A terapia comportamental dialética



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A TERAPIA COMPORTAMENTAL DIALÉTICA

Wilson Vieira Melo1

A Terapia Comportamental Dialética (TCD) é um tratamento estruturado, especificamente desenvolvido na década de 1990 para a abordagem de mulheres suicidas. Como o comportamento suicida ocorre frequentemente em pacientes com o diagnóstico de Transtornos da Personalidade Borderline, que é um transtorno da personalidade no qual a instabilidade, as intensas emoções, e o sentimento crônico de vazio costumam estar presentes, tal modelo de intervenção acabou se caracterizando como o tratamento de escolha para pacientes com este diagnóstico, em especial, para os casos mais graves. Na última década, entretanto, o modelo começou a ser testado para pacientes com Transtornos Depressivos, Bipolares, de Ansiedade e Alimentares, além de indivíduos suicidas de um modo geral e casais com problemas comportamentais complexos. A abordagem vem sendo utilizada, tanto na forma individual, quanto em grupo.

A TCD é uma ferramenta para o tratamento de casos graves e complexos, nos quais a desregulação emocional leva o indivíduo a se comportar de modo desadaptativo. Crises suicidas, internações repetidas, comportamentos automutilatórios e uso de substâncias, são alguns dos comportamentos observados no funcionamento de pacientes graves e com múltiplas comorbidades psiquiátricas (que é quando mais de um diagnóstico se apresenta simultaneamente em uma pessoa). Desenvolvida pela psicóloga americana Marsha Linehan, PhD, e embasada em expressivo número de estudos, a TCD utiliza-se de estratégias cognitivas e comportamentais associadas ao treinamento de habilidades emocionais e sociais. Partindo do princípio de que a desregulação emocional é ponto-chave para a desregulação cognitiva, comportamental e interpessoal, tal modelo de tratamento visa promover habilidades como o autocontrole, a atenção plena (mindfulness), o aprimoramento das relações interpessoais e a tolerância ao estresse. O modelo de tratamento estrutura a intervenção em uma fase pré-tratamento, e posteriormente, em quatro fases distintas, com objetivos terapêuticos específicos e bem definidos. Abrangente, integrativa e amparada em resultados, a TCD tem despertado grande interesse entre psicoterapeutas da atualidade, sendo uma das principais práticas de psicoterapia baseada em evidências.





1 Doutor em Psicologia (UFRGS), com estágio de pesquisa na University of Virginia (USA) estudando o viés cognitivo nos transtornos de ansiedade. Mestre em Psicologia Clínica (PUCRS) e com formação em Terapia Comportamental Dialética (The Linehan Institute Behavioral Tech). Vice-Presidente da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas - FBTC (Gestões 2013/2015 e 2015/2017). Organizador do livro "Ëstratégias psicoterápicas e a terceira onda em terapia cognitiva" (Sinopsys, 2014).



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