Academia militar das agulhas negras academia real militar (1811)



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2.3 Liderança militar
Para iniciar o estudo da liderança militar é preciso conhecer alguns aspectos básicos. Esta seção irá ambientar o leitor a respeito de alguns conceitos de liderança utilizados no mundo empresarial até chegarmos ao conceito de liderança militar propriamente dita.
2.3.1 Conceitos de liderança e liderança militar.
O interesse pela liderança é tão antigo quanto o próprio homem. Bastou que dois homens se encontrassem para que um deles fosse solicitado para analisar o mundo ao seu redor, o interpretasse e decidisse o rumo a ser tomado (BERGAMINI, 2009). Assim, pode-se dizer que a liderança se originou no momento em que o homem foi obrigado a tomar rumos em sua vida para que se saísse bem no mundo (BERGAMINI, 2009).

Para estudar e sistematizar a liderança, muitos pesquisadores se debruçaram sobre o tema e levantaram inúmeras teorias e definições. Dentre eles, podemos citar Weber e Karnes, Tead, Tannenbaum, Weschler, Massarik, koontz, O´Donnell, Bird, Lewin, Lippitt, White, Blanchard, Hersey, Vroom, Yetton, Gaston Courtois e muitos outros.

Segundo Penteado (1986), líder é um substantivo masculino com o significado de chefe, condutor, tipo representativo de uma sociedade, e que é o abrasileiramento do vocábulo inglês “leader”, que é originário do celta e significa “pessoa que vai à frente para guiar ou mostrar o caminho, ou que precede ou dirige qualquer ação, opinião, movimento” (PENTEADO, 1986, p.1). Mas antes dessa modernização conceitual, a palavra “líder” não era usada: ao invés disso, era usada a palavra chefe. O grande pensador e padre Gaston Courtois, em seu livro “A arte de ser chefe”, diz

Chefe, etimologicamente, é aquele que esta à testa ou, melhor ainda, aquele que é a cabeça. É a cabeça que vê, pensa e age no interesse do corpo inteiro.

Chefe é aquele que sabe, quer, realiza e é também quem faz saber, faz querer e faz realizar.

Chefe é aquele que, sabendo o que quer, sabe também despender o esforço necessário para o que se deseja obter.

Só se é chefe, na medida em que se é capaz de fazer dividir com um grupo qualquer o ideal que se vive, conduzindo todos a realizá-lo, apesar dos obstáculos existentes. (COURTOIS, 2012, p.15)
É interessante notar que, como veremos mais adiante, este conceito de chefia se confunde com as definições de líder atuais.

Assim, alguns estudiosos e pesquisadores definiram primeiramente a liderança como o “comportamento de um indivíduo quando está dirigindo as atividades de um grupo em direção a um objetivo comum” (HEMPHILL; COONS, 1957, p.7, Apud BERGAMINI, 2009, p.3). Depois de um tempo a liderança foi definida como “influência pessoal exercida em uma situação e dirigida através do processo de comunicação, no sentido de se atingir um objetivo especifico” (TANNENBAUM; WESCHLER; MASSARIK, 1961, p.24, Apud BERGAMINI, 2009, p.3). Por fim, Roach e Behling (1984, p.46, apud BERGAMINI, 2009, p.3) nos diz que “liderança é o processo de influenciar as atividades de um grupo organizado na direção da realização de um objetivo”. Essas definições vêm nos mostrar a evolução conceitual de liderança através dos tempos: primeiramente era um “comportamento”, depois passou a ser uma “influência” e a seguir se tornou “um processo de influência”. Essas definições mostram também que este tema é complexo e que seu estudo continua e continuará evoluindo.

A liderança mostrada anteriormente é muito usada no meio empresarial, principal motivador da evolução de seu estudo. Porém, o objetivo deste capítulo é mostrar a liderança militar, a qual tem diversas peculiaridades. Além das exigências do mundo da gestão, do soldado é exigido alto grau de resiliência para suportar as penúrias do tempo e sacrifícios de toda sorte. Segundo o manual de liderança do exército Americano

Líderes resilientes são capazes de se recuperar rapidamente de contratempos, choques, lesões, adversidades e estresse, conservando, ao mesmo tempo, o foco na organização e na missão. Sua resiliência se baseia na força de vontade, na motivação interna que os impele a prosseguir, mesmo quando estão exaustos, famintos, com medo, com frio e molhados. A resiliência ajuda os líderes e suas organizações a levar a cabo missões difíceis. (FM 6-22, 2015, p.6-4 apud MACIEL, 2017, p.16)

Esse conceito pode ser estendido também aos outros níveis da hierarquia militar: soldados, cabos, sargentos, etc. precisam ser resilientes para bem cumprir suas missões.

Para bem cumprir suas missões, os líderes precisam saber analisar com precisão a situação em que se encontram e emitir suas ordens com clareza para que seus liderados a obedeçam. Porém, a história é repleta de exemplos onde a obediência não ocorre de maneira espontânea. O caderno de instrução da AMAN nos traz um trecho esclarecedor:

Nas situações de normalidade, quando o grupo militar e as pessoas que o integram não estão pressionadas, geralmente, as ordens dos comandantes são cumpridas. Entretanto, nas crises e principalmente no combate, quando está presente o risco de vida e os soldados sofrem penúrias de todos os tipos, os indivíduos só obedecem, voluntariamente, às ordens, se confiam e acreditam em seus comandantes, ou seja, se os comandantes estiverem liderando. (AMAN, 2011, p.3).
Portanto, podemos verificar verdadeiramente que

Um bom comandante deverá liderar seus subordinados, além de ser um chefe correto e um bom administrador, para alcançar com maior facilidade os objetivos que precisa atingir com o grupo militar que comanda. (AMAN, 2011, p.3).


Neste ponto faz-se necessário distinguir os conceitos de chefe e líder. Ainda segundo o caderno de instrução de liderança da AMAN, “chefia indica o exercício da autoridade legal que foi delegada ao comandante e que obriga os subordinados a obedecerem às ordens por ele emitidas”. (AMAN, 2011, p.3).

Considerando tudo o que já foi explanado, podemos então conceituar a liderança militar. Segundo o C 20-10,

A liderança militar consiste em um processo de influência interpessoal do líder militar sobre seus liderados, na medida em que implica o estabelecimento de vínculos afetivos entre os indivíduos, de modo a favorecer o logro dos objetivos da organização militar, em uma dada situação. (BRASIL, 2011, p.15).
É interessante notar que esta definição dada pelo C 20-10 fala sobre “influência interpessoal”, que consiste no líder interagir com seus subordinados no nível de inteligência emocional. Esta correlação entre IE e liderança militar é de suma importância para este trabalho, pois servirá de base para comprovarmos nossa hipótese.



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