[A vida como ela é] Aquela simpática senhora!



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Pessoas desprezíveis!

Detesto o comportamento de certas pessoas que têm a mania de desfazer daquilo que pertence aos outros desdenhando e dizendo que o que ele possui tem valor, mas o objeto do outro não e assim por diante em outras situações análogas. Isso já aconteceu comigo várias vezes, pois nunca vi alguém com tanta sorte para o azar como eu. É inacreditável!

Certa feita eu fui visitar minha cunhada num distrito aqui da minha cidade e na volta, por volta das dezessete horas, um primo da minha esposa esperava pelo ônibus que logo passaria ali e ele viria para casa. Por se tratar de “parente”, oferecemos carona para ele em nosso possante Chevette 83 e no caminho eu comentei com ele que queria vender o Chevette para ajudar na construção da minha primeira casa.

Disse a ele que venderia por três mil reais à vista para quem aparecesse primeiro e estivesse interessado, ao que ele retrucou me dizendo que eu teria carro para a vida toda, pois jamais alguém pagaria três mil por aquela lata velha. Senti vontade de fazê-lo descer do meu carro; por pouco não o fiz. Filho de uma égua; desfazer do meu veículo dentro dele como carona! Fiquei chateado com ele e quando eu o vejo nas missas dominicais eu me lembro de orar por ele; invejoso e besta quadrado!

Vendi o carro pelo valor que queria e coloquei a laje da minha casa. Deus providenciou o comprador que era cunhado de uma prima minha e pagou em dinheiro limpo! Fiquei por dois anos sem carro e depois comprei à vista um gol quadrado ano 94. Aliás, só compro à vista e sou muito honesto em meus negócios e jamais desfaço ou desdenho das coisas alheias; o que é do outro pra mim é muito valoroso mesmo eu não podendo comprar.

E há poucos dias um cabeleireiro colega meu disse querer vender seu carro ano 2010 por vinte e quatro mil reais e eu disse que venderia o meu pelo mesmo valor e ele me disse que o meu não valeria jamais este preço por ser 2007. Perguntei se o dele era completo, pois o meu é e por isso eu só venderia por este preço. Ele me disse a mesma coisa daquele "parente ingrato" de que eu teria carro pra vida toda. Que maldição! Por que as pessoas são assim? Por que desvalorizam as coisas alheias?

Então repliquei dizendo a ele que gostava muito do meu Gol Flex Power 1.6, prata, ano 2007, e que ficaria com ele por ser um carro com apenas cinquenta mil quilômetros rodados em sete anos e apenas uma revisão de rotina aos cinquenta mil. Estava muito feliz com o meu bem móvel e não pretendia me desfazer dele, apenas comentei que este seria o valor. Elogiei o dele e disse que valeria muito mais, que ele devia pedir trinta mil ou mais, mas que vendesse para quem pudesse pagar e não a mim; mal sabe ele que eu posso pagar, mas carro só dá prejuízos e eu não teria motivos para desejar comprar o carro dele. E está dito!



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