[A vida como ela é] Aquela simpática senhora!



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Verdade ou mentira?

Isso depende muito mais de quem ouve do que daquele que as diz. Se for mentira ou verdade, cabe tão somente a você, meu leitor, acreditar ou não. Muitas verdades que eu ouvi me decepcionaram e muitos relatos que eu acreditei serem mentirosos me surpreenderam. Uma mentira pode se tornar verdade à medida que eu acredito nela; não há verdades absolutas, pois tudo na vida é relativo e sempre será.

Talvez eu esteja sendo confuso ao me explicar e confunda o meu leitor, mas não é essa a minha intenção. Quando eu me refiro às viagens e viagens, eu deixo bem claro que amo viajar e já estou de mala pronta. Todavia, as minhas viagens mais prazerosas são através da leitura e da escrita. Logo, pegue a sua mala e embarque nas minhas viagens comigo. Não precisa pagar nada; deixa tudo por minha conta.

Vamos aos esclarecimentos: eu me lembro das histórias contadas por meu falecido tio, analfabeto, negro, lavrador, mas dotado de uma sabedoria incrível. Ele não só filosofava em alemão como também falava fluentemente esta língua germânica tão admirada por mim. O meu falecido tio Paulo dizia coisas que eu teimava em não acreditar que ele tivesse vivido. Ele era um negro bonito, tocava violão como ninguém e cantava muito bem. Das suas inúmeras mulheres eu sou testemunha viva e ocular, mas eu teimava em não acreditar em outras conversas dele. Eu não acreditava que ele tinha sido vítima de abusos e “roubos” das polícias e demorei mais de vinte anos para confirmar seus relatos que eu não acreditava serem verdadeiros.

Eu tive um grande colega que era para mim como se fosse o meu pai e que me dava conselhos maravilhosos; ele faleceu, mas não antes de me revelar, sem saber, as histórias que meu tio me contava. Eu acredito que este meu colega policial aposentado e bem mais velho do que eu não sabia que eu era sobrinho de uma de suas vítimas mesmo não tendo ele citado o nome do meu falecido tio.

E foi através do relato deste policial, excelente colega, que eu soube da verdade que eu acreditava ser mentira. Eu estava na casa dele passeando e, após o jantar (uma leve sopinha), nós ficamos conversando e ele teve uma de suas constantes crises e palpitações no coração. Eu corri buscar seus medicamentos e tão logo ele os tomou, voltou a se sentir melhor e começou a me segredar algo do seu passado. Ele me contou das suas “aventuras” como militar e do modo como tratava os “neguinhos” somente na base do cassetete. E confidenciou-me que o seu sofrimento era fruto de tudo aquilo que ele havia semeado como militar insensato, arrogante, prepotente, covarde, mentiroso, ladrão e etc.

E ele me contou tudo o que o meu tio deixava nas entrelinhas. E foi então que eu me lembrei de que certa feita nós passeávamos de carro pela cidade de Maracaí e eu pedi ao colega que parasse diante da casa do meu falecido tio para eu lhe dar um recado. Ao entrar o meu tio me disse: “eu não gosto deste colega seu” e silenciou. Na ocasião eu não entendi o porquê, mas naquela noite na varanda da casa do colega militar eu passei a acreditar que o meu tio nunca havia mentido sobre as agressões e “roubos” sofridos por ele. O meu tio era um boêmio, mas trabalhador e muito honesto e eu digo “roubo” e não furto porque sei muito bem a diferença entre ambos; policiais sempre serão ladrões porque mesmo não fazendo uso das suas armas, o simples fato de tê-las como objeto de trabalho já caracteriza tal crime. Meu tio não mentia; não sobre este fato. Portanto, se verdade ou mentira, somente o tempo poderá nos dizer em muitas situações.




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