Abordagens Pedagógicas na Educação Física Escolar


Construtivista-Interacionista



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Construtivista-Interacionista

Segundo Darido (1998) esta abordagem vem ganhando espaço, especialmente no estado de São Paulo, onde é apresentada nas propostas de Educação Física da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP), sendo seu maior colaborador o professor João Batista Freire e a obra mais representativa desta proposta o livro “Educação de corpo interiro” (1989)1.

Esta abordagem tem influências da área da psicologia, baseando-se nos trabalhos de Jean Piaget, Lê Boulch e Vygotsky. Sua principal vantagem é possibilitar uma maior integração com uma proposta pedagógica ampla e integrada nos primeiros anos de educação formal, a desvantagem é que desconsidera a especificidade da Educação Física.

A valorização das experiências dos alunos e da sua cultura são os principais aspectos positivos da proposta construtivista, além de propor métodos alternativos ao diretivo, permitindo assim ao aluno, a construção do conhecimento através da interação com o meio e oportunizando para a resolução de problemas.

A abordagem construtivista tem como seus principais conteúdos o jogo: simbólico e de regras, e as brincadeiras populares, procura utilizar-se de inúmeros materiais alternativos, (bola de meia, bastões, garrafas plásticas, lata, corda, entre outros), permitindo assim um maior número e diferenciadas vivências, no tange a relação aluno/objeto.

Estes conteúdos devem ser desenvolvidos numa progressão pedagógica, numa ordem de habilidades, mais simples (habilidades básicas) para as mais complexas (específicas). Segundo Darido (1998):

“ As habilidades básicas podem ser classificadas em habilidades locomotoras (andar, correr, saltar, saltitar), manipulativas (arremessar, chutar, rebater,receber) e de estabilização (girar, flexionar,realizar posições invertidas). Enquanto os movimentos específicos são influenciados pela cultura e estão relacionados à prática de esportes, do jogo e da dança e também, das atividades industriais.” (p.59).

Freire (1994), critica as avaliações realizadas considerando apenas o aspecto motor, sugere avaliações que englobem outros aspectos, como por exemplo, o comportamento social, através de uma análise qualitativa, observando as relações entre as crianças e nas verbalizações entre elas e com o professor.

As avaliações se dão de forma não punitiva, vinculada ao próprio processo de aprendizagem, enfatizando também a auto-avaliação.

Conforme Macedo (1994), esta abordagem valoriza as ações ou produções do sujeito. Tal produção construtivista do conhecimento é formalizante, isto é, opera por um trabalho de reconstituição e tematização dos conteúdos, assim, parte daquilo que o aluno já conhece, entendendo que só uma ação espontânea do sujeito tem sentido, logo é preciso “...saber ouvir ou desencadear na criança só aquilo que ela possui como patrimônio de sua conduta...” (p. 19). O professor deverá ter conhecimento sobre todos os assuntos para poder discutir com seus alunos, estimulando-os a fazerem perguntas e formularem possíveis respostas – o que importa é a pergunta ou situação-problema, portanto, pode-se dizer que é centrada no processo de aprendizagem.

Conforme Silva (1993), sendo o construtivismo uma pedagogia invisível, portanto centrada no processo, não tem um tempo previsto de aprendizagem. Já em nível secundário, as perspectivas da universidade e da estrutura ocupacional são bases, logo sugerem competição, portanto, não podem ficar sujeitos às pedagogias invisíveis. Além disso, considerando o construtivismo uma teoria pedagógica, crê-se que a mesma seja deficiente "...para uma teoria que se pretende globalizante e inclusiva...(Silva, 1993, p. 227), pois não diz o que e nem porque deve ser ensinado.

Com relação à Educação Física é preciso tomar um cuidado especial ao partir daquilo que o aluno traz (como sugere a abordagem), pois num país em que a cultura corporal de movimento predominante é o futebol corre-se o risco de dar continuidade ao estudo e prática somente deste conteúdo – o futebol.

Uma vantagem a se observar é a possibilidade de integração pedagógica da Educação Física às outras disciplinas nos primeiros anos de educação formal. Porém, Darido (1999) alerta que há possíveis falhas com relação à desconsideração da especificidade da Educação Física, (passa novamente a ser mais um “meio” de auxílio para se ensinar as outras matérias, como na abordagem Psicomotora). Mas de acordo com orientações de São Paulo (1996), a proposta construtivista tem no jogo o principal modo de ensinar, um instrumento pedagógico, pois enquanto joga a criança aprende. E, neste sentido, deve-se considerar o que a criança já possui.

Creio que o professor tenha autonomia suficiente sobre sua aula, e possa direcioná-la aos objetivos que, como profissional, achar conveniente. Portanto, utilizar a aula como um meio para outras aquisições que fujam à especificidade da área de Educação Física, pode até ser viável, mas apenas se o professor quiser e permitir que isso ocorra em determinado momento.




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