A importância da psicologia da aprendizagem e suas teorias para o campo do ensino-aprendizagem



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A IMPORTÂNCIA DA PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM E SUAS TEORIAS PARA O CAMPO DO ENSINO-APRENDIZAGEM

Resumo: O objetivo deste trabalho é discutir e analisar as Teorias Behavioristas e cognitivistas, suas principais influências na educação com foco conceitual nas concepções teóricas sobre ensino-aprendizagem. Com isso, buscaremos situar essas teorias para o desenvolvimento da Psicologia da Educação, refletindo sobre as implicações de tais concepções teóricas na prática pedagógica.


Palavras-chave: Psicologia da Aprendizagem. Educação. Behaviorismo Radical. Teorias Cognitivistas. Ensino-aprendizagem.

INTRODUÇÃO


A aprendizagem pode ser definida como um processo de aquisição de novos conhecimentos através de experiências vivenciadas e determinadas por fatores endógenos e exógenos que resultam na modificação do comportamento humano e que dependem de condições essenciais, tais como: mentais, físicas, sensoriais e sociais para se desenvolverem. A aprendizagem é um dos temas mais estudados pela Psicologia da Educação, pois praticamente todo comportamento e todo conhecimento humanos são aprendidos.

Inúmeros são os autores que discutem as teorias da aprendizagem; assim, procuramos selecionar os principais teóricos para o desenvolvimento deste artigo, dentre os principais, aparecem Wallon, Piaget, Vygotsky e Skinner; após analisar os escritos e as teorias de cada um deles, é notável perceber as enormes contribuições dadas por eles à educação.

As teorias da aprendizagem estabelecem relação com as ações pedagógicas e refletem também sobre a maneira como as teorias estudadas questionam e se relacionam criticamente com as práticas que os professores têm em sala de aula para que aprofundem as relações entre o aprender e o ensinar com respaldo nas teorias que explicam tais práticas e que compreendam os processos de aprendizagem e suas relações com as diferentes dimensões do fazer pedagógico.

Para o Campo da Educação, a Psicologia da Aprendizagem pode apresentar inicialmente conhecimentos sobre a natureza humana e os padrões evolutivos normais de desenvolvimento e aprendizagem que contribuirão para o planejamento e execução de programas de recuperação e assistência àqueles que se distanciavam dessa pretensa “normalidade” na sociedade.

A Psicologia da Aprendizagem foca o indivíduo e o desenvolvimento intelectual de suas capacidades; a Psicologia Experimental aplicada à Educação busca normalizar comportamentos e ações em que culpabilizavam aqueles que por algum motivo não se desenvolviam ou não aprendiam dentro do esperado.

Assim, é fundamental estudar a Psicologia da Aprendizagem e suas teorias que tratam da sua importância para o campo do ensino-aprendizagem e das contribuições que ela pode dar para a área da educação e conforme ressalta Bock et all (2008, p. 132), “assim, a Psicologia transforma a aprendizagem em um processo a ser investigado” pela ciência.


TEORIAS DA APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO
O termo “psicologia” é usado pela primeira vez em 1590 como título de uma obra escrita por Rudolf Goclenius (1547-1628), professor da Universidade de Marburgo na Alemanha e que ficou muito conhecido na época por suas contribuições à terminologia filosófica. Logo de início, a história da Psicologia irá se confundir com a história da Filosofia até meados do século XIX.

A partir do século XIX, com o positivismo de Auguste Comte (1798-1857) é que de fato a construção do conhecimento psicológico é fortemente influenciada, a partir daí a Psicologia se constitui num ramo de conhecimento definido, através de um objeto de estudo delimitado em que busca compreender os processos mentais, os sentimentos, a razão, o inconsciente, as atividades psíquicas e o comportamento humano e animal.

É importante ressaltar que a Psicologia surge como ciência de fato no século XX. Uma visão abreviada de seu nascimento nos remete ao primeiro laboratório de psicofisiologia criado por Wilhem Wundt (1832-1920), na Universidade de Leipizig (Alemanha). No entanto, se essa foi a condição científica para que a Psicologia recebesse o status de ciência, tal feito não explicita questões muito mais amplas e cruciais à luz dessa nova área do conhecimento humano.

Jean Piaget (1896-1980), Wallon (1879-1962) e Vygotsky (1896-1934) têm sido considerados os representantes mais eminentes de um grupo de teóricos que procuram explicar a aprendizagem e o conhecimento humano dentro de uma linha histórica na qual o sujeito e o objeto interagem em um processo que resulta na construção e reconstrução das estruturas cognitivas. Sendo assim, esses teóricos foram denominados de teóricos interacionistas.

As Teorias Interacionistas ou Cognitivistas são de Base Dialética; no interacionismo, como o próprio nome já diz, há uma interação entre o sujeito e o objeto para a construção do seu conhecimento e para a construção dos próprios objetos. Assim, podemos perceber que as crianças constroem seu próprio conhecimento, em que o professor é apenas um mediador desse processo, pois conhecemos as coisas na forma em que elas são aprendidas pela nossa mente, que possui, a priori, conhecimento, sensibilidade, noções de tempo e de espaço.

As Teorias da Aprendizagem são modelos teóricos desenvolvidos cientificamente para explicar como ocorrem os processos de ensino-aprendizagem no transcorrer da história da Psicologia do Desenvolvimento Humano e da Psicologia da Educação, buscando dar respostas às perguntas e indagações surgidas nas instituições de ensino.

Nesse sentido, segundo Lepre (2008, p. 313), “a teoria de Piaget é a matriz do Construtivismo, linha teórica proposta pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) para o planejamento, execução e avaliação das atividades pedagógicas nas escolas brasileiras”. No entanto, é importante ressaltarmos que Piaget não teve uma preocupação eminentemente pedagógica e sim epistemológica, ou seja, esse autor teve como centro de suas investigações o sujeito epistêmico e não o sujeito do ensino-aprendizagem.

Para Emilia Ferreiro e Ana Teberosky (1985, p. 28), “a teoria de Piaget não é uma teoria particular sobre um domínio particular, mas sim um marco de referência teórico, muito mais vasto, que nos permite compreender de maneira nova qualquer processo de aquisição de conhecimento” onde o professor é um mediador do desenvolvimento cognitivo do educando para ampliação da aprendizagem.

Dessa forma, Piaget não propôs um método de ensino ou elaborou materiais pedagógicos, mas ofereceu à educação esclarecimentos sobre o modo peculiar de raciocinar que as crianças apresentam em diferentes estádios e momentos da vida.

As Teorias Comportamentalistas ou Behavioristas Radicais de Base Empírica postuladas por Skinner surgem nos EUA, em 1945. Adotadas por vários outros psicólogos, surgiu na área da Psicologia como uma proposta filosófica e como um projeto de pesquisa em oposição ao Behaviorismo Metodológico de orientação positivista de John Watson.

Nas teorias comportamentalistas, de base empirista, o ambiente, entre outros fatores, é primordial na aprendizagem, desenvolvimento e interação da criança com o meio em que está inserida, pois o comportamento, as ações e atos humanos são mensuráveis; logo, é possível serem medidos, comparados e avaliados os fenômenos, ações e reações comportamentais existentes dos mais diversos tipos.
IMPLICAÇÕES DAS CONCEPÇÕES TEÓRICAS DE WALLON, PIAGET, VYGOTSKY E SKINNER NA PRÁTICA PEDAGÓGICA
A escola é um espaço de formação que recebe muitas pessoas com pensamentos e ideias diferentes em vários aspectos: físicos, religiosos, políticos, culturais, familiares, econômicos, etc. e nessa diversidade ocorrem muitas coisas ao mesmo tempo que o professor não consegue acompanhar. Assim, cada teoria oferecerá respostas diferentes dadas pelas ciências da educação às perguntas relativas aos problemas enfrentados por professores em diferentes momentos, espaços, tempos e sobre diferentes prismas sociais, políticos e econômicos.

O ambiente escolar também exerce muita influência na aprendizagem das crianças, pois ele envolve basicamente os aspectos físicos e mentais que são essenciais para uma boa aprendizagem. Dentro da sala de aula a construção colaborativa poderá melhorar o rendimento escolar e a socialização entre os alunos através do diálogo e da interação com todos os envolvidos que fazem parte da comunidade escolar.

As práticas pedagógicas se baseiam em modelos ou concepções teóricas que auxiliam o professor a melhor ensinar e preparar suas aulas, sendo que algumas teorias se desenvolvem em tempos simultâneos com perspectivas e direções diferentes. Esse é o movimento típico da ciência e muitas vezes os meios acadêmicos costumam privilegiar as teorias mais novas e as que oferecem respostas mais rápidas às mais recentes inquietações dos professores.

No Behaviorismo, o processo de aprendizagem e conhecimento decorre da relação estímulo-resposta (S-R) e das ações praticadas pelas crianças, tendo como objetivo a aquisição de novos comportamentos ou a mudança dos já existentes; pois o ensino decorre da adaptação e planejamento de reforços através dos quais o aluno é levado a adquirir ou modificar uma conduta.

Conforme afirmam Coutinho e Moreira (1998, p. 58 e 59),

[...] As teorias do condicionamento, cada qual com suas especificidades, procedem a uma abordagem molecular do comportamento humano que, embora consiga explicar algumas dimensões da conduta, não esclarece processos mais amplos, como a formação das funções psicológicas superiores, tipicamente humanas.


Assim, o behaviorismo deu contribuições eminentes na educação com controle e organização das situações de aprendizagem, elaboração de tecnologias de ensino, métodos de instrução e ensino programado em computadores que trouxe muitos avanços no processo de aprendizagem para testes em concursos, vestibulares e simulados eletrônicos.

Para Piaget (1999), no Construtivismo a aprendizagem só ocorre mediante a consolidação das estruturas de pensamento, portanto a aprendizagem sempre se dá após a consolidação do esquema que a suporta, da mesma forma a passagem de um estágio para outro da criança estaria dependente da consolidação e superação do estágio anterior. Sendo assim, a aprendizagem em si nada mais é do que a substituição de uma resposta generalizada por outra mais complexa.

Com base em Piaget, para Coutinho e Moreira (1998, p. 122), “a criança (sujeito) constitui com o meio (objeto) uma totalidade”; quando esse meio é a escola, o processo de ensino-aprendizagem deve propiciar à criança a capacidade de desenvolver seu conhecimento cognitivo e afetivo, em que suas demais aptidões para cada tipo de disciplina específica presente no sistema de ensino e suas fases e processos pedagógicos surtam efeitos para que tenha uma boa formação.

Para Wallon, a aprendizagem está relacionada com o desenvolvimento da individualidade como unidade afetiva e cognitiva dos sujeitos. O estudo do desenvolvimento humano deve ser feito na sucessão das etapas e dos conflitos no decorrer da vida, sendo a linguagem e a cultura que fornecem ao pensamento as ferramentas para a sua evolução; a sua interação com o mundo biológico não depende apenas do seu amadurecimento intelectual, mas de habilidades mais complexas para interagir com a cultura existente entre o sujeito e seu meio.

Segundo Vygotsky (1998), a aprendizagem sempre inclui relações entre pessoas. Ele defende a ideia de que não há um desenvolvimento pronto e previsto dentro de nós que vai se atualizando com passar do tempo. O desenvolvimento é pensado como um processo em que estão presentes a maturação do organismo, o contato com a cultura produzida pela humanidade e as relações sociais que permitem a aprendizagem.

Vygotsky é considerado como um dos principais interacionistas que estudaram as funções psicológicas dos indivíduos; relacionou a ação da criança como transformadora de suas relações com os conteúdos estudados e, enquanto estas são constitutivas de sua inteligência, é capaz de formar sua personalidade. O professor pode ser um mediador do ensino e aprendizagem através da ZDP, que é a distância entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial.

Assim, para Vygotsky, segundo Vasconcellos (1995, p. 15), “o surgimento da consciência se dá através das ações do indivíduo no mundo e da interiorização transformadora da fala e dos símbolos culturais”. A atividade do aluno, além de ser capaz de criar novas conexões e elaborações no nível de certos conteúdos, favorece, assim, o crescimento de procedimentos intelectuais superiores que envolvem análise, síntese, abstração, decodificação e generalização.

Com base em Vygotsky (1998, p. 47), ressaltamos:

A linguagem não depende necessariamente do som. Há, por exemplo, a linguagem dos surdos-mudos e a leitura dos lábios, que é também interpretações de movimento. Na linguagem dos povos primitivos, os gestos têm um papel importante e são usados juntamente com o som. Em princípio, a linguagem não depende da natureza do material que utiliza.
Portanto, de acordo com o que destaca Vygotsky, a relação indivíduo-sociedade não tem de imediato característica tipicamente humana, pois, desde o dia em que o indivíduo nasce e passa a conhecer a dialética do homem e seu meio sociocultural, pode notar as transformações que ocorrem para atender a si mesmo e às suas necessidades básicas para sua existência.

Assim, o homem se caracteriza por uma sociabilidade primária. “A mesma ideia foi expressa por Henri Wallon, de um modo mais categórico: ele [o indivíduo] é geneticamente social (Wallon, 1959)” (IVIC, 2010, p. 15).


REFLEXÕES ACERCA DAS TEORIAS BEHAVIORISTAS, PSICOGENÉTICAS E SÓCIO-HISTÓRICAS NA EDUCAÇÃO
Ao fazermos algumas reflexões acerca das teorias da aprendizagem na contemporaneidade, podemos perceber que tanto Skinner como Vygotsky, Wallon e Piaget deram contribuições relevantes para o campo do ensino-aprendizagem, levando em consideração o interesse por transformações no campo científico da psicologia da aprendizagem, e empenharam-se na elaboração de suas teorias para uma melhor compreensão do desenvolvimento humano.

Podemos perceber que o behaviorismo dominou o pensamento e a prática da psicologia em escolas e consultórios até os anos de 1950. Contudo, o behaviorismo, principalmente o behaviorismo radical de Skinner sempre foi alvo de críticas infundadas e equivocadas em que suas ideias foram mal interpretadas e confundidas com o behaviorismo metodológico de John Watson e muitas dessas críticas e distorções foram disseminadas no próprio meio educacional.

Para Skinner (2006, p. 7), o behaviorismo radical seria um caso especial da filosofia da ciência: “não é a ciência do comportamento humano, é a filosofia dessa ciência” que procura entender as questões humanas como: “comportamento”, “liberdade”, “cultura” e “sentimentos”, levando em consideração as contingências variáveis do meio e sem negar a consciência e ação do homem sobre a “natureza” interna.

Podemos compreender, com base em Skinner (2006, p. 158), que:

Toda gente sofreu, e infelizmente continua a sofrer, por causa das teorias mentalistas de aprendizagem no campo da educação. Trata-se de um campo no qual a meta parece obviamente ser uma questão de mudar mentalidades, atitudes, sentimentos, motivos, etc., e a ordem estabelecida é por isso particularmente resistente à mudança. Contudo, o objetivo da educação pode ser expresso em termos comportamentais: um professor planeja contingências nas quais o aluno adquirirá comportamento que lhe será útil mais tarde, em outras contingências. As contingências instrutivas devem ser planejadas; não há outra solução.
Com isso, para Vasconcellos (1995), no que se refere à Psicologia aplicada à Educação e ao ensino dos conteúdos escolares, as subáreas do conhecimento que mais têm se destacado são as de ensino-aprendizagem e desenvolvimento. O conhecimento advindo dessas áreas pretende explicar os processos psicológicos presentes nas práticas cotidianas da escola.

Na perspectiva educacional comportamentalista, caberia ao professor utilizar o reforço para aumentar a probabilidade de ocorrência de uma resposta. Os alunos seriam passivos durante o processo de ensino-aprendizagem, e deveriam ser aptos a responder conforme a proposta do professor. Na teoria psicogenética, o professor deverá orientar seu aluno pelo caminho de desenvolvimento adequado às suas fases evolutivas, dando-lhe uma ampla margem de autonomia e confiança para solucionar os problemas.

A abordagem teórica construtivista de Jean Piaget contribuiu para um novo modelo de educação que possibilitou a ampliação dos conhecimentos lógicos dos alunos para torná-los capazes de resolver os problemas mais complexos; a tarefa pedagógica do professor seria propor atividades desafiadoras que provocassem o desequilíbrio e reequilíbrio das estruturas cognitivas das crianças na aprendizagem.

Assim, para Piaget entender como se organizava e acontecia a aprendizagem humana, ele passou a estudar e observar as crianças. Os estudos de Piaget colocam em evidência que a lógica da criança não apenas se constrói de forma progressiva, como também se dá de maneira diferente do que ocorre com o adulto, em que fazer é compreender, é compreender que a ação do conhecimento é uma tomada de consciência.

Com base em Piaget (1978, p. 72), fazer e compreender são essenciais na aprendizagem. Segundo ele,

[...] parece evidente que, os processos das regras próprias à ação do indivíduo e os das coordenações que se tornam explicativas, existe uma estreita relação: as regras são guiadas, primeiramente, pelas observáveis sobre o objeto e as coordenações apelam para estruturações operatórias endógenas, prologando aquilo que representa, nas regulagens cada vez mais complexas, a parte das atividades do indivíduo.


A Psicologia Genética de Piaget nos permite compreender o processo de aprendizagem como construção do pensamento e deduzir hipóteses sobre as leis próprias do desenvolvimento intelectual; não existe conhecimento pré-formado nem acumulado por experiências (oposição ao empirismo); pois sim, o que há é uma interação entre o sujeito e o objeto que se coloca na questão do conhecimento.

Segundo Wallon (2007, p. 157 e 158), “o gesto precede a palavra, depois vem acompanhado dela, antes de acompanhá-la, para finalmente fundir-se em maior ou menor medida a ela. A criança mostra, depois conta, antes de conseguir explicar”, assim ele defendia a atividade humana como instrumento de criação do pensamento, pois para ele era preciso conhecer a criança nos seus diferentes campos de estudos e nos diferentes exercícios de suas atividades cotidianas.

Para Vygotsky, existem três momentos importantes da aprendizagem da criança: a zona de desenvolvimento potencial, que é tudo que a criança ainda não domina, mas que se espera que ela seja capaz de realizar; a zona de desenvolvimento real, que é tudo que a criança já é capaz de realizar sozinha; a zona de desenvolvimento proximal, que é tudo que a criança somente realiza com o apoio de outras pessoas ou de companheiros mais capazes.

Ao analisar os estudos de Vygotsky, notamos que sua teoria não é construtivista como já foi pregado por alguns, mas uma teoria sócio-histórica interacionista que vem completar de maneira unânime a teria construtivista de Piaget, sendo um dos teóricos pioneiros a estudar a cultura, as interações sociais e enfatizar o papel da linguagem e do pensamento na mediação do conhecimento.

Dessa forma, é importante ressaltar que para Vygotsky (1998, p. 1):

O estudo do pensamento e da linguagem é uma das áreas da psicologia em que é particularmente importante ter-se uma clara compreensão das relações interfuncionais. Enquanto não compreendermos a inter-relação de pensamento e palavra, não poderemos responder, e nem mesmo colocar corretamente, qualquer uma das questões mais específicas desta área. Por estranho que pareça, a psicologia nunca investigou essa relação de maneira sistemática e detalhada. As relações interfuncionais em geral não receberam, até agora, a atenção que merecem. Os métodos de análise atomísticos e funcionais, predominantes na última década, trataram os processos psíquicos isoladamente.


Dessa forma, a linguagem e o pensamento estão fortemente conectados, pois é através da linguagem e dos símbolos escolhidos como metáforas ou outras figuras que se constituem em valiosas moedas de trocas, isto é, de interação feita através da linguagem, que se realiza uma espécie de mediação do indivíduo com a cultura, assim a linguagem é a ferramenta que torna o animal homem verdadeiramente humano.

Piaget valorizava o individual, Vygotsky afirmava que aquilo que parece individual na pessoa é na verdade resultado da construção da sua relação com o outro, no coletivo, que está ligado à cultura. Assim, as características e atitudes individuais estão profundamente impregnadas das trocas com o coletivo e é justamente na cultura dos seus valores, na negociação dos sentidos que se constrói e se internaliza o conhecimento.

Nessa concepção, a importância da Psicologia da Aprendizagem tem como objetivo lógico e único o estudo do homem psicológico em distinção às outras espécies “irracionais”. Ela estuda a evolução da capacidade intelectual, motora, sociável e afável do ser humano. Por meio da Psicologia do Desenvolvimento, ela é capaz de detectar as ações mais complexas das atividades psíquicas no adulto, que são produtos de uma longa jornada cultural, ontológica e filogenética.

Portanto, o desenvolvimento da aprendizagem é a passagem pela qual a criança se apropria ativamente do conteúdo da experiência humana, daquilo que conhece seu grupo social. Para que a criança se integre num grupo de seres humanos maduros, é necessário o convívio com pessoas adultas e com outras crianças mais experientes para uma troca de saberes individual e coletiva.


CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao desenvolver este trabalho, procuramos apresentar as principais teorias de aprendizagem interacionistas/cognitivistas de Piaget, Wallon e Vygotsky e as teorias comportamentalistas desenvolvidas especialmente por Skinner; no decorrer do desenvolvimento da pesquisa, percebemos pontos conceituais importantes nas correntes teóricas, fazendo-se, assim, necessário discutir e compreender essas abordagens teóricas para melhor auxiliar a prática pedagógica dos professores nas escolas.

Dessa forma, notamos, que do ponto de vista pedagógica, Piaget, Wallon, Vygotsky e Skinner contribuem com suas teorias e ideias, de forma significativa, para a compreensão do desenvolvimento humano no processo de ensino-aprendizagem do aluno. Sendo assim, sugere-se que o professor compreenda as teorias da Psicologia da Aprendizagem para que possa auxiliar melhor a sua prática pedagógica.

Ao estudar e compreender as teorias da aprendizagem, melhora-se e aperfeiçoa-se a compreensão acerca de como se dá o processo de ensino-aprendizagem, pois permitem um exame geral do quadro educacional, de modo que possam integrar diferentes abordagens que melhor se adaptam aos trabalhos pedagógicos. Sabe-se que nenhuma teoria da aprendizagem desenvolvida irá esgotar e fornecer um entendimento total do assunto, porque a ciência é uma área do conhecimento que está em constante transformação.

As práticas e teorias educativas necessitam ser sempre revistas diante das novas tecnologias, pois, com os recentes avanços na comunicação informatizada, o domínio de vocabulários novos e de outros aspectos da linguagem e da escrita pode contribuir para novos pensamentos, conceitos e novas formas de expressão do pensamento humano.

A receptividade que a temática possibilita neste trabalho deve ser interpretada como um indicador positivo e enriquecedor da necessidade que há de abordá-la e de limitá-la, tanto no plano da teoria como no da prática, quanto no embasamento da práxis psicopedagógica. O trabalho sinaliza também um método de filtragem, que vem atribuindo à psicologia da educação um lugar de destaque cada vez maior no campo da ciência do desenvolvimento humano da aprendizagem.

Os trabalhos e pesquisas dos teóricos nos ajudam a compreender como compreendemos, a entender como entendemos, a aprender como aprendemos, e a ensinar como ensinamos. Além de nos preocuparmos com o que ensinamos, é da ordem das preocupações do educador, em todas as suas funções, investigar como ensinar e por que ensinar de tal forma o que ensinamos e como ensinamos... Enfim, precisamos pensar sobre o que fazemos, para que fazemos e como fazemos na prática do cotidiano das escolas.

A participação de todos por uma melhoria no ensino e aprendizagem de nossas crianças é algo essencial para um país mais justo e igualitário, em que os profissionais da educação passem a exercer de forma unânime e plena o seu papel de agentes formadores e construidores de uma cultura que tenha cada vez mais pessoas que despertem o prazer e o gosto pela leitura e escrita.

Portanto, as teorias apresentadas contribuem de alguma maneira para a formação dos professores e estudantes ao proporem a reflexão de diferentes abordagens teóricas, através da compreensão e assimilação existente entre as principais teorias acerca do desenvolvimento humano. A técnica da educação admite que os educadores façam reajustes nas teorias, para que estas possam ser aplicadas de uma forma mais adequada em relação aos alunos, levando em consideração o contexto escolar e social.

A LEARNING PSYCHOLOGY OF IMPORTANCE AND THEORIES FOR FIELD TEACHING-LEARNING
Abstract: the objective of this paper is to discuss and analyze the behaviorists and cognitive theories, its main influences in education taking a conceptual focus on theoretical concepts of teaching and learning. In this way, we will seek to place these theories for the development of Educational Psychology, reflecting upon the implications of such theoretical concepts in pedagogical practice.
Keywords: Psychology of Learning. Education. Radical behaviorism. Cognitive theories. Teaching and learning.

REFERÊNCIAS

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COUTINHO, Maria Tereza da Cunha; MOREIRA, Mércia. Psicologia da educação: um estudo dos processos psicológicos de desenvolvimento e aprendizagem humanos, voltado para a educação. 6. ed. Belo Horizonte, MG: LÊ, 1998, 176 p.

FERREIRO, Emilia; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985, 284 p.

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LEPRE, Rita Melissa. Contribuições das teorias psicogenéticas à construção do conceito de infância: implicações pedagógicas. Rev. Teoria e Prática da Educação, v.11, n.3, p.309-318, set./dez. 2008.

PIAGET, Jean. Fazer e compreender. São Paulo. Melhoramentos Editora da Universidade de São Paulo. 1978, 186 p. (Tradução de Christina Larroudé de Paula Leite).

PIAGET, Jean. Seis Estudos de Psicologia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1999.

SKINNER, Burrhus Frederic. Sobre o behaviorismo. Tradução de Maria da Penha Villalobos. 10. ed. São Paulo: Cultrix, 2006.

VASCONCELLOS, Vera Maria Ramos de. Perspectiva Co-construtivista na Psicologia e na Educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

VYGOTSKY, Lev Semyonovitch. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1998.



WALLON, Henri. Henri Wallon: a evolução psicológica da criança. São Paulo: Martins Fontes, 2007. (Coleção Psicologia e Pedagogia. Tradução Claudia Berliner).

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