[A vida como ela é] Aquela simpática senhora!


Em nosso carro sentindo o vento entrar pela janela!



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Em nosso carro sentindo o vento entrar pela janela!

Eu e ela!

Ela

Bela

Insensível

Inteligente.

Eu

Amante seu

Homem maduro

Seu porto seguro.

Ela sempre ingrata

E o meu coração maltrata;

Eu não sou dela o seu senhor

E menos ainda merecedor do seu amor.

Somos dois estranhos no mesmo ninho

Embora sempre juntos, cada qual no seu caminho;

Eu sempre sonhei com ela, mas caminho sozinho,

E ela insiste em não desejar meus afetos e carinhos.

Ela tem a mente aberta,

Mas seu coração fechado pra mim;

Não sei por que esta menina mulher age assim

Se eu estou sempre à sua espera na hora mais incerta.

Ela não me merece

Mesmo eu lhe desejando tanto;

Por causa dela, no meu rosto o pranto,

E no peito esta dor que não desaparece.

Não desejo morrer sem um beijo

Desta linda menina mulher que tanto desejo;

Eu sou o homem maduro e ideal para ela

Que passa todas as manhãs sob a minha janela!

Carta ao meu filho!

Meu querido e amado filho único, eu quero lhe dizer palavras que estão presas em mim e que você m’as impede de dizê-las por se recusar a me ouvir. Quero que você saiba que amamos muito você, eu e sua mãe, apesar da indiferença, do desprezo e da vergonha que você nos tem demonstrado através do seu comportamento tipicamente adolescente e compreensível por nós. Estamos chateados, mas jamais deixaremos de lhe amar porque sabemos que você, apesar dos seus vinte e poucos anos, ainda não está suficientemente maduro para nos entender e saber o quanto lhe amamos e desejamos o seu bem.

Sabemos, eu e sua mãe, o quanto você vive no seu “mundinho de bob”, achando que a vida é como você imagina e lamentamos por sua conduta imatura que lhe vai causar muitos aborrecimentos. Na verdade, gostaríamos de orientá-lo para que você não fosse surpreendido pelas “armadilhas vitais” e que pudesse se preparar melhor para atravessar os muitos desertos que a vida vai lhe apresentar. Sabemos que você é avesso aos nossos conselhos como a grande maioria dos jovens da sua idade, infelizmente.

Aquele filho que nós educamos para ser “gente” cresceu e agora não aceita mais as nossas orientações e se acha capaz de seguir o seu próprio caminho, mesmo tropeçando diuturnamente por se recusar a ouvir nossos sábios conselhos. Ocorre que você, meu filho, ainda é incapaz de carregar o “fardo” que você colocou sobre suas frágeis costas e sempre que se vê em apuros, e somente nesta ocasião, você nos procura. Quedas que poderiam ser evitadas, mas que você nos impede de alertá-lo sobre elas.

Eu notei que você tem nos tratado com muita indiferença, que não nos ama o quanto amamos você, que nos despreza nos seus momentos de felicidade e que sente vergonha de nós, os seus pais. Você me subestima e não percebe que um pai ou uma mãe sabe os caminhos que seus filhos trilham. Deus nos agraciou com um “sexto sentido” apurado e nós estamos sempre alguns passos adiante de vocês filhos e percebemos quando algo de estranho está acontecendo com vocês. Eu sinto o seu desprezo, a sua indiferença, o seu descaso e a vergonha que tem de mim e da sua mãe. Essa vergonha somente desaparece quando você necessita de ajuda financeira; você não tem vergonha do meu dinheiro que lhe socorre diuturnamente. Satisfeita a sua vontade e necessidade, você me despreza e me esquece até a próxima necessidade.

Meu amado filho (e sempre será), a sua ingratidão tem me levado a pensar asneiras, mas não cometerei nenhuma insanidade em razão das suas atitudes imaturas porque Deus não me daria um “fardo” que eu não pudesse suportar. Sei que estou sendo forjado como o ouro; sei que as provações não são maiores que o meu Deus; sei que vou suportar com muita inteligência e sabedoria toda e qualquer indelicadeza vinda de sua parte sem jamais perder o controle emocional; jamais erguerei a mão contra você porque sei que a vida vai lhe dar o que é de seu merecimento; você vai sofrer muito não porque eu desejo, mas porque você colherá o que está semeando; a vida é assim, mas os jovens da sua idade desconhecem a sabedoria que somente o tempo é capaz de nos presentear. Um dia, quando você ler esta carta, talvez consiga entender o que contém nas entrelinhas dela.

Acredite meu amado filho que apenas Deus e nós seus pais lhe amamos verdadeiramente. Outros que passarem por sua vida, jamais terão por você o mesmo amor incondicional de Deus e dos seus pais. A sua esposa poderá até ser sua cúmplice e companheira por toda a sua vida, mas jamais sentirá por você o amor que sentimos. Ela já manifestou o amor dela pelos pais dos três filhos dela e esperamos que ela consiga amar você muito mais que tão somente quatorze anos que ela amou o pai dos filhos dela.

Você, meu filho amado, tem demonstrado mais afeto e carinho por sua esposa e a família dela que você conheceu a menos de três anos do mesmo modo que uma menina moça ao se apaixonar perdidamente por um homem se esquece em quinze minutos dos quinze anos que viveu sendo amada incondicionalmente pelos seus pais e se entrega levianamente àquele que lhe parece ser bem melhor que os seus pais. Ledo engano! A sua esposa, a família dela e seus enteados, um menino e duas meninas, têm sido muito mais importantes do que eu e sua mãe na sua vida e por isso eu não quero lhe atrapalhar e, se possível, não mais ajudá-lo. Acredito que você tenha vergonha do meu amor, da minha dedicação e do meu auxílio financeiro.

Enorme tristeza invadiu o meu peito ao me relembrar que você não nos convidou para o seu casamento, em segredo, naquela igreja que não é a igreja dos seus pais. Jamais vou me esquecer desta grande desfeita; eu nunca vou me esquecer de que todas aquelas fotos tiradas no seu casamento do cartório que você nos convidou, nenhuma delas onde estamos eu e sua mãe foram colocadas na sua página (no seu álbum); não vou me esquecer de que comprei com sacrifício o vestido de noiva da minha ingrata nora; não vou me esquecer dos inúmeros favores prestados a vocês; eu não me esquecerei do nosso passeio recente que foi registrado pelas inúmeras fotografias que suas enteadas tiraram e que também não constam das suas fotos preferidas na sua página nas redes sociais; por que então as tirou?

Hoje eu amanheci decidido a ser “pai” de uma menina e deixar para ela a metade dos bens que possuo. Você saberá no seu tempo e nada poderá fazer para impedir que ela usufrua daquilo que seria somente seu e do meu neto. Ela tem me dado em menos de cinco anos o amor que em vinte e cinco anos você não me deu; ela, a minha “filha adotiva” que você não conhece e que vai conhecer um dia vai dividir com você aquilo que poderia ser somente seu. Os meus livros ficarão todos com ela, muito embora poucos porque eu doei a maioria deles. O maior tesouro que eu lhe quis dar era uma formação humana e acadêmica, mas você se deixou levar pelas ambições mundanas e se transformou num doente gastador compulsivo. Lamento profundamente. Você fez as suas escolhas e eu fiz as minhas.

Eu não consigo acreditar que um único filho fosse tão incapaz de me amar o quanto eu desejei, mesmo não tendo tido eu a referência paterna em minha vida. Talvez eu tenha errado, mas não foi intencional. Fui um pai ausente na sua infância porque a necessidade de mantê-lo era mais urgente e até mesmo fui um marido ausente por ter que buscar o seu sustento e de sua mãe em diversas localidades diferentes.

Por fim, meu sempre amado filho, eu só quis ser amado por você. Não fui amado pelo meu pai, mas senti o amor imenso e até imerecido de minha falecida mãe porque eu reconheço que poderia ter sido um filho melhor para ela. Termino estas linhas em pranto! Eu amo você, apesar de não me sentir amado por você meu filho. Pronto! Falei!




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