A prática na clínica-escola e na clínica particular georges Daniel Janja Bloc Boris1 introduçÃO



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A PRÁTICA NA CLÍNICA-ESCOLA E NA CLÍNICA PARTICULAR
Georges Daniel Janja Bloc Boris1
INTRODUÇÃO
Em agosto de 1992 - há mais de 9 anos! - apresentei, como uma atividade ligada à área de psicologia clínica, no NUSPA, um estudo de caso “diferente”, denominado posteriormente de “O Caso Vera: Análise de uma Experiência Fracassada”, pois, mais do que analisar a saga da cliente Vera nos vários processos psicoterápicos a que se submeteu com diversos estagiários, buscava discutir os conflitos e os dilemas do psicoterapeuta iniciante. Apesar de tal texto nunca ter sido publicado, creio que muitos de vocês tiveram ou podem ter acesso a ele na disciplina de Teorias e Técnicas Psicoterápicas ou em outras que tratem do enfoque fenomenológico-existencial. Posteriormente, há exatos 2 anos, apresentei um texto numa Mesa-Redonda sobre Supervisão na Clínica Escola, no I Encontro Núspico, retomando muitas das questões levantadas no Caso Vera. Hoje, não pretendo repetir tudo o que aquele texto descreve, pois seria desgastante e cansativo, mas apenas destacar algumas questões que continuam ainda bastante pertinentes na medida em que minhas considerações se dirigem àqueles que estão na iminência de encerrar sua prática inicial numa instituição coletiva como o NUSPA – com objetivos individuais, mas também grupais e institucionais – e provavelmente se dedicar a um exercício profissional geralmente mais solitário na clínica particular. Creio mesmo que esta difícil passagem de um universo protegido pela instituição universitária a uma prática habitualmente mais isolada é um dos principais núcleos dos problemas enfrentados, não apenas por aqueles que se interessam pelo enfoque fenomenológico-existencial – a quem meu texto originalmente se dirigia – mas por todos os que se iniciam na difícil arte de se tornarem psicoterapeutas.

Ouso afirmar isto porque, como aquele texto já apontava, percebo que muitos alunos parecem acreditar que um psicólogo só é de fato psicólogo se ele se propõe a trabalhar na área clínica. Mesmo que nosso curso tenha flexibilizado a possibilidade do aluno se dedicar a outras áreas, a clínica parece ainda ser a área mais buscada. Como anunciei, ser psicoterapeuta é freqüentemente difícil, e, portanto, penso que não há qualquer demérito se alguns de vocês prefiram se dedicar a outras áreas. Também, é com estranheza que percebo, com freqüência, que muitos alunos chegam aos últimos semestres do curso sem conhecimentos básicos ou experiência mínima sobre o universo clínico, muitas vezes desconhecendo ou nunca tendo se submetido a seu próprio processo psicoterápico, como se o estágio fosse apenas mais uma disciplina, que, cumprida, lhes daria o suficiente para serem psicoterapeutas. Muitos parecem acreditar que as práticas mais técnicas ou mesmo o atendimento a crianças - vã e perigosa ilusão! - são atividades mais fáceis. O mesmo poderia dizer acerca das práticas grupais e com adolescentes. Também observo que, terminado o estágio, alguns poucos buscam formações específicas nos referenciais teóricos que escolheram, e, infelizmente, quando as encerram, a maioria deixa de acreditar que a supervisão de um psicoterapeuta mais experiente seja um recurso valioso e imprescindível na trajetória de qualquer psicoterapeuta. Finalmente – o que não é menos grave – freqüentemente, tenho a sensação que poucos alunos percebem a diferença de trabalhar numa clínica-escola, com objetivos que transcendem a díade terapeuta-cliente, lidando com a instituição em que estão inseridos – o NUSPA – como se estivessem já em seu futuro e sonhado consultório particular.

Estas são algumas das preocupações que me levaram a elaborar o referido texto, e que, lamentavelmente, ainda me parecem permanecer como um dado comprometedor da formação dos psicoterapeutas iniciantes. Quero lembrar que a formação de um psicoterapeuta é constante e sistemática, persistindo ao longo de sua vida e sendo sempre condizente com sua vida pessoal e as diversas opções e experiências que ele faz e vivencia. Não é, portanto, algo pontual e circunstancial, que se resolve apenas num único momento difícil, mesmo que determinante, como o dos últimos semestres de curso.




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