[A vida como ela é] Aquela simpática senhora!



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A visita!

Quem ler a crônica anterior a esta, entenderá melhor o contido abaixo. Eu jamais esperava por esta inusitada visita de um colega que não tenho tanta intimidade e que nunca esteve em minha casa para conversar comigo; a gente se limita a dizer um “oi” quando nos encontramos nas ruas da cidade e nada mais do que isso. Aliás, eu sou “meio antissocial” e quem tem o privilégio de conhecer minha sala e cozinha são aqueles colegas por quem eu nutro profunda simpatia e admiração, do contrário, jamais entrará em minha casa e será atendido no portão. E são pouquíssimos!

Eu e minha esposa recebemos poucas visitas em nossa casa e até somos vistos pela vizinhança como um casal “bizarro”, mas jamais incomodamos nossos vizinhos ou intrometemos na vida alheia. Somos centrados em nós mesmos e vivemos bem assim sem incomodar ninguém e sem permitir que nos incomodem no nosso sagrado lar.

Todavia, a noite de ontem foi uma surpresa quando este colega apareceu por volta das vinte e uma horas e quinze minutos, bateu palma, tirou-me do meu sossego e atrapalhou a minha novela, mas eu fui atendê-lo e então ele me disse que nem tinha a intenção de me incomodar e só resolveu me chamar por ter visto a luz da cozinha acesa e presumiu que eu estivesse acordado. Então resolveu chamar por mim e aí contou sua triste história "narrada", sem muitos detalhes, na crônica anterior.

Quando eu o vi naquela hora, logo pensei que ele viesse pedir dinheiro emprestado ou que qualquer outra coisa mais grave lhe tivesse acontecido. Enganei-me, mesmo porque o colega tem uma situação financeira bem melhor que a minha. Até pensei que fosse uma briga de casal ao ver seus olhos lacrimejando, mas ele só precisava desabafar com alguém e me escolheu naquela noite calorosa de verão; ontem. Por três horas eu o ouvi atentamente e passava da meia noite quando ele resolveu retornar pra sua casa que não é tão perto da minha; ele estava a pé e eu lhe ofereci carona, mas ele se recusou a aceitar dizendo que precisava espairecer e que caminhar lhe faria bem.

Eu disse poucas palavras de conforto a ele, mas me lembrei de dizer algo que o meu colega Mestre Jordão (que já virou “estrela”) sempre me dizia: “espere sempre o pior dos outros, pois assim a sua decepção será menor”. Sempre achei muito estranho o pessimismo dele em relação ao ser humano, mas hoje sou obrigado a me convencer disso diante da triste história que ouvi do colega na noite de ontem.

Até me lembrei de um episódio quando eu voltava do Baile da Terceira Idade em Assis e chovia muito e então eu parei no Posto de Combustível na entrada da cidade, por volta da meia noite, e lá se encontrava uma jovem senhora com seu filhinho sem ter como sair naquela chuva para ir embora. Gentilmente eu lhes ofereci carona e os conduzi até a casa deles e qual não foi minha surpresa ao ouvir esta senhora dias depois falando mal de mim defronte a minha casa que estava em construção. A senhora que a acompanhava perguntou a ela de quem era a casa em construção diante delas e a dita cuja simplesmente disse: “é daquele cara chato e nojento, irmão da enfermeira Matilde”. Eu ri pra não chorar! Que lição! Nem todos merecem o nosso respeito e confiança. E está dito!




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