A expansão dos cursos de pedagoia no estado de santa catarina nas décadas de 70 e 80


O cenário do desenvolvimento das Instituições de Ensino Superior em Santa Catarina nas décadas de 1970 e 1980



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1. O cenário do desenvolvimento das Instituições de Ensino Superior em Santa Catarina nas décadas de 1970 e 1980.

O cenário das instituições de Ensino Superior em Santa Catarina nas décadas de 1970 e 1980 estruturou-se a partir das mudanças propostas pela Reforma Universitária de 19681, articuladas e necessárias à manutenção do modelo sócio-econômico defendido pelos governos militar-autoritários que se instalaram no país após 1964 (SAVIANI, 1980). Este modelo, que correspondeu a uma nova fase do desenvolvimento capitalista no país, indicava, sob muitos aspectos, a necessidade da ampliação do acesso ao Ensino Superior (SILVA JUNIOR; SGUISSARDI, 2001). Nesse sentido, o regime militar valorizou a educação, transformando-a em instrumento de disseminação de seu ideário em busca de hegemonia. Por este motivo e também por defrontar-se com limitações financeiras, o Estado intensificou seu interesse na expansão do setor privado no atendimento desse grau de ensino.

No modelo econômico privilegiado no período – centralizador de capital e fundamentado na internacionalização da economia - buscava-se a formação de mão-de-obra qualificada para a produção. Era objetivo da Reforma Universitária, portanto, adequar o Ensino Superior ao projeto desenvolvimentista2 do país, favorecendo uma expansão sem maiores controles ou inibições, e tendo o mercado de trabalho como objetivo maior (DOURADO, 2001). Ao mesmo tempo em que constituía a mão-de-obra diplomada, o Ensino Superior surgia como a principal forma de ascensão da classe média. Isso contribuía tanto para o enraizamento da ideologia desenvolvimentista quanto para a desnacionalização das questões educacionais orientadas por programas norte-americanos de cooperação como o MEC/USAID3. Neste contexto, o Ensino Superior transformou-se em estratégia de reprodução e ampliação da classe média, importante mercado consumidor no modelo em desenvolvimento (SILVA JUNIOR; SGUISSARDI, 2001).

A aceleração do crescimento da demanda social pela educação marcou o cenário da década de 70, no qual ocorreu a expansão e a interiorização do Ensino Superior no país sob o predomínio da iniciativa privada, sendo operacionalizada sob duas formas:

a direta, pelo implemento e subvenção, com dinheiro público, à criação mais ou menos indiscriminada de instituições de ensino superior privadas; a indireta, através da criação de fundações de direito público ou privado, numa tentativa de o Estado desobrigar-se, do ponto de vista econômico financeiro, da manutenção do Ensino Superior e aumentar seu poder de intervenção ( SILVA JUNIOR; SGUISSARDI, 2001, p.183).

Embora tenha também ocorrido uma expansão de matrículas nas faculdades e universidades públicas no período pós-64 (Dourado, 2001), o movimento privatista ganhou impulso no Ensino Superior sobretudo pelo surgimento de incentivos e subvenções às faculdades e universidades privadas e pela implantação de fundações educacionais. Nessa abertura para a implantação de fundações educacionais – de direito público ou privado-, é que ocorreu, especialmente pela via indireta, a proliferação das faculdades isoladas de Santa Catarina4; modelo que ainda hoje caracteriza o Ensino Superior no estado. Sua expansão foi analisada por Amorim (1987) e entendida como resposta do governo à demanda pela formação superior na década de 60, “propiciada pela diminuição do rigor de análise dos processos de criação de novos cursos e de novas IES no país, feitos pelo Conselho Federal de Educação, que sendo um órgão de assessoramento do MEC, executou a política de abertura para a expansão do ensino superior” (p.75).

Segundo Scheibe e Daniel (2002), as instituições fundacionais surgiram em Santa Catarina de forma gradual nas décadas de 1960 e 1970, totalizando 15 ao final desse período:

entre 1965 e 1970 foram criadas a FESC/UDESC, com campus em Florianópolis, Joinville e Lages; a FESSC em Tubarão; a FUCRI em Blumenau; a FURJ em Joinville; a FEDAVI em Rio do Sul; a UNIPLAC em Lages; a FUNPLOC em Canoinhas e a FUOC em Joaçaba. Já entre 1971 e 1975, criaram-se a FERJ em Jaraguá do Sul; a FEARPE em Caçador; a FEMARP em Videira; a FUNDESTE em Chapecó; a FUNORTE em Mafra e a FEBE em Brusque. Após 1975, foram criadas a FEAUC de Concórdia e a FEPLAC de Curitibanos (p.28).

O processo de institucionalização e interiorização do Ensino Superior através de fundações apresentou, todavia, uma singularidade em Santa Catarina: em 1974, os presidentes das fundações criadas por lei municipal e da fundação criada pelo Estado5 constituíram a ACAFE6 – Associação Catarinense das Fundações Educacionais. Esta entidade surgiu com a missão de promover a integração dos esforços de consolidação das instituições de Ensino Superior a ela associadas, executando atividades de suporte técnico-operacional e de representação junto aos órgãos dos Governos Estadual e Federal.7

Amorim (1987) chamou a atenção para o fato de que a expansão e a interiorização do Ensino Superior em Santa Catarina, através de Fundações e da ACAFE como sua instituição integradora, respondeu também à demanda para o Ensino Superior trazida pela extraordinária expansão do Ensino Médio em todas as regiões do estado. A formação de professores para o Ensino Médio e a demanda de qualificação dos especialistas educacionais para as funções de supervisão, administração e orientação pedagógica requeridas, então, pelas escolas básicas determinaram o forte contingente de cursos de licenciatura e, entre eles, os cursos de Pedagogia no processo de expansão do Ensino Superior no estado.





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