[A vida como ela é] Aquela simpática senhora!


[OLHOS VERDES QUE ME FASCINAM]



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[OLHOS VERDES QUE ME FASCINAM]

Maldito vício!

O grande “amigo” Mestre Jordão que já virou “estrela” sempre me advertia para os perigos de inúmeros vícios dos quais podemos nos tornar escravos, e isso ocorria com frequencia quando estávamos a bebericar uma “loirinha suada” entre cachaças e outras bebidas destiladas ou fermentadas. Ele sempre me dizia: “eis o copo e a garrafa, mate-se com as suas próprias mãos” e eu enchia o copo e sorria com a invejável alegria de um bêbado diante daquele saboroso líquido venenoso. A propósito, em francês, pinga é chamada de “l’eau-de-vie”. Ironicamente, “a água da vida”. Sim; não bebo mais há quase dez anos e nunca fumei nem maconha! Sou careta!

Quando eu visitava sua casa em Lins ele sempre abastecia a geladeira com as famosas latinhas de cerveja das mais variadas marcas, e eu sempre optava pela Skol; na falta desta, podia ser Brahma ou qualquer outra, desde que antes eu tomasse um belo gole da mais preciosa pinga do seu barzinho. E eu não parava na primeira pinga, antes de beber uma meia dúzia de latinhas ou mais.

A partir daí o papo rolava solto e nem mesmo por isso deixava ele de me dizer que a bebida estava servida e que eu bebesse o quanto quisesse e sem cerimônia, mas que não deixasse ela me dominar, pois do contrário eu seria um “fraco”. E nesta “batalha insana” contra o álcool eu sempre perdia de dez a zero como a seleção do Taiti.

Todavia, o Mestre Jordão me dizia que o pior dos vícios era o carteado, pois na mesa de jogo de baralho você bebe e fuma (mesmo que você não seja fumante, você acaba sendo um fumante passivo). E ali entre os jogadores a bebida rola solta e você perde o dinheiro da compra, do aluguel, do leite das crianças e etc. e tal. O “maldito” jogador perde o seu salário todo de um mês de trabalho em uma noite e chega a casa espancando a mulher e os filhos como se eles fossem culpados pela sua “má sorte”.

É comum ver nos botecos da vida, homens rodeando mesas de carteado e outros jogando tudo o que eles têm e depois se suicidarem por ter perdido tudo o que conquistou, às vezes como herança e n’outras com o suor do rosto seu e dos seus filhos e esposa. O Mestre Jordão me afirmou ter sido um desses “medíocres” por muito tempo e que passava o fim de semana inteiro na mesa de carteado comendo aquela “lavagem” que era feita pelos próprios jogadores e deixava em casa sua amada à espera dele com pratos deliciosos.

O filho do Mestre virou “estrela” aos vinte e quatro anos, seis meses após foi a vez de sua esposa virar “estrela”, em dois mil e cinco o Mestre também virou “estrela”, em dois mil e doze morreu seu único genro (muito amado por ele), deixando sua filha que ainda mora em Lins com muito dinheiro e sozinha porque a família foi dizimada e ela não tem filhos. O pior dos vícios da sua época, segundo o Mestre Jordão, era o maldito carteado! E está dito!



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