não sai de meu pensamento?

Porque, ao haver descoberto minhas freqüências secretas, aproveita-se disso e não pára de transmitir-me sua imagem?

Você está como uma silhueta que se move livre dentro de minhas recordações.

Você é o meu último pensamento antes de cair no sono e é com sua lembrança, sua voz, sua imagem e seus mais lindos sonhos que abro os olhos ao acordar.

Como é que você conseguiu quebrar meus bloqueios e falar-me direto ao coração, à mente?

Como você tem me ajudado, menina! Quanto bem me têm feito suas palavras.

Existe entre nós um grau de afinidades, de pensamentos que muita gente deve chamar de coincidência. Mas nós dois não acreditamos na sorte ou nas coincidências, preferimos falar de preparação, de estar atento para o que acontece, de aproveitar as oportunidades. Então fica a dúvida, o que é isto?

Será amor? Qualquer que seja o nome, quero continuar sentindo o que sinto, porque assim sou feliz.

Através do pensamento encontro você naquelas coordenadas. Será uma comunicação mais forte e perfeita que qualquer outra. Busque-me lá, na hora marcada, e sentirás um beijo quente e terno em seus lábios.

Eu preciso de você.

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Meu amor lindo,

A vontade de falar com você é maior que a minha própria resistência. Depois de um dia exaustivo, conversar com você é o meu melhor relaxante.

Ontem pensei muito em você, como acontece sempre. Ao caminhar na beira do rio, sentia você ao meu lado; sentamos juntos para pescar, nadamos um pouco; embalei-o no meu carinho. Em determinado momento fui sentar em uma pedra distante e comecei a falar um pouco alto. Queria que o vento levasse as minhas palavras até onde você estivesse. E eu acho que ele levou porque, de repente, senti uma paz muito grande e a sensação de que ele me trazia de volta o seu beijo e o seu chamado.

Quando cheguei em casa estava em estado tão letárgico por ter passado todo o dia em sua companhia, que precisei fechar a janela para não correr o risco de sair voando pelo espaço afora, até onde você estivesse.

Meu querido, o que sinto hoje é algo que só acontece uma vez na vida. Não acredito que todas as pessoas consigam chegar a sentir oque hoje experimento. É uma nova dimensão de vida, de amor, até então desconhecida, e ela torna-se infinita pela resposta que você me dá, pela freqüência e sintonia com que nos encontramos. Você falando-me do seu profundo e eu respondendo-lhe do mesmo ponto, o que me faz entrar em êxtase. Nunca me sentira assim. O tempo e a distância que nos separam não são, para mim, motivos suficientes para eu romper o meu compromisso com o meu sentimento em relação a você.

O que me fascina é saber que, embora muito juntos um do outro, cada um tem as próprias atividades e metas, que podem ser compartilhadas entre nós dois, sem que isto nos leve a desviar-nos de nossa individualidade. Acho que, se assim não fosse, eu talvez não o amasse tanto quanto amo. E este amor existe porque você é exatamente assim, desse seu jeito lindo de ser, desta sua forma gostosa de olhar, desse seu feitiço de falar.

A única coisa que sei hoje é que nunca vou abrir mão dos meus sonhos de um dia estar sempre a seu lado. Se eu deixar que eles se vão, que morram, vou ficar como uma gaivota de asa quebrada, sem poder voar. Enquanto não me fizerem sofrer, vou alimentar esses meus lindos sonhos com a sua presença e a sua magia.

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Eu. passei toda a minha vida me preparando para encontrar você. Encontrei e sou feliz hoje, mesmo sem saber o que vou fazer, caso chegue o dia em que precise parar de pensar em você.

A única coisa que quero agora e posso fazer é amar você. Poderá até não dar certo, mas sobre isso nada sei, nem quero pensar. Meu amor nutre-se do amor que Sinto e só posso dar-me o que quero e o que posso conseguir. Há em você a magia e o encanto que me fascinam e enfeitiçam, mas não tenho o direito de exigir nada. É você quem permite dar-se. Foi você quem me possibilitou voltar a acreditar no amor. Estou fazendo de mim uma sonhadora, estou fazendo da minha saudade um canto bonito e fiz de você um grande amor.

Um cheiro no pescoço e um beijo na ponta da orelha.

Meu querido homem bonito,

Hoje encontrei a resposta que buscava num texto escrito num jornal da manhã. Eu andava me perguntando por que você se transformou em alguém tão amado, especial e importante para mim. Ao ler o artigo que transcrevo ‘Precisa-se de um homem”, descobri que encontrei em você o que buscava. ‘Precisa-se de um homem que encare a vida de frente sem querer ser super-herói, voe com serenidade nas asas do seu destino. Precisa-se de um homem especial e comum que nunca simule afeição, nem trapaceie com meus sentimentos, que saiba conduzir-me com doçura, que saiba orientar-se com inteligência, mas que aceite com humildade os desígnios do meu ser. Ele deve ser alto— da altura da sua dignidade —e belo como a beleza do seu caráter. Sua ambição deverá ter a medida exata do alcance dos seus dedos e de seus sonhos. Preciso urgentemente desse Deus Menino para pôr festa no meu coração, atear fogo no meu corpo, afogar-se nos meus braços e resgastar nossas vidas com tributo de um amor total.”

Diante de mim, neste momento, toda a paisagem maravilhosa comunica-se com você. Eu sou portadora, através destas minhas palavras de um abraço da crista da onda, um sorriso das pedras, um cheiro da terra molhada, um carinho do orvalho da grama e um alô quente do sol que brilha para você.

Eu amo você. Um beijo.

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Meu doce amor,

O amor é algo fantástico. Tira-nos do prumo e faz-nos sentir de forma nova e estranha que talvez seja a verdadeira. Estou numa mistura tão grande de sentimentos e sensações, de segurança e insegurança, de certeza e incerteza, de vontade de ficar e desejo de partir, de estados de consciência e inconsciência, de responsabilidade e irresponsabilidade, de controle e descontrole que sinto-me vivendo um dos meus momentos mais ricos e bonitos, com novas descobertas de mim mesma em relação ao amor e à vida.

Cada vez fica mais difícil sair de junto de você, mas, como você mesmo falou, não é uma dificuldade sofrida, não é uma saudade doída e triste; no fundo é a vontade de amar mais, de continuar amando.

Há pouco você me dizia que sentia necessidade de responsabilizar- se por coisas minhas. E eu quero dizer-lhe que também me sinto assim em relação a você. Sempre concordei com a raposa do Pequeno Príncipe que dizia: “Somos responsáveis por aquilo que cativamos”. E assim, tudo muda na minha cabeça. Prefiro pensar que somos responsáveis pela descoberta da beleza e do amor entre nós.

Trago sempre sua voz nos meus ouvidos, sua imagem na minha cabeça e o amor que sinto por você no coração. E só por isso sinto-me à vontade para lhe pedir que pare de brincar com sua vida. Pare de sofrer. Arque com as conseqüências dos erros do passado e resgate o belo homem que você é. Não continue escrevendo capítulos de uma novela trágica, tendo como inspiração a sua vida. Pare com tudo isso, meu bem. Admita o que é real e pode ser mantido e melhorado. Reconheça o que é fantasia e que, portanto, acabou. Seja justo, principalmente com você, que merece e tem todo direito de alcançar a felicidade que quer.

Quero que saiba que quero você com dinheiro, sem dinheiro, inteiro ou aos pedaços como você me disse que está. Quero começar tudo outra vez, mesmo que seja partindo do nada. Só me importa você, O que foi perdido pode-se conquistar novamente ou não. Saiba disto: quero você do jeito que estiver, desde que queira também encarar a vida de frente e olhar para o alto.

Eu o amo e, por favor, seja feliz!

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Meu sonho muito colorido,

Hoje estou me lembrando muito das palavras de um amigo. Ele me dizia que quando eu estivesse com algum conflito na minha relação de amor não brigasse nem me distanciasse. E agora estou querendo pôr em prática este sábio ensinamento. Estamos mal um com o outro, mas sei que continuo amando-o igual ou mais que ontem. Então não quero afastar-me de você. Depois destes lindíssimos dias, nas nossas últimas horas, quando nos desentendemos, afastei-me de você e minha cabeça sugeria: “Ah! é assim...!!! Eu sabia que mais cedo ou mais tarde isso ia acontecer !l!”. E a partir de então surgiu uma chuva de pensamentos que me deixa muito vazia. Sinto-me sem defesas perante você. Não tenho onde esconder-me e por tudo isso decidi escrever-lhe porque não quero mais vestir uma capa de ‘tudo bem!”. Não, não farei mais isso. Prefiro assumir que estou vazia, conhecer esse vazio e depois encontrar com o que preenchê-lo.

Sinto-me sem defesas, ameaçada, porque me entreguei por inteira a você e fiquei sem ter onde segurar-me em caso de emergência. Mas também esta é a minha fortaleza e segurança.

Só você sabe o que mais me ameaça. Mesmo que já não me queira, não vai ferir-me no que tenho de mais sensível, porque você não é um homem qualquer.

Na verdade o que mais me incomoda, e eu preciso dizê-lo, é o maldito sentimento de que em algum momento você irá me dizer: “Foi tudo muito bom até aqui... obrigado por tudo e por ter-me sido útil.. .a partir de agora somos apenas amigos”. Eu escuto isto na minha cabeça com tanta clareza que até me assusto.

Estou lhe dizendo tudo desta forma para que você possa saber exatamente o que se passa comigo e para que eu não me apoie em desculpas horrorosas para encobrir a verdade do meu sentimento. E o que quero sempre é a verdade sobre nós dois.

Eu o amo muito. Você é o homem que eu sempre quis, é mais do que imaginei encontrar. Você é a realização dos meus sonhos, e agora que tudo isso existe, não quero perder. Quero ser capaz de mantê-la, se você também quiser.

Cada um de nós tem feito um monte de coisas que provocam brigas, desentendimentos, e ao mesmo tempo falamos que nos amamos e que somos especiais e importantes. Meu querido, eu não quero afastar-

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me de você, quero encontrar a melhor forma de fazer este amor que sentimos crescer sempre. Peço a sua ajuda. Vamos descobrir o que está acontecendo, O mais provável é que, no nosso futuro, este presente seja apenas um registro do passado que nos ajudou a nos unir mais ainda. Ou se entendermos que a nossa relação está chegando ao fim, que nos separemos respeitando a grande amizade que nutrimos um pelo outro.

Amanhã eu quero falar com você nem que seja para dizer “alô, estou com saudades”. Eu vou lutar por você até o ponto que seu limite permitir, porque estou embalada pelas suas palavras garantindo que este é apenas um momento mau que você está passando, e que logo tudo voltará a brilhar outra vez.

Eu gosto do seu jeito de ser.

Beijos


Meu doce amor,

Não quero dormir sem voltar a falar com você sobre o que lhe disse ontem a respeito da precipitação do nosso casamento. Continuo amando você e a quero ao meu lado, mas sinto que nos desesperamos por ter nos defrontado com tanto amor e por querer de qualquer jeito assegurá-lo, para que não nos perdêssemos um do outro. E assim, não nos demos tempo de crescer juntos tanto quanto cresceu o amor entre nós.

Agora é um momento de revisão, para transformar nossas vidas em uma linda festa em que a música que flui é a sinfonia do nosso amor. Não quero correr o risco de jogar tudo fora por medo de perder você ou por precipitação.

Depois de termos vivido tantas coisas maravilhosas parece impossível aceitarmos mudanças ou até mesmo pensarmos em mudanças.

Mas não é possível fazer parar o tempo e viver sempre igual esses momentos que passaram.

Precisamos nos acalmar e perceber que essas mudanças temidas já começaram.

O medo de que pudéssemos separar-nos levou-nos a fazer tudo sempre correndo e até, às vezes, de modo desesperador.

Isso faz parte de um amor de adolescentes. Mas, minha doce mulher, nós temos todo o tempo que precisamos para continuar com esse lindo sentimento do jovem nos nossos corpos e forma de ser de adultos.

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Nós vamos conseguir porque nos amamos. Eu faria tudo igual se a encontrasse novamente, pela primeira vez, porque você é a minha possibilidade de viver feliz.

Coração querido, agora que estamos juntos podemos colorir o nosso amor com mais suavidade e paz.

Eu amo muito você.

Meu Amor;

Por que será que ao estar longe

É mais fácil amar você?

Percebo que é porque fico somente

Com muita sede de amor

E esqueço minha incapacidade de me entregar.

Por que será que

Quando estamos perto brigamos

E quando estamos distantes

Ficamos saudosos?

Sei agora que sua presença

Me convida a buscar

Dentro de mim

Toda minha beleza de ser,

E isso eu ainda não aprendi..

E na saudade, não preciso

Entrar em mim,

Apenas sentir na ausência

Quanto amo você.

Um dia eu sei que vou

Aprender a amar você

Estando por perto.

Preciso de você

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Meu Amor,

Puxa que papo legal na hora do almoço!

Mesmo reconhecendo que não desenvolvi um pique legal de conversar sobre nós, achei maravilhoso falarmos da gente, sem emoções, dizendo tudo o que queríamos dizer.

Realmente estamos vivendo num momento muito especial e sinto que a crise do começo do ano nos deu um choque incômodo mas importante, que nos despertou para a possibilidade de construirmos a nossa felicidade juntos.

Eu quero agradecer a você por estar me ajudando e principalmente por você ser tão incrível e sensacional a ponto de motivar-me a enfrentar o meu desajeitamento para o amor.

Você é muito especial, importante e querida na minha vida.

Obrigado por fazer-me conhecer o que é a felicidade, que é muito mais bonita do que eu imaginava, pelo simples fato de ter você a meu lado.

Amo muito esta mulher que você é.

14 de Outubro de 2002

Meu amor bonito,

Ao acordar esta manhã, uma gostosa sensação de calor percorreu meu corpo, uma onda forte de paixão, de amor mais intenso que o sol de verão de Salvador e que o frio gélido de inverno de Leningrado.

Fiquei relembrando como fomos reformulando nossas vidas, como evoluímos ao longo de todos estes anos, a forma bonita como nossa relação cresceu e como o nosso amor venceu os nossos medos.

Você se lembra daquele ano — 1982? Não foi fácil. Eu sentia muita necessidade de provar que era o melhor e hoje vejo como eu não me valorizava.. .Quanta insegurança!!! Você estava começando a faculdade com aquele seu dinamismo que me fascinava. Era fácil imaginar que você teria todo este sucesso que você tem hoje. Sabe, no fundo, eu me sentia ameaçado por estar casado com uma mulher tão maravilhosa como você, que crescia para ser você mesma com toda luz e realização. Demorou um pouco para eu dar-me conta de que eu me sentia inseguro com seu

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sucesso e saber que você seria esta pessoa pública e admirada. Demorou também para eu saber que você, estando realizada, me amaria muito mais e ia sentir-se mais livre para se entregar totalmente a mim.

Naquela época, foi duro enfrentar a nossa sede de crises e o medo de perder um ao outro.

Lembra-se daquele dia em que nos conhecemos, que você aproximou-se de mim e convidou-me para dançar? Naquele momento eu já sabia que era por você que eu estava esperando toda a minha vida. Foi um encontro sem tempo, sem espaço; toda aquela multidão não importava, apenas existíamos nós dois e pouco falamos enquanto dançávamos, porque era tanto o que tínhamos para dizer que as palavras não eram suficientes.

Fiquei recordando quando fomos morar em S Francisco, começando tudo de novo, novos amigos, novos estudos e novos horizontes. Tomávamos vinho e comíamos hambúrguer no cais, conversando sobre nossas idéias, nossos planos de trabalho para quando retornássemos ao Brasil. O difícil foi a dureza de ficar tanto tempo só gastando, sem ganhar dinheiro.

Lembra-se daquela época em que você questionava o amor? Era difícil para mim sentir quanto amor existia dentro de você, e você não se dava conta. Mas eu sempre confiei que um dia você descobriria este potencial lindíssimo que habitava seu coração, e hoje, quando a vejo irradiando amor por todos os poros, sinto orgulho por não ter me enganado. E mesmo quando você dizia que não me amava, eu continuei amando você, e a fonte em que eu me inspirava era o próprio amor que existia dentro de você.

Fiquei refletindo na potência deste amor que foi tão forte que não deixou espaço para outras pessoas ocuparem nossas vidas. E quando os nossos medos foram ficando controlados, foi muito lindo o cuidado que tivemos um com o outro para não invadir os espaços minados dos nossos corações e o respeito que tivemos em nossos momentos de mudanças.

Acho divino que ainda tenhamos, hoje, em pleno novo século, crises de ciúmes um do outro. Na verdade não gosto de sentir ciúmes de você, apesar de entender o sentido disto; olhamos um para o outro de uma forma tão especial e única que não é difícil imaginar que alguém poderá querer ligar-se em um de nós.

Se nossa vida fosse um filme, eu ficaria muito emocionado de vê-lo, mas é uma história real e fico muito feliz de estar vivendo-a.

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Puxa! Quanta coisa gostosa de lembrar: nós dois morando juntos, trabalhando com os índios do Amazonas. Aquele tempo que deixamos a civilização para trás foi um grande aprendizado. Lembro-me de você sorrindo e abraçando-me depois que eu fazia partos das índias e dos olhares de cumplicidade que trocávamos quando eu passava e ficava vendo você ensinar as nativas a cuidarem das crianças. Dos nossos papos nas longas caminhadas por entre as florestas tão densas, a princípio tão ameaçadoras e depois tão conhecidas e amigas.

Você se lembra?

Nós dois andando de madrugada pelas ruas de Paris sempre com vontade de vinho claro, num copo claro, nosso brinde claro sempre ao nosso amor tão claro, como o nosso olhar.

E das nossas conversas ao acordar? Perdíamos a hora de levantar porque não conseguíamos interromper aquele momento de papo; de nós dois abraçados um como Outro e daquela vontade de que o tempo parasse e pudéssemos ficar ali nas delícias dos nossos beijos e abraços.

E daquela época que nós dois estivemos com os gurus do Tibet, aprendendo meditação, com aquele frio e a saudade do sol. Foi lindo, não? Descobríamos as nossas dificuldades em entrar em contato com o nosso é mais profundo. Quando me lembro que, no começo, eles queriam nos transformar em supremos seres humanos e nós permanecíamos em estado de eternas crianças curiosas de conhecer o mundo, acho até graça. Mas foi importantíssimo termos percebido que aquele era o nosso momento de introspecção, mas que o mundo era muito lindo e fascinante para ficarmos fora dele muito tempo.

Mas o mais forte mesmo foi escutar nossos filhos conversando no quintal e lembrar de tantas coisas que vivemos juntos com eles.

Desde a primeira vez que você engravidou e que eu surpreendentemente não compliquei n4da, desfrutamos demais a nossa gravidez e quando nosso filho nasceu, foi uma paz tão grande, uma tranqüilidade tão aquecida como uma visita que chega depois de ter sido muito desejada e esperada. Só que era um filho mesmo, e então essas sensações foram trilhões de vezes mais intensas.

Eu sempre me fascinei com o seu jeito de desfrutar da gravidez, de dar à luz.

Que forma bonita e serena!

E os nossos papos até de madrugada para resolver as diferenças de nosso estilo de educar! As nossas mudanças no estilo de ser pais, apren-

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dendo a respeitar as diferenças de personalidade da molecada.

Você se lembra das nossas viagens juntos? Carro cheio, muito barulho, muita calma. Como será que conseguimos juntar tantas coisas tão diferentes nas nossas vidas? Você até começou a estudar astrologia para descobrir algo novo nos astros, lembra-se?

Quanto amor nós acumulamos e devolvemos um ao outro.. .Quanta emoção de viver com você e estar sempre criando e recriando as nossas formas de amar.

E a virada do ano 2000! Quanta explosão de cores, alegrias. Nós e os nossos amigos e filhos naquela festa na beira da praia. Você estava com mais beleza do que quando nos encontrávamos nas estrelas através dos nossos sonhos e vontades. Foi o beijo mais terno e o abraço mais cálido que você me deu, o da meia-noite do ano 2000.

Quantas coisas lembrei esta manhã. Quanta saudades de tanta felicidade. Senti tanto amor por você, mergulhei na nossa felicidade e fiquei extasiado de perceber, depois de todos estes anos, como cresceu a fascinação que sentimos um pelo outro.

Eu sei que vamos continuar como crianças curiosas descobrindo a cada dia mais uma nova maravilha um do outro. E então pensei: “Como será daqui há quinze anos, quando eu lembrar destes anos?” E comecei a pensar no que faríamos e criaríamos juntos e foi difícil imaginar, porque somos tão imprevisíveis... E percebi que o que vamos fazer não é o mais importante, mas sim que vamos estar e fazer juntos. Tranqüilamente juntos, apaixonadamente juntos...

Aquece o meu coração saber que você vai estar junto de mim o resto da vida de forma apaixonada, iluminada e companheira, porque nosso amor é eterno.., cósmico.

O que sentimos um pelo outro é de uma dimensão que nem nós mesmos sabemos mensurar e vai persistir através dos tempos.. .e vai continuar em outros mundos... em outras vidas, porque somos almas gêmeas, parte de Afrodite. Somos o mesmo ser em dois corpos que se encontram e se renovam para ser um uno mais feliz e total.

Eu amo você.

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O seu amor transforma o meu medo de ser mulher no desejo de ser mulher.

Quando se chora verdadeiramente uma dor do coração, estamos tristes mas crescendo.

Quando sua imagem vem a meu cérebro, aquece meu coração.

Seu amor tem a potência daquele farol que sempre ilumina a tempestade, qualquer que seja, ou a escuridão de uma longa noite.

Quando eu olho nos seus olhos, uma profunda sensação de paz agasalha meu corpo.

Depois que encontrei você e me permiti amá-lo, descobri a enorme beleza que existia dentro de mim.

A minha saudade é muito grande. É do tamanho do amor que sinto por você.

Suas palavras ternas e doces me convidam a encontrar a paz.

Estar com você é a certeza de que estou aprendendo a amar.

Eu espero por você como a estrela da madrugada que vela o dia.

Na minha busca da verdade encontrei você.

O que sentimos um pelo Outro ajudou-me a transformar minha tempestade em serenidade.

Eu o amo mais porque você pode partir quando quiser e voltar quando a saudade chegar.

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UM BRINDE AO AMOR

‘Ame a quem quiser, da forma que mais lhe agradar, mas não culpe ninguém por isso.”

Carlos Aloísio Pinto Coelho

Brindar é dar graças por algo muito especial.

Tradicionalmente, precisamos de uma taça, vinho ou champanhe para levantar um brinde.

Este é diferente. Não há taças nem bebidas. Este brinde é uma ho menagem a alguém que, se estivesse ainda aqui, assinaria também este livro.

Seu nome: Carlos Aloisio Pinto Coelho

Você poderá perguntar: ‘Quem é Carlos Aloísio?”.

Permita-nos apresentá-lo. Ele era um amigo muito especial, daqueles para todos os momentos. Um homem que sempre transpirou amor, que não fugia das despedidas porque dizia que o “até logo” era uma promessa de um novo encontro.

Repetia-nos muito que, para que houvesse um novo encontro, renovado, era necessário, antes, uma despedida.

Carlos ensinou-nos que o amor só explode em nós quando nos colocamos no nosso centro. Ele falava de “eu no centro”, da necessidade de ocuparmos o centro de nossa vida, como uma das condições básicas para viver um grande amor.

Carlos dedicou muito de sua vida a amar, ensinar a amar e se deixar amar.

Carlos Aloísio era gente, um ser humano tão humano que, um dia, disse-nos chorando: “Esta minha lágrima de saudade tem mais vida que um falso sorriso tentando esquecer um amor”.

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Sempre que nós três nos encontrávamos e íamos fazer algo, fazíamos um brinde e dizíamos: “Ao amor, sempre!!!”.

Carlos, amigo querido,

Aqui estamos os três reunidos mais uma vez, e o nosso brinde agora é a você.

Ao escrevermos estas páginas você esteve presente, e todo o tempo lembramos de nossas conversas e de suas lições.

Querido Carlos, queremos brindar, com a taça do coração e com o vinho da saudade, algumas coisas que aprendemos com a sua sabedoria.

Um brinde à verdade de suas palavras: “Só existe amor se existe verdade, só existe verdade se ela faz parte da realidade — Isto é vida!”.

Um brinde à esperança desta sua frase: “Em cada passo da sua vida o amor existe e está ao seu lado”.

Um brinde à força deste seu pensamento: “O amor simplesmente toma conta; é uma força em direção à vida”.

Um brinde ao convite desta sua mensagem: “Entre em você, não se esconda; abra aquela porta que está fechada no seu recôndito mais íntimo. Entregue-se a esta exploração de cores e luzes que é o seu relicário de amor”.

Um brinde à alegria de seu sentimento: “A alegria de viver é uma fonte de luz. Eu quero dar um banho de luzes em vocês”.

Um brinde ao seu jeito de enxergar que “o sentido da vida é existencial. A vida só tem sentido na medida em que você existe nela, não quando você apenas pensa nela”.

Querido Carlos, não conseguíamos nos conformar com a sua partida. Não entendíamos por que Deus precisou de você tão cedo, até que, em um desses momentos de profunda saudade, escutamos alguém dizer: “Quando vocês entram em um jardim para colher uma flor, sempre haverão de colher a mais bela”.

Queremos dizer-lhe agora, no final deste nosso encontro, que seguimos os seus conselhos e estampamos um letreiro em nossos corações que diz: “Se vem com amor, pode entrar!”.

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AGRADECIMENTOS

Foram muitas as pessoas que nos ajudaram, para que você pudesse ter feito conosco esta reflexão em tomo do amor. Sem nossos amigos, o resultado final não teria sido deste jeito.

Agradecemos a Gilberto Cabeggi, Helen Forgach, Norma Blum, Luiz Lobo, Sinésio Cabeggi, Alberto Couto, Gerusa e Wagner Borges, Eny Feio, Angélica Navalhinhas, Eládio Carvalho, Mônica Levy e Olinda Cabeggi por fazerem a leitura dos nossos primeiros ensaios e nos darem feedbacks importantes, que nos ajudaram a reavaliar alguns tópicos.

Em especial, agradecemos a José Augusto Silva e Roberto Lang, que não só nos convidaram a reescrever algumas vezes vários capítulos, mas também refletiram conosco sobre as maravilhas do amor. Suas anotações sobre os primeiros textos, os telefonemas que nos fizeram, em várias horas do dia, apresentando novas sugestões, e as noites que gastaram revisando os escritos e discutindo cada parágrafo, demonstraram o quanto estavam torcendo para que pudéssemos fazer o melhor...



Queremos também agradecer a Amália Ursi e a Lúcia Vieira pelo trabalho de revisão, a Alberto Araújo pela foto da contracapa, a Jayrth Moreira pelas ilustrações e a Magy Imoberdorf pela capa..

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