A televisãO



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“A Violência na Mídia Televisiva e o Desenvolvimento da Personalidade Infanto-juvenil”.
Dra. Nícia D’Avila *
Agressividade é a força que leva o indivíduo a agir na busca de um estado de equilíbrio sempre que o mesmo for interrompido. Somente impulsionado por essa força, o indivíduo poderá adaptar-se às condições de vida em grupo, auto-afirmar-se, realizar-se. O ser humano já demonstra a existência dessa força, em seu primeiro contato de sofrimento com o mundo, por meio do grito. Desprovido desse impulso, seria um indivíduo sem expressão alguma. É a agressividade, de uma certa forma dosada e natural, que observamos nos instintos humanos de sobrevivência, congregação (o gregário), manutenção da espécie, entre outros. O impulso, porém, levando o ser humano a uma agressividade exagerada, incontrolada e extrema, torna-o maléfico, pernicioso. Neste caso, sua constatação fará jus à denominação de "estado de violência".

A sociedade, a escola e a família (acima de tudo) lançavam mão, outrora, de todos os meios e recursos para que essas forças agressivas em excesso fossem diminuídas. Infelizmente, não constatamos esse mesmo esforço ou empenho nos nossos dias.

De todos os meios de comunicação, a televisão, com suas programações altamente manipuladoras, tem-se mostrado o mais potente instrumento de persuasão afetando direta ou indiretamente toda a sociedade consumidora, em virtude de sua facilidade de aquisição. Dos 42,8 milhões de domicílios brasileiros, 94 % têm pelo menos uma televisão, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Logo, seria inadmissível ignorar a penetração e toda a influência exercida por esse meio de comunicação, sobre a população, no dia-a-dia.

Seduzindo o telespectador a querer assistir a programações conduzidas por apresentadores altamente carismáticos, valem-se algumas emissoras de certas estratégias, como formar o elenco de abertura de um determinado programa com personagens portadores de traços físicos que fogem da normalidade, trajados de maneira extravagante, tendo como finalidade ajudar o apresentador a compor uma espécie de dramatização circense projetada como cenário ou "fundo de cena".

Essa espécie de programação, sondando os anseios populares, com o decorrer do tempo passará a envolver também indivíduos portadores de sérias deformidades corporais convidados para as entrevistas, apresentando e relatando de forma dolorosa as suas deficiências físicas. E, tratando-os com atitudes e "fundos de cena" dosados de humor, de sátira e de grosserias, assim vai a criatividade humana demonstrando o avesso da produção cultural, a título de "entretenimento", ao menos aparente, por meio de aberrações constantes, a fim de garantir surpresas a cada entrevista e o estouro da pontuação no Ibope.

Com o decorrer do tempo, quando a monotonia começa a instaurar-se nesses tipos de programação, intrincadas questões familiares passam a ser exploradas (uma vez que já deram certo em outras emissoras), sendo entrevistados casais de vida simples, esperançosos nas promessas de resolução dos seus desacertos, advindas dos animadores dessas programações.

E o telespectador passa do querer assistir ao dever continuar assistindo, num paradoxo mesclado de culpa, pela perda do seu precioso tempo, e de satisfação, motivada pela solidariedade que se estabelece entre telespectador e entrevistados, uma vez que as referidas programações, garantindo a esses últimos a solução dos problemas, fazem-no utilizando certas frases - chavões, do tipo : "eu só estou aqui para ajudar o povo", "vou até o fim  porque o povo precisa saber", "mexeu com o povo…mexeu comigo", etc., embora assentadas em caráter quase que exclusivamente promocional.

E o hábito instaura-se no incauto receptor que, não tendo opção - pois depende sempre de pouco tempo disponível e hora marcada para o lazer - , continuará acompanhando os referidos programas que fazem apelo a uma violência gratuita, a título de ¨entretenimento¨, como troca de socos, tapas, palavrões e pontapés, no ar, inicialmente entre os convidados entrevistados, envolvendo a seguir os contratados da emissora para a encenação e os entrevistados e, por vezes, abrangendo ainda participantes do auditório.

Na produção do espetáculo, por uma ingenuidade (queremos acreditar nisso), não foram levados em conta os sentimentos de dor, de vergonha e de insatisfação dos personagens entrevistados para o "show" que aumentará o Ibope. Não nos esqueçamos de que esses entrevistados são parte desse mesmo "povo", para o qual foi utilizada a frase : "eu só estou aqui para ajudar…" etc., etc., etc.

E aí colocamos um fato constatado, deveras interessante : a necessidade de uma telespectadora assídua em encontrar palavras, ou frases evasivas, das mais esdrúxulas e curiosas, na tentativa de justificar-se em desculpas (ou pretextos) por estar, há algum tempo, colada a tais programações. Ex. «Eu só assisto tal programa para dar valor ao marido que eu tenho la' em casa».

Depois da automação, pelo receptor, e da alta pontuação, pelos índices de avaliação, os programas com esse nível de aceitação passam a ser efetuados não mais em função daquilo que o programador deseja levar ao ar, mas daquilo que a audiência determina que se faça. O povo quer cada vez mais. Foi instaurada a histeria popular em fazer vivenciar a miséria do povo para o êxtase do próprio povo. E o programador, versátil, mesmo querendo variar com a introdução de temas bem mais interessantes, sente-se também obrigado a continuar nesse mesmo esquema pelo medo da perda de audiência.

Buscar respaldo nos quadros apelativos à violência (moral, física, ética, entre outras ) está transformando a TV numa fábrica de horrores. Onde iremos parar diante dessa invasão direta, nociva, descontrolada e avassaladora em nossas casas ?

Qual a intenção, por exemplo, de uma programação que faz uso de crianças num requebrado indecente, com a finalidade de colocá-las em concurso ? Concurso de quê ?

"Com essa denominação desvia-se o assunto para não se reconhecer o mal em que, objetivamente, esses programas venham a incorrer : na perversão da inocência infantil, na satisfação da lascívia de adultos e até mesmo no estímulo à pedofilia"1, favorecendo um dos modos - o mais abominável - de perversão.

O homem é um reflexo do ambiente em que viveu na infância e esses tipos negativos de mensagens televisivas emitidos ao público, em geral, são vivenciados por crianças e adolescentes, produzindo em ambos, evidentemente, perdas bem mais consideráveis.

Dizer basta competirá a nós mesmos, se formos seres conscientes e responsáveis. Se nada existe de interessante nesse mesmo horário, programemos o « DELETEL », para o deleite da nossa família e a educação dos nossos filhos, pois outras atividades como uma boa conversa, em família ou com amigos, um passeio ou uma boa leitura, certamente produzirão excelentes resultados, com economia de tempo e de ‘eletricidade`, hoje tão necessários.

As programações que atualmente cumprem com os papéis cultural e educativo, moral e ético não representam, infelizmente, um número vultoso. Ainda bem, porém, que as temos A família brasileira imensamente agradece.

Ontem a violência provinha das guerras ; hoje ela está ao nosso lado. Freqüenta nossas escolas, nossa casa, nosso dia-a-dia, assim como a imoralidade de certos programas, com a qual somos obrigados a conviver.

E assim, deseducando-se cada vez mais, o pobre telespectador transforma-se em "televiseiro", isto é, aquele que, inconscientemente, passa a absorver a sucata dos assuntos televisivos, cuja contribuição moral, educativa, informativa, ética e lúdica (?) é um acinte à vida em sociedade, às nossas crianças e adolescentes, as maiores vítimas desse processo de deformação.

Em conseqüência das críticas, observamos ainda a banalização pela mídia, nas expressões formuladas por seus representantes :

- "mude de canal, caso não goste do programa" .

Amanhã certamente irão dizer :

- "quem não gosta de drogas é só não comprar" ;

e mais tarde terão a ousadia de dizer ainda :

- "quem não quer ser assaltado, não deve sair de casa".

E quando você e seus familiares não tiverem um programa sadio para os raros momentos de lazer; quando você, mãe de família, não puder mais sair às ruas com dinheiro nem relógio; ou quando seu filho estiver escravizado pelo vício das drogas… saberão bem depressa dizer " que foi você que não soube educá-lo ! "


 ¨A TV já passou de todos os limites¨ .
Esse é o nosso brado indignado e o de milhares de pais e mães de família que não agüentam mais o veneno mortal da imoralidade , da vulgaridade e da violência descontrolada que a Televisão derrama em nossos lares.

E nós ? O que fazemos diante desse quadro ?

A criança, um ser em formação, tem seus impulsos produzidos num organismo biológico - onde se fundamentam todos os processos psíquicos - e configurados sob a dependência de uma lógica biológica (Wallon, 1931/1959) que institui um calendário maturativo. Em função dessa `Lógica` é construído o psiquismo humano pelo entrelaçamento do "inconsciente biológico" com o "inconsciente social". O desenvolvimento físico, fazendo parte integrante dessa estrutura biológica, em constantes transformações, tanto abre possibilidades evolutivas quanto impõe também limitações à mudança de cada momento possível. Um grande exemplo é constatado no "desenvolvimento psicomotor, fazendo parte estritamente do físico-maturativo e do relacional. É uma porta aberta à interação e, portanto, à estimulação" 2. Logo, é também por intermédio de formas positivas de interação e de estimulação que minimizamos os bloqueios que inibem indivíduos à realização de ações

Em conseqüência, tratando-se de adolescentes hipo ou hiper-tônicos, produzem excelentes resultados os exercícios de coordenação motora, realizados em grupos, orientados para cada caso, quando o indivíduo, na busca do estado de equilíbrio, interagindo com o grupo e sendo por ele estimulado, terá uma produção amplamente beneficiada3. A coordenação motora desenvolvida coletivamente, permite que o adolescente adquira o domínio do próprio corpo, do tempo e do espaço, com prazer, no hábito de partilhar com o outro suas emoções, acertos e erros, alegrias e tristezas, compensando adequadamente timidez e ansiedades, extroversão e moderação. Da primeira díade colheremos como resultado, entre outros, o aumento da auto-estima; da segunda, a valorização do aspecto coletivo. O indivíduo aprende a administrar sua inteligência emocional 4 tendo, no interagir com outras pessoas, a portunidade de desenvolver aptidões e de bem fazê-lo, sendo ou não detentor de um QI privilegiado. "Ayrton Senna não era nenhum gênio neuronal, na acepção que o termo tinha até duas décadas atrás. O domínio invulgar do espaço (do tempo e do próprio corpo) que ele possuía, porém, fez o campeão" 5.

Para grandes empresas, atualmente, na seleção de um executivo, mais do que um vasto currículo interessa a forma como ele se relaciona com seus amigos, sua família, pessoas em geral.

Desenvolvimento Físico e Psiquismo Humano.




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