[A vida como ela é] Aquela simpática senhora!


Os desertos que eu atravessei!



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Os desertos que eu atravessei!

Miro-me no espelho do passado e vejo as cicatrizes deixadas pelo tempo no meu rosto, os cabelos grisalhos, e me recordo os bons e maus momentos vividos nesta vida que ao bem e ao mal nos convida diuturnamente. Eu me lembro, muito bem, dos amores não correspondidos, dos desejos de menino que não foram realizados naquele momento e que hoje não me são mais motivos de tormento.

Eu me lembro do insano desejo de querer uma bicicleta para eu me divertir como os meninos da minha época e que eu nunca consegui ter. Depois que tive meu filho e dei a ele o que eu não pude ter, ele simplesmente tinha outros sonhos e desejos. O meu filho é o pianista que eu não consegui ser; contento-me com o pouco que sei de violão. E violão de três ou quatro notas para tocar e cantar músicas sertanejas e poucas MPBs.

Ah! Como eu sofri por causa da Neusinha e do grande amor que eu senti por ela na minha adolescência; como eu sofri ao deixar o seminário tão logo morreu meu confessor e diretor espiritual, o saudoso Padre Brás Zandonadi; como foi triste eu ter vivido anos seguidos sendo dominado pelo maldito vício do álcool e ter conseguido me libertar a pouco mais de 10 anos; como foi difícil não sepultar as três mulheres que eu mais amei em minha vida por eu estar vivendo as agruras do cárcere militarizado, minha mãe Maria (2006), minha irmã mais velha, Matilde (2008), e a minha mulher amante italiana Marli Galeazzi (2007).

Eu vivi dias de cão, mas quis o destino e Deus que a vida me ofertasse momentos gloriosos e não somente momentos dolorosos. Hoje eu olho e vejo os rastros deixados na areia dos desertos que eu tive que atravessar e agradeço ao bom Deus por tudo que ELE me deu. Na época eu não entendia as razões de tantos sofrimentos, mas agora eu percebo que Deus escreve mesmo certo por linhas tortuosas demais. Encontrei o meu oásis em meio ao quente deserto dos meus dias de caminhada e do frio hostil das terríveis noite e madrugadas já esquecidas no tempo, mas vivas na minha lembrança. Eu passei muito rápido pelo tempo, mas ainda quero desfrutar o lado bom da vida porque enquanto há vida há desejo.

Meus caros e fiéis leitores, se hoje vocês atravessam o deserto que eu atravessei, saibam que tudo isso é para a honra e glória do nosso Deus e para a sua edificação como ser humano. Ninguém passa por esta vida sem ter conhecido os desertos que ela nos apresenta diuturnamente. Desertos vão existir sempre, mas para além do deserto está a Terra Prometida. E está dito!

Amar uma mulher é odiar o mundo!”





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