Além disso, investigamos o Colégio Pedro II considerando suas características sui generis, como por exemplo o regime das cátedras, responsável pela aproximação dessa instituição com o ensino superior


Os programas de ensino nos primeiros anos da República



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Os programas de ensino nos primeiros anos da República


Durante as primeiras décadas da República, as características do ensino de História não apresentaram grandes modificações em relação ao ensino no Império. Prevalecia a concepção da construção da identidade nacional mediante o conhecimento da civilização ocidental, modelo para a formação da nação brasileira. O ensino de História iniciava-se com a antiguidade ocidental – “berço da civilização” – estando a História do Brasil inserida na História Universal a partir do contexto da época moderna, quando ocorre o movimento de expansão marítima européia.Nessa concepção, o Brasil nascia a partir da chegada dos portugueses. Os programas com base na história política, caracterizada pela ação dos personagens e por acontecimentos como as guerras contra o estrangeiro, que legitimavam a ocupação portuguesa no território brasileiro, foram mantidos.

A disciplina História tinha o papel de contribuir para legitimar a Civilização Ocidental como modelo para a formação da elite brasileira. A construção da identidade nacional vinculava-se exclusivamente ao mundo ocidental e cristão, não se articulando, por exemplo, a uma identidade latino-americana. Os padrões culturais eram os europeus, ficando o Brasil, única monarquia da América, isolada dos demais países latino-americanos cuja independência resultara na formação de repúblicas. Nos programas de ensino, observamos que esse isolamento do Brasil em relação aos demais países latino-americanos refletia-se em uma exclusão dos conteúdos relativos aos acontecimentos nas Américas. A história dos povos pré-colombianos, por exemplo, não constava dos programas até a década de 20. A historiografia francesa ainda influenciava os professores catedráticos do Colégio, responsáveis pela elaboração dos programas. Sob esse enfoque, a História do Brasil retratava, na verdade, a história dos europeus na América.

O modelo biográfico, em que os valores morais e cívicos eram transmitidos por meio dos personagens, representou uma característica da História ensinada durante boa parte do século XX. No início do século, as mudanças no ensino de História ocorreram muito mais pelos métodos de ensino propostos pelos livros didáticos dos professores catedráticos – como João Ribeiro e Jonathas Serrano – do que propriamente pelos programas de ensino. A construção da identidade nacional manteve-se como um objetivo do ensino de História, porém associando-se essa identidade a uma questão cultural.

O poder dos catedráticos manteve-se ao longo da República, inclusive com a prerrogativa de exibir na capa de seus livros didáticos a frase: “para uso dos alunos do Colégio Pedro II”. O que representava uma garantia de excelência na seleção de conteúdos que serviam como referência para a elaboração de programas de ensino de outras instituições do Rio de Janeiro e do Brasil. As modificações ocorridas no ensino de História durante a República surgiram a partir das diretrizes traçadas por esses professores que se destacaram nesse período2

Vale lembrar que os professores catedráticos do Colégio Pedro II possuíam um status acadêmico equiparado aos catedráticos do ensino superior, muitas vezes sendo eles mesmos os integrantes das cátedras nos dois níveis de ensino. Nessa instituição, os catedráticos, além de escrever os compêndios usados pelos alunos, participavam da Congregação, elaboravam o programa de ensino e tomavam parte das principais decisões políticas e pedagógicas do Colégio3.

Dessa forma, consideramos importante analisar o ensino de História a partir da atuação dos catedráticos, figuras referenciais para a definição dos currículos e ensino das disciplinas no Colégio Pedro II. Nesse sentido, o período que se sucedeu à Proclamação da República foi marcado, assim como, no Império, pela atuação de grandes catedráticos de História.






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