A deus toda a glória



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b) Versus Herbert Spencer, Primeiros Princípios, 79-82 – "Conhecimento é o reconhecimento e a classificação”. Mas retrucamos que é necessário perceber primeiro uma coisa para reconhecê-la, ou compará-la com outra; e isto é verdade, tanto a respeito da primeira sensação como da última e as mais definidas formas de conhecimento; na verdade, não há nenhuma sensação que não envolva, como complemento, ao menos uma percepção incipiente. c) Porter, Intelecto Humano, 486 – "A indução só é possível baseada na suposição de que o intelecto do homem é um reflexo do divino, ou que o homem é feito à imagem de Deus”. Note, contudo, que o homem é feito à imagem de Deus, e não Deus à imagem do homem. A pintura é a imagem paisagística, não o contrário a paisagem, a imagem da pintura; porque há muito na imagem que não tem nada que corresponda a ela na pintura. A idolatria perversamente faz Deus à imagem do homem e deifica as fraquezas das impurezas do homem. A Trindade em Deus pode não ter a exata contrapartida na atual constituição do homem, embora possa descortinar-nos o objetivo do desenvolvimento futuro do homem e o sentido da crescente diferenciação das forças do homem. Gore, Encarnação, 116 – "Se o antropomorfismo aplicado a Deus é falso, ainda o teomorfismo aplicado ao homem é verdadeiro; o homem é feito à imagem de Deus, e as suas qualidades não são, a medida das divinas, mas a contrapartida destas e a verdadeira expressão”.

C. Porque conhecemos apenas aquilo que podemos conceber, no sentido de formar uma imagem mental adequada. Respondemos: a) É verdade que conhecemos só aquilo que podemos conceber se pelo termo "conceber" significamos nossa distinção entre o pensamento do objeto conhecido e os demais objetos. Mas b) a objeção confunde concepção com o que é meramente seu acessório ocasional e auxílio, a saber, o quadro que a imaginação faz do objeto. Neste sentido, não é teste final da verdade. c) Torna-se claro que a formação de uma imagem mental não é essencial à concepção ou ao conhecimento, quando lembramos que, de fato, tanto concebemos como conhecemos muitas coisas de que não podemos formar imagem mental seja ela qual for e que em nada corresponde à realidade; por exemplo: força, causa, lei, espaço, nossas próprias mentes. Assim podemos conhecer Deus apesar de que não podemos formar imagem mental adequada a respeito dele.

A objeção aqui refutada se expressa mais claramente nas palavras de Herbert Spencer, Primeiros Princípios, 25-36, 98 – "A realidade subjacente às aparências é total e permanentemente inconcebível por nós”. Mansel, Prolegômenos Lógicos, 77,78 (cf. 26) sugere que a fonte deste erro encontra-se num ponto de vista falho da natureza do conceito: “A primeira caraterística distintiva de um conceito, a saber, que não pode por si mesmo ser descrito no sentido e na imaginação”. Porter, Intelecto Humano, 392 (ver tb. 429,656) – "Conceito não é uma imagem mental” – só a percepção o é. Lotze: “De um modo geral não se representa a cor através de qualquer imagem; ela não se apresenta nem verde nem vermelha, mas não tem qualquer caraterização”. O cavalo, genericamente, não tem uma cor particular, embora individualmente possa ser preto, branco ou baio. Sir William Hamilton fala das “noções de inteligência impossíveis de ser representadas em pintura”. (8) Martineau, Religião e Materialismo, 39,40 – "Esta doutrina da Nesciência encontra-se na mesma relação com o poder causal, quer você a construa com o Poder Material, quer com a Atuação Divina. Nem pode ser observada; deve-se aceitar um ou outro. Se você admite para a categoria do conhecimento o que se aprende a partir da observação, seja particular, seja generalizada, então se trata de uma Força desconhecida; se você amplia a palavra ao que é importado pelo próprio intelecto em nossos atos cognitivos, para torná-los assim, então se conhece Deus”. A matéria, o éter, a energia, o protoplasma, o organismo, a vida – nenhum deles pode ser retratado para a imaginação; contudo, o Sr. Spencer os trata como objetos da Ciência. Se não são inescrutáveis, por que ele considera inescrutável a Força que dá unidade a todas estas coisas?

Na verdade, Herbert Spencer não é coerente consigo mesmo, pois, em diversas partes dos seus escritos, ele chama Realidade inescrutável dos fenômenos a Existência, Poder e Causa unas, eternas, ubíquas, infinitas, últimas. “Parece”, diz o Padre Dalgairns, “que se conhece muita coisa do Desconhecido”. Chadwick, Unitarismo, 75 – "A pobre expressão ‘Desconhecido’ torna-se, depois das repetidas designações de Spencer, tão rica como todo o conhecimento salvador de Croeso”. Matheson: “Saber que nada sabemos já significa ter chegado a um fato do conhecimento”. Se o Sr. Spencer pretendia excluir Deus do reino do Conhecimento, devia primeiro tê-lo excluído do reino da Existência; porque admitir que ele é, já é admitir que nós não podemos conhecê-lo, mas, na verdade, em certo ponto, nós o conhecemos.

D. Porque podemos conhecer, na verdade, só o que conhecemos no todo, não em parte. Respondemos: a) A objeção confunde conhecimento parcial com o conhecimento de uma parte. Conhecemos a mente em parte, mas não conhecemos uma parte da mente. b) Se a objeção fosse válida, nenhum conhecimento real de qualquer coisa seria possível, visto que não conhecemos uma só coisa em todas as suas relações. Concluímos que, embora Deus não seja formado de partes, podemos ter um conhecimento parcial dele e tal conhecimento, embora não exaustivo, pode ser real e adequado aos propósitos da ciência.

a) A objeção mencionada no texto é estimulada por Mansel, Limites do Pensamento Religioso, 97, 98 e é Martineau (Ensaios 1.291) quem a responde. A mente não existe no espaço e não tem partes: não podemos falar do seu quadrante sudoeste, nem podemos dividi-la em metades. Contudo, encontramos o material para a ciência mental no conhecimento parcial da mente. Assim, conquanto não sejamos “geógrafos da natureza divina” (Bowne, Revista de Spencer, 72), podemos dizer com Paulo, não que “agora conhecemos uma parte de Deus”, mas que “agora conheço [Deus] em parte” (1 Co 13.12). Podemos conhecer verdadeiramente o que não conhecemos exaustivamente; ver Ef 3.19 – "conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento”. Não entendo perfeitamente, contudo conheço em parte; assim posso conhecer a Deus, apesar de não entendê-lo perfeitamente. b) O mesmo argumento que prova que Deus é incognoscível prova também que também o mundo o é. Visto que todas partículas da matéria atraem-se mutuamente, nenhuma delas pode ser explicada exaustivamente sem levar em conta as demais. Thomas Carlyle: “É um fato matemático que o lançamento desta pedra da minha mão altera o centro de gravidade do universo”. Tennyson, Alto Panteísmo: “Flor na parede rachada, eu a arranco das rachaduras; Segure-se aqui, raiz e tudo, na minha mão, Porém, ó florzinha, porém não posso entender O que é você, raiz e tudo, e em tudo, Devo conhecer o que Deus é e o que é o homem”. Schurman, Agnosticismo, 119 – "Mesmo parcial como é, esta visão do elemento divino transfigura a vida do homem sobre a terra”. Pfleiderer, Filosofia da Religião, 1.167 – "O agnosticismo de coração fraco é pior que o arrogante e titânico gnosticismo contra o qual ele protesta”.
(9) E. Porque todos os predicativos de Deus são negativos e, por isso, não fornecem conhecimento real. Respondemos: a) Os predicativos derivados da nossa consciência, tais como, espírito, amor e santidade são positivos. b) Os termos "infinito" e "absoluto", contudo, expressam não meramente uma idéia negativa, mas positiva – a idéia, naquele caso, da ausência total de limite, a idéia de que o objeto assim descrito continua e continua sempre; a idéia, neste caso, de inteira auto suficiência.

Porque os predicativos de Deus, portanto, não são meramente negativos, o argumento acima mencionado não fornece nenhuma razão válida por que não podemos conhecê-lo.



Sir William Hamilton, Metafísica, 530 – "O absoluto e o infinito podem ser concebidos somente com a negação do objeto do pensamento; a saber, de qualquer modo não temos nenhuma a concepção do absoluto e do infinito”. Hamilton aqui confunde o infinito, ou ausência de todos limites, com o indefinido, ou a ausência de todos limites conhecidos. Per contra, ver Calderwood, Filosofia Moral, 248, e Filosofia do Infinito, 272 – "A negação de uma coisa só é possível através da afirmação de outra”. Porter, Intelecto Humano, 652 – "Se os moradores da Ilha de Sandwich, por falta de nome, tinham chamado o boi de não porco (not-hog), o emprego de um nome negativo não autoriza necessariamente a inferência de falta de concepções definidas ou conhecimento positivo”. Deste modo com o infinito, ou não finito, o incondicionado ou não condicionado, o independente, ou não dependente – "estes nomes não implicam que não podemos conceber e conhecer como algo positivo. Spencer, Primeiros Princípios, 92 – "O nosso conhecimento do Absoluto, embora indefinido, não é negativo, mas positivo”. Schurman, Agnosticismo, 100, fala da “farsa da nesciência atribuindo à onisciência os limites da ciência”. “O agnóstico”, diz ele, “erige o quadro invisível de um Grand Etre (Grande Ser), sem forma e sem cor, separado de modo absoluto do homem e do mundo – branco interiormente e vazio por fora – com sua existência indistinguível da sua não existência e, curvando-se diante da criação idólatra, derrama a sua alma em lamentações sobre a incognoscibilidade de tal mistério e pavorosa ausência de identidade. A verdade é que se desconhece a abstração agnóstica da Deidade, porque tal abstração é irreal”. Ver McCosh, Instituições, 194, nota; Mivart, Lições da Natureza, 363. Deus não é necessariamente infinito em todos aspectos. Ele só é infinito em toda a excelência. Um plano ilimitado em um aspecto de comprimento pode ser limitado em outro aspecto, como, por exemplo, a respiração. A nossa doutrina aqui não é, por isso, inconsistente com o que se segue de imediato.
F. Porque conhecer é limitar ou definir. Por isso o Absoluto como ilimitado e o Infinito como indefinido não pode ser conhecido. Respondemos: a) Deus é absoluto, não como existindo sem nenhuma relação, mas como existindo sem nenhuma relação necessária; e b) Deus é infinito, não excluindo toda a coexistência do finito com ele mesmo, mas como a base do finito, e assim, não algemado por ele. c) Deus, na verdade, está limitado pela imutabilidade de seus atributos e distinções pessoais bem como pela auto-escolha das suas relações com o universo que ele criou e com a humanidade na pessoa de Cristo. Portanto, Deus se limita e se define no sentido de tornar possível o conhecimento dele.



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