[A vida como ela é] Aquela simpática senhora!


***** Obs: ... enquanto ambas repousam!



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Obs: ... enquanto ambas repousam!

Espelho meu, você sempre mentiu pra mim!

Eu sempre acreditei naquele que você me refletia e deixei me envolver por suas artimanhas, sempre me desfigurando e me mostrando uma face que não me pertencia. Eu nunca fui aquele menino que aos poucos foi crescendo e sendo absorvido pela sua insanidade. Eu sempre fui maior do que você me apresentava e por isso eu não mais confio na sua imagem; eu não me vejo em você.

Espelho maldito que me afirmava o contrário do que eu era e ainda hoje tenta iludir-me com suas mentiras diuturnas; por isso eu quase não olho pra você e sinto vontade de quebrá-lo, parti-lo em pedaços minúsculos e torná-lo pó de vidro. Você sempre distorceu a minha imagem me fazendo acreditar que eu nunca seria quem hoje sou. Por quê?

Distante do que você reflete eu sou mais eu e menos complexado com a vida, isso porque eu aprendi que sou capaz de mudar a realidade que você me vitimou por longos anos. Eu nunca fui aquele menino feio e “gauche” que você me apresentava querendo me fazer acreditar na minha impossibilidade de crescimento intelectual, cultural, social, moral e etc.

A vida hoje tem me proporcionado o prazer de me ver de modo diferente e mais feliz porque eu me distanciei de você espelho maldito e agourento. Quantas vezes eu chorei diante de você por me sentir escravizado por tudo que me devolvia; não sou aquele menino depressivo e angustiado que você condenou a acreditar que eu fosse por longos anos.

O espelho da casa onde eu me encontro agora não é tão insensível quanto você. E ao chegar de volta para o meu lar, prometo estilhaçar você. O espelho desta linda casa me mostra um homem lindo e maravilhoso e as pessoas que me rodeiam me aplaudem por eu ter conseguido me livrar dos traumas que você me causou durante quase uma vida inteira. Aqui eu me reconheço lindo, pleno de vida, satisfeito com o que sou e sei e não mais choro de tristeza pela sua ingratidão e frieza.

Junto das minhas “francesinhas Madeleine e Marianne” eu não me sinto seu escravo, mas senhor de mim. Eu sou muito mais do que você imagina, maldito espelho meu que sempre mentiu para mim. “Miroir, mon miroir maudit, tu m’as toujours menti”! E está dito!




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