A psicologia aplicada no Brasil, segundo zanelli (1994), começou com a psicologia aplicada ao trabalho, através da criação de cursos e Instituições e da publicação de textos importantes


A Psicologia Aplicada ao Trabalho no Brasil



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2. A Psicologia Aplicada ao Trabalho no Brasil

A Psicologia no Brasil, segundo Zanelli (1994), começou com a psicologia aplicada ao trabalho, através da criação de cursos e Instituições e da publicação de textos importantes. Podemos citar a Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em 1934; o Instituto de Organização Racional do Trabalho – IDORT; o Instituto de Seleção e Orientação Profissional - ISOP., da Fundação Getúlio Vargas, R.J. (ZANELLI, 1994a)

Segundo Pessoti (1988) “(...) o surgimento da Psicologia industrial ou do trabalho [no Brasil, deve-se] à obra de Roberto Mange, Mira Y Lopez, Betty Katzenstein e Oswaldo de Barros Santos”. Para o autor, estes são os criadores de diversas instituições e autores de textos importantes. Ressaltou o fato de que a área industrial e do trabalho se desenvolveu, inicialmente, externa ao meio acadêmico. Entendemos então a limitada produção acadêmica e estudos científicos na área, apontada por vários autores.

Para Pfromm Neto (1990), a aplicação da psicologia no trabalho - indústria, comércio, serviços, construção civil, agricultura – iniciou-se nas primeiras décadas deste século, nos países da Europa e EUA, mas foi após a II Guerra Mundial que ela se ampliou e se impôs como “uma das mais respeitáveis e eficientes contribuições da Psicologia para o bem estar individual e social”.

Ainda conforme Pfromm Neto (1990),

(...) a origem, o desenvolvimento, as mudanças ocorridas e as perspectivas atuais da Psicologia do trabalho refletem: especialização crescente; refinamento tanto das concepções como do instrumental de investigação e prática; padrão cada vez mais rigorosos de trabalho, alicerçados em sólida fundamentação científica; ampliação do quadro de problemas pesquisados e do âmbito de atuação do psicólogo; e maior reconhecimento da contribuição desta, particularmente nos países mais desenvolvidos. (p. 141)

Fazemos referência a este texto como parte da história dessa área, pois o que hoje percebemos é a necessidade de um profissional generalista, polivalente. PFromm Neto nos traz dados históricos importantes, citando a especialização crescente como tendência na atuação da psicologia do trabalho naquela época. Isto não se configura atualmente, já que foi exatamente na década de 90 que tivemos uma grande inserção do psicólogo do trabalho em várias áreas, exigindo deste profissional um perfil mais abrangente.

Houve uma mudança qualitativa na gestão de recursos humanos com a implantação dos programas de qualidade total e qualidade de vida, sendo os psicólogos considerados como agentes de mudança. Parece que este profissional não estava preparado, pois como já foi citado, a tendência era até a década de 80 a especialização, e nas décadas de 90, permaneceram no mercado os profissionais que atendiam a uma demanda diversificada, tanto em treinamento, seleção, recrutamento, avaliação de desempenho, consultoria, entre outras atividades, quanto em áreas consideradas de administradores, economistas e outros. O mercado exigia este perfil e não importava a formação do profissional. A década de 1980, já tinha sido marcada por transformações no “mundo do Trabalho”. Antunes (1995) refere que as mudanças foram tanto nas formas de inserção na estrutura produtiva, quanto nas formas de representação sindical e política, sendo que estas afetavam a subjetividade da “classe-que-vive-do-trabalho (...) e novos processos de trabalho emergem, onde o cronômetro e a produção em série e de massa são substituídos pela flexibilização da produção, pela especialização flexível, por novos padrões de busca de produtividade, por novas formas de adequação da produção à lógica do mercado.” (ANTUNES, 1995, p. 16)

Novos modelos de gestão como círculo de controle da Qualidade (CCQs), a gestão participativa, a busca da Qualidade Total, são comuns também em países de capitalismo avançado e do terceiro mundo. (ANTUNES, 1995)

As transformações no sistema produtor repercutiram no “mundo do trabalho”. Podemos citar de acordo com Antunes (1995, p. 17), a tese da “especialização Flexível": uma nova forma produtiva que articula, de um lado, um significativo desenvolvimento tecnológico e, de outro, uma desconcentração produtiva baseada em empresas médias e pequenas, artesanais.

Percebe-se que além do que já havia sido considerado por Pfromm Neto (1990), poucos foram os progressos da Psicologia nos cursos de preparação de psicólogos e isso fez com que limitassem o oferecimento em Psicologia do Trabalho, de apenas uma disciplina, “a Psicologia Industrial, geralmente concentrada em Psicologia do Pessoal”.





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