[A vida como ela é] Aquela simpática senhora!



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O último bolero!

Eu dancei aquele bolero como se fosse o último da minha vida nos braços de uma jovem mulher que me fez delirar de paixão pelo modo faceiro que ela deslizava pelo salão os seus lindos e delicados pés femininos. Mas eu não devia ter lhe perguntado nada; apenas dançado. Todavia diante da pergunta dela por querer saber da minha ocupação, da minha profissão, do meu trabalho, eu também me senti no direito de questioná-la sobre sua ocupação; daí a enorme decepção. Sou Professor, disse a ela. Embora eu também seja Cabo Policial Militar Rodoviário do Estado de São Paulo (reformado/ aposentado); isso eu nunca digo a ninguém e nem disse a ela.

Por que fui tão ingênuo a ponto de querer saber aquilo que iria me ferir profundamente? Por que fui tolo ao desejar que ela fosse a mulher perfeita que eu buscava? Por que imaginá-la uma professora? Por que fui imaginá-la uma médica como Madeleine? Ou uma poetisa? Ou uma simples dama da sociedade? Ou uma mulher que pudesse ser por mim admirada e amada? Por quê?

Nunca mais faço perguntas quando imaginar que a resposta possa me ferir tanto quanto a pergunta que, ingenuamente, eu fiz para aquela jovem mulher que dançava extraordinariamente bem o ritmo que mais gosto de dançar e que me confidenciou que jamais havia dançado com alguém tão especial como eu e que sabia conduzi-la nestes lindos passos da dança mais romântica que embala um casal apaixonado. Não era o nosso caso, mas eu me apaixonei por ela naquele momento até saber o que ela fazia.

Não é preconceito; por favor, me perdoem os meus fiéis leitores, mas é trauma mesmo. Trauma como o que eu tenho de “Festa de Aniversário” e quem me leu em crônicas passadas sabe o que eu estou a dizer. Não vou à festa de aniversário desde que uma “antipática senhora”, há muitos anos atrás, negou-me um pedaço de bolo durante a festa e ainda humilhou-me dizendo que “bolo não era para encher a barriga, mas sim arroz e feijão”; portanto, estava de bom tamanho o pedacinho que eu havia comido e que me foi dado pelo meu coleguinha de classe. A bandeja de bolo fugia de mim naquela festa horrível e eu não me atrevia a correr atrás dela porque eu era muito tímido. Nunca façam isso com uma criança e não neguem um pedaço a mais de bolo se a criança desejar; imploro-lhe meu caro leitor.

Com esta linda mulher com a qual dancei meu último bolero, até então, ocorreu o mesmo ao saber que em meus braços estava uma POLICIAL MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO; (TENENTE). Senti-me arrepiado ao ouvir de seus lindos lábios esta confissão de que ela era MILITARIZADA. Que horror! Não consegui imaginá-la dentro de uma farda; as mulheres perdem a sua beleza dentro de uma vestimenta militar e a “cabeça” delas eu conheço muito bem, digo, o cérebro delas. Elas são vitimadas pelo insano regime militar e por isso não as acredito capazes de serem femininas e amáveis como as demais mulheres. Até agora, o que era para ser o meu mais lindo “último bolero”, foi para mim mais um trauma a colecionar. E está dito!




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