Abordagens Participativas: Novas Fronteiras nos



Baixar 170.5 Kb.
Página1/8
Encontro05.10.2018
Tamanho170.5 Kb.
  1   2   3   4   5   6   7   8




Abordagens Participativas:

Novas Fronteiras nos

Estudos do Trabalho

Tom Dwyer

IFCH/UNICAMP

Grupo de Pesquisa da Sociologia do Trabalho/UFMG


GT - Trabalho e Sociedade


Encontro Anual da ANPOCS

23-27 de outubro de 2000

Petrópolis, RJ


Introdução

Uma grande parte dos sociólogos que discutem o trabalho hoje, tratam suas dimensões estruturais e a adequação de fatores humanas, políticas e sociais a estas dimensões. Assim vemos que se dá prioridade a temas tais como: globalização, enfraquecimento do movimento sindical, emergência de novas formas de representação de interesses, necessidade para maior qualificação em certas áreas, mudanças na estrutura de emprego e desemprego e suas consequências. Examinar estes temas, normalmente através dos paradigmas marxistas ou funcionalistas, tem uma importância singular para a sociologia contemporânea e para a compreensão geral da transformações do mundo ao nosso redor.

Existem porém outros temas importantes e outras perspectivas teóricas. No meu próprio trabalho teórico sempre dei uma atenção especial à questão da transformação da ação social em locais de trabalho e para fazer isto recorro ao acionalismo fenomenológico fundado por Alfred Schutz . Para construir ligações entre fenômenos a nível micro com questões de ordem macro faço referência ao acionalismo histórico de origem existencialista de Alain Touraine. (Dwyer, 1993) Esta combinação de teorias acionalistas foi destacada pelo Michael Rose no seu livro Industrial Behaviour (1975) como sendo o alicerce de uma ampla renovação da sociologia do trabalho (ver o apendice a este paper). Além das fronteiras dos estudos de trabalho, o paradigma fenomenológico goza de grande prestígio, sendo considerado tanto por Giddens quanto por Habermas com o mais promissor disponível à sociologia contemporânea.

Dentro da ótica teórica exposta iniciei uma série de estudos e neste paper vou resumir elementos chaves de três deles. Faz um certo tempo fiquei fascinado pelo fato de que a sociologia dialogava pouco com algumas disciplinas que também pesquisam temas relacionados à ação humana em locais de trabalho (engenharia de produção, ergonomia, medicina) e dialogava um pouco mais com a psicologia, e comecei a pesquisar a relevância dos resultados de estudos feitos nestas disciplinas para a sociologia e vice versa. (Dwyer, 1997) Mais tarde percebí que a penetração da informática em locais de trabalho estava sendo acompanhada pela produção de efeitos perversos e esta percepção levou-me a fazer uma investigação sobre os processos de tomada de decisões relacionados à concepção e à implementação de sistemas informatizados. Finalmente a popularidade da noção de ‘sociedade de risco’ proposta por Ulrich Beck e Anthony Giddens me levou a voltar a um antigo objeto empírico das minhas pesquisas e a refletir sobre as ações a nível micro que levariam à produção dos acidentes com grandes consequências. (Dwyer, 1999/2000) A partir destes três temas percebí que a percepção que os trabalhadores têm a respeito de seu próprio trabalho está adquirindo uma importância crescente como objeto de estudos, e junto com isto a noção da participação. Porém, o fato dos temas da percepção e da participação surgirem nas três áreas empíricas mencionadas, constitue um reconhecimento claro dos limites do paradigma da modernidade, do qual tanto o marxismo quanto o funcionalismo fazem parte, e levam a perceber que em diversas frentes há a emergência de uma nova concepção do mundo na qual referência à percepção dos atores sociais e eventualmente sua participação nas decisões que afetam suas vidas é considerada fundamental. Entretanto o conceito participação é, em mesmo tempo, de natureza ideológica e científica, e falta uma teorização sociológica adequada a respeito.

Na realidade hoje em dia fala-se em participação por toda parte. Da política através de temas tais como o orçamento participativo, até o mundo de trabalho; tanto em países desenvolvidos quanto em países em vias de desenvolvimento tais como África do Sul (Sitas, 1998), Taiwan (Huang, 1997) e Brasil (Cardoso, 1997). No Brasil embora não existem dados a respeito da penetração de técnicas de gestão participativa, nenhum autor sugere que ela esteja em declínio. Há um debate quanto a natureza de gestão particpativa. No setor calçadista no Rio Grande do Sul Elaine Antunes sugere que a participação transforma de maneira postiva aspectos de gestão e abre novas perspectivas para os trabalhadores. “As atitudes da gerência dão indício de uma mudança na gestão e nas relações de trabalho, na ideologia empresarial etc…. Resta saber se os trabalhadores pensam similarmente à gerência entrevistada. Será que é isto que querem, desejam (participação, responsabilidades, multifunções)?… Como que poderiam tirar melhor proveito da GP (gestão participativa) enquanto classe trabalhadora? Será que gostam da forma como a gestão participativa vêm sendo desenvolvida? Ou teriam algo mais atrativo a propor?” (Fensterseifer, 1995, 364) No seu estudo Martins emite uma avaliação negativa a respeito; “A forma Taylorista/Fordista de organização do trabalho, baseada no controle rígido dos trabalhadores nos aspectos mais específicos do exercício do seu trabalho, parece estar dando lugar a uma forma de controle que ao mesmo tempo é mais flexível e fundamentalmente sútil.” Há a idéia, neste artigo, de que a implantação de formas de gestão participativa são uma exigência associada aos novos tempos do capitalismo e de “A ação do capital atinge em cheio o universo simbólico e imaginário dos trabalhadores… ao oferecer ópio no almoço e ambrosia no jantar.” (sd, 371, 373)

Onde ficamos então? A gestão participativa constitue uma ferramenta da dominação ou algo que seria capaz de permitir a emancipação dos trabalhadores brasileiros? É impossível responder de maneira clara a tal interrogação, na ausência de uma conceitualização clara sobre gestão participativa e de estudos precisos. A partir de uma análise da bibliografia internacional, Hodson alerta que os procedimentos de gestão participativa "do trabalho ainda estão nos momentos preliminares de seu desenvolvimento e a natureza de suas consequências são indeterminadas neste momento…. Pesquisadores vão precisar desenvolver novos conceitos para poder descrever e analizar estas novas relações em locais de trabalho." (1996, 735)




1. Um Limite do Paradigma da Modernidade-



Baixar 170.5 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8




©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino fundamental
Processo seletivo
ensino médio
Conselho nacional
minas gerais
terapia intensiva
oficial prefeitura
Curriculum vitae
Boletim oficial
seletivo simplificado
Concurso público
Universidade estadual
educaçÃo infantil
saúde mental
direitos humanos
Centro universitário
Poder judiciário
educaçÃo física
saúde conselho
santa maria
assistência social
Excelentíssimo senhor
Atividade estruturada
Conselho regional
ensino aprendizagem
ciências humanas
secretaria municipal
outras providências
políticas públicas
catarina prefeitura
recursos humanos
Conselho municipal
Dispõe sobre
ResoluçÃo consepe
Colégio estadual
psicologia programa
consentimento livre
ministério público
público federal
extensão universitária
língua portuguesa