Academia militar das agulhas negras academia real militar (1811)



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2.4 O curso de Engenharia da AMAN
Esta seção tem por objetivo situar este trabalho dentro do ambiente onde foi realizada a coleta de dados para fundamentar nossa pesquisa.

A formação do oficial de carreira da linha militar bélica se inicia na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), onde os civis recém ingressos ao Exército recebem suas primeiras instruções militares e começam a aprender o que é ser militar: seus costumes, modos, tradições. Após um ano nessa escola, o aluno da EsPCEx está apto a ir para a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), desde que atinja todos os graus necessários (CASTRO, 1990).

Na AMAN, o aluno ingressa no Curso Básico, primeiro ano, onde ocorre uma intensificação da formação do seu espírito militar. Durante o ano, o aluno passa por diversas situações que tem por objetivo moldar o caráter do cadete e prepará-lo para o ingresso nas armas, quadro ou serviço (A/Q/S).

Findado o primeiro ano da AMAN, o cadete ingressa no segundo ano e escolhe a sua A/Q/S. Após a escolha de suas especializações, o cadete passa a ter instruções teóricas e práticas relativas às atividades da sua arma. Neste trabalho iremos nos ater ao curso de engenharia.

Segundo o manual C 5-1, “A engenharia é a arma de apoio ao combate que tem como missão principal apoiar a mobilidade, a contramobilidade e a proteção, caracterizando-se como um fator multiplicador do poder de combate” (BRASIL, 1999, p.1-3).

A mobilidade é o conjunto de trabalhos desenvolvidos para proporcionar as condições necessárias ao movimento contínuo e ininterrupto de uma força amiga. [...] A contramobilidade é o conjunto de trabalhos que visam deter, retardar ou canalizar o movimento das forças inimigas para, em principio, contribuir na destruição dessas forças. [...] A proteção é o conjunto de trabalhos que visam reduzir ou anular os efeitos das ações do inimigo e das intempéries sobre a tropa e o material, proporcionando abrigo, segurança e bem-estar, ampliando a capacidade de sobrevivência das forças em campanha [...] (BRASIL, 1999, p.1-3).


No curso de engenharia, os cadetes aprendem, na teoria e na prática, como realizar o apoio ao combate através de trabalhos técnicos e táticos.

O antropólogo Celso Castro publicou um livro intitulado “o espírito militar” em 1990 onde realizou uma pesquisa antropológica na AMAN e realizou observações muito interessantes a respeito da formação do oficial de carreira do Exército. Em seu livro, ele observa que

A engenharia, no combate, atua apoiando outras armas, principalmente a infantaria, a que muitas vezes acompanha. Suas atividades específicas são: construir pontes rápidas para a transposição de cursos d’água, desativar campos de minas, fazer demolições com o uso de explosivos, superar obstáculos naturais. Pela proximidade com a infantaria, o engenheiro apresenta muitas das características daquela Arma; em casos extremos, pode até mesmo vir a atuar como tropa de Infantaria. Mas, ao contrário desta, a engenharia não vai para combater: só o faz quando é estritamente necessário. O tenente de engenharia atua muitas vezes isolado, precisando ter “individualidade” para tomar decisões. Ele executa um trabalho que, embora “braçal”, “pesado”, é fundamentalmente “técnico”, “precisa pensar” (CASTRO, 1990, p.60).
A especialização do cadete na arma de engenharia se faz durante três dos quatro anos da academia, ou seja, do segundo ano ao quarto ano. Nesse ínterim, o cadete desempenha várias atividades curriculares, como exercícios no terreno, instruções diversas em outras Organizações Militares (OM), os chamados PCIs (Pedido de Cooperação de Instrução), como as instruções de pontes e construções de estradas, dentre outras atividades.

O curso de engenharia se enquadra dentro do corpo de cadetes da AMAN. Segundo Mello (2008, p.29), o Corpo de Cadetes da AMAN possui a seguinte importância:

Dentro da estrutura da AMAN, cabe ao Corpo de Cadetes o aprimoramento do espírito militar e do sentimento do deve no jovem discente, no intuito de fazê-lo compreender perfeitamente os preceitos basilares das Forças Armadas – a disciplina e a hierarquia. Alem disso, é responsável também pelo planejamento, coordenação, orientação e condução das atividades do ensino profissional, a fim de preparar progressivamente o cadete para comandar e liderar pequenas frações e subunidades.
O corpo de cadetes possui oito cursos e quatro seções, segundo a imagem abaixo:

Figura 2 – Organograma do corpo de cadetes



Fonte: Adaptado de Mello, 2008, p.29


Diante do que foi encontrado na literatura acerca do tema, foi identificada uma questão que procuramos esclarecer: a liderança exercida pelos comandantes de pelotão no curso de engenharia da AMAN atrapalha ou facilita o exercício de suas competências sociais?

Obsevando o curso de engenharia, verifica-se a possibilidade de que a liderança exercida pelo comandante de pelotão é do tipo liderança participativa e que isso facilita o exercício de suas competências sociais, ao contrário do que o Maciel (2017) observa no curso básico.




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