[A vida como ela é] Aquela simpática senhora!


Assim falava “Mestre Jordão”!



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Assim falava “Mestre Jordão”!

As pessoas não são o que aparentam ser; são piores. Desconfie sempre do ser humano, pois ninguém se aproxima de você com boas intenções e sem interesses. Eis uma verdade que custamos a admitir. Não sejamos hipócritas!

Lembro-me que eu era muito amigo dele e que nossas conversas eram muito francas. Eu passava pela pior época da minha vida, pois acabara de ser demitido injustamente do serviço público sob a falsa acusação de agredir um superior militar e não sabia o que fazer com um filho de dois anos e uma mulher para sustentar. Nesta época infeliz foi que o Mestre Jordão me amparou.

E não pense vocês que ele era simpático e bonzinho comigo; era um verdadeiro amigo sem meias palavras, pois me chateava com as verdades que eu teimava em não querer aceitar. Ele me “chicoteava” enquanto me acolhia. E certa vez eu perguntei a ele por que a minha companhia lhe era agradável e ele foi sincero ao responder.

Já que me faz tão intrigante questão, digo-lhe que a sua companhia é agradável porque posso explorar a sua triste situação e tê-lo como um serviçal gratuitamente, pois bem sei que a minha companhia também lhe é agradável. Eu ouço as suas queixas, pago pelos seus “goles” e em contrapartida tenho você pra me fazer pequenos serviços. Você me lava o carro, capina o meu quintal, ajuda a cuidar do meu filho doente com H.I.V, dirige pra mim e etc. Vivemos numa troca de favores. Além disso, você é um camarada de boa conversa e que está sempre pronto pro que der e vier. Portanto, nada do que eu lhe ofereço é gratuito, assim como sua amizade comigo também não é menos desinteressada. Não que sejamos mercenários, mas mesmo involuntariamente vivemos num mundo de trocas e não sejamos hipócritas.”



Pura verdade! E certa vez quando nós viajávamos para Peruíbe (eu conheci a praia pela primeira vez em 2001 com o amigo Jordão e voltamos em 2002), eu disse ao Mestre Jordão que sentia pena dos andarilhos que víamos ao longo das rodovias. Ele me advertiu dizendo: “Não queira censurar atos do GRANDE MESTRE, pois ele sabe o que faz. Ele dá o frio conforme o cobertor. Estes andarilhos têm o que merecem. Sabe lá o que eles fizeram pra merecer tal “castigo” ou quem sabe se eles não são mais amados que nós diante de Deus! Muitos deles cometeram barbaridades, outros são doentes mentais, outros ainda preguiçosos e por aí vai. Não tenha pena de ninguém; jamais.”



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