A proposta pedagógica de dienes: em tempos de matemática moderna



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A origem dos Blocos Lógicos

Os Blocos Lógicos, por se constituírem de um material de manipulação, algumas vezes são associados à Maria Montessori1 (1870-1952), eminente educadora italiana que defendia dentre outros posicionamentos, o de que os materiais ajudam a criança a aprender, e que mediante a associação de conceitos abstratos com uma experiência sensorial concreta, ela aprende e não apenas memoriza.

Diante de questionamentos existentes a respeito de atribuir a Dienes e não à Montessori, a elaboração do material conhecido como Blocos Lógicos, fomos desafiados para o esclarecimento de tal questão, embrenhando-nos em diversas investigações que culminaram com contato via e-mail com o próprio educador húngaro, cujo teor é o seguinte:

Dear Elenir Paluch Soares

Thank you for your inquirity

As far as I am able to remember, I first thought about the Logic Blocks during my stay at Harvard when I was working with Bruner about 1960. I think I first published something about their use in one of the first few issues of the Journal of Structural Learning probably in 1961. After that Golding and I published some booklets on the use of logic blocks as a result of our coopera tion in Adelaide, Australia.I certainly was note aware of the Montessori material at that time […] so there cannot have been any influence no my thinking from that quarter.I believe Vigotsky used some cloured blocks much earlier in some form of psychological testing that he envolved, during a much earlier period. You could look him up in the literature or on the Internet. But I was equally unaware of Vigotsky’s work when I first put together the 48 blocks that are now designated as Logic Blocks. Of course one cannot say that anyone invented coloured circles, squares and triangles but as far as I am aware I as the first to use such material for teaching young children logical concepts (DIENES, 2008)2.


De acordo com as lembranças de Dienes, a primeira vez que pensou sobre os Blocos Lógicos, foi durante sua estada em Harvard, quando estava trabalhando com Bruner3, em 1960, e que publicou a primeira vez algo sobre o uso desse material em uma das primeiras edições do Journal of Structural Learning, em 1961. Declara também, ter publicado alguns livretos sobre o uso dos blocos, como resultado do seu trabalho em Adelaide, na Austrália. Admite que outras pessoas tenham inventado figuras coloridas para serem usadas com diferentes propósitos, inclusive Vigotsky4 em alguma forma de teste psicológico, mas, declara ter sido o primeiro a juntar os 48 blocos e a usar esse material para ensinar conceitos lógicos para crianças.

Pelo fato de desconhecer o trabalho desse professor no âmbito internacional, algumas referências feitas por ele, tais como o trabalho com Bruner em Harvard e o projeto que participou na Universidade de Adelaide, na Austrália, causaram certo embaraço no entendimento da sua comunicação. No entanto, outras pesquisas sobre sua trajetória acadêmica forneceram os fios que contribuíram para uma maior inteligibilidade da sua declaração.

A fonte apresentada não confere com determinadas informações, sobre Dienes e os Blocos Lógicos, veiculadas por muitos textos impressos e eletrônicos propostos aos leitores. Se por um lado, colocam-se dúvidas sobre esses textos que em grande parte não apresentam referências, por outro lado, há a questão da credibilidade da memória.

Segundo Chartier (2007) ,


Graças ao livro de Paul Ricoeur, Mémoire, histoir, oubli, as diferenças entre história e memória podem tratar-se com claridade. A primeira é a que distingue o testemunho do documento. Se o primeiro é inseparável da testemunha e supõe que suas declarações se consideram admissíveis, o segundo dá acesso a acontecimentos que se consideram históricos e que não são apenas lembranças de alguém. O testemunho, cujo crédito se baseia na confiança outorgada à testemunha se opõe a natureza indiciária do documento. A aceitação ou a rejeição da credibilidade da palavra que testemunha o fato é substituída pelo espírito crítico, que submete ao regime do verdadeiro e do falso, do refutável e o verificável, os vestígios do passado (CHARTIER, 2007, p. 35, tradução nossa).
Esse autor, ainda alerta para que : “à imediata fidelidade (ou suposta fidelidade) da memória, se opõe à intenção de verdade da história, baseada no processamento dos documentos, que são marcas do passado e nos modelos de inteligibilidade que constroem sua interpretação” (p. 36, tradução nossa).

Nessa perspectiva, Chartier encontra em Ricoeur algumas respostas para a representação histórica do passado, dentre elas, a que sinaliza para a necessidade de distinguir claramente e articular as três fases da operação historiográfica propostas por Michel de Certeau, tal como Pinto (2009) as traduziu: “a documental, a explicativa/compreensiva e a escrituraria” (p. 2) Ou seja, o estabelecimento da prova documental a construção da explicação e a colocação na forma literária a ser submetida à comunidade científica.





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