Além disso, investigamos o Colégio Pedro II considerando suas características sui generis, como por exemplo o regime das cátedras, responsável pela aproximação dessa instituição com o ensino superior


O catedrático Jonathas Serrano ( 1885 – 1944)



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O catedrático Jonathas Serrano ( 1885 – 1944)

Jonathas Serrano, assim como João Ribeiro, representou uma forte influência no ensino de História no período correspondente ao final da década de 20 e décadas de 30 e 40. Serrano foi professor e autor de diversas obras literárias, filosóficas e históricas, como A idéia de Independência na América, tese defendida no concurso para a cátedra do Colégio Pedro II em 1926 – além de livros didáticos de História tais como Epítome de História Universal (1929), Epítome de História do Brasil (1933) e obras metodológicas – Como se ensina História e Metodologia da História do Brasil (1941/1942).

Membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Associação Brasileira Educação, na década de 1930 Serrano participou da Diretoria de Instrução Pública do Distrito Federal (correspondendo hoje ao Ministério da Educação) e foi membro da Comissão Nacional do Livro Didático.

Autor de uma nova proposta pedagógica para o ensino de História, em seus livros didáticos Serrano procurava afastar-se do modelo dos compêndios que caracterizaram o século XIX e início do século XX. No seu entender, a História baseada em nomes e datas, ensinada a partir da memorização exaustiva de conteúdos, deveria ser substituída pela análise e reflexão crítica dos fatos históricos. Para o autor, “a história deveria passar de disciplina de memória para disciplina de reflexão e de crítica”8. O catedrático defendia, ainda, a separação entre História Universal e História do Brasil.

Quanto à metodologia, Serrano propunha a chamada metodologia ativa de ensino (originária da Escola Nova) com “a participação ativa do aluno em sala de aula transformado em sujeito do processo ensino-aprendizagem”9.

No livro História do Brasil (1931), o catedrático inovou ao inserir ilustrações e mapas além das tábuas cronológicas e onomásticas. Preocupou-se com a organização do índice dos conteúdos e introduziu referências bibliográficas, com o intuito de orientar o estudo do aluno e estimulá-lo à pesquisa e ao aprofundamento do conteúdo por meio das sugestões bibliográficas. Desse modo, tencionava desenvolver, a partir do ensino de História, a capacidade de análise, crítica e síntese discente. Voltando à metodologia, cabe ainda destacar a importância conferida às fontes históricas documentais, cartográficas, iconográficas10, pelo estímulo ao uso dessas fontes em sala de aula.

Como historiador, defendia a história literária e científica, contribuindo para a discussão que se travava entre os intelectuais da época quanto a diferentes visões da história: história erudita e história científica.

No que tange ao conteúdo de seus livros didáticos, não encontramos grandes inovações porquanto Serrano, partindo de uma visão eurocêntrica, mantém a concepção de História como “genealogia da nação”, valorizando conteúdos da História da civilização ocidental nos quais o Brasil foi inserido a partir do descobrimento. Nesse contexto, a História do Brasil iniciava-se somente a partir do contexto europeu das grandes navegações e do comércio internacional.

Os depoimentos dos ex-alunos do Colégio Aloysio Jorge do Rio Barbosa e Wilson Choeri, que ingressaram no Colégio em 193911, incluem interessante descrição do catedrático que nos permite conhecer um pouco mais do perfil desse professor:




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