A psicologia é uma profissão reconhecida, no Brasil, pela lei 4



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Área temática: Saúde

Introdução

A psicologia é uma profissão reconhecida, no Brasil, pela lei no 4.119, de 27 de agosto de 1962. Além de determinar que o Psicólogo habilitado para o exercício da profissão é aquele que completa o curso de graduação em psicologia, a lei estabelece que “o exercício da profissão está relacionado ao uso (que é privativo dos psicólogos) de métodos e técnicas de psicologia para fins de diagnóstico psicológico, orientação e seleção profissional, orientação psicopedagógica e solução de problemas de ajustamento” (Bock,2000, p.150).

Embora historicamente tenham-se definido áreas de atuação para a psicologia, o psicólogo é, e sempre foi, considerado um profissional da saúde.

Por se tratar de uma profissão preocupada com a promoção da dignidade e integridade humana, a saúde é um âmbito de atuação profissional dos psicólogos. Nesse sentido, a Resolução do Conselho Nacional de saúde, CNS nº 218/97, reconhece o psicólogo como profissional de saúde de nível superior” (Conselho Regional de Psicologia – CRP, 2006, p.09).


Neste sentido, como profissional da saúde, um dos campos de atuação do psicólogo é a esfera clínica. A concepção de psicólogo clínico tem, ao longo dos últimos anos, sofrido modificações que vão desde uma concepção clássica, na qual o psicólogo clínico é aquele que exerce atividade de psicodiagnóstico e/ou terapia individual ou grupal, até a definição de psicólogo clínico como aquele profissional

que atua na área específica da saúde, procedendo ao exame de pessoas que apresentam problemas intra e interpessoais, de comportamento familiar ou social ou distúrbios psíquicos, e ao respectivo diagnóstico e terapêutica, empregando enfoque preventivo ou curativo e técnicas psicológicas adequadas a cada caso, a fim de contribuir para a possibilidade de o indivíduo elaborar sua inserção na vida comunitária “ (CRP, 2006, p.55)

Nesta tarefa de formação do psicólogo, os cursos de graduação em Psicologia, além de oferecer uma gama de conhecimentos teóricos em psicologia, devem garantir ao aluno um espaço para a prática supervisionada de atividades profissionalizantes, isto é, o estágio. Yehia (1996), quanto a este aspecto, afirma que o estágio de formação de psicólogos tem por finalidade propiciar ao estagiário situações que favoreçam o desenvolvimento de seu papel profissional. Para isto, é importante que o aluno possa vivenciar situações de atendimento psicológico a pacientes, assim como possa compartilhá-las com os colegas e o supervisor, ampliando e aperfeiçoando assim suas habilidades e competências.

Pensando em oferecer este espaço para estágio, são criadas em todo o Brasil, junto às Universidades, as chamadas Clínicas-escola de Psicologia, definidas por Silvares (2000) como clínicas criadas para estágio do aluno de graduação que atende a clientela da comunidade, supervisionado pelos professores supervisores.

Através das clínicas-escola, o curso de psicologia possibilita o treinamento de alunos, mediante a aplicação prática dos conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula, ao mesmo tempo em que exerce um papel social de extrema importância, pois atende de imediato a demanda da comunidade local oferecendo à população economicamente desfavorecida uma possibilidade de acesso a serviços psicológicos gratuitos ou de baixo custo. Dentre esses serviços, encontram-se o de triagem, avaliação psicológica, psicoterapia individual da criança, do adolescente e do adulto, psicoterapia grupal e programas com enfoque preventivo.

Estão sendo denominadas clínicas-escola, as clínicas psicológicas que oferecem primordialmente serviços de psicodiagnóstico e psicoterapia individual (grupal também) à população em geral (...) São clínicas-escola pois é nela que o estudante de psicologia faz grande parte de sua formação clínica, ou seja, a maior parte do grupo de profissionais que nelas trabalham é constituída por alunos, geralmente dos últimos anos da graduação em psicologia ” (Herzbeg, 1996, p.148).


Atualmente, tem sido crescente o número de estudos que voltam sua atenção para as Clínicas-Escola. Muitas destas pesquisas são realizadas com o intuito de promover uma caracterização da clientela de tais serviços, outras descrevem as experiências vivenciadas, os serviços oferecidos, a problematização das dificuldades inerentes ao trabalho clínico-institucional. Algumas pesquisas ainda propõem uma reflexão acerca dos objetivos das clínicas-escola, isto é, se estas suprem as reais necessidades da população atendida, permitindo se necessário uma modificação nos mesmos, no sentido de tornar as estratégias de atendimento e as técnicas psicológicas utilizadas mais apropriadas para a clientela (Yehia, 1996; Silvares, 1996; Salinas e Santos, 2002; Enéas, Faleiros e Sá, 2000; Silvares, 2000; Santos et all, 1993). O que todos estes estudos têm em comum é a idéia de que as clínicas-escola têm por objetivo oferecer atendimento à comunidade e formar alunos/estagiários.

Como o atendimento aos pacientes é realizado por alunos/estagiários do curso de graduação em psicologia, a natureza didática do estágio deve ser garantida por meio da realização de supervisão efetiva das atividades por profissional qualificado, como garante o Código de Ética do Psicólogo. Assim, todos os serviços prestados nas clínicas-escola ficam sob a responsabilidade direta do psicólogo supervisor que deve verificar e acompanhar pessoalmente a capacitação técnica de seu aluno estagiário.

A supervisão, neste sentido, constitui um elemento primordial desta tarefa de formação do aluno estagiário. Morato (1996, p.89), neste sentido, afirma que

a prática clínica também é endossada e legitimada em sua especificidade pela e na supervisão. Sem dúvida, é na consecução dessa prática que a transmissão dos conhecimentos e ensinamentos teóricos e técnicos é garantida. (...) É através da supervisão e no exercício de estágios profissionalizantes que o ofício e a aprendizagem dos conceitos teóricos e do manejo das técnicas se efetivam”.

Na supervisão o processo de aprendizagem acontece baseado no estudo conjunto do material que descreve a interação entre o paciente e seu terapeuta. Segundo Greenberg (1975), um dos objetivos mais importantes da supervisão é a integração teoria e clínica, ou seja, ensinar/aprender a adequar o instrumental teórico ao material clínico do analista.

Cardoso (1985) conceitua a supervisão em clínica como “a terapia do papel profissional”, em que não acontece um “olhar sobre” mas “olhar através de”. Nesta, o supervisor olha para o paciente através do terapeuta, vê a pessoa do terapeuta e permite a este olhar a si próprio, enquanto pessoa e enquanto profissional. Assim, como aponta Morato (1996), a supervisão, ancorada na necessidade e reconhecimento de elaboração da experiência de viver a experiência na experiência, está a condição de atividade imprescindível para a aprendizagem e formação do psicólogo.

Assim, as clínicas-escola, inseridas dentro de instituições de ensino superior, compartilham a mesma missão, qual seja, promover o ensino, a pesquisa e a extensão, como escreve Herzbeg (1996).

Na URI - Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, o atendimento disponibilizado à comunidade através da Clínica-escola do curso de Psicologia, vem ao encontro das finalidades da instituição propostas no artigo 5º do seu estatuto, a saber: “estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade, respeitadas suas raízes e buscando seu pleno desenvolvimento; promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão dos avanços e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológicas geradas na universidade” (URI - Plano de Desenvolvimento Institucional, 2006 a 2010, p.17).

A Clínica-Escola do Curso de psicologia da URI, cumprindo com as duas finalidades citadas por Yehia (1996) como desígnios das clínicas-escola de psicologia - atendimento à população e formação dos estagiários - também cumpre com a responsabilidade social desta Universidade: atender a população, trazendo melhoria das condições de vida das comunidades, contribuindo para o processo geral de desenvolvimento, assim como formação contínua e permanente de pessoas e profissionais qualificados solidários e comprometidos com a visão institucional para atuarem na sociedade.

A partir disso, este artigo tem como objetivo apresentar a experiência da clínica-escola do Curso de Psicologia da Universidade Regional Integrada do campus de Frederico Westphalen. Para tanto, estão descritos abaixo o funcionamento e estrutura da Clínica-Escola da URI, as atividades desenvolvidas pelos estagiários, bem como alguns dados preliminares quanto ao perfil da clientela e características do atendimento psicoterápico realizado.






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