A deus toda a glória



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Versus Mansel, Limitações do Pensamento Religioso, 75-84, 93-95; cf. Spinosa: “Omnis determinatio est negatio” (Toda a determinação é negação); por isso definir Deus é negá-lo. Respondemos, entretanto, que a perfeição é inseparável da limitação. O ser humano pode ser um outro além do que é: com Deus não acontece isso, ao menos interiormente. Mas tal limitação inerente em seus imutáveis atributos e distinções pessoais, é a perfeição de Deus. Exteriormente, todas limitações sobre Deus são autolimitações e, portanto consistentes com a sua perfeição. Esse Deus não deve ser capaz de limitar-se na criação e a recensão tornaria todo o seu sacrifício impossível e o sujeitaria à maior das limitações. Pelo exposto podemos dizer que 1. A perfeição de Deus envolve sua limitação a) à pessoalidade, b) à Trindade, c) à retidão; 2. A revelação de Deus envolve sua autolimitação a) no decreto, b) na criação, c) na preservação, d) no governo, e) na educação do mundo; 3. A redenção envolve sua infinita autolimitação a) na pessoa e b) na obra de Jesus Cristo.

(10) Bowne, Filosofia do Teísmo, 135 – "O infinito não é o todo quantitativo; o absoluto não é o não relacionado ... Tanto o absoluto como o infinito significam apenas a base independente das coisas”. Julius Müller, Doutrina do Pecado, Intr., 10 – "A religião tem a ver não com um Objeto que deve ser por si mesmo conhecido porque da sua própria existência é contingente em ser conhecido, mas com o Objeto com que nos relacionamos, na verdade, submissos, na dependência dele e no aguardo da sua manifestação”. James Martineau, Estudo da Religião, 1.346 – "Não devemos confundir o infinito com o total. A abnegação própria da infinitude é tão somente a forma de auto afirmação e a única em que ela pode revelar-se. Embora o Pensamento onisciente seja instantâneo, embora certa a força onipotente, sua execução tem de ser distribuída no tempo e deve ter uma ordem de passos sucessivos; em outros termos, o eterno pode tornar-se temporal e o infinito falar articuladamente no finito”. A pessoalidade perfeita exclui não a determinação própria, mas a que vem de fora através de um outro. As autolimitações de Deus são as do amor e, conseqüentemente, as evidências da sua perfeição. São sinais não de fraqueza, mas de poder. Deus limitou-se ao método da evolução desenvolvendo-se na natureza e na história. O governo dos pecadores por um Deus santo envolve constante repressão. A educação da raça é um longo processo de abnegação. Herder: “As limitações do aluno são também as do mestre”. Na inspiração, Deus se limita através do elemento humano por quem ele opera. Sobretudo, na pessoa e obra de Cristo, temos infinita autolimitação: A infinitude se estreita até na encarnação e a santidade suporta as agonias da Cruz. As promessas de Deus são também autolimitações. Deste modo tanto a natureza como a graça são restrições impostas a si mesmo por Deus e são os recursos através dos quais ele se revela.


G. Porque todo o conhecimento é relativo ao agente conhecedor; isto é, o que conhecemos, conhecemos, não como é objetivamente, mas só no que se relaciona com nossos sentidos e faculdades. Respondemos: a) Admitimos que podemos conhecer só o que se relaciona com as nossas faculdades. Mas isto somente equivale a dizer que conhecemos só aquilo que vem ao nosso contato mental, isto é, conhecemos o que conhecemos. Mas b) negamos que conhecemos aquilo que vem ao nosso contato mental como outra coisa além do que é. Até onde conhecemos, conhecemos como é. Em outras palavras, as leis do nosso conhecimento não são meramente arbitrárias e regulativas, mas correspondem à natureza das coisas. Concluímos que, em teologia, temos a garantia de admitir que as leis do nosso pensamento são as leis do pensamento de Deus e que os resultados do pensamento normalmente conduzido em relação a Deus correspondem à realidade objetiva.

Versus Sir Wm. Hamilton, Metafísica, 96-116 e Herbert Spencer, Primeiros Princípios, 96,97. Esta doutrina da relatividade deriva de Kant, que, na Crítica da Razão Pura, sustenta que os juízos a priori são somente “reguladores”. Respondemos, entretanto, que, quando se acha que as crenças primitivas são apenas reguladoras, elas deixam de regulamentar. As formas de pensamento são também fatos da natureza. Diferentemente do vidro de um caleidoscópio, a mente não fornece as formas; ela reconhece que estas têm existência exterior a ela mesma. A mente lê as suas idéias não rumo ao interior da natureza, mas nela. Nossas intuições não são lentes verdes que fazem o mundo todo parecer verde: são lentes de um microscópio, que nos capacitam a ver o que é objetivamente real (Royce, Espírito da Filosofia Moderna, 125). Kant chamava o nosso entendimento de “legislador da natureza”. Mas isto é verdade, só como descobridor das suas leis, não como seu criador. A razão humana impõe as suas leis e formas sobre o universo; mas, fazendo isso, ela interpreta o sentido real dele. Ladd, Filosofia do Conhecimento: “Todo juízo implica uma verdade objetiva segundo a qual julgamos e que constitui o padrão e com a qual temos algo em comum, i.e., as nossas mentes são parte de uma infinita e eterna”. Aforismo francês: “Quando você está certo, você está mais certo do que pensa estar”. Deus não nos põe em permanente confusão intelectual. Foi debalde que Kant escreveu “trânsito não impedido” sobre a razão em seu mais elevado exercício. Martineau, Estudo de Religião, 1.135,136 – "Bem ao contrário da suposição de Kant de que a mente nada pode conhecer além de si mesma, podemos estabelecer a suposição de Comte, igualmente sem garantia, de que a mente não pode conhecer-se a si mesma ou os seus estados. Não podemos ter filosofia sem suposições. Você dogmatiza se diz que as formas correspondem à realidade; mas igualmente você dogmatiza se diz que não correspondem. ... 79 --- Que as nossas faculdades cognitivas correspondem às coisas tais quais são, é muito menos surpreendente do que se elas correspondem às coisas que não são”. W.T. Harris, Jornal de Filosofia Especulativa, 1.22, expõe as contradições próprias de Spencer: “Todo o conhecimento não é absoluto, mas relativo; nosso conhecimento deste fato deste fato, entretanto, não é relativo, mas absoluto”.Ritschl, Justificação e Reconciliação, 3.16-21, estabelece limites, com uma correta afirmação da natureza do conhecimento, e adere à doutrina de Lotze, distinta da de Kant. A declaração de Ritchl pode resumir-se da seguinte maneira: Tratamos, não do Deus abstrato da metafísica, mas do Deus que a si mesmo se limitou e se revela em Cristo. Não conhecemos ou as coisas, ou Deus independentemente dos seus fenômenos ou manifestações, como imaginava Platão; não conhecemos os fenômenos ou manifestações sozinhos, sem conhecer as coisas ou Deus, como supunha Kant; mas, na verdade, conhecemos tanto as coisas como Deus nos fenômenos e manifestações, como ensinava Lotze. Não sustentamos a união mística com Deus, tendo como retaguarda toda a experiência religiosa, como ensina o Pietismo; a alma está sempre e somente em atividade e a religião é a atividade do espírito humano no qual o sentimento, o conhecimento e a vontade combinam-se numa ordem inteligível”.

Porém o Dr. C.M. Mead, O Lugar de Ritschl na História da Doutrina, bem mostra que Ritschl não seguiu Lotze. Seus “juízos de valor” são apenas uma aplicação do princípio “regulador” de Kant à teologia. Ele sustenta que podemos conhecer as coisas não como são em si mesmas, mas só como se nos apresentam. Retrucamos que, o que as coisas são para nós depende do que são em si mesmas. Ritschl considera as doutrinas da preexistência de Cristo, divindade e expiação como intromissões da metafísica na teologia, matéria a respeito da qual não podemos conhecer e com a qual nada temos a ver. Não há propiciação ou união mística com Cristo; e Cristo é o nosso exemplo, mas não o nosso Salvador expiador. Ritschl faz bem em reconhecer que o amor em nós dá olhos à mente e nos capacita a ver a beleza de Cristo e sua verdade. Mas o nosso juízo não é, como ele defende, um juízo de valor meramente subjetivo; é uma entrada em contato com o fato objetivo.


3. Na verdadeira revelação do próprio Deus e algumas de tais relações. Como neste lugar não tentamos apresentar uma prova positiva da existência de Deus ou da capacidade que o homem tem de conhecer a Deus, assim não tentamos, por ora, provar que Deus entrou em contato com a mente humana através da revelação. Daqui para frente consideraremos as bases desta crença. Por ora, nosso alvo é simplesmente mostrar que, admitindo o fato da revelação, é possível uma teologia científica. Isto tem sido negado nas seguintes bases:

A. Que a revelação, como um processo de tornar conhecido, é necessariamente interior e subjetiva – quer seja um modo de inteligência, quer um despertar das forças cognitivas – e, por isso, não pode fornecer nenhum fato objetivo que constitua material próprio para ciência.

(12) Morell, Filosofia da Religião, 128-131,143 – "A Bíblia não pode com a estrita exatidão da língua, ser chamada de revelação, visto que uma revelação sempre implica um verdadeiro processo de inteligência em uma mente viva”. F.W. Newman, Fases da Fé, 152 – "Nada conhecemos do nosso Deus moral e espiritual exteriormente – sempre interiormente”. Theodore Parker: “A revelação verbal nunca pode comunicar uma simples idéia como a de Deus, da Justiça, do Amor, da Religião”. James Martineau, A Sede da Autoridade na Religião: “Tantas mentes quantas existem conhecem a Deus ao primeiro contato, tem havido tantos atos reveladores e tantos quantos o conhecem indiretamente são estranhos à revelação”; assim, admitindo que a revelação exterior seja impossível, Martineau sujeita todas provas de tal revelação à desleal crítica destrutiva. Pfleiderer, Filosofia da Religião, 1.185 – "Como toda revelação é originariamente uma experiência de vida interna, o aparecimento da verdade religiosa no coração, nenhum evento pode pertencer de si mesmo à revelação, independente de ser natural ou sobrenaturalmente ocasionado”. Prof. George M. Forbes: Nada nos pode ser revelado que não se prenda à nossa razão. Segue-se que, na medida em que a razão age normalmente, ela é uma parte da revelação”. Ritchie, Darwin e Hegel, 30 – "A revelação de Deus é o desenvolvimento da sua idéia”.
Em resposta a esta objeção, apresentada principalmente pelos idealistas na filosofia,

a) Admitimos que a revelação, para ser eficaz, deve ser o meio de induzir a um novo modo de inteligência, ou, em outras palavras, deve ser entendida. Admitimos que este entendimento das coisas divinas é impossível sem um despertar das forças cognitivas do homem. Contudo, admitimos que a revelação, quando originariamente transmitida, via de regra era interior e subjetiva.

Matheson, Momentos na Montanha, 51-53, sobre Gl 1.16 – "revelar o seu Filho em mim”; “A revelação no caminho de Damasco não teria iluminado Paulo se não fosse somente uma visão dos seus olhos. Nada pode ser revelado para nós que não tenha sido revelado dentro de nós. O olho não vê a beleza da paisagem, nem o ouvido ouve a beleza da música. Do mesmo modo a carne e o sangue não nos revelam Cristo. Sem o ensino do Espírito, os fatos exteriores serão somente como as letras de um livro para uma criança que não sabe ler”. Podemos dizer com Channing: “Estou mais certo de que minha natureza racional vem de Deus mais do que qualquer livro que expresse a sua vontade”.


b) Mas negamos que a revelação exterior é, por isso, inútil e impossível. Mesmo que as idéias religiosas surgissem totalmente de dentro, uma revelação externa podia despertar os poderes dormentes da mente. Contudo, as idéias não surgem totalmente de dentro. A revelação exterior pode transmiti-las. O homem pode revelar-se através de comunicação exterior e, se Deus tem poder igual ao do homem, pode revelar-se de igual maneira.

Rogers, Eclipse da Fé, indaga assinaladamente: “Se a Senhora Morell Newman ensinar através de um livro, não pode Deus fazer o mesmo?” Lotze, Microcosmos, 2.660 (livro 9, cap. 4), fala da revelação “contida em algum ato divino, da ocorrência histórica ou repetido continuamente no coração do homem”. Mas, na verdade, não há nenhuma alternativa aqui; a força do credo cristão é que a revelação de Deus é tanto exterior quanto interior. Rainy, Revista Crítica, 1.1-21, diz com precisão que, sem garantia, Martineau isola da alma do indivíduo a testemunha de Deus. As necessidades interiores precisam ser combinadas com as exteriores a fim de assegurar que não se trata de um capricho da imaginação. É necessário distinguirmos as revelações de Deus das nossas fantasias. Daí, antes de dar-nos o padrão interior, Deus, via de regra, nos dá o exterior, através do qual testamos nossas impressões. Somos finitos e pecadores e necessitamos de autoridade. A revelação exterior recomenda-se como tendo autoridade sobre o coração que reconhece as suas necessidades espirituais.

A autoridade exterior evoca o testemunho interior e lhe dá maior clareza, mas só a revelação histórica fornece prova inconteste de que Deus é amor e nos dá a segurança de que os nossos anseios para com Deus não são vãos.
(13) c) Por isso a revelação de Deus pode ser e, como veremos daqui em diante, é, em grande parte, uma revelação exterior em obras e palavras. O universo é uma revelação de Deus; as obras de Deus na natureza precedem as suas obras na história. Contudo, reivindicamos que, em muitos casos em que se comunicou a verdade originariamente de forma interior, o mesmo Espírito que a comunicou efetuou seu registro exterior, de modo que a revelação interior pôde ser transmitida a outros além dos que primeiro a receberam.

Não devemos limitar a revelação às Escrituras. O Verbo eterno antedatou a palavra escrita e, através do Verbo eterno, Deus se fez conhecido na natureza e na história. A revelação exterior precede e condiciona a interior. No tempo certo a terra aparece antes do homem e a sensação antes da percepção. A ação expressa melhor o caráter e a revelação histórica ocorre mais pelos fatos do que pelas palavras. Dorner, História da Teologia Protestante, 1.231-264 – "O Verbo não está apenas nas Escrituras. Toda a criação o revela. Na natureza Deus mostra o seu poder; na encarnação a sua graça e verdade. A Escritura dá testemunho delas, mas não é a essência do Verbo. Na verdade, a Escritura a apreendeu e apropriou quando, nela e através dela vemos o Cristo vivo e presente. Ela não só confina a si os homens, mas aponta para Cristo de quem testifica. Cristo é a autoridade. Nas Escrituras ele nos aponta para si mesmo e demanda a nossa fé nele. Uma vez gerada esta fé, ela nos leva a uma nova apropriação da Escritura, mas não à crítica a respeito dela. Cada vez mais encontramos Cristo na Escritura e ainda julgamo-la cada vez mais segundo o padrão que há em Cristo”. Newman Smith, Ética Cristã, 71-82: “Há somente uma autoridade – Cristo. Seu Espírito opera de muitas maneiras, mas principalmente de duas: primeiro, a inspiração das Escrituras e segundo, a condução da igreja rumo à verdade. Esta não deve isolar-se ou separar-se daquela. A Escritura é a lei da consciência cristã, e a consciência cristã no tempo faz a lei voltar-se para a Escritura – interpretando-a, criticando-a, verificando-a. A palavra e o espírito respondem um ao outro. A Escritura e a fé são coordenadas. O protestantismo tem exagerado a primeira; o romanismo a segunda. Martineau deixa de captar a coordenação entre a Escritura e a fé.


d) Com este registro exterior também veremos que ocorre sob adequadas condições a influência do Espírito de Deus, de modo a despertar os poderes cognitivos que o registro exterior reproduz em nossas mentes as idéias de que as mentes dos escritores estavam divinamente cheias.

Podemos ilustrar a necessidade da revelação interna a partir da egiptologia, que é impossível até onde a revelação externa nos hieróglifos não é interpretada; a partir do tique-taque do relógio no escuro compartimento, onde só a vela acesa capacita-nos a narrar o tempo; a partir da paisagem espalhada em volta do Rigi na Suíça, invisível até que os primeiros raios do sol toquem os nevosos picos da montanha. A revelação exterior (fanevrwsi", Rm 1.19,20) deve ser suplementada pela interior (ajpokavluyi"1 Co 2.10,12. Cristo é o órgão da revelação exterior, o Espírito Santo da interior. Em Cristo (2 Co 1.20) estão o “sim” e “o Amém” – a certeza objetiva e a subjetiva, a realidade e a realização. A certeza objetiva deve tornar-se subjetiva para a teologia científica. Antes da conversão temos a primeira, a verdade exterior de Cristo; só na conversão e depois dela passamos a ter a segunda, “Cristo formado em nós”(Gl 4.19). Temos a revelação objetiva no Sinai (Ex 20.22); a revelação subjetiva no conhecimento que Eliseu teve de Geazi (2 Re 5.26). James Russel Lowell, Hino do Anoitecer do Inverno no meu Fogo:

“Por isso, contigo gosto de ler os nossos bravos poetas antigos: ao teu toque como despertas a Vida nas palavras secas! Como a correnteza retrocede as sombras do Tempo! e como os lampeja ainda pela sua massa morta o verso incandescente, Como quando sobre a bigorna do cérebro lança o brilho, ciclopicamente produzido Através dos velozes malhos latejantes do pensamento do poeta!”
e) As revelações interiores assim registradas e as exteriores assim interpretadas fornecem ambas fatos objetivos que podem servir como material próprio para a ciência. Apesar de que a revelação, em seu mais amplo sentido pode incluir e, constituindo a base da possibilidade da teologia na verdade inclui, tanto o insight (discernimento) como a iluminação, também pode ser empregada para denotar simplesmente uma provisão dos recursos exteriores do conhecimento e a teologia tem que ver com as revelações interiores só na medida em que se expressam neste padrão objetivo ou que concordam com elas.

(14) Já sugerimos aqui o vasto escopo e ainda as insuperáveis limitações da teologia. Em qualquer lugar em que Deus se revela, quer na natureza, na história, na consciência, ou na Escritura, a teologia pode encontrar material para a sua estrutura. Porque Cristo não é somente o Filho de Deus encarnado, mas também o Verbo eterno, o único revelador de Deus, não existe teologia alguma separada de Cristo e toda ela é teologia cristã. A natureza e a história são apenas mais sóbrios e generalizados descortinos do Ser divino, de que a cruz é o clímax e a chave. Deus não tem a intenção de ocultar-se. Ele quer ser conhecido. Ele se revela em todos os tempos tão plenamente como a capacidade das suas criaturas o permitem. O intelecto infantil não pode entender a infinitude de Deus, nem a disposição perversa entender a desinteresseira afeição de Deus. Apesar do que, toda a verdade está em Cristo e está ao dispor do descobrimento pela mente e pelo coração preparados. O Infinito, em qualquer lugar em que não se revela, sem dúvida é desconhecido do finito. Mas o Infinito, onde quer que se revela, é conhecido. Isto sugere o sentido das seguintes declarações: Jo 1.18 – "Deus nunca foi visto por alguém. O Filho Unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer”; 14.9 – "Quem me vê a mim vê o Pai”; 1 Tm 6.16 – “a quem nenhum dos homens viu, nem pode ver”. É por isso que nós aprovamos a definição de Kafta, Dogmatik, 1 – "A Dogmática é a ciência da verdade cristã crida e reconhecida na igreja baseada na revelação divina”--- até onde ela limita o escopo da teologia à verdade revelada por Deus e apreendida pela fé. Porém a teologia pressupõe tanto a revelação externa de Deus, como a interna e estas, como veremos, incluem a natureza, a história, a consciência e a Escritura.


B. Que muitas das verdades assim reveladas são demasiadamente indefinidas para constituir matéria para ciência porque pertencem à região dos sentimentos, porque estão além do nosso pleno entendimento, ou porque são destituídas de um arranjo ordenado.

Respondemos:


a) A teologia tem que ver com os sentimentos subjetivos só naquilo em que podem ser definidos e apresentados como efeitos da verdade objetiva na mente. Elas não são mais obscuras que os fatos da moral e da psicologia e a mesma objeção que excluiria tais sentimentos da teologia tornaria impossíveis estas ciências.

Ver Jacobi e Schleiermacher, que consideram a teologia como mero relato dos sentimentos dos devotos cristãos, em cuja base encontram-se fatos históricos objetivos, matéria de relativa indiferença (Hagenbach, História da Doutrina, 2.401-403). Por isso Schleiermacher chamou seu sistema de teologia “Der Christliche Glaube” (A Doutrina Cristã), e muitos, a partir da sua época, passaram a chamar os seus respectivos sistemas pelo nome “Glaubenslehre” (Ensino da Doutrina). Os “juízos de valor” de Ritschl, de igual modo, fazem da teologia uma ciência simplesmente subjetiva, se é que se pode ter ciência subjetiva. Kaftan vai além de Ritschl, admitindo que conhecemos, não só os sentimentos cristãos, mas também os seus fatos. A teologia é a ciência de Deus e não somente da fé. Em aliança com o ponto de vista já mencionado encontra-se o de Feuerbach, para quem a religião é matéria de fantasia subjetiva; e o de Tyndall, que remete a teologia à região do sentimento vago e aspiração, mas o exclui do reino da ciência.


b) Os fatos da revelação que estão além do nosso pleno entendimento podem, como a hipótese nebular na astronomia, a teoria atômica na química, ou a teoria da evolução na biologia, fornecer um princípio de união entre as grandes classes de outros fatos irreconciliáveis. Podemos definir nossos conceitos de Deus e mesmo da Trindade ao menos o suficiente para distingui-los de outros conceitos; e qualquer que seja a dificuldade que possa embaraçar a linguagem só mostra a importância de tentá-lo e o valor de um sucesso próximo.

(15) Horace Bushnell: “A Teologia nunca pode ser uma ciência em vista da debilidade da linguagem”. Porém este princípio tornaria vaga tanto a ciência ética quanto a política. Fisher, Natureza e Método da Revelação, 145 – "Hume e Gibbon fazem referência à fé como algo demasiado sagrado para apoiar-se em provas. Assim as crenças religiosas são feitas para enforcar, suspenso, sem qualquer apoio. Mas o fundamento destas crenças não é menos sólido para a razão que os testes empíricos inaplicáveis a elas. Os dados nos quais se apóiam são reais e, com razão, tiram-se, com razão inferências a partir dos dados”. Hodgson, na verdade, destila descontentamento em todo o método intuitivo ao dizer: “Qualquer coisa que você ignora totalmente, afirma ser a explicação de todas as outras coisas!” Contudo, é provável que admita começar suas investigações a partir da sua própria existência. Não compreendemos integralmente a doutrina da Trindade e aceitamo-la, a princípio, apoiados no testemunho da Escritura; a sua prova completa encontra-se no fato de que cada uma das sucessivas doutrinas da teologia liga-se a ela e com ela permanece ou cai. A Trindade é racional porque explica a experiência e a doutrina cristãs.


c) Mesmo que não houvesse um arranjo ordenado destes fatos, quer na natureza quer na Escritura, uma cuidadosa sistematização delas pela mente humana não se provaria impossível, a não ser que se admitisse um princípio que mostrasse também a impossibilidade de toda a ciência física. A astronomia e a geologia se constroem reunindo múltiplos fatos que, à primeira vista, parecem não ter nenhuma ordem. O mesmo também ocorre com a teologia. Contudo, apesar de a revelação não nos apresentar um sistema dogmático pronto, este não está só implicitamente contido nisso, mas partes do sistema se operam nas epístolas do Novo Testamento, como por exemplo, em Rm 5.12-19; 1 Co 15.3,4; 8.6; 1 Tm 3.16; Hb 6.1,2.

Podemos ilustrar a construção da teologia a partir de um mapa dissecado, do qual um pai reúne duas peças, deixando ao filho a tarefa de reunir as restantes. Ou podemos ilustrar a partir do universo físico, que, sem pensar, revela pouco da sua ordem. “A natureza não tem cercas”. Parece que uma coisa desliza para a outra. A preocupação do homem é distinguir, classificar e combinar. Orígenes: “Deus nos dá a verdade em simples laçadas, que podemos tecer em uma textura acabada”. Andrew Fuller diz que as doutrinas da teologia “estão unidas como encadeamento de projéteis, de tal modo que, se um entra no coração os demais seguem o mesmo caminho”. George Herbert: “Ah! se eu pudesse combinar todas as tuas luzes, e a configuração da sua glória; vendo não apenas como brilha cada verso, Mas toda a constelação da história”!

A Escritura sugere possibilidades de combinação, em Rm 5.12-19, com seu agrupamento de fatos sobre o pecado e a salvação em torno de duas pessoas: Adão e Cristo; em Rm 4.24,25, ligando a ressurreição de Cristo à nossa justificação; em 1 Co 8.6, indicando as relações entre o Pai e Cristo; em 1 Tm 3.16, resumindo de forma poética os fatos da redenção; em Hb 6.1,2 afirmando os primeiros princípios da fé cristã. O fornecimento de fatos concretos da teologia por Deus, os quais nós mesmos deixamos de sistematizar, está em plena concordância com o seu método processual relativo ao desenvolvimento de outras ciências.

IV. Necessidade: A necessidade da teologia baseia-se





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