[A vida como ela é] Aquela simpática senhora!



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Conto com sua humildade e coloco-me à sua disposição! Desejo melhoras à sua amada e querida parenta que necessita de cuidados e das bênçãos de Deus. Sofro contigo! E está dito!

A última página!

Há tempos eu venho pensando em escrever esta última e melancólica página; é chegado o dia e eu preciso encerrar mais um ciclo vital nesta minha caminhada dura pela vida. Sinto a necessidade de me dispor de muitas coisas que eu conquistei e que agora não mais me dão o prazer daquele momento em que foram conquistadas.

Não sei o que pensam os psicanalistas de plantão, mas tudo aquilo que eu sonhei conquistar, depois de conquistado e “saboreado” passou a ter um gosto amargo. Eu queria tanto ser pai e depois percebi que “nossos filhos não são nossos filhos, mas a ânsia da vida por si mesma” (Gibran). Eu nunca desejei ter sido Policial Militar e sofri muito neste regime insano tendo que dizer constantemente “sim senhor e não senhor” para homens pequenos, medíocres e semialfabetizados; tudo isso contra a minha vontade, mas por força do regime ditatorial abjeto e desprezível. Einstein já afirmara que “o militarismo é um câncer no seio da sociedade”, mas somente muito tarde eu tive conhecimento destes dizeres incontestáveis. Não sonhei ser Professor e sou; confesso ser feliz por ter lecionado e aprendido e ensinado. Colhi alguns frutos deste trabalho que foram muito saborosos e ainda são.

Pela terceira vez eu fiz uma limpeza na minha biblioteca e eu reduzi drasticamente o número de livros porque senti a necessidade de fazer com que os meus amados livros circulassem e não mais ficassem na prateleira como enfeites, após terem sido lidos por mim. Meu único filho demonstrou ser avesso ao conhecimento, o que muito me entristece, pois então que outros façam bom uso dos livros que comprei com muito sacrifício. Deixarei poucos livros ao meu neto; não consegui abrir mão dos meus clássicos da Literatura Francesa, ainda.

Tenho sentido enorme vontade de me livrar de tudo o que não me preenche mais e nesta lista estão algumas coisas que eu pretendo viver sem elas, tais como este computador, o meu telefone fixo, o meu carro, meus poucos relógios, minha caixa de ferramentas, o meu gatinho (depois que ele morrer), o meu diário, enfim, quero viver a delícia de ter somente o necessário para viver (desejo desapegar-me de tudo o que for possível) e dispensar tudo o que não me preenche mais.

A conquista de algo é salutar e nos dá uma enorme sensação de prazer, mas depois venha a angústia por ter sido tão fácil de conquistar que o prazer se vai. Ainda que a conquista tenha sido árdua, o simples fato de se ter conquistado já me traz uma enorme frustração. A espera do amor é mais emocionante do que, propriamente, viver o amor e assim me aconteceu com várias mulheres com as quais eu fui para a cama; antes de possuí-las era enorme o desejo e depois de vários orgasmos tudo parecia tão banal.

Eu quero me livrar de tudo o que me pesa, como uma águia que se refugia no alto da montanha para renovar-se. Quero me livrar do meu bico enorme, depois das minhas pesadas penas, das minhas garras e aí então voltar a ser uma águia com liberdade de voo para novas conquistas. Eu quero me libertar de todas as lembranças que me fizeram sorrir e sofrer. Quero uma Nova Vida! E está dito!




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