[A vida como ela é] Aquela simpática senhora!


Este cronista também chora!



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Este cronista também chora!

Detesto aqueles dizeres de que “homem não chora”, isso pode até ser verdadeiro para os homens insensíveis e brutos, eu sou exatamente o contrário e choro com muita facilidade. Choro por estar longe dos olhos verdes dela, choro ao fazer minhas orações noturnas antes de dormir e choro por vários motivos que podem ser “frescura” para a maioria dos homens e mulheres. Pronto! Eu assumo que sou extremamente sensível diante dos fatos que a vida me apresenta!

Diante do túmulo da minha mãe e irmã que viraram “estrelas” eu não consigo conter meus prantos, diante daquele cachorrinho que eu vi às margens da estrada, diante do mendigo que caminha ao longo das rodovias e eu dentro do meu carro com ar condicionado e ouvindo belíssimas canções italianas.

Sou sensível diante do ostensório que me apresenta o meu Deus vivo e também diante do Santíssimo exposto no templo quando vou orar para a minha família. Choro quando percebo o quanto sou ingrato diante de tudo o que Deus tem me oferecido e me pergunto se sou digno de tanto, enquanto muitos nada têm.

Eu não consigo silenciar-me diante das injustiças sociais que abalam o nosso país e diante da greve dos bancários eu chorei ao ver o desespero da minha cunhada analfabeta sem conseguir retirar seu salário mínimo no caixa eletrônico e que precisou vir até mim, pois não havia quem lhe auxiliasse naquele momento.

Saber que neste mundo há muitos mundos e que as pessoas não são tão solidárias umas com as outras como deveriam ser e se alegram com a desgraça alheia como um bando de urubus à espreita do boi que está para morrer de fome e sede no sertão em virtude da seca que assola a região. Enfim, entristece-me sobremaneira ver que não sabemos amar o próximo porque não aprendemos a nos amar primeiro e interpretamos a oração universal do Pai Nosso à nossa maneira sem se importar com o próximo, pois amamos muito mais o nosso próprio umbigo.

E neste momento eu choro em demasia e vou molhar esta página que lhes apresento porque eu me sinto desprezado por quem tanto amo; recuso-me a dizer quem, pois esta pessoa sabe que esta crônica é dirigida a ela e, quiçá, possa ela ler e ter compaixão de mim. Eu choro e ela não acredita o quanto é amada por mim; minhas lágrimas rolam, o meu peito está ferido, a minha cabeça sangra, mas não se curva! E está dito!




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