A eficácia da notificação, aconselhamento e encaminhamento de doadores de sangue hiv positivos aos serviços de saúde no Brasil



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4.1. Contexto e Significado:

Embora a prevenção de transmissão associada à transfusão seja uma das maiores histórias de sucesso na luta contra a epidemia de HIV, o trabalho está inacabado. Em alguns países de média e baixa renda, as transfusões podem ser responsáveis ​​por até 6% das infecções por HIV (3). Ao mesmo tempo, as pessoas podem doar sangue, porque querem saber o seu estado sorológico, e essas pessoas não são bem servidas pelos procedimentos atuais dos bancos de sangue. Os procedimentos padrões brasileiros para doadores de sangue HIV positivo são encaminhar esses indivíduos a um centro de aconselhamento, testagem e tratamento para mais exames, apoio psicológico, orientação geral sobre a redução do risco e, se necessário tratamento.

Surpreendentemente, pouco se sabe sobre as consequências para os próprios doadores que identificaram a infecção HIV através da doação de sangue, ou as potenciais implicações da notificação de doadores infectados pelo HIV e aconselhamento para o controle da epidemia de HIV para a saúde pública. Em ambientes de não-doadores, os centros de testagem e aconselhamento para HIV (CTA) são a entrada principal para cuidar de pessoas infectadas e, quando bem sucedidos, proporcionam benefícios diretos e indiretos na prevenção. No entanto, antes que um doador de sangue possa ser integrado ao CTA, o doador deve voltar ao banco de sangue para a notificação e aconselhamento relacionados com os resultados dos testes de doação. Aproximadamente 60% dos doadores HIV-positivos no Brasil (4) retornam para notificação e aconselhamento, mas não há dados publicados que mostram quantos desses 60%, posteriormente, comparecem nos centros de testagem e aconselhamento para acompanhamento, cuidado e tratamento. Isto também significa que 40% não retornam e podem inadvertidamente contribuir para a transmissão do HIV e outras infecções na comunidade em geral no Brasil. Pessoas com HIV identificadas em ambientes fora do banco de sangue são conhecidas por reduzir o risco de transmitir o vírus para outras pessoas através da supressão da carga viral por terapia anti-retroviral (ART), mudança de comportamento decorrentes do aconselhamento para redução de risco e encaminhamento para outros serviços preventivos e sociais ( 5-9). No entanto, a evidência do impacto do aconselhamento e testagem do HIV no comportamento sexual de alto risco posterior tem sido contraditório. Embora vários estudos tenham encontrado declínios significativos na comunicação de múltiplos parceiros e relações sexuais desprotegidas, outros estudos encontraram limitados ou negativos efeitos na mudança de comportamento (10, 11).

Apesar do sangue doado ser testado para HIV e outras infecções no Brasil e em outros países de renda média e baixa,um risco residual de contaminação persiste devido à defasagem entre o momento da infecção transmissível (quando o sangue contém um número suficiente de vírus) e o momento em que os testes podem detectar anticorpos (ou seja, o "período de janela") (12). O período de janela é reduzido (mas não eliminado) por antígeno p24 ou teste de ácido nucleico (NAT) (12), mas o teste NAT permanece inacessível para muitos países em desenvolvimento. NAT para HIV e HCV utilizando um formato minipool tem sido adotado por bancos de sangue públicos no Brasil. Mesmo asssim, como uma maneira de reduzir o risco do período de janela, bancos de sangue excluem de doar, temporariamente ou permanentemente, pessoas com fatores de risco para HIV. Apesar destes esforços, a prevalência e risco residual estimado do HIV entre as doações nos bancos de sangue no Brasil permanecem cerca de 10 vezes maior do que os EUA (13-16).

Durante o estudo do REDS-II Internacional, cerca de 350 doadores HIV positivos foram registrados nos quatro hemocentros brasileiros localizados nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Recife, como parte de um estudo caso-controle sobre fatores de risco para o HIV (1). Para cada participante do estudo foi realizada uma entrevista estruturada assistida por computador de áudio (ACASI) sobre dados demográficos, fatores de risco e conhecimento HIV. Ao mesmo tempo, uma amostra de sangue foi coletada e testada para o genótipo do HIV, e resistência às drogas. Além disso, o estado de infecção recente foi determinado utilizando teste de anticorpos “detuned” de amostras com a doação de sangue original. Todos os participantes inscritos receberam aconselhamento por um médico do banco de sangue e foram encaminhados para centros de aconselhamento de HIV. Como parte da investigação em curso da epidemia de HIV no Brasil, estamos inscrevendo indivíduos infectados pelo HIV no REDS-III, a partir de 2011-2016, resultando em um acréscimos de 500-600 (~ 100 por ano) doadores HIV positivos provenientes do estudo HIV molecular e vigilância de fatores de risco. A partir deste estudo REDS III, nós vamos procurar inscrever uma parte deste participantes, desde os anos 2011-2013, neste protocolo sobre o aconselhamento HIV.

Neste projeto iremos medir formalmente taxas de notificação de doadores no Brasil e vamos procurar inscrever uma coorte de doadores HIV positivos em um estudo de seguimento para avaliar a integração aos cuidados de saúde e comportamentos de risco após a notificação dos resultados. Nossos resultados devem produzir percepções para o aperfeiçoamento dos métodos para a seleção e qualificação de doadores, que podem aumentar as taxas de auto-exclusão no local e, portanto, diminuir a freqüência com que as pessoas de maior risco são aceitas como doadores no Brasil. Os resultados do estudo também têm um significado além do benefício imediato de melhorar a segurança do sangue nos bancos de sangue do REDS-III Brasil. O maior impacto potencial será para outros países em desenvolvimento, particularmente na America Latina, com semelhante epidemiologia da doença HIV mas com poucas opções de centros de aconselhamento e recursos limitados para a doação de triagem pelo NAT. Além disso, uma vez que as nossas conclusões sobre os métodos aperfeiçoados para a notificação de doadores e de integração aos serviços de saúde pode ser generalizados para qualquer ambiente onde o estigma e preconceito contra o HIV / AIDS são relevantes, incluindo ambientes nos EUA.




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