A proposta pedagógica de dienes: em tempos de matemática moderna



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Um interesse histórico cultural

O estudo ora apresentado, decorrente de investigações que utilizam os procedimentos e conceitos da Vertente Interpretativa da História Cultural, está inserido no Projeto Estudos Históricos Culturais da Matemática Escolar no Brasil – Século XX, integrado à Linha de Pesquisa História e Políticas da Educação, do Programa de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, e busca contribuir para a historiografia da disciplina escolar Matemática, através da apresentação de indícios referentes à criação do material didático conhecido como Blocos Lógicos, utilizado nas escolas brasileiras, a partir da década de 70, tempo do auge e declínio do Movimento da Matemática Moderna (MMM), nesse país.

Atualmente, a história das disciplinas escolares tem recebido uma progressiva atenção por parte de pesquisadores que julgam encontrar, nesse campo de pesquisa ainda em construção, elementos que permitam ampliar as discussões relativas à História da Educação no Brasil.

Para Julia (2002), “a história das disciplinas escolares propriamente dita relaciona-se com questões recentemente formuladas pelos historiadores da educação” (p. 37). Segundo ele, a História da Educação foi há tempos, uma história política e institucional, principalmente no tempo em que a Igreja e o Estado se contrapunham em relação a determinados interesses, tais como os jesuítas e as conquistas da Revolução Francesa. Mas, que, a partir da década de 60 do século passado, quando o ensino secundário foi ‘democratizado’, a História da Educação modificou sua natureza e passou a focalizar o problema da relação entre sucesso escolar e herança sócio cultural. Porém, diz o autor, “mesmo nessa perspectiva, o processo de transmissão de conhecimentos na escola permaneceu fora da análise” (JULIA, 2002, p. 37), atendo-se prioritariamente na busca de instrumentos confiáveis para uma política de luta contra o fracasso escolar.

Segundo Chervel (1990), “mais recentemente, tem-se manifestado uma tendência, entre os docentes, em favor de uma história de sua própria disciplina” (p.177), e o interesse, antes voltado para os conteúdos de ensino, evoluiu para uma visão mais geral que contempla desde as leis, normatizações dos sistemas de ensino nas instituições educativas até a realidade concreta do ensino nos estabelecimentos.

Com esse interesse, grupos de pesquisa ligados às instituições de ensino superior vêm sendo formados no Brasil, como é o caso do Grupo de Pesquisa de História das Disciplinas Escolares (GPHDE), que envolve pesquisadores, doutorandos, mestrandos e alunos de graduação envolvidos em projetos de iniciação científica, ligados a Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba. Esse Grupo, vem fundamentando-se teórica- e metodologicamente, apoiado em conceitos da história cultural e nos procedimentos de operação historiográfica, incluindo lições sobre o uso de arquivos como fontes de pesquisas, visando discursos históricos de caráter científico.

Para Michel de Certeau (1982), “em história, como alhures, é científica a operação que transforma o ‘meio’ _ ou que faz de uma organização (social, literária,etc.) a condição e o lugar de uma transformação (p. 80, grifos do autor). Para o autor, “em história, tudo começa com o gesto de separar, de reunir, de transformar em ‘documentos’ certos objetos distribuídos de outra maneira” (p. 81).

Nessa perspectiva, e utilizando o termo “científica” como a “possibilidade de estabelecer um conjunto de regras que permitam ‘controlar’ operações destinadas à produção de objetos determinados” (CERTEAU, 1982, p. 109, grifos do autor), a operação historiográfica é vista como uma operação científica, na medida em que transforma algo que tinha seu estatuto e seu papel (como o documento de um arquivo) em uma outra coisa que funciona de outro modo, como, por exemplo, o texto histórico.

Segundo Certeau (1982, p. 66) encarar a história como uma operação será tentar compreendê-la como a relação entre um “lugar social,” “procedimentos de análise” e a “construção de um texto”, que na perspectiva de Pinto (2009), apoiada nos estudos desse autor, corresponde a seguir três fases: “a documental, a explicativa/ compreensiva e a escriturária. A primeira está voltada para a busca de indícios, a segunda, para a produção de explicação dos significados e a compreensão do sentido; a última, para o processo de elaboração do relato” (PINTO, 2009, p. 2).

Essa autora também explica que para utilizar o documental que nos permite compreender o passado da educação matemática, parte-se de um lugar: a Educação, aborda-se um conteúdo: a Matemática, e utiliza-se o ferramental da História, sendo esta a perspectiva que tem orientado os trabalhos do já mencionado GPHDE, sobre a História das Disciplinas Escolares.

De acordo com Julia (2002),
A história das disciplinas escolares deve, para ser realmente operatória, partir mais dos fenômenos e dos mecanismos ‘internos’ à escola do que da aplicação de explicações ‘externas’, e pouco convincentes, sobre essas mesmas escolas. “Mas ela deve levar em conta todos os componentes dos quais se constitui uma disciplina escolar e não se limitar a um só, sob o risco de interpretações históricas equivocadas” (JULIA, 2002, p. 41, grifos do autor).
Nesse sentido, entendem-se como componentes das disciplinas escolares,não apenas os conteúdos de ensino, os manuais escolares, os textos normativos decorrentes das políticas educacionais, mas, também, as idéias pedagógicas que orientam as práticas escolares realmente efetivadas, incorporadas à cultura escolar. Assim visto, investigar as apropriações de propostas pedagógicas, como a do professor húngaro Zoltan Paul Dienes para a utilização dos “Blocos Lógicos”, material didático amplamente conhecido desde a década de 70, época do auge e declínio do Movimento da Matemática Moderna no Brasil, até os dias atuais, é contemplar um desses significativos componentes, quando se busca reconstituir a estrutura e a evolução dessa disciplina escolar.

Entendendo como Julia (2002) que “a história é um saber cumulativo, no qual nunca partimos do zero, e que devemos muito aos historiadores que nos precederam” (p.38), há que se considerarem os indícios apresentados por Burigo (1989), Soares (2001), Borges (2005), França (2007) e Fischer (2008), para os quais, as idéias pedagógicas desse educador húngaro sobre o processo de aprendizagem em Matemática e o material didático por ele organizado, conhecido até os dias atuais, por Blocos Lógicos, teve um destacado papel na Educação Matemática na década de 70 do século passado.

Buscando um melhor entendimento dessa produção pedagógica, destacamos, da investigação que vimos realizando, além de um resumo de As Seis Etapas do Processo de aprendizagem em Matemática, publicado em Paris em 1967 e traduzido para o português, em 1972, uma amostra da recepção e dos efeitos dessas idéias pedagógicas, no Brasil,bem como esclarecimentos fornecidos pelo próprio Dienes em 2008, sobre a elaboração desse material, às vezes cercado por dúvidas quanto à sua genealogia.


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