[A vida como ela é] Aquela simpática senhora!


Inacreditável; mas é verdade!



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Inacreditável; mas é verdade!

Quantas saudades eu sinto da minha “tia Déca” (Josefa Rodrigues da Silva) e das suas incríveis premonições que chegavam a me assustar e até mesmo eu fui vitimado pelas palavras sempre sábias dela; uma negra trabalhadeira, de muita oração (benzia crianças) e parecia prever certas situações. Gostava de tomar uma “cachacinha” enquanto lavava roupas para ajudar no sustento da casa que era composta por minha falecida mãe, minhas duas irmãs, uma prima, um primo, eu e a “tia Déca”; éramos sete num minúsculo casebre de madeira.

Faltava quase tudo e passávamos muitas necessidades de todos os tipos e as brigas eram constantes, pois como dizia Bertold Brecht “em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão”. E conosco não era diferente, exceto o fato de que minha tia dizia coisas certeiras e isso nos assustava. Certa feita eu emprestei uma espingarda de chumbinho de um colega e ela me advertiu que aquela arma poderia me ferir e estupidamente eu disse a ela que ficasse calada, pois eu ia dar um tiro nela; preparei a espingarda e ao colocar o chumbinho para fechá-la, a bendita arma prensou meu dedão e eu tenho esta cicatriz até hoje e sangrou pra caramba! Desisti da caçada e eu fui devolver a espingarda de chumbo ao “Danda”!

Incrível foi quando certa feita ela me convidou para ir ao sítio da minha “tia Ana” (irmã dela), que distava mais de quinze quilômetros da cidade e eu a acompanhei pela estrada de chão batido os seus lentos passos de senhora idosa com muita alegria juvenil aos meus doze anos de idade (mais ou menos isso). Os poucos veículos que passavam por nós deixavam um rastro de poeira sobre nossas cabeças e eu apontava o dedo pedindo carona e ninguém nos dava.

Momento em que passou por nós uma Perua Kombi com somente um cidadão no interior e eu pedi uma carona que nos foi negada. Então ela sorriu e disse: “chegaremos primeiro do que ele”. Que absurdo, eu imaginei, pois faltavam mais de dez quilômetros para chegarmos ao nosso destino; estávamos apenas saindo da cidade e tinha um percurso enorme pela frente.

Mas no meio do caminho tinha três riachos e fazia um sol escaldante, sendo que o primeiro e o segundo passavam sob a estrada e o derradeiro era “uma lagoa”, não propriamente um riacho, e dificilmente transbordava. Quando chovia muito isso acontecia e passava sobre a estrada, mas isso já era bem próximo do nosso destino final. Pois não é que neste dia ensolarado choveu somente sobre esta lagoa que transbordou e passou sobre a estrada e o motorista que não conhecia bem o caminho ali estava com sua Perua Kombi encalhada após horas da nossa caminhada. Inacreditável!

Ele nos pediu que o ajudasse procurando ali algum parente com trator para poder rebocar a sua Perua Kombi. Fizemos isso ao chegar ao sítio e meu tio emprestou um trator e foi auxiliar quem nos negou carona! Acredite quem quiser! E está dito!




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