[A vida como ela é] Aquela simpática senhora!


Antes de ser pai, leia Machado de Assis!



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Antes de ser pai, leia Machado de Assis!

Se tiver preguiça de ler o livro todo, Memórias Póstumas de Brás Cubas, então leia somente o capítulo final “Das negativas” e vai entender o que eu estou querendo lhe dizer. Eu tenho apenas um filho de vinte e quatro anos que não fuma, não é drogado, bebe uma cervejinha muito raramente sem se embriagar, toca cinco instrumentos musicais por que eu o coloquei para fazer aulas de piano aos seis anos e sua primeira audição ao piano foi aos sete anos de idade. Conhece informática muito bem e é um lindo rapaz! Não é coisa de “pai coruja”, mas é verdade!

Desde os quinze anos ele trabalha numa empresa aqui onde residimos e parece ser um filho exemplar aos olhos de quem não conhece o “temperamento” dele. Ele toca piano, teclado, clarinete, flauta transversal e violão e ainda “arranha o francês” que eu lhe ensinei ainda menino. É um menino prodígio, todos devem estar dizendo.

Aos dezoito anos dei-lhe uma moto “Twister Preta 250” e um computador para que ele pudesse se divertir e estudar para ingressar na carreira acadêmica; era o meu sonho e não o dele. Ele preferiu curtir sua moto e ver o que não devia no computador que ficava em seu quarto. Ao perceber suas preferências, retirei o computador do quarto dele e levei ao meu escritório; isso o desagradou.

De posse da moto, ele não mais parava em casa e conheceu várias meninas novas e lindas, mas não demonstrou interesse em prosseguir seus estudos e acabou por se apaixonar por uma mulher mais madura que já vivia com outro em uma cidade vizinha. Ele a trouxe para minha casa após ter discutido com o ex-marido da dita cuja e ficaram em casa por alguns dias até arrumar um local para morarem, pois minha outra casa estava alugada e eu não podia retirar os moradores.

No dia seguinte a minha “nora” de trinta e dois anos (ele vinte e quatro anos), me veio dizer que tinha uma menina de cinco anos e eu disse que isso era problema deles; mais tarde consertou a história e disse que na verdade era mãe de três filhos, sendo um menino de onze anos, outra de nove anos e a de cinco anos. Eu repeti que era problema deles; nada contra e nem a favor, mas muito pelo contrário.

Eles são doentes e não admitem, pois ambos são “gastadores compulsivos” e devem em mais de vinte e dois lugares na cidade. Tudo o que ela deseja o pobre coitado, também gastador compulsivo, lhe compra. Vendeu a moto de nove mil por cinco mil para pagar dívidas, comprou um carro de catorze mil e oitocentos (usado) e vai pagar quase trinta mil em sessenta vezes. Deve em dois cartões de crédito um absurdo e nem podem mais fazer compras com eles. Pra mim, passa de cinco mil reais e ainda pega dinheiro emprestado com agiotas. Comprou de volta a moto que era dele por um valor maior do que vendeu e comprou para pagar a partir do próximo ano.

Já brigaram por inúmeras vezes, pois “em casa que falta pão todos brigam e ninguém tem razão” (Bertold Brecht). O quarto filho chegou e tem oito meses; é o meu legítimo neto. Vieram até mim antes da última briga em que ela lhe lançou uma vassourada no olho esquerdo ferindo-o e ele atirou um copo na testa dela; ambos foram à Polícia se queixar um do outro. Eu lhe disse que era o momento de se separarem para que o pior não acontecesse, mas em sete dias eles se reconciliaram e retiraram as queixas.

Eu e minha esposa estamos passando por tratamento psicológico para aprender a lidar com esta situação e nos foi dito para não darmos a eles nem mais um tostão; este é o primeiro passo de três, segundo ela. Eu o retirei de três dívidas pequenas e agora ele está “chafurdado no lamaçal das dívidas” e terá que sair sozinho. E onde entra Machado de Assis? Qual a culpa dele? A culpa foi minha por não tê-lo lido antes de ter um filho, pois assim “não teria deixado a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”! Leia o livro indicado em epígrafe e vai me compreender! “Filhos, melhor não tê-los”! E está dito!



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