A especificidade da Psicoterapia experiencial de E. Gendlin



Baixar 86,4 Kb.
Página1/7
Encontro19.06.2018
Tamanho86,4 Kb.
  1   2   3   4   5   6   7

A especificidade da Psicoterapia experiencial de E. Gendlin

José Paulo Giovanetti1

Estamos vivendo em um mundo cada vez mais fragmentado, isto é, o predomínio do especialista é uma realidade. Haja vista que, caso você necessite de um médico ortopedista, é necessário, em primeiro lugar, saber se o mesmo é um especialista em ombro ou em problemas do quadril. Isso porque, caso o seu problema seja no braço, o especialista em quadril não lhe atenderá.

Sem dúvida, esse exemplo pode ser estendido para todos os setores do conhecimento, não se esquivando, portanto, da psicologia, da fisioterapia e da terapia ocupacional. Nesse contexto, importa observar que a fragmentação do conhecimento nos condiciona a uma fragmentação da compreensão do homem. Por outro lado, cada perspectiva do conhecimento procura afirmar que sua visão de mundo é única e a mais competente para a compreensão do fenômeno. Por exemplo, se sou médico, entendo todos os problemas existenciais, como a liberdade, o amor e a fé, só a partir da dimensão biológica. Assim, sendo, “Biologizo” a vida. O mesmo acontece com o psicólogo, que procura entender os fenômenos existencialistas a partir da dimensão psíquica e, daí, “Psicologiza” a vida. Nesses termos, já se pode depreender que a especialização e a “absolutização” do conhecimento empobrecem a visão de homem.

A fim de verticalizar essas considerações, salienta-se que, na psicologia, o predomínio dessa visão fragmentada do ser humano se deve ao fato de que as raízes de sua maneira de perceber a realidade têm como inspiração o modelo das ciências naturais, os quais apresentam como característica principal a busca da explicação, isto é, tudo é compreendido dentro da equação causa e efeito. Dessa forma, a superação desse modo de entender a realidade pode ser obtida se buscarmos compreender os fenômenos humanos a partir de um paradigma do modelo das ditas ciências do espírito, ou seja, um modo de entender o ser humano que busque um modelo de ciência que consiga captar a especificidade do ato humano. É necessário, entretanto, ampliarmos nossa visão em busca de um conhecimento mais integral do ser humano, mais holístico, onde a existência humana seja compreendida a partir da articulação de todas as suas dimensões. Daí, a necessidade da psicologia buscar uma fundamentação na filosofia, pois o conhecimento filosófico nos possibilita uma visão do todo e não uma compreensão compartimentada da vida humana. Neste ponto, percebe-se que o esforço da visão existencial e da visão humanista é, justamente, o de fornecer essa compreensão mais global da vida.

Tendo como horizonte essa busca por um novo paradigma, surge uma série de intervenções terapêuticas denominadas psicoterapias existenciais. Essas mais variadas abordagens têm como modelos filosóficos a fenomenologia e o existencialismo, o qual, em alguns casos, é completado pela visão humanista presente de forma difusa em algumas abordagens existenciais.

Assim, todas as intervenções clínicas, ditas existenciais, procuram olhar mais o indivíduo, isto é, a pessoa no seu todo, na sua complexidade, e não a perturbação psíquica específica. Em geral, esses métodos procuram sedimentar a intervenção na relação interpessoal, que busca “facilitar na pessoa do cliente um autoconhecimento e uma autonomia psicológica suficiente para que ele possa assumir livremente a sua existência”.2 É importante ressaltar que todas as abordagens que tem como fundamento a fenomenologia, o existencialismo e o humanismo estabelecem um novo paradigma na compreensão do doente, deixando de lado a doença com vistas a entender o homem enfermo.




Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7


©psicod.org 2017
enviar mensagem

    Página principal