A expansão dos cursos de pedagoia no estado de santa catarina nas décadas de 70 e 80


TABELA 3 CURSOS DE PEDAGOGIA IMPLANTADOS EM SANTA CATARINA NAS DÉCADAS DE 70 E 80



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TABELA 3

CURSOS DE PEDAGOGIA IMPLANTADOS EM SANTA CATARINA NAS DÉCADAS DE 70 E 80

INSTITUIÇAO

NATUREZA JURÍDICA

MUNICÍPIO

HABILITAÇÕES

Data/início

Func.


Modalidade

1.UFSC

(Universidade Federal de Santa Catarina)



Pública

FEDERAL



Florianó-polis

1960

Presencial

(Licenciatura)



2.UDESC

(Universidade Estadual de Santa Catarina)



Pública

ESTADUAL


Fundacional


Florianó-polis-

  • Administração Escolar

  • Magistério das Matérias Pedagógicas de 2o Grau

  • Magistério das Séries Iniciais

  • Orientação Educacional

  • Supervisão Escolar

01/03/1964

Presencial

(Licenciatura)



3.UNIVALI

(Universidade do Vale do Itajaí)


Privada


Filantrópica

Fundacional




Itajaí

  • Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental

  • Educação Pré-Escolar

  • Magistério das Matérias Pedagógicas 2o Grau

  • Supervisão Escolar

01/03/1965

Presencial

(Licenciatura)



4.FURB

(Universidade Regional de Blumenau)



Pública

Municipal

Fundacional


Blumenau

  • Administração Escolar

  • Magistério de 1a a 4a série do Ensino Fundamental e Educação Especial

  • Magistério do Pré-Escolar à 4a Série

  • Orientação Educacional

  • Supervisão Escolar

25/05/1968

Presencial

(Licenciatura)



5.UNISUL

(Universidade do Sul de Santa Catarina)



Pública

Municipal

Fundacional



Tubarão

  • Magistério das Matérias Pedagógicas do 2oGrau

  • Magistério das Séries Iniciais do Ensino Fundamental

  • Magistério das Séries Iniciais do Ensino Fundamental-Educação Especial

  • Magistério das Séries Iniciais do Ensino Fundamental – Educação Infantil

  • Orientação Escolar

  • Supervisão Escolar

26/02/1970

Presencial

(Licenciatura)



6. UNESC

(Universidade do Extremo Sul de Catarinense)



Pública

Municipal

Fundacional


Criciúma

  • Magistério da Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental

  • Magistério das Matérias Pedagógicas do Ensino Médio

  • Magistério das Séries Iniciais do Ensino Fundamental

  • Magistério do Pré-escolar à 4a Série do Ensino Fundamental

06/03/1970

Presencial

(Licenciatura)



7. UnC

(Universidade do Contestado)



Privada

Comunitária

Fundacional


Caçador

  • Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental

  • Educação Especial

12/07/1972

Presencial

(Licenciatura)



Concórdia

  • Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental

03/03/1989

Presencial

(Licenciatura)



Canoinhas

  • Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental

01/03/1986

Presencial

(Licenciatura)



8. UNOCHAPECÓ

(Universidade Comunitária Regional de Chapecó)



Privada

Comunitária

Filantrópica

Fundacional




Chapecó

  • Complementação de Estudos Educação Infantil

  • Educação Especial

  • Educação Infantil

  • Séries Iniciais do Ensino Fundamental

13/03/1972

Presencial

(Licenciatura)



9. FEJ

(Faculdade de Educação de Joinville)



Privada


Joinville

  • Administração Escolar

  • Educação Infantil

  • Magistério das Matérias Pedagógicas 2o Grau

  • Magistério das Séries Iniciais do Ensino Fundamental

  • Magistério Pré-Escolar

  • Orientação Educacional

  • Supervisão Escolar

01/06/1973

Presencial

(Licenciatura)



10. UNOESC

(Universidade do Oeste de Santa Catarina)


Privada


Filantrópica Fundacional


Joaçaba


  • Educação Infantil

  • Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental

02/08/1976

Presencial

(Licenciatura)



São Miguel D’Oeste

  • Administração Escolar do Ensino Fundamental e Médio

  • Educação Infantil

  • Magistério das Matérias Pedagógicas do Ensino Médio

  • Orientação Educacional

  • Séries Iniciais do Ensino Fundamental

01/08/1988

Presencial

(Licenciatura)



  • Educação Especial

01/08/1988

Presencial

(Licenciatura)



  • Pedagogia Empresarial

01/08/1988

Presencial

(Licenciatura)



11. UNIFEBE

(Centro Universitário de Brusque)



Privada

Comunitária

Fundacional


Brusque

  • Magistério do Pré-Escolar à 4a Série do Ensino Fundamental

02/03/1987

Presencial

(Licenciatura)



12. UNERJ

(Centro Universitário de Jaraguá do Sul)




Privada

Comunitária

Fundacional


Jaraguá do Sul

  • Educação Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental

29/01/1988

Presencial

(Licenciatura)



13. UNIDAVI

(Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí)



Privada

Comunitária

Filantrópica

Fundacional



Rio do Sul

  • Docência dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental

  • Magistério da Pré-escola à 4a Série do Ensino Fundamental

31/07/1989

Presencial

(Licenciatura)



FONTE: http://www.educacaosuperior.inep.gov.br/; quarta-feira, dia 07 de julho de 2004.

O Curso de Pedagogia em Santa Catarina foi criado inicialmente para a formação de docentes destinados a atuar nos Cursos Normais bem como à formação de técnicos educacionais. No momento inicial de sua expansão, conseqüência do movimento de interiorização do Ensino Superior, sua finalidade principal era a formação de especialistas, por meio das habilitações técnicas de ensino. Logo a seguir, no entanto, na década de 70, os cursos passaram a formar principalmente o docente para as primeiras séries do ensino de 1o grau.

O movimento de definição da identidade do Curso de Pedagogia tem sido, portanto, constante, ocorrendo, nos anos 1990, uma remodelação de forma a adequá-lo mais especificamente à preparação do professor de educação infantil e séries iniciais11.

Esse cenário permaneceu em vigor até a aprovação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96), em 20 de dezembro de 1996. Após a aprovação desta lei, as discussões sobre a função do Curso de Pedagogia e sobre que formação deve proporcionar têm estado em pauta. Com a criação dos Institutos Superiores de Educação como instituições privilegiadas para a formação de professores no país e, ainda, dos Cursos Normais Superiores como local de formação dos docentes para as séries iniciais do Ensino Fundamental, tal tema vem ocupando cada vez mais espaços na academia e, especialmente, nas pautas das entidades representativas como a ANFOPE12 e ANPED13, razão pela qual a definição de diretrizes curriculares para o Curso de Pedagogia tem sido protelada até o presente momento.



Considerações finais

O processo de expansão do Curso de Pedagogia no Estado de Santa Catarina, nas décadas de 1970 e 1980, foi fortemente influenciado pelo movimento de interiorização e privatização do Ensino Superior, estabelecido em grande parte pelo primeiro Plano Estadual de Educação14, que considerou o Ensino Superior a principal via para o desenvolvimento sócio-econômico do estado, elegendo como objetivo primordial desse nível de ensino preparar mão-de-obra qualificada.

A expansão e a interiorização do Curso de Pedagogia em Santa Catarina ocorreu, portanto, no interior do movimento de privatização do ensino superior, pela via da institucionalização do sistema fundacional, financiado ao mesmo tempo pelos alunos, pelo governo do estado e pelas prefeituras municipais. Suas vagas nas instituições públicas permaneceram estagnadas durante as duas décadas estudadas, e o Estado desobrigou-se cada vez mais da formação dos professores, permitindo uma expansão caracterizada essencialmente por um ensino sem pesquisa e fortemente influenciado pela ideologia do desenvolvimentismo, conforme as determinações do primeiro Plano Estadual de Educação (1969-1980).

Uma pesquisa desenvolvida por Campos (2004), focalizando a Região Sul, mostra que no Estado de Santa Catarina, particularmente, as instituições públicas continuam a representar o menor número de vagas nos Cursos de Pedagogia. Isto indica que a tendência de privatização do Ensino Superior, iniciada nas décadas de 1970 e 1780, ainda permanece e domina o cenário. No entanto, a existência de grande número de Cursos de Pedagogia no estado hoje - 75 cursos/habilitações distribuídos nas 18 instituições de Ensino Superior - é uma forte razão para que os Cursos Normais Superiores não tenham aqui se expandido (Scheibe; Durli, 2004).

Segundo as autoras, a grande maioria das instituições são fundacionais e congregadas pela ACAFE. Chama a atenção o fato de que, dos 75 cursos existentes no estado, 72 (96%) estão vinculados a instituições de ensino privado e somente 3 (4%), a instituições públicas. No estado, são 18 instituições de Ensino Superior que têm cursos de Pedagogia, em 57 municípios. Considerando que o total de municípios é 293, há cursos em 20% deles. No entanto, é preciso considerar que foram contabilizados apenas os cursos regulares, não estando incluídos projetos especiais de formação que também ocorrem no estado.

Conforme Campos (2004), a porcentagem dos cursos/habilitações de Pedagogia ofertados por instituições públicas no Brasil é de 36%, portanto, média mais elevada do que os 4% do Estado de Santa Catarina. Esta peculiaridade tem sua gênese no movimento de expansão dos Cursos de Pedagogia que se deu nas décadas de 1970 e 1980, juntamente com o movimento de expansão e interiorização do Ensino Superior. Isso se deu através da implantação de faculdades isoladas que se vincularam, aos poucos, a Fundações Educacionais. Ou seja, no Estado de Santa Catarina a formação de professores se dá prioritariamente em instituições de direito privado.



Referências:
AMORIM, Maria das Dores Daros de. Ensino Superior Fundacional: por que e para que? CADERNOS CED; Florianópolis, 4(9) : 71-89, jan./jun. 1987.

AURAS, Gladys Mary Teive. Modernização econômica e formação do professor em Santa Catarina. Florianópolis : ed. Da UFSC, 1997.

AZEVEDO, Janete M. Lins. A educação como políticas públicas. Campinas, SP: Autores Associados, 1997. (Coleção Polêmica do Nosso Tempo; v. 56)

BRZEZINSKI, Iria. Pedagogia e formação de professores: dilemas e perspectivas. In:VIII ENDIPE, ANAIS, V. II, Florianópolis, 1996.

DOURADO, Luiz Fernandes. A interiorização do ensino superior e a privatização do público. Goiânia : Ed. Da UFG, 2001.

EVANGELISTA, Olinda. A formação universitária do professor. O Instituto de Educação da Universidade de São Paulo (1934-1938). Florianópolis: NUP/CED/UFSC/ Editora Cidade Futura, 2002.

GERMANO, José Willington. Estado militar e educação no Brasil (1964-1985). 3 ed. São Paulo: Cortez, 2000.

HÖFLING, Eloísa de Mattos. Estado e políticas (públicas) sociais. Cadernos CEDES, n. 55, nov./2001. p. 30-41.

MARQUES. M.O. A formação do profissional da educação. Ijuí : Ed. UNIJUÍ, 2000.

SAVIANI,D. O espaço acadêmico da pedagogia no Brasil: perspectiva histórica. In: Paidéia - Cadernos de Psicologia e Educação, Vol. 14, Número 28, mai/ago 2004, p. 113-124.

SCHEIBE, Leda; AGUIAR, Márcia Ângela. Formação de profissionais da educação no Brasil: o curso de pedagogia em questão. Educação & Sociedade, ano XX, no 68, Dezembro/99.

SCHEIBE, Leda; BAZZO, Vera Lúcia. A construção de uma base comum nacional par a formação de profissionais da educação no Brasil. Contrapontos/Universidade do Vale do Itajaí. Ano 1, n.I (2001) – Itajaí: Univali, jan./jun. 2001.

SCHEIBE, Leda; DANIEL, Leziany, Silveira. Formação docente para a Educação Básica: um desafio para o Ensino Superior no século XXI. In; SCHEIBE, Leda; DAROS, Maria das Dores. Formação de professores em Santa Catarina. Florianópolis : NUP/CED, 2002.

SCHEIBE, Leda; DURLI, Zenilde. Os Cursos de Pedagogia em Santa Catarina no contexto atual. In: ANAIS IV Educere PUCPR – II Congresso da Área de Educação, 2004.

SHIROMA, Eneida et alli. Política educacional. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

SILVA JUNIOR, João dos Reis; SGUISSARDI, Valdemar. Novas faces da educação superior no Brasil. São Paulo : Cortez; Bragança Paulista, SP : USF – IFAN, 2001.

SILVA, Carmem Silvia Bissolli da. O lugar da Pedagogia na formação de professores. In: TIBALLI, Eliandra F. Arantes; CHAVES, Sandramara Matias (Orgs.). Concepções e práticas em formação de professores: diferentes olhares. Rio de Janeiro : DP&A, 2003.

TORRES, Rosa Maria. Melhorar a qualidade da educação básica? As estratégias do Banco Mundial. In: TOMMASI, Lâvia de et alli (orgs.) O Banco Mundial e as políticas educacionais. São Paulo: Cortez, 1996.

VALLE, Ione Ribeiro. A era da profissionalização: formação e socialização profissional do corpo docente de 1a a 4a série. Florianópolis: Cidade Futura, 2003.

VIEIRA, Sofia Lerche. Política educacional em tempos de transição (1985-1995). Brasília: Plano, 2000.





1 Lei no 5.540/68.

2Segundo Auras (1998), no final dos anos cinqüenta o país é sacudido pelo projeto nacional desenvolvimentista. Juscelino Kubitschek (1956/1960), com seu Plano de Metas, comandava o “arranco” para o desenvolvimento, difundindo a ideologia política do nacionalismo desenvolvimentista.

3 23/jun/1965 – nesta data foram assinados os acordos entre o MEC - e a USAID (Agência Norte-Americana de Ajuda Internacional), tendo como uma das suas finalidades viabilizar a Reforma Universitária de 1968.

4 Segundo Amorin (1987), o modelo de escola isolada de ensino superior nasce com a implantação do ensino de 3o grau no país em 1808, quando da instalação da Corte e, mais tarde, com a elevação do Brasil a reino.

5 FESC/UDESC.

6 Criada em 02/05/1974. A ACAFE tem sua gênese por iniciativa comunitária, com apoio dos poderes municipal e estadual, a partir da implantação de 18 fundações mantenedoras de instituições isoladas.

7 Informação extraída do site da ACAFE em 19/07/2004 (www.acafe.org.br).

8 De acordo com Scheibe e Daniel (2002), o curso de Pedagogia foi criado com a finalidade de formar professores para atuar no Ensino Médio, nas Escolas Normais, além de qualificar profissionais para o desempenho de tarefas não docentes da atividade educacional.

9 Sobre o tema, ver artigo “Os institutos superiores de educação ontem e hoje”. BAZZO (2004).


10 Ensaio similar foi desenvolvido por Anísio Teixeira no então Distrito Federal (Rio de Janeiro), nos anos 30, com o Instituto de Educação do Distrito Federal. Ver a respeito: VIDAL, Diana Gonçalves. O Exercício disciplinado do olhar: livros, leituras e práticas de formação docente do Instituto de Educação do Distrito Federal (1932-1937). Bragança Paulista: Editora da Universidade São Francisco, 2001. 343 p. (Coleção Estudos CDAPH. Série Historiografia).

11 Ler SCHEIBE, Leda; DANIEL, Leziany Silveira. Formação docente para a Educação Básica: um desafio para o Ensino Superior no século XXI. In: SCHEIBE, Leda; DAROS, Maria das Dores.(Orgs.) Formação de professores em Santa Catarina. Florianópolis : NUP/CED, 2002.

12 Associação Nacional pela Formação de Profissionais da Educação

13 Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação

14 O primeiro Plano Estadual de Educação de Santa Catarina – 1969/1980- foi sancionado pelo Decreto N. SE – 31-12-69/8.828. Gestado no auge da ditadura militar no país, foi elaborado por uma comissão de intelectuais locais assessorados por organismos internacionais. Segundo Auras (1998), tem como marco a necessidade de atrelar a educação ao movimento econômico. Resume-se ao tecnicismo, tendo por base enfatizar a eficiência do professor. Estiveram à frente dos trabalhos de elaboração do primeiro plano oito dos nove integrantes do Conselho Estadual de Educação, também consultores e colaboradores que ocupavam cargos de liderança em órgãos do governo.




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