A nova Era da Planeta



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A Nova Era da Planeta

Mesmo o fato de as formas religiosas



serem geralmente pensadas sob a

forma de entidades espirituais, de

vontades conscientes, de maneira nenhuma

é uma prova de sua irracionalidade”.

Émile Durkheim

O contexto social de desenvolvimento humano marcado por relações quase mediadas, como definido por Thompson (1998), leva a que muitas vezes as pessoas busquem modos para a realização de diversas dimensões de suas vidas através do consumo de meios de comunicação de massa. Assim é com a dimensão religiosa, que a reboque de um antigo processo histórico de secularização e de um contemporâneo modo de consumir cultura, se faz presente em espaços midiáticos.

Há uma bela passagem da Bíblia que disserta sobre a fé. Conta a história de uma mulher vítima de uma hemorragia intermitente, que nenhum médico da época conseguia curar. Sabendo da passagem de Cristo por sua cidade, mas também vendo que este era acompanhado por uma enorme multidão, a mulher enferma pensou: “se eu conseguir pelo menos tocar as vestes dele, serei curada”. Assim ela fez e foi percebida por Cristo que olhou em sua direção e falou que a fé dela a havia curado.

Essa história é simbólica em relação àquilo que pretendo debater aqui a respeito da relação dos indivíduos que consomem produtos midiáticos de conteúdo religioso com a dimensão do sagrado. O acesso à cura através do simples tocar na roupa de Jesus parece nos propor que, muitas vezes, as benesses ganhas através da crença religiosa são passíveis de ocorrer sem que necessariamente aconteça uma prática religiosa em si.

Aquela mulher enferma não participou de nenhum culto específico, nem sequer pôde ouvir a algum sermão de Cristo. Isso entretanto não evitou que, através de um gesto absolutamente simples – o tocar das vestes –, ela pudesse se ver dentro de um acontecimento sagrado. Este é um sobre atos que compõem metáforas sobre o contato com o sagrado e que permeiam as mais diversas religiões.

Isso tudo então cabe de exemplo, no contexto da modernidade, sobre como a mídia vem sendo muito mais do que a expressão do sagrado. Ela é também palco de vivência dele. No caso da Nova Era, levando em conta suas características de inexistência de uma autoridade central, de prática de vivências “soltas”, do caráter de “descanonização”, onde o sagrado assume feições dispersas, o consumo de um meio de comunicação de massa encaixa-se bem. Parece poder haver um certo tipo de aproximação de valores espirituais através do simples consumo de programas de TV ou da leitura de uma revista.

Em meio à pressa da vida moderna, a uma forma mesmo de “cultura self-service” dessa vida, exercitar a dimensão espiritual através da leitura de textos jornalísticos parece “legítimo”. O objetivo, inclusive, muitas vezes, pode até ser a cura de uma doença. A diferença em relação à história bíblica de nossa enferma mulher, é que tal fenômeno não aconteceria de modo tão “automático”, tão “mágico”. Isso está relacionado com um aspecto relevante da própria Nova Era, que é a sua profunda ligação com a dimensão racional da vida. Em “bom português”, talvez fosse possível dizer: “falta de fé”. Ausência da crença de que um ato tão simples possa atravessar todas as noções cientificistas que nós, seres modernos, temos sobre o mecanismo de produção, existência e cura dos problemas de saúde.

Mas, antes mesmo de que seja este o objetivo do leitor que consome algum produto da mídia que trata do religioso, este próprio produto, se antenado com a “gramática” interna da Nova Era, jamais prometerá tamanho feito. Em lugar de “curar”, textos e imagens propõem levar o leitor à compreensão – segundo os ditames aquarianos – do processo de nascimento da doença, sua inter-relação com a dimensão não só física mas também psicológica e, tantas vezes, espiritual. A partir dessa explanação, oferecer-lhe um leque de opções de tratamentos alternativos ou complementares à medicina dita convencional. É quando entram em cena elementos como a acupuntura, a aura-soma, os florais de Bach, entre uma centena de outros que, juntos, fazem parte do repertório de saúde e cura do movimento aquariano.






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